CLINT EASTWOOD: PÁTRIA É ELEGÂNCIA

maio 13th, 2005 | Por | Categoria: Cinema        

Nei Duclós

Na linha de fogo é um filme sobre a segunda chance, que ao enfocar a vida pessoal dos agentes secretos americanos toca na intimidade da relação entre nação e cidadania. Clint Eastwood tem seu lado escuro, John Malkovitch, que expõe as feridas dos dois. Pelo telefone, John entrega a falha de Clint na hora decisiva, quando o presidente Kennedy foi assassinado, revelando os problemas decorrentes dessa queda, como o alcoolismo e o abandono da mulher. Mostra também o ódio que ele, John, tem do Estado que desfigurou sua moral, treinando-o para matar durante a Guerra Fria.

O referencial de Clint é a pátria. Não existe segurança nenhuma fora do conceito de nação. Não são os agentes que garantem a segurança, nem as famílias, nem as casas, nem as ruas. A única que coisa que importa, que acolhe, que é realmente segura, é a nação. Impossível ter privacidade, cumprir corretamente seus deveres, sem correr riscos. Não importa, portanto, quem seja o presidente, em que época estamos, qual o trabalho a ser desempenhado. O importante é fazer certo.

Sem a pátria, John deixa de ser um agente, é apenas um assassino. Para ele, matar o presidente é um jogo, brincadeira de esconder. Sua obsessão é o Outro, que o desmascara, por ter perdido mais – a reputação – mas continuou com o país. Para Clint não existe jogo, existe o dever. Para utilizar a conceituação de Jackie Kennedy, a elegância é feita de renúncia, contenção. Assim também a pátria.

Essa mensagem poderia ter um tom ufanista, colocada goela abaixo no público, se fosse feita no Terceiro Mundo. Nos Estados Unidos, faz parte do show-business, e as pessoas pagam para ver isso. Gruda no personagem encarnado por Clint, um dos símbolos da América. Seduz o público, transformando-se num grande filme

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