Continued from: O governo-geral da Bahia (vice-reino) - História do Brasil Colonial

Consideremos agora as diferentes partes do grupo de Estados baianos, e comecemos com a pequena província do norte — Sergipe — de 2.800 léguas quadradas de superfície, com uns 183.600 habitantes aproximadamente.

Daí pouco há que relatar. Como se sabe, já havia começado a colonização desse território nos fins do século XVI; todavia, durante a guerra holandesa caiu tudo mais ou menos em ruínas, e foi preciso depois recomeçar do princípio, no que, porém, os colonos repetidas vezes tiveram que sofrer, ora ataques dos índios, ora perturbações internas.

Nos fins do século XVII rebentou até um sério movimento revolucionário, que dá claro testemunho do estado anárquico de então da província e da arrogância da aristocracia dos possuidores de fazenda. Alguns grandes fazendeiros, que se julgaram ofendidos, porque as autoridades haviam encarcerado por crime alguns de seus trabalhadores da lavoura, reuniram-se para reação coletiva; de mão armada, arrombaram a prisão, reforçaram o seu bando, recrutando numerosos deportados, e dominaram à vontade, sem se importarem com o descontentamento dos cidadãos pacatos, nem com a autoridade dos representantes do poder constituído.

Por felicidade, esta quadra de anarquia não teve longa duração; do vizinho governo-geral da Bahia foi mandado um magistrado, com um destacamento de soldados, que dentro de pouco tempo restabeleceu a ordem; todavia, não se quis ou não se ousou empregar toda a severidade da lei contra os principais culpados; como expiação por seu crime, foi-lhes ordenado somente empreender uma expedição contra uma tribo de índios inimigos; e, como esta acabasse pelo melhor, com isto a fundação portuguesa firmou também a sua segurança externa, cerca de 1696.

Daí em diante quase não sucedeu um só fato de significação histórica. A população conservou continuadamente o seu caráter de violência e anarquia, e muito tempo Sergipe (ao lado de Pará, Maranhão e Alagoas) foi tido como a quarta província brasileira, em freqüência dos crimes de ferimentos corporais e assassínios. Também não se pode dizer que aqui floresça grande progresso material. Está Sergipe, antes, em todos os sentidos, no mesmo pé que Alagoas, e ambas, de população e colonização escassas, formam um território intermediário entre as florescentes províncias de Pernambuco e Bahia.

Finalmente, no que diz respeito à posição política, desde o princípio era Sergipe subordinada ao governador-gfc: :>1 da Bahia e governada como simples comarca; somente o rei d. João VI a elevou à categoria de província autônoma, em 8 de julho de 1820. Todavia, não se pôde subtrair à influência das poderosas vizinhas, e, assim, durante o perigo revolucionário (1820-1840), todas as agitações da Bahia e também em parte as que se deram em Pernambuco, ali tiveram repercussão mais ou menos forte.

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