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São estas as duas grandes revoluções históricas de Pernambuco, nos tempos modernos; quanto a movimentos revolucionários que se deram além destes, foram de pequena importância e uma curta referência a seu respeito bastará.

Primeiro, durante a noite de l9 de fevereiro de 1829, foi a cidade do Recife de novo inquietada por uma revolução republicana. Uma tropa de 70 cavaleiros, que se haviam reunido fora, invadiu o bairro de Santo Antônio, prendeu as autoridades dali e proclamou um governo provisório, que então mandou intimar o Conselho Municipal a aderir; entretanto, nem este, nem a população civil, tinham o menor desejo, pelas experiências passadas, de se implicarem de novo numa revolução, muito menos numa como esta, começada com tão insuficientes meios.

A guarnição e a polícia não acharam, portanto, resistência alguma, quando, na manhã seguinte, marcharam da cidade velha para Santo Antônio; os rebeldes fugiram e dispersaram-se pelo interior, afim de se esconderem da perseguição da justiça. Assim se restabeleceu a tranqüilidade.

No Rio de Janeiro, contudo, julgou o governo imperial, talvez enganado por notícias exageradas, que devia atribuir a esta revolta grande importância, e a 17 de fevereiro publicou dois decretos, que suspendiam para o território de Pernambuco o habeas-corpus e estabeleciam o tribunal militar; todavia, já a 27 de abril de 1829 foram revogados. Mais tarde, no ano de 1831, logo depois da abdicação do imperador d. Pedro I, revoltou-se parte da guarnição pernambucana; cerca de 1.000 soldados se apoderaram da capital e começaram o saque (14 de setembro); todavia, nos dois dias seguintes, conseguiram as autoridades, com o auxílio das tropas, que haviam permanecido fiçis, e dos cidadãos, restabelecer a ordem.

No ano seguinte (1832), começou nova revolução, que em breve se estendeu ao interior de Pernambuco, mormente a Alagoas. Era dado como motivo da mesma o restabelecimento do imperador, que abdicara; todavia, isto servia apenas de pretexto; de fato, era a guerra do povo destituído de bens contra os que os possuíam, na qual, como sempre em tais circunstâncias, eram de preferência sacrificados os portugueses abastados. Passaram-se muitos anos, antes que cessassem completamente as cenas de roubo e assassínio; porém as grandes cidades, ao menos, foram inteiramente poupadas, e um ataque dos rebeldes a Recife (janeiro de 183.5) foi repelido com felicidade*.

Com isto se concluiu a época moderna de revoluções para Pernambuco; o Ato Adicional à Constituição do Império, que justamente então (12 de agosto de 1834) se promulgava e que concedia a cada uma das províncias nos seus especiais interesses um governo autônomo, quase que republicano, correspondia em suma aos desejos da população de Pernambuco, satisfazia o seu orgulho provincial, e a província se conservou fiel daí em diante ao império do Brasil**.

Temos ainda apenas que notar dois pequenos movimentos do espírito revolucionário: primeiro, uma conjuração que foi a tempo descoberta e abafada (1842); depois, a revolta de 1848, que teve como causa, melhor como pretexto, a mudança então ocorrida do ministério do império, ou, segundo outra notícia, simples questão local; de fato, parece que o fito era simplesmente saquear o Recife; contudo, o chefe dos bandos amotinados caiu no primeiro combate, e assim passou felizmente esse perigo.

Desde então, Pernambuco se dedicou particularmente ao desenvolvimento dos seus recursos naturais e com grande sucesso; segundo uma estatística superficial, a produção anual do açúcar deve ter subido de 1821 até 1854 ao sêxtuplo e no ano financeiro 1854-55 elevou-se a sua exportação a três e meio milhões de arrobas 89.

Além disso, durante os últimos três anos tem sido a questão principal do dia o estabelecimento de uma estrada de ferro de comunicação com o interior; foi projetada uma linha férrea que do Recife penetre em direção sudoeste para o rio São Francisco e vá desembocar acima da cachoeira de Paulo Afonso, formando assim correspondência direta com a navegação a vapor do curso médio do São Francisco90.

Sem tlúvida, atualmente e no futuro não se pode esperar muita produção e transporte de mercadorias dessa zona fluvial; todavia, a estrada de ferro cortará os férteis trechos de costa, a terra do açúcar e do algodão; e assim encontrou esse projeto, principalment^-entre os capitalistas ingleses, grande aprovação, tanto mais que o poder central biasileiro dava uma garantia de 596 de juros e o governo provincial uma garantia adicional de 2%; ao que consta, foram pedidas 60.000 ações, ao passo que somente 48.000 eram oferecidas.

