{"id":855,"date":"2009-12-13T19:30:56","date_gmt":"2009-12-13T21:30:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=855"},"modified":"2009-12-21T22:53:55","modified_gmt":"2009-12-22T00:53:55","slug":"descobri-as-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/descobri-as-maos","title":{"rendered":"DESCOBRI AS M\u00c3OS"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>Levei um susto quando prestei aten\u00e7\u00e3o na forma espalmada que se estendia na minha frente, navegando o espa\u00e7o em movimento constante. Como ela se sustenta, como pode flutuar sem que eu tenha consci\u00eancia plena da manobra? Possui vida pr\u00f3pria enquanto imagino ser seu dono? Ela est\u00e1 em meus dois flancos a manifestar-se longe e perto do meu alcance. Estendi esse susto \u00e0 parte inferior onde me situo e l\u00e1 est\u00e1 outra forma, que se planta no ch\u00e3o sem assombro.<\/p>\n<p>Somos anteriores a essas formas que definem partes do corpo. Somos de outra esp\u00e9cie, que dispensa as esferas soltas no cosmo. N\u00e3o h\u00e1 universo na fonte de onde viemos. Somos mais do que a mente ou o sentimento ou as vontades. Somos imortais a dispensar o rolo que geramos quando decidimos povoar o vazio com inven\u00e7\u00f5es sem termo.<\/p>\n<p>Primeiro vimos como blocos de coisas se destacaram da cria\u00e7\u00e3o insatisfeita e assumiram manifesta\u00e7\u00f5es id\u00eanticas \u00e0 nossa ess\u00eancia. Elas se transformaram, ganharam vida pr\u00f3pria e n\u00e3o temos mais poder sobre nada do que s\u00e3o ou fazem. Decidimos encarnar esses mundos estranhos para ver o que fazer com as criaturas. Vimos de perto a morte, o desmanchar de castelos, a distribui\u00e7\u00e3o de ru\u00ednas. Vislumbramos essa composi\u00e7\u00e3o de momentos est\u00e9reis que corta o umbigo do eterno enquanto viramos o olhar para outros confins.<\/p>\n<p>N\u00e3o sab\u00edamos o que nos esperava. H\u00e1 um gargalhar nessa constata\u00e7\u00e3o, pois nos imaginam poderosos, capazes de tudo. N\u00e3o somos mais capazes, estamos ref\u00e9ns da vida e seus afazeres. O mais esdr\u00faxulo \u00e9 esquecer as maneiras como nos apresentamos. Perdemos a pista do humano, esse brilho obl\u00edquo na bolha da vida.<\/p>\n<p>O humano \u00e9 uma ilus\u00e3o de \u00f3tica, uma irrealidade. Aproximando bem o olhar, vemos como se retorcem as almas condenadas. O que nos espanta s\u00e3o as ora\u00e7\u00f5es. As almas rezam e algo acontece no movimento das esferas. Colunas de fogo se desfazem, nebulosas se rearranjam, eras s\u00e3o inauguradas.<\/p>\n<p>Talvez a reza seja o sinal mais evidente de que existe algo maior do que n\u00f3s. Uma fonte poderosa de onde sa\u00edmos antes de nos aventurar por esse passeio c\u00f3smico sem sentido. Talvez bata o sino para encerrar o recreio, quando enfim poderemos deixar abandonados no quintal obscuro os objetos que nos deram alegria, no in\u00edcio, e depois despertaram o terror. Bolas gelatinosas de veneno, queima\u00e7\u00f5es de lavas mortas, s\u00fabitas luzes de navios encalhados, sarga\u00e7os e sereias, am\u00eandoas, palavras atiradas a esmo.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m nos chamar\u00e1 dizendo para encerrar a brincadeira. Ent\u00e3o lavaremos o rosto com essas m\u00e3os prec\u00e1rias, nos pentearemos e sentaremos na mesa comum com a algazarra da inf\u00e2ncia merecida. Descobriremos ent\u00e3o que existe mesmo algo anterior a n\u00f3s. \u00c9 aquele col\u00e9gio imenso, hoje abandonado ao infort\u00fanio. Havia barulho de crian\u00e7a e som de folhas impressas sendo lidas. \u00c9ramos apenas crian\u00e7as com livros, essa possibilidade que foi vencida pelo mundo sem lei.<\/p>\n<p>Depois da refei\u00e7\u00e3o, vamos brincar com as m\u00e3os, jogando longe, para o alto, a bola de futebol esquecida pelo Diretor. Faremos gol, o gol mais intenso de nossas vidas. Gritaremos, porque \u00e9 o fim do expediente e iremos ent\u00e3o para casa, onde o Amor, plantado no portal, espera por n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos anteriores a essas formas que definem partes do corpo. Somos de outra esp\u00e9cie, que dispensa as esferas soltas no cosmo. N\u00e3o h\u00e1 universo na fonte de onde viemos. Somos mais do que a mente ou o sentimento ou as vontades. Somos imortais a dispensar o rolo que geramos quando decidimos povoar o vazio com inven\u00e7\u00f5es sem termo.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/855"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=855"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/855\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1761,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/855\/revisions\/1761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}