A união faz a fôrça

A união faz a fôrça *)

Um velho, achando-se às portas da morte, em tôrno a si, con­gregou seus três, filhos, e, apresentando um feixe de varas, dis­se-lhes :

“Vede se podeis quebrara estas varas assim unidas como se acham. ‘Depois explicar-vos-ei o que com isso pretendo ensinar-vos.”

O mais velho dos irmãos tomou o môlho de varas, e, depois de empregar em vão tôda a sua fôrça, largou-o, assegurando não haver quem o pudesse quebrar.

Cada um dos outros, por seu turno, fêz 2) quanto podia, mas debalde, |

A todos resistiu o feixe de varas, sem que uma só estalassem “Gente fraca!” disse o velho, “a-pesar-da minha velhice e de estar já para morrer, vou mostrar-vos quanto mais forte do que vós ainda sou.”

Ouvindo estas palavras, creram os moços que seu pai grace­java, e se puseram a rir.

  1. Vide o mesmo assunto em verso à pág. 240. x

  2. subentende-se tuclo, antecedente do relativo quanto.

jr

Então desatou o velho aquele feixe de varas e sem custo as foi quebrando uma por uma.

“Nisto que acabais de ver, considerai, meus filhos, os efeitos da concórdia e da união.

“Sêde, pois, sempre e muito unidos, caros filhos, amai-vos estremecidamente uns aos outros, que fortes e felizes haveis d€ ser.”

E, daquele dia por diante, quase em outra coisa não falou o velho até morrer. Nos bons resultados da união e do amor iam sempre dar as suas conversas.

E, quando sentiu chegada a sua hora final, chamou de novo

seus filhos, e lhes falou dêste modo:

“Queridos filhos, é tempo de deixar-vos! Eu vou reunir-me aos nossos antepassados. (Recebei a minha bênção. Adeus!

“Mas, antes que eu morra, prometei-me viver sempre como bons amigos e bons irmãos7 e tranquilo darei o último suspiro.”

E aqueles irmãos não só prometeram, senão que juraram cumprir x) os desejos de seu pai.

[Tüntão, com o semblante radioso de consolação, aquêle sábio velho os abençoou novamente e expirou,

, Herança muito considerável, mas cheia de complicações, cou­be àqueles irmãos,- pelo que tiveram de sustentar várias deman­

das, das quais sempre saíram-se vantajosamente, enquanto ami­gos e unidos.

Mas quão pouco durou aquela feliz união!

O sangue e os conselhos do seu velho e bom pai os tinham unido: os interêsses e a ambição os desuniram.

Chegada a ocasião da partilha e querendo cada um ser mais bem aquinhoado, desuniram-se, e, mais do que isto, inimizaram-se.

E começaram êles próprios a demandar uns contra os outros.

Também novos credores apareceram, que daquela desunião se aproveitaram.

Grande foi então o desconcêrto 2) ! Um queria acomodar-se, os outros não; e, por fim de contas, em pobreza caíram todos, lembrando-se afinal, porém já tarde, da sábia lição que com aquêle feixe de varas lhes havia dado seu pai.

(Tradução)

(Tradução)

Fonte: Seleta em Prosa e Verso dos melhores autores brasileiros e portugueses por Alfredo Clemente Pinto. (1883) 53ª edição. Livraria Selbach.

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