De outros grandes progressos materiais para próximo futuro devemos todavia duvidar, pois Pernambuco participa do mal, geral do Brasil — a falta de braços de trabalho.

Na verdade, a abolição do tráfico de escravos (4 de setembro de 1850) parece que não foi tão rigorosamente sentida nesta velha província, de relativamente densa colonização, como em outras; porém, imediatamente depois, começou a lavrar a febre amarela, sobretudo no trecho da costa; a ela se juntou o cólera; e ambas estas epidemias fizeram terríveis estragos entre a população de cor, livre ou escrava, as classes propriamente trabalhadoras. Assim também Pernambuco tem necessidade de encarar seriamente a questão da imigração.

Entretanto, neste ponto de vista, a perspectiva não é melhor que no vale do Amazonas; pois, precisamente no fértil trecho da costa, onde faltam os braços, o clima tropical como que impossibilita ao imigrante europeu todo o trabalho da lavoura e outros ao ar livre. Contudo, uma vez, no reinado de d. Pedro I, um certo número de soldados alemães, depois de haverem servido o seu tempo de contrato, ali fundaram uma colônia (1826); eles estabeleceram a sua sede algumas léguas a oeste do Recife, na mata, onde ganhavam o seu mísero sustento como carvoeiros; porém o viajante inglês Gardner, que visitou essa pequena colônia, Catacon ou Catuca, no ano 1837, já então profetizava breve decadência, e agora deve desde muito ter deixado completamente de existir!

* * *

Ao sul de Pernambuco está a província de Alagoas, de .5.200 léguas quadradas de superfície, de 204.200 habitantes, mais ou menos; é o último membro do grupo de Estados pernambucanos. Sobre esta, pouca coisa temos para acrescentar, pois as suas condições naturais já foram consideradas juntamente com as da sua vizinha ao norte, e a sua história está igualmente em tão estreita conexão com o desenvolvimento histórico de Pernambuco, que não se podia separá-la.

Lembramos, apenas, que, durante a invasão holandesa, duas povoações daqui alcançaram glória particular: Porto Calvo, a pátria do mulato Calabar e muito tempo disputadíssimo posto de fronteira, e Penedo, no Rio São Francisco, construída sobre os escombros do forte Moritz, holandês; e ainda mais, no solo de Alagoas, dois dos mais importantes acontecimentos mais tarde se desenrolaram ali: — o Estado negro de Palmares, e, em tempo mais moderno, a revolução de 1832.

Primeiramente, comarca de Pernambuco, foi esse território elevado pelo rei d. João VI à categoria de província autônoma (12 de janeiro de 1818); a princípio, era a capital a cidade de igual nome, Alagoas; todavia, no ano de 1839, foi transferida a sede das autoridades para a melhor situada cidadezinha de Maceió. Com isso se deram então alguns levantes, que mencionamos aqui resumidamente, para exemplo de como no Brasil se fazia uma revolução por simples motivos locais. Já desde muito tempo se cogitava da mudança de sede do governo, e os boatos naturalmente produziam .muito azedume na velha capital Alagoas; quando, então, em outubro, chegou do Rio de Janeiro a ordem de trasladar o tesouro provincial, provisoriamente, para Maceió, reuniu-se toda a população da cidade e dos arredores, instigada por alguns demagogos, que como prêmio da vitória acenavam com o saque de Maceió; o presidente provincial foi preso, recluso no seu palácio, e, por sumário decreto do povo, foi condenado à deportação para a Bahia. Apenas o navio que o levava havia alcançado o mar alto, então se submeteu a irjpulação às ordens de seu prisioneiro e virou de bordo; em vez de navegar para a Bania, tomou rumo de Maceió, onde o presidente foi acolhido com regozijo e instalou imediatamente o governo provincial; à sua requisição, vieram em socorro de Pernambuco, duzentos .soldados, e, assim que estes se apresentaram, debandaram qs insurgentes, sem que uma gota de sangue fosse derramada. Maceió foi depois, por decreto da legislatura provincial (9 de dezembro de 1839), confirmada na sua categoria de capital.

Alagoas produz especialmente algodão e, além disso, açúcar; no mais, permanece todo o Estado muito atrasado no que diz respeito à cultura, e ao menos há alguns decênios ele gozava da fama, nada invejável, de ser ali a vida do homem tida em tão pouca conta, que os assassínios eram tão freqüentes quanto nas brenhas do Maranhão e Pará, ou ainda mais.

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