Respostas no Fórum
-
AutorPosts
-
Miguel (admin)Mestre
Vejo que esta discussão sobre o sentido da vida já dura 4 anos sem nenhuma espécie de conclusão.
Sustento que não há conclusão possível, visto o instrumento utilizado para se chegar a uma possível conclusão é limitado: o pensamento.
Pensar é movimentar a memória, aquilo que acumulamos. A lógica se move dentro da lógica e não pode ultrapassar esta barreira.
Talvez a resposta esteja no silêncio… Conta a história que o homem chamado Jesus, tido como filho de Deus, perguntado acerca da Verdade guardou profundo silêncio. Buda (Gautama Sakiamuni), quando questionado sobre o mesmo assunto virou as costas e foi embora…
Mas isto são apenas histórias…
Somos apenas homens… mas ansiamos que haja algo mais oculto nos esperando…
Talves não haja nada, só a vida e a morte, de um bípedo mamífero com um cérebro que evoluiu muito e adquiriu autoconsciência e a capacidade de se perguntar: “Quem eu sou ?”
Miguel (admin)MestreLi as argumentações e comentários e percebi que o tema central tem ficado excluso… Sobre a escravidão das religiões, na minha opinião ocorre:
– Uma racionalização da figura de Deus (Força Suprema, Inonimável, Fonte dos Fenômenos, Origem de Tudo, Sabedoria Divina, ou as atribuições que dele podem derivar) para determinar uma linha de compreensão do mundo e um código de como se comportar nele, baseado na inspiração do que vem a ser Bem e Mal;
– Da racionalização surge um comportamento partidário (eu sou católico, eu sou evangélico, eu sou umbandista, etc) que acabam disputando a melhor compreensão, explicação ou linha de raciocínio sobre o sagrado, com exemplos de catarses coletivas;
– Do comportamento partidário surge o convencimento (conversão) de muitos pela razão ou pelo medo do lado negativo do além (mais conhecido como inferno).Na minha opinião, o que acontece nas religiões é uma humanização do sagrado, usando o que, muitas vezes, o próprio contexto histórico e social imprime como divino, alienando diversas pessoas, mas que são livres para experimentar o mundo sagrado (mesmo pelas religiões existentes) e apreender dele de acordo com seu próprio sentimento e identificar-se ou não em determinada doutrina.
Talvez por isso tantas pessoas migrem de uma a outra religião.“Nem tudo serve para todos o tempo inteiro”
Filósofo Urbano
Miguel (admin)MestreOlá Pessoal. Preciso fazer um trabalho sobre o Mito da Caverna, na verdade é um seminário e queria q vc's me ajudassem me mandando informações, comparações, depoimentos e ilustrções sobre este assunto e tb se alguém tiver alguma idéia de como posso apresentar esse tema, por favor me comuniquem. Meu e-mail é [email protected]
27/02/2005 às 12:58 em resposta a: A Reflexão sobre a política de Hannah Arendt, um novo tema! #77905Miguel (admin)MestreJoelton, seu texto é excelente! Estou fazendo um a tese de mestrado sobre autoridade, poder e violência em HA. Vc tem algum trabalho ou texto nesse sentido? Gostaria muito de trocar informações com vc.
Miguel (admin)MestreOlá. Preciso de uma organização de fatos, na qual ