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Aristóteles: – Biografia de Aristóteles e pensamentos de Aristóteles



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07/29/97

Aristóteles

imagem de Aristóteles

Aristóteles: biografia e pensamentos

Aristóteles (384-322 a.C) foi um filósofo grego nascido na cidade de Estagira, na Calcídica, Macedônia, distante 320 quilômetros de Atenas. Essa cidade foi por muito tempo colonizada pelos jônicos, e em virtude disto ali se falava um dialeto jônico. O nome do pai de Aristóteles era Nicômaco, um médico. Aristóteles foi criado junto com um grupo de médicos, amigos de seu pai. Nicômaco chegou a servir a corte macedônica, a serviço do rei Amintas, pai de Felipe, futuro rei. Na sua juventude teria jogado fora seu patrimônio e aos dezoito anos foi para Atenas, a fim de aperfeiçoar sua espiritualidade, e lá ingressou na Academia, onde se tornou discípulo de Platão, o que marcaria profundamente sua biografia.
Na Academia, Aristóteles amadureceu e consolidou sua vocação para filósofo. Teria freqüentado-a por cerca de vinte anos, aproveitando em muito o convívio com o mestre. Foi um discípulo brilhante inicialmente,   e professor de retórica depois. Não se sabe ao certo seu papel na Academia, mas deve ter se ocupado dos diversos assuntos que a Academia investigava e tratava com toda a sociedade ateniense e com ilustres personagens da cultura grega da época, como por exemplo, o eminente cientista Eudóxio. Durante este período na Academia, o jovem Aristóteles chegou a defender os princípios platônicos em alguns escritos. Mas sua inteligência e disciplina extraordinária o faziam discordar em muitos pontos da doutrina do mestre.  Na obra Parmênides, de Platão, aparece a figura do jovem Aristóteles. Esse diálogo foi feito para responder a algumas críticas que a Teoria da Idéias vinha sofrendo. De fato, Aristóteles foi um dos primeiros e o maior crítico da teoria platônica das Idéias, com demonstra em muitas obras, principalmente na Metafísica.
    Aristóteles organizou uma biblioteca. De fato, era um homem que passava grande parte do tempo estudando, e Platão chegou a critica-lo por estar sempre em companhia dos livros, enquanto Aristóteles critica Platão por mitificar a realidade. Sua obra aborda vários ramos do saber: política, zoologia, botânica, física, metafísica, filosofia e outros.  Depois da morte de Platão, Aristóteles dirigiu-se à Ásia Menor. Junto com o colega de Academia Xenócrates,   estabeleceu-se em Assos, onde permaneceu por três anos. Depois foi para Mitilene, na ilha de Lesbos. É provável  que em Mitilene tenha feito grandes pesquisas sobre ciências naturais, em conjunto com aquele que depois viria a sucedê-lo, Teofrasto. Em 343/342 Aristóteles é chamado por Felipe, o Macedônio (aquele mesmo que era filho do rei Amintas que tinha como médico Nicômaco, pai de Aristóteles) para ser  preceptor do jovem  Alexandre, o Grande. É provável que Aristóteles tenha conhecido Felipe quando criança, na corte macedônica. Começou a ensinar Alexandre quando este tinha treze anos, e era um irrequieto jovem. Aos quinze anos este abandonou a filosofia e começou sua ascensão. Existes duas datas prováveis para a saída de Aristóteles da Macedônia e de seu cargo de preceptor: 336 a.C ou 340 a.C.
    Aristóteles voltou a Atenas em 334 a.C. e seus últimos doze anos a os mais fecundos literariamente. Fundou sua própria escola, o Liceu quando tinha cerca de cinqüenta e um anos de idade. Para começar com essa escola que seria a rival da  já meio decadente Academia, Aristóteles alugou alguns edifícios próximos ao templo em honra a Apolo Lício. Por causa disso, a escola de Aristóteles ficou sendo conhecida como Liceu. Os estudantes receberam o nome de Peripatéticos, pois aprendiam passeando com o seu mestre nos jardins do Liceu. A pesquisa realizada por Aristóteles e seus discípulos foi um projeto monumental. Conta-se que Alexandre, já homem feito e com o trono imperial assumido, teria dado indicações aos seus súditos para ajudar Aristóteles a colher material botânico em um enorme espaço geográfico. Devido a essa ligação com o Império Macedônico, Aristóteles sofreu com a reação que houve em Atenas depois da morte de Alexandre, sob a alegação de ter sido o mestre daquele que conquistara a Grécia. Para fugir dos inimigos, foi para Calcídia, onde sua mãe tinha alguns bens. Morreu em 322 a. C, poucos meses depois de ter se exilado.
     Aristóteles escreveu cerca de cento e vinte obras, das quais quarenta chegaram até hoje. Seus livros fundamentais são: Retórica, Ética a Nicômaco, Ética a Eudemo, Orgânon, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Física, Metafísica, Sobre o Céu, Crescimento e Decadência, Sobre a Alma, As partes dos animais, Política, entre outros. Essas obras pertencem ao conjunto do chamado corpo esotérico das obras de Aristóteles. É sabido que a obra de Aristóteles é dividida em dois grandes grupos: os escritos exotéricos e os escritos esotéricos. Os escritos exotéricos seriam aqueles de fácil leitura, dirigidos ao grande público. Desse grupo restaram apenas alguns fragmentos e títulos, como por exemplo O Grilo ou da Retórica, aonde Platão defendia a posição platônica contra Isócrates. Infelizmente, os escritos esotéricos estão quase que totalmente perdidos. Por outro lado, muitos dos escritos esotéricos chegaram até os dias de hoje. Esses escritos eram feitos para os iniciados do Liceu, alunos e mestres, muitos ministrados em aulas, sendo patrimônio exclusivo do Liceu.
     O estilo do estagirita é predominantemente científico. Muitos livros seus se perderam, especialmente na época da Renascença, por causa do Index (índice de livros proibidos) da Igreja católica. Realizou importante trabalho de revisão, elaboração da história dos pré-socráticos. A Grande Obra Aristotélica não teria chegado até os dias de hoje se não fosse as edições árabes, a organização de alguns aristotélicos, como Avicena e Averróis, e o imenso trabalho de filósofos e padres, que copiavam e traduziam os fragmentos à mão.  O organizador da Biblioteca de Alexandria. Andronico de Rodes-  que também foi o décimo sucessor de Aristóteles no Liceu- conseguiu organizar uma edição das obras de Aristóteles, em meados do século I.  A palavra metafísica, que tem várias acepções em diversos autores, teve o sentido primeiro batizado por Andronico. De fato, ao organizar sua coleção da obra aristotélica, Andronico chamou de ta meta ta physica (depois da física) o conjunto de livros que era colocado na estante depois da obra intitulada Física. Essa obra, chamada então de Metafísica, versava sobre a causa primeira, o Motor Imóvel do mundo. Assim, o sentido dado à palavra metafísica por Andronico se transformou para algo como "além da física", ou seja, o supra-sensível, que não se apresenta aos sentidos. Mas a palavra una Metaphysica não se encontra antes da Idade Média, particularmente em Averróis, segundo Eucken.
   Aristóteles, para  Diógenes Laércio, foi o mais genuíno discípulo de Platão. Essa colocação parece ir contra a opinião corrente, visto que Aristóteles contraria em muito a doutrina platônica, em especial a Teoria das Idéias.  Ele reconhece no mestre uma alma indisciplinada e irregular, que passava mais tempo em contemplação, buscando encontrar a verdade das idéias, do que em contato com a realidade simples, que mitificava. Aristóteles achava que a Idéia não constituía realidade separada. A realidade para ele é de indivíduos concretos, e só neles existe a idéia, a quem chama de forma. Argumenta que é a razão que controla nossos atos e nela há o raciocínio a partir dos dados dos sentidos. A forma seria aquilo que a matéria faz. O mundo é dividido entre orgânico e inorgânico, sendo o orgânico o que encerra em si uma capacidade de transformação, como veremos mais adiante. Mas essa interpretação de que Aristóteles se desvia completamente do mestre é equivocada, como observa Giovanni Reale, pois um discípulo genuíno não apenas repete o mestre, conservando intocável sua teoria, mas sim quem busca saídas novas para as aporias quer não foram resolvidas, busca superar e atentar para os pontos em que pode ter havido erro. De fato, em uma obra madura, Ética a Nicômaco, temos um exemplo do impasse que se dava na alma do Estagirita, entre defender suas próprias idéias e respeitar a amizade a Platão e aos platônicos. Diz Aristóteles em I, 6, 15:
    "Seria melhor, talvez, considerar o bem universal e discutir a fundo o que se entende por isso, embora tal investigação nos seja dificultada pela amizade que nos une àqueles que introduziram as Idéias. No entanto, os mais ajuizados dirão que é preferível e que é mesmo nosso dever destruir o que mais de perto nos toca a fim de salvaguardar a verdade, especialmente por sermos filósofos ou amantes da sabedoria; porque embora ambos nos sejam caros, a piedade exige que honremos a verdade acima de nossos amigos".
    Ele prossegue observando não ser possível uma Idéia comum por cima de todos os bens, como queria Platão, porque bem é usado tanto na categoria de substância quanto na de qualidade e  relação. E nas Idéias eternas não há prioridade e posterioridade. Por causa disso, Platão não estabeleceu uma Idéia que abrange todos os números. A palavra bem é predicada na categoria de substância, quantidade, qualidade, relação, espaço. Então bem não pode ser único e igualmente presente.    Embora haja desavença em questões como essa, de ser possível ou não um "bem em si", há concordância em muitos outros pontos. Nessa mesma obra Aristóteles concorda com a opinião platônica que punha a essência do homem na alma.  Assim como o carpinteiro, o olho o pé e outras coisas têm uma função própria, o homem precisa ter uma função que lhe seja peculiar. A função do homem, observa o Estagirita, não pode ser a vida -pois essa é comum até às plantas-, nem a percepção – pois essa é comum aos animais-, mas sim a atividade do elemento racional. A função do homem é, pois, uma atividade da alma que "segue ou implica um princípio racional". Daí o fato de ele fazer a famosa afirmação: "o homem é um animal racional".

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331 Comentários para “Aristóteles: – Biografia de Aristóteles e pensamentos de Aristóteles”

Páginas: « 7 6 5 4 3 2 [1] Show All

  1. 31
    Andreza/Dulce:

    Muito bom,Exelente!

    Adorei o texto!

  2. 30
    simone:

    Gostaria de saber onde encontro material sobre o livro VIII.

  3. 29
    leonardo Lobo:

    excelente texto, porém muito extenso e com muitos detalhes

    para um leigo é um tanto quanto confuso..

    mais de altissima qualidade sem sombra de dúvidas

    ótma literatura introdutória

  4. 28
    tuani:

    leia a historia de aristoteles…………

  5. 27
    Jecikinha Juliete:

    Eu gostei muito do texto,porque faz com que nós ainda alunos do ensino médio comece a pensar de uma maneira mais ampla e até pense um pouco antes de agir , se todos tivessem o minimo de conhecimento sobre tais obras e histórias talvez os atos seriam menos impulsivos e quem sabe mais solidários

  6. 26
    djavan ramos rodrigues:

    achei muito interessante,mas a minha vida de filosofo é a melhor do q a dele!!!!!!!!!!!!!!!

  7. 25
    helio:

    texto pra vc

  8. 24
    william james de souza:

    seus textos são bons eu utilizo para as minhas aulas no ensino médio e servem para
    instruir o aluno na moral de aristoteles no conceito seu sobre liberdade ok.

  9. 23
    wellington ribeiro dos santos:

    gostei e achei muito interesante

  10. 22
    luciana dorea:

    guardar este texto para futuras pesquisas.

  11. 21
    arnaldo:

    silogismo

  12. 20
    Maria de Fátima da Costa Rodrigues:

    gostaria de saber o nome completo de: Aristóteles,Platão,emmanuel Kant e Socrates…. Ficarei muito grata com qualquer resposta que vocês me,derem.Obrigada.

  13. 19
    Heitor Santos:

    É muito bom esse texto me ajudou munto
    estou no 1º ano mais não consegui achar os seus trabalhos mais conhecidos como medir uma piramede sem nenhuma ferramenta…

  14. 18
    vanessa:

    pow muito boa me ajudou muito no trablho de filosofia pretendo tirar a maior nota rsrsrsrsr.

  15. 17
    pedro:

    fotos

  16. 16
    yara:

    o texto é bem explicativo…
    gostei mto da história de Aristóteles!!!!

  17. 15
    Daiani Sandri:

    Trabalho de Filosofia

  18. 14
    Cibele:

    entaun….esse Aristóteles eh um filósofo….esse eh um texto q fala sobre ele….bjssssszzzzz***
    Rak:)

  19. 13
    Fatima:

    gostaria que explicasse sobre as questoes de relaçao entre as normas e os bens; entre a etica individual e social; classificaçao das virtudes; exame da relaçao entre a vida teorica e a vida pratica, formuladas por Aristoteles. oK? obrigada.

  20. 12
    VANDERLEIA:

    oi tudo bem

  21. 11
    Rafael:

    Os textos sobre Sócrates e Platão foram melhores.

  22. 10
    Lucchian de Andrade Araujo:

    achei a pesquisa

  23. 9
    eu:

    tentem simplificar mais u texto

  24. 8
    Braz:

    por favor mandem-me emailcom textos filosoficos

  25. 7
    maria:

    bom

  26. 6
    Miguel:

    O autor do texto sou eu – Miguel Duclós. Quanto às referências bibliográficas do texto existe um problema. Esses textos da seção Textos Introdutórios foram escritos em 1997, a partir de fontes variadas, a col. Os Pensadores, Histórias da Filosofia, etc. As referências estavam todas juntas em um arquivo só, que se perdeu numa das nossas migrações.

    abs

  27. 5
    Manu:

    Quem é o autor deste texto?Goataria de saber porque fiz um paper e utilizei alumas partes deste….Ai preciso colocar nas referências bibliograficas.Obrigado

  28. 4
    mariana:

    eu queria frases de filosofos sobre o pensar e o pensamento.
    nao quero textos, sim frases.
    quaero frases por favor me mandem oque puderem.
    Obrigado

  29. 3
    flaviamaria:

    uma exelente lissao de vida

  30. 2
    debora:

    filosofo

  31. 1
    ELIZABETH DIAS:

    o texto é excelente. mas gostaria de saber sobre o livro VIII da etica a nicomaco. porque para ele a amizade era um bem ou uma virtuda tao valiosa qto a justiça?

Páginas: « 7 6 5 4 3 2 [1] Show All

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