Destaque
A literatura, e seu aliado, o cinema, é o caminho mais contundente para denunciar, descrever, criar vida a partir dessas situações limite. Roman Polanski, aos 72 anos e com filhos para criar ( um com sete e outro com 13), deixa de lado a transgressão pura e simples (como em “Repulsa ao sexo”) e volta-se
Categoria: Cinema
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Apresentação
Este espaço foi criado para resgatar e projetar um trabalho autoral de três décadas, desenvolvido em seis cidades (Uruguaiana, Porto Alegre, Blumenau, Florianópolis, Vitória e São Paulo) e que está ligado intimamente à produção poética, literária e jornalística do nosso tempo.
A idéia é concentrar os poemas, as resenhas, os artigos, as memórias, as reportagens, as crônicas e os textos literários e acadêmicos que estavam dispersos, parcialmente publicados e que até agora ocupavam o inacessível território das pastas, das gavetas e das estantes.
Esta página serve como exercício de difusão e de memória, de reencontro e retomada, num abraço único que envolve toda uma vida dedicada às palavras. Acompanha-me, nesta trajetória, a torcida e a colaboração de parentes e amigos, aos quais devo demais, sabendo que nunca poderei retribuir à altura. Esta é a maneira que encontro de homenagear o País e de compartilhar a minha versão de uma realidade que procuramos, sempre, transformar.
Nei Carvalho Duclós
Crônicas
Cinema
Nei Duclós
Fora Buenos Aires e a Patagônia, tudo na Argentina parece a minha terra, Uruguaiana e arredores, situada bem na fronteira. Sempre que vejo um filme feito pelos hermanos me dou conta que a paisagem, as calçadas, as cidades do interior, as pessoas, as roupas, as expressões, tudo faz parte da minha vida. Bem que [...]
Nei Duclós
Escola, disse aqui esses dias, quando escrevi sobre o filme francês Entre les murs, serve para o ensino e o aprendizado do uso da língua, passaporte para todas as outras matérias. Esa conceituação cabe perfeitamente no filme indiano Pedras preciosas como estrelas na terra, minha tradução livre de Taare Zameen Par (2007), dirigido e [...]
Livros
Nei Duclós
Os 45 poemas de A Escola das Facas, de João Cabral de Melo Neto (lançado cinco anos depois de “Museu de Tudo”) mergulham no que existe de mais caro ao poeta pernambucano: as lições de sua terra natal. Nos diversos confrontos da natureza nordestina, entre o sertão e o litoral, entre a cana e [...]
Política
Nei Duclós
O rolo é grande e aparentemente irreversível. Estudiosos ficam surpresos que, nesta época de “democratização” educacional, a violência nas escolas tenha se disseminado tanto a ponto de existir uma alunocracia, em que os professores são vítimas de crianças e adolescentes tiranos. Para mim, o motivo é óbvio, mas o problema é argumentar num ambiente [...]
Contos
INGLESES ROUBARAM A JULES RIMETNei Duclós
Custou a cair a ficha: os ingleses jamais perdoaram o fato de o Brasil ter ficado com a taça Jules Rimet para sempre. Por isso, subornaram cartolas para deixar o texsouro bem à mostra sem segurança na sede da CBD e contrataram um argentino para fazer o roubo. Depois, foi só contra-informação: bastou dizer [...]
Redação sem Máscara
BOAS MANEIRAS NO TWITTERNei Duclós
Como ainda existe liberdade no Twitter, tremo só de ouvir falar em manual de redação para o que chamam de “microblog”. Por conter frases de 140 toques não quer dizer que os bilhões de frases do Twitter pertençam a algo micro. Você pode escrever o quanto quiser. Também implico com a expressão “redes sociais”. [...]
Esportes
FUTEBOL PARA INICIANTESNei Duclós
Sou veterano em futebol. Ajudei a fundar um time há 50 anos, que está vivo até hoje, o E.C. Guarani, de Uruguaiana. Fui goleiro da minha rua, da minha classe, do meu colégio. Fiz gol no ângulo numa aula de educação física e outro por cobertura, chutando do canto, que bateu na trave e [...]
Memórias
O DIA DE PRATA NO MEIO DO MATOSaímos do acampamento já tarde, depois das dez da noite. Soube do horário pelas ondas direcionais do grande rádio de pilha do funileiro Sadi, companheiro eterno das pescarias da beira do arroio Rodrigues. Fomos em fila indiana, pisando graveto e barro, sendo açoitados pela copa dos arbustos espinhentos. Nosso destino era a corredeira, que a madrugada encerrava para lá do desconhecido, onde só os mateiros experientes chegam. (Texto publicado na antologia A Terra dos Longos Olhares, da editora Holoedro, 2005, org. de Lucia Silva e Silva)
Música
JOÃO GILBERTO, O ESPLENDOR DA FALAJoão Gilberto se presta ao exagero: a única coisa que lhe faz sombra é o silêncio, chão que palmilha devagar, com o passo que inventou nesta terra sem sentido e neste país assassinado. E se temos hoje uma língua, é porque João Gilberto resgatou-a, reinventando cada sílaba, pronunciando cada palavra, como um instaurador de milagres, e um fundador que não se contenta em apenas descobrir, mas cavar e levantar a estrutura completa de uma nação que hoje mora dentro de nós.
Poesia
FOMENei Duclós
Homenagem a um morto me emociona
Flores esparsas sobre o acostamento
Assim como o beijo em casamento
Ou procissão com anjos de carona
Resgate de naufrágio me arrebata
Corpos rasgados de tanto sofrimento
Teceram velas no rumor do vento
Sobreviveram com a fortuna intacta
Final de uma guerra me consome
Soldados se apossam em silêncio
Ruas desertas com tiros na parede
É que minha alma [...]
TV
A HIERARQUIA DOS GESTOSO gesto favorito dos nossos estadistas de estádio (como diria Ulysses Guimarães) é virar a cabeça junto com o tronco. Sinal que sugere integridade física, ou seja, não se torce o pescoço para olhar ninguém, vira-se inteiramente como a proclamar autoridade e expressar com esse gesto que se está ali para mandar e ensinar, e jamais para escutar. Nisso FHC e Lula também se parecem. A rigidez de ombros que ostentam significa que são rochedos. Em volta deles, pululam como ondas os ombros frenéticos da mídia, a lamber-lhes as ostras.