Respostas no Fórum
-
AutorPosts
-
Miguel (admin)Mestre
Será que eu não disse mesmo nada de relevante até agora? Ou você não quer dar o braço a torcer que o existencialismo já está ultrapassado e, hoje em dia, é considerado modernidade?
Pelo que eu ouvi do Renan, as coisas que tenho dito são até bem inteligíveis.
Se você quiser, eu até posso passar um longo tempo tentando te explicar o ponto de vista dos filósofos contemporâneos. Mas, isso só não será um trabalho vão se você tentar ser imparcial…
Enquanto quiser manter as aparências de que o existencialismo não naufragou nas águas críticas do tempo, qualquer explicação minha será inútil…
.
Miguel (admin)Mestre“Alguns filósofos pós-modernos, pós-estruturalistas, tais como, Jaques Derrida, Giles Deleuze, Lyotard e Jean Baudrillard começaram a se preocupar com os fenômenos sociais e humanos e desconstruíram o discurso filosófico sobre os valores ocidentais dos princípios e das concepções de Deus, Razão, Sujeito, Verdade, Ordem, Ciência, Ser. Para esses autores desconstruir o discurso não significa destruí-lo, nem mostrar como foi construído, mas refletir sobre o não-dito por trás do que foi dito, buscar o silenciado (reprimido) sob o que foi falado.”
[http://www.espacoacademico.com.br/031/31cmatos.htm]Exatamente. É isto mesmo que é a DESCONSTRUÇÃO:
REFLETIR SOBRE O NÃO-DITO POR TRÁS DO QUE FOI DITO, BUSCAR O SILENCIADO (REPRIMIDO) SOB O QUE FOI FALADO.
Só pra complementar: Nem sempre o não-dito foi reprimido (ou recalcado). Pode, também, ter sido apenas forcluído ou, simplesmente, ser aquilo que se deixou de dizer…
.
Miguel (admin)Mestre“A responsabilidade sartriana não deve ser confundida com a liberdade sartriana, pois é o conceito de liberdade sartriana que fala do compromisso humanista em face da inexistência de Deus, enquanto a responsabilidade sartriana É, SIM, NO SENTIDO DE FAZER A DIFERENÇA!”
O que eu quis dizer é que a responsabilidade sartriana é responsabilidade no sentido de dever, de dever fazer pelo outro. E, não, no sentido de que essa seria a responsabilidade que a sociedade lhe cobraria postumamente.
Ironicamente, a expressão DEUS SIVE NATURA de Spinoza ía justamente de encontro ao ateísmo sartriano, criticando a moral do dever-ser.
Em algum ponto de sua obra, Sartre recua sobre essa posição e retoma a moral (éthos), agora sob o foco de influência ideológico…
.
Miguel (admin)MestreOlá Mileto,
“Espero que isto tenha ficado claro para vocês.”
Para mim ficou claro.“Elas são opiniões suas, não de Sartre”
É exatamene isso mesmo, são opiniões minhas.
E eu concordo que é um erro a crença de que “a consciência é consciente de si mesma”.
Mesmo Karl Marx já dizia que essa operação é impossível. Porque quando voce tenta tomar consciencia de si mesmo, o ser analizado (ou seja, voce), se torna diferente do ser que analiza (ou seja, voce). Seria como tentar se erguer pelos proprios cabelos ou pular a propria sombra.“A responsabilidade sartriana não deve ser confundida com a liberdade sartriana, pois é o conceito de liberdade sartriana que fala do compromisso humanista em face da inexistência de Deus, enquanto a responsabilidade sartriana É, SIM, NO SENTIDO DE FAZER A DIFERENÇA!”
Só essa parte que não ficou muito claro para mim. Talvez voce ou o Nahuina possam me explicar de novo com exemplos ou outras palavras.
Miguel (admin)MestreCaro Renan,
Eu li as suas mensagens e as explicações que você deu são ótimas, apesar de que:
1. Elas são opiniões suas, não de Sartre;
2. Você ainda confunde determinismo com fatalismo; e
3. A responsabilidade sartriana não deve ser confundida com a liberdade sartriana, pois é o conceito de liberdade sartriana que fala do compromisso humanista em face da inexistência de Deus, enquanto a responsabilidade sartriana É, SIM, NO SENTIDO DE FAZER A DIFERENÇA!Ou seja, responsabilidade não se confunde com atribuição de responsabilidade.
É um pouco frustrante para mim, perceber que vocês passaram do nível de defesa da teoria do existencialismo sartriano para o rebaixamento da renegação. Quero dizer, tentar remendar os furos teóricos do outro forçosamente…
Desse jeito, há poucas chances de que essa conversa evolua, desapegando-se das certezas cristalizadas das décadas de 1950 e 1960, e passemos a considerar a nova filosofia que se desenvolveu depois disto.
.
Miguel (admin)MestreA minha escolha é minha e só minha, como eu cheguei a escolher isto ou aquilo tem relação com o meio, mas no sentido em que ele condicionou meu pensamento e não em uma interferência direta na minha escolha pois o meu pensamento já tinha sido modificado…
Você acabou de descrever a ilusão da metafísica da presença. É justamente isso, pensar que quando se tem uma idéia consciente no aqui e agora, o inconsciente e o meio já pararam de exercer suas influências sobre a consciência.
A grande contradição de Sartre é dizer que a consciência é consciente de si mesma. Segundo ele, dizer que algo tem um Ser-para-si que corresponde plenamente a um Ser-em-si, ou seja, um Ser-em-si-para-si, só poderia existir na figura de Deus. Mas, por ser ateu ele substituiu a figura de Deus pelo SER filosófico (que não se confunde com o ENTE). Segundo ele, o homem aspira ao Ser, mas não consegue ser mais que um Ser-para-si.
Voltando a questão da ilusão da metafísica da presença, devemos lembrar que, naqueles casos quando os ideais se perverteram e a rebeldia se descaracterizou, as pessoas também pensavam como nosso amigo Nahuina: a decisão é minha, completamente minha, conscientemente minha!
Mas o presente não passa de uma ilusão, pois só podemos ter certeza de que nossas convicções do passado tinham consistência num futuro próximo…
Espero que isto tenha ficado claro para vocês.
.
Miguel (admin)Mestre“Acho que vc não entendeu. Ao meu ver, escolho o que fazer dentro de algumas possibilidades pré-estabelecidas…isso engloba a natureza que “interage e influencia minha escolha”. A escolha é 100% minha, pois as interferências do meio acontecem antes da minha escolha; ou seja; o meio, subconsciente, inconsciente, ideologia social, tudo isso interfere no meu pensamento, na minha maneira de pensar; mas esta interferência já foi feita anteriormente . A minha escolha é minha e só minha, como eu cheguei a escolher isto ou aquilo tem relação com o meio, mas no sentido em que ele condicionou meu pensamento e não em uma interferência direta na minha escolha pois o meu pensamento já tinha sido modificado… ”
Voce explicou bem, mas já vi voce explicar melhor.
Mesmo assim acho que entendi o que voce quer dizer, mas deixa eu ver:
1- Se ” as interferências do meio acontecem antes da minha escolha” significa que somos determinados? ou condicionados? Por que não? (já sei que voce vai dizer que não, mas quero saber porque vc acha que não)2-Tambem entendi que a interferencia não é direta. Mas eu acho que em alguns casos a interferencia é direta.(ex: o subconsciente atua na ação de escolher) Acho que Mileto concorda nesse tópico.
3- Não entendi se a opiniao que vc defende é sua ou de Sartre ou ambos.
Eu sei que para Sartre somos livres. Quero saber se vc concorda com ele ou nao. E explique como vc concorda e porque.
Boa noite a todos.Miguel (admin)MestreEu pergunto: podemos ser realmente responsáveis por nós e pelos outros, ou esse foi um apelo moral sartriano para que a lei do “faz o que tu queres que eu não tô nem aí” não imperasse (devido a crença no determinismo)?
Vou responder à minha própria questão:
Não afirmo, mas acho que a liberdade incondicional de Sartre foi um apelo para que não imperasse uma sociedade amoral.
Visto que se a sociedade acreditasse que tudo está determinado (nosso destino, nossa história estão escritas) cada um faria o que quisesse e não seria responsabilizado, já que é uma vontade divina ou mecanica que coordena tudo. Desse modo, não haveria moral.
Para mim, Sartre não deixou que a crença na liberdade fosse substituida pela crença no determinismo, e sendo assim nós podemos ser julgados e condenados por nossas más açoes, pois “somos livres pelos nossos atos e responsáveis por nossas ações boas e más”, segundo a filosofia de Sartre.“Mas não é por que o Sartre disse que eu sou responsável pelos outros que eu vou sê-lo”.
Não pelo fato dele dizer, mas pela crença da sociedade nisso. Voce individualmente pode não crer, mas se voce roubar a sociedade poderá te condenar por isso. Agora suponha que a sociedade acreditasse que tudo (100 por cento do que fazemos, pensamos e falamos)é regido por Deus (providência), ou por uma força exterior (materialista mecânicista). Nos dois casos, voce não seria responsavel pelos seus atos, logo a sociedade não poderia o condenar por roubar, matar etc. Voce argumentaria: foi Deus que quis que eu roubasse, ou foi o destino, ou a natureza, sei lá.
A crença na liberdade de Sarte é moralmente necessária, mas não necessáriamente verdade.O “faz o que tu queres que eu não tô nem aí”.
Na sua opinião, é um pensamento é retrógrado pois seria uma lei da selva, acertei?
Mas eu não falei em sentido pejorativo. Eu não quis dizer que se reinasse essa lei, seria algo ruim. talvez nao fosse. talvez essa lei seja mais liberdade, no sentido politico, do que a liberdade (moralmente necessária) de Sartre.
Talvez a lei da selva, por mais cruel que seja afirmar isso, seja a lei mais livre. Cada um faz o que quer, mas ninguem é condenado por isso, pois todos estão na natureza lutando para sobreviver e sobrevivem os mais fortes/capazes (seleção natural)
É uma lei cruel, na minha opiniao, mas é a lei mais livre que temos.
Se voces concordaram com tudo isso até aqui, entao eu pergunto:
1-A liberdade é uma coisa boa? Não seria cruel se todos fossem livres pra fazer o que quiser (lei da selva)?
2-A moral, o Estado, a justiça, evitam nossa “liberdade total”. Além de nos manipular, a moral e o Estado (teoricamente) são necessários para que o homem não seja o lobo de outro homem (como dizia Hobbes)Pergunto, O que é melhor: a moral escravizadora ou a liberdade total “lei da selva” (acima do bem e do mal)???Minha opinião: para os pobres a justiça impoe a moral e as leis (ex: roubar é crime). Para os politicos e os ricos, impera a lei da selva, amoral, a lei do mais forte (eles são mais livres que os pobres, falando a grosso modo)
Miguel (admin)MestreOi Miguel,
Muito obrigado pela resposta. Atualmente estou quase me formando em comunicação/publicidade, e adoro filosofia. Estou estudando alguns livros de introdução a filosofia e lendo alguns textos classicos. Este site é excelente! Fácil e leve de navegar (minha conexao é discada, mesmo assim as paginas desse site abrem muito rapido, espero que seja sempre assim)
Estou nos foruns:
Marx/por que marx error?
Sartre/liberdade
Sartre/moral versus liberdade e
Nietzsche/duvidas sobre termos em obras nietzschinianas
Vou acessar o enderço fornecido por voce e me informar mais. Pretendo me cadastrar.
Um abraço e parabens pelo siteMiguel (admin)MestreOlá Joel
Existe uma monografia sobre filosofia da mente no site. O endereço é http://consciencia.org/contemporanea/monografiaabath.shtml
Você pode olhar lá na Bibliografia para achar várias fontes autorizadas sobre o assunto. Aí, procurar em livrarias, na web e no emule.Miguel (admin)MestreOlá
1 – Não paga-se taxa alguma, no entanto contribuições são necessárias e bem-vindas. Leia
http://consciencia.org/colaboracoes.shtml para saber como contribuir. Também se pode clicar diariamente em um dos links dos banners do site.
2 – Não é uma ONG formalizada. Apenas o domínio .org.br necessita de documentação de ONG, o domínio internacional .ORG pode ser registrado por pessoas físicas.
3 – Creio que não, o público e a comunidade é multi-facetada, abrangendo estudantes e professores de diversas áreas. No entanto, o enfoque do site é a filosofia. Estamos empenhandos em difundir a filosofia aproveitando e fazendo parte da revolução digital da Internet.
4 – Qualquer um pode se registrar, é totalmente grátis, ver ítem 1. No entanto, temos um público específico em vista. Não somente da área de filosofia, mas que queiram debater e se informar de maneira séria e pausada, usando argumentação cordial e respeitando a pluralidade de temas e posicionamentos, e sobretudo respeitando a proposta geral do fórum.Obrigado pelos parabéns.
Miguel (admin)MestreEu pergunto: podemos ser realmente responsáveis por nós e pelos outros, ou esse foi um apelo moral sartriano para que a lei do “faz o que tu queres que eu não tô nem aí” não imperasse (devido a crença no determinismo)?
Mas não é por que o Sartre disse que eu sou responsável pelos outros que eu vou sê-lo. Pelo contrário: eu já acho que é muito ser responsável por eu próprio.
E pensar assim não quer absolutamente dizer que deva imperar o “faz o que tu queres que eu não tô nem aí”. Esse pensamento é retrógrado, é como os fundamentalistas religiosos pensam: o homem sem religião retornará à barbárie…
…devo lembrar os senhores que não houveram tempos mais bárbaros do que aqueles em que os líderes religiosos dispunham do poder absoluto.
Basta ver o filme “O Nome da Rosa” ou “As Cruzadas” para se ter uma idéia…
.
Miguel (admin)MestreMiguel,
Enviei um e-mail para voce e não vc me respondeuNo email perguntei:
1-Paga-se taxa, contribuição, mensalidade, ajuda de algum tipo para se registrar?
2-Se é uma ong, onde fica? cidade/estado? ou é uma ong virtual, sem estrutura fisica…?
3-todos aqui são estudantes do curso de filosofia ou professores?
4-qualquer um pode se registrar? É totalmente grátis?
Parabens pelo site. É excelente!!!!!
Miguel (admin)MestreOlá Nahuina e Mileto,
É muito bom “falar” com vocês de novo.
Cadê o resto da galera desse site?Sobre o que Mileto postou:
“o que fazemos do que fizeram de nós está alienado ao nosso Ser-em-si”.
Mileto, acho que concordo com isso. Veja as ultimas coisas que tenho postado, talvez seja isso que eu estou tentando dizer desde o inicio, só que com outras palavras.Sobre o forum “marx/por que marx errou”
A revista História Viva nº 20 traz como matéria de capa a revoluçao russa. vou ler para ver se é uma visão de esquerda, direita ou “imparcial” depois eu conto minha opiniao sobre isso no forum do marxBom, por hoje é só pessoal.
Até breve, amigos filósofos.Frase do dia-
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento”
Albert Einstein.Renan é publicitário praticamente recém formado (apresento minha monografia dia 20, desejem-me sorte), autor de nenhum livro ainda e filósofo nas horas vagas
Vitória-ESMiguel (admin)MestreOlá Nahuina e Mileto,
É muito bom “falar” com vocês de novo.
Cadê o resto da galera desse site?Sobre o que Mileto postou:
“o que fazemos do que fizeram de nós está alienado ao nosso Ser-em-si”.
Mileto, acho que concordo com isso. Veja as ultimas coisas que tenho postado, talvez seja isso que eu estou tentando dizer desde o inicio, só que com outras palavras.Sobre o forum “marx/por que marx errou”
A revista História Viva nº 20 traz como matéria de capa a revoluçao russa. vou ler para ver se é uma visão de esquerda, direita ou “imparcial” depois eu conto minha opiniao sobre isso no forum do marxBom, por hoje é só pessoal.
Até breve, amigos filósofos.Frase do dia-
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento”
Albert Einstein.Renan é publicitário praticamente recém formado (apresento minha monografia dia 20, desejem-me sorte), autor de nenhum livro ainda e filósofo nas horas vagas.
Vitória-ES -
AutorPosts