Política

O QUE É A NATUREZA?

fev 10th, 2010 | Por nei | Categoria: Política

Nei Duclós
Quando a humanidade chegou do seu planeta de origem, que é feito de mosaico vermelho em toda sua superfície, viu que precisava enfrentar e dominar o que chamou de natureza. Tudo o que contrariava a humanidade era a natureza. Por isso a primeira providência foi transformar o mato em deserto, que tem bastante areia [...]



A ILUSÃO ANTES DO CRIME

fev 10th, 2010 | Por nei | Categoria: Política

Nei Duclós

A cena ficou famosa em Godfather II: antes de mandar matar o irmão, o novo Don Corleone, interpretado por Al Pacino, abraça a vítima, dá-lhe dinheiro, passagens e lhe deseja boa viagem. Logo em seguida, seus capangas mandam bala. Iludir o condenado serve para desarmá-lo, torná-lo disponível para o crime (qual seu último desejo?). [...]



A INVENÇÃO DO CAOS

dez 18th, 2009 | Por nei | Categoria: Política

Ver São Paulo submersa, com pessoas ilhadas, carros parados, gente morrendo, é enxergar um dos monumentos mais bem acabados da ditadura brasileira: o caos urbano, implantado de propósito, objetivamente. As ruínas em que se transformaram as cidades não é resultado da falta de políticas públicas, mas obra de políticas públicas voltadas para a desestabilização do espaço físico de convivência. Foi um trabalho e tanto. Vejam como isso aconteceu (é bom lembrar a origem dos problemas e não achar que eles fazem parte da natureza, assim como se o horror fosse um cogumelo que brota desavisado no campo molhado pela chuva).



PROVAS PARA COPIAR

dez 18th, 2009 | Por nei | Categoria: Política

Como as instituições não investem mais em pessoas qualificadas e contratam qualquer bunda suja para cobrar os tubos providenciando provas copiadas para testes em geral, reslvi ajudar os estudantes e professores com minha contribuição de veterano de vestibulares. Anuncio que passei em vários. O da Engenharia da UFRGS em 1967, o de Jornalismo na Ufrgs (com primeiro lugar!) em 1968, na Eca da Usp em 1980, na História da Usp em 1984 e de novo na História da Usp em 1996. Portanto, tenho cacife para elaborar provas. Como ninguém me convoca nem me paga por isso, vou colocar aqui alguns vestígios da minha capacidade.



O QUE É CORRUPÇÃO?

dez 18th, 2009 | Por nei | Categoria: Política

Corrupção é o conjunto de atividades das pessoas comprovadamente honestas. O sujeito que foi defenestrado da Presidência da República depois de inúmeras denúncias, por exemplo, e que ficou famoso por sequestrar a conta corrente e a poupança da população, é uma pessoa comprovadamente honesta, nada consta contra ele na Justiça, tanto é que virou senador. Outro exemplo notório é o presidente do Congresso que foi acusado de grossas irregularidades no Senado. Ele recentemente publicou um artigo na Folha falando de sua honestidade e como combateu a corrupção. O estadista de estádio e seu infiel escudeiro, que negam a existência do mensalão, também. Além do doutor Honoris Causa em entrega do país que se reelegeu graças a uma artimanha financeira gigantesca que tungou o país em 50 bilhões de dólares, conforme denúncia do repórter britânico Greg Palast. São todos pessoas comprovadamente honestas. O conjunto de suas atividades é a corrupção.



O QUE É PAZ?

dez 18th, 2009 | Por nei | Categoria: Política

Paz é a situação de conforto e alívio proporcionada pela ação vitoriosa de chutar o traseiro alheio. Se você dá coice no semelhante que está lhe incomodando, derrotando-o nas suas pretensões de encher o saco, então você terá paz. Os americanos são mestres nisso. Jogaram duas bombas atômicas em populações civis do Japão quando a Segunda Guerra já estava ganha. Mas era preciso dar o pontapé definitivo nos japs que ousaram destruir aquela frota no Havaí. Agora Obama (sim, ele pode) manda 30 mil soldados para o Oriente Médio enquanto recebe o Nobel da Paz.



OS ESCRITORES QUE A DITADURA PRODUZ

dez 18th, 2009 | Por nei | Categoria: Política, Redação sem Máscara

Para que o país continue sendo saqueado, a linguagem precisa se deslocar da nacionalidade, portanto, do sentido. Esse é o papel da literatura que se consolida a partir da chamada globalização, ou da entrega do Brasil aos estrangeiros. Insurgir-se contra isso é ser acusado de patrioteiro, xenófobo e reacionário. Essa é a grande armadilha dos escritores notórios, que empalmam vastos espaços na mídia (latifúndios de divulgação, fruto da concentração de renda): como tornaram-se uma contrafação da vanguarda, sentem-se à vontade para exercer a exclusão que os compromete até o osso e os enche de dinheiro. Escrever é mentir e tirar a máscara é assumir personagens vazios de realidade.Nei Duclós

Para que o país continue sendo saqueado, a linguagem precisa se deslocar da nacionalidade, portanto, do sentido. Esse é o papel da literatura que se consolida a partir da chamada globalização, ou da entrega do Brasil aos estrangeiros. Insurgir-se contra isso é ser acusado de patrioteiro, xenófobo e reacionário. Essa é a grande armadilha dos escritores notórios, que empalmam vastos espaços na mídia (latifúndios de divulgação, fruto da concentração de renda): como tornaram-se uma contrafação da vanguarda, sentem-se à vontade para exercer a exclusão que os compromete até o osso e os enche de dinheiro. Escrever é mentir e tirar a máscara é assumir personagens vazios de realidade. Esse pesadelo é justificado pela crítica comprometida com o círculo vicioso da linguagem artificial, que se alimenta também do artificialismo acadêmico, que reproduz indefinidamente as mesmas teorias pretensamente radicais e que no fundo não passam de álibis para manter os escritores de verdade no ostracismo.

SOBERANIA – O que são escritores de verdade? Os que não se deixam levar pelos modismos e escrevem com o espírito livre. Os mais radicais inovadores da linguagem, os que não fazem parte dessa curriola que se retroalimenta sem parar, compartilham desse ostracismo. Por que não incensam Campos de Carvalho, o genial autor de A Lua vem da Ásia? E J.J. Veiga, de A Hora dos Ruminantes? E Renato Pompeu, de Quatro Olhos? E J.A. Pio de Almeida, da obra-prima As Brasinas? Porque isso não dá dinheiro. O que dá dinheiro é cortejar a falta de escrúpulos dos pseudo-escritores, que fizeram do joguinho de palavras um saco aparentemente sem fundos. Mas o problema é que as invencionices lingüísticas têm um limite e eles não se tocam. Ficam ainda experimentando sem parar. A pseudo-vanguarda hoje vitoriosa em todas as mídias nada tem a ver com a intensificação e o aprofundamento experimental e teórico que gerou, na música, a bossa nova, e na literatura a poesia praxis e o concretismo. Mas o que foi intenso e realmente transformador serve de insumo dessas vanguardinhas de araque que tomam conta dos cadernos culturais e, forças!, ainda se dão o luxo de se acharem marginalizados e perseguidos. É tudo mentira, claro. A falsidade é tamanha que, além de tomar conta da cultura oficial (a bem remunerada pelo dinheiro público) ainda conservam as paranóias das perseguições de gerações anteriores. Luto aqui pela democratização cultural. Hoje não há interesse em encarar a diversidade cultural brasileira, o país que teve sua nacionalidade transformada em pó e que acredita em Patrimônio da Humanidade (eles é que são a humanidade, dá para entender?) e entrega o seu subsolo amazônico a grandes corporações. Levaram o ouro e os minérios e depois as estatais. Agora é o território mesmo. Soberania para quê?

LUTA – A falsa literatura (que sobra em exemplos por toda parte) é essa que te tira tempo e em nada te retribui. Que te deixa vazio, irritado. E que não passa de um conjunto de poesias pífias e romancezinhos de araque, tudo fruto do desespero individualista que tomou conta da ex-nação, hoje um amontoado de indivíduos. Esse ambiente não aborda mais os princípios éticos, tornados vilões ou meras excrescências obsoletas; não cuidam da família, extinta em favor da celebração do Mesmo e sua tempestade lúdica desconectada do destino, da eternidade ou da alegria. É um ambiente sinistro e soturno, o dessas palavras que invadem todos os espaços, deixando de lado os valores que não possuem incentivo para proliferar. Quantas gavetas amarelam e vão para o lixo, quantos escritores assassinam a própria vocação, desencantados com tanto horror, com tantas luzes e holofotes sobre nulidades tornadas célebres. Vai ler esse cara tão incensado, vai ver o que ele escreveu! É o reino da baixaria, das palavras sem poder, de âncoras que pegam teu pescoço de leitor e te jogam para o fundo. E quanto mais escatológicos, mais fôfos nos seus olhares apertados, a sugerir reflexão, suas carinhas de anjo, a sugerir juventude, a sua falta de escrúpulos, a sugerir inovação. Cada um no seu espaço, funcionam como vasos comunicantes da linguagem que serve à ditadura civil, formada pelo arrocho financeiro, a exclusão social e o voto de cartas marcadas. Esses pseudo- escritores não serão apeados do poder que hoje usufruem (rumo à Academia de Letras) a não ser pela luta política. É preciso acabar com o insumo financeiro que os sustenta, para que caiam como um castelo de cartas.

SAÍDA – O que vale é o resgate clássico do acervo cultural da nação e o trabalho transformador a partir dessa herança. A língua levou séculos para se consolidar. Possui todas as chaves e não vai ser demitida assim por qualquer merrequinha cerebral e suas tiradas metidas a besta. Respeite os oito baixos do teu pai.



CULTURA, CARNAVAL E CINZAS

dez 18th, 2009 | Por nei | Categoria: Política, Trabalhos Acadêmicos

O bilontra da virada do século, o malandro que domina a cena carioca a partir dos anos 30 e o bandido que se consolida principalmente depois de 64 – que militarizou a sociedade – são, no fundo, o mesmo personagem. (Revolta da vacina, Ideologia da malandragem, O gênio da chanchada, Tom Jobim e os etnocêntricos e Zé Kéti foi à luta são os temas de um trabalho que analisa a mão pesada do Estado na fonte do conceito e das ações da marginalidade).
Texto apresentado na cadeira de História da Cultura, do professor Arnaldo Contier, da USP.



SÃO PAULO, CIDADE ETERNA

dez 17th, 2009 | Por nei | Categoria: Política

És a porta para o Brasil soberano, cidade dos meus sonhos. És fábrica, ilusão, corte marcial, vôo de luz. Quando te vi pela primeira vez era julho, São Paulo, e do Pacaembu até o Paraíso andei a pé e vi tua cor, tua grandeza depositada em majestade. Quem viveu e vive contigo São Paulo, é teu filho, que vê em ti o regaço de um projeto ainda em andamento: o de sermos livres, porque nos ensinaste a liberdade, como um herói que enfrenta os canhões sem nenhuma lágrima, apenas com o sorriso dos que se vêem humanos, precários, escassos.



HÁ VIOLÊNCIA

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Política

Como a violência não é exclusiva do Estado, todos se acham no direito de exercê-la. Nesta terra de escravos, todo mundo é senhor. Vejam no trânsito, quando alguém “permite”, com sacudidinhas de mão e braço, que você pode passar, ou que você deve parar. Ligar a lanterna tem o mesmo peso do farol (ou sinaleira, como dizemos em Uruguaiana). O sujeito liga o pisca-pisca e entra, já que sua vontade é a lei. Nas entrevistas da televisão, é comum a expressão “tá!?”, professoral, sinal de que a pessoa não está apenas emitindo uma opinião, está ditando uma ordem.



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