COPY DESK, O ANÔNIMO EDITOR DE TEXTO

mai 30th, 2011 | Por | Categoria: Memórias, Redação sem Máscara

Nei Duclós Fui copy a vida inteira. Chamava-se redator, uma função que sumiu na imprensa. Chegávamos mais tarde e saíamos por último, junto com o editor. Recebíamos os textos, copidescávamos, fazíamos o fechamento, como títulos, olhos, legendas etc. Hoje repórter faz tudo isso. A terceirização desses encargos liberava a reportagem da chatice de acertar o […]



O ESTADO EM 1972: JORNALISMO DO MUNDO PERDIDO

mai 30th, 2011 | Por | Categoria: Memórias, Redação sem Máscara

Nei Duclós Fiquei alguns meses em São Paulo morando de favor e fazendo uma matéria por mês no Jornal de Investimentos, editado pelo Celso Ming, e que era um dos veículos do grupo da Gazeta Mercantil. Meu tema eram empresas que tinham acabado de entrar nas Bolsa de Valores. Ming esmigalhava meu texto sem dó […]



FECHAMENTO

mai 30th, 2011 | Por | Categoria: Memórias, Poesia

Nei Duclós Estavam todos vivos até há pouco o Tarso com seu jeito louco o Scotch com a barba de Cuba o Bi arregalando o olho juntando laudas com Sergio de Souza Estavam todos vivos até há pouco o Múcio sempre nervoso o Fortuna com cara de ogro o Marcão Faerman e seus rebanhos Markito […]



MEMÓRIAS DA REVOLUÇÃO

nov 24th, 2010 | Por | Categoria: Memórias

Nei Duclós Lembro de tudo, mas posso errar nos detalhes, não importa. O que vale é a memória, o rescaldo daquela época e as conseqüências hoje, pois 2010 é o resultado de 1968. Duas tendências opostas se digladiavam pela liderança do movimento estudantil naquele ano. Eu “pertencia” à AP, como se dizia, a Ação Popular, […]



MEMÓRIA E IDENTIDADE

ago 17th, 2010 | Por | Categoria: Memórias

Nei Duclós Memória incomoda quando o conterrâneo se afasta da cidade e depois se refere à sua origem entre suspiros de saudade. Para quem fica, é desconfortável ver seu ambiente ser identificado com o passado, desconectado completamente do mundo, como se este pertencesse apenas ao saudoso e não ao que continua no mesmo lugar, mas […]



O DIA DE PRATA NO MEIO DO MATO

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Crônicas, Memórias

Saímos do acampamento já tarde, depois das dez da noite. Soube do horário pelas ondas direcionais do grande rádio de pilha do funileiro Sadi, companheiro eterno das pescarias da beira do arroio Rodrigues. Fomos em fila indiana, pisando graveto e barro, sendo açoitados pela copa dos arbustos espinhentos. Nosso destino era a corredeira, que a madrugada encerrava para lá do desconhecido, onde só os mateiros experientes chegam. (Texto publicado na antologia A Terra dos Longos Olhares, da editora Holoedro, 2005, org. de Lucia Silva e Silva)



O PUXÃO DA PRIMAVERA

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Crônicas, Memórias

Fico em frente ao passo do pássaro praiano. Ele tem aquele movimento que parece ser monitorado por flashes, com as pernas andando para todos os lados enquanto o bico enxerga o que jamais veremos. A cabeça gira e seus olhos não se importam comigo. O que chama a atenção da criatura é uma sombra, vizinha ao sol que tenta grudar na praia, mas é empurrado pelo vento. O brilho intenso na areia é a manifestação de um deus desconhecido.



LINHO BRANCO NA CIDADE ANTIGA

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Memórias

Todo dia era dia de solidão. Colocar a roupa branca de linho, passar uma escova no sapato, pentear o cabelo, sair olhando para os lados. Quatro quarteirões me separavam do cinema e da praça. Ainda era cedo para o footing. Podia pegar um filme. Quando não estava lotado, entrava já com a sessão adiantada. Sentava só, numa poltrona no fundo, ou “lá em cima”, longe da tela e perto do projetor.(Crônica publicada na edição número 2 da Revista Fronteira Livre, de Uruguaiana)



A GEOGRAFIA DA MEMÓRIA

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Memórias

Nem sempre temos sorte. Voltamos de mãos abanando, com a cesta vazia, os anzóis limpos, nenhum cheiro de peixe. Rodeados pelo que há de pior na humanidade, somos pescadores focados na nossa infinita solidão. Por isso gostamos de ficar na beira do rio, sem que ninguém nos atrapalhe.



VÉSPERA DE LINGUAGEM

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Memórias

Assim como toda família espera a primeira palavra com o coração na mão de tanta ansiedade, no jornalismo fomos empurrados para a criação de um estilo, ou seja, a linguagem conquistada com esforço, diante de uma platéia de leitores radicais, os colegas da redação. Foi nessa luta com a primeira palavra que inaugura um texto para se destacar do rebanho, e que define uma identidade sem esperança de que ela terá permanência, que trafeguei entre jornalismo e literatura, como vasos comunicantes que jamais se negam. Era a maneira de encarar os dois ofícios como um só, limpando de cada trabalho toda a veleidade que transforma sonho em papel datado. (Texto originalmente publicado no espaço Literário, do site Comunique-se, em 30/03/06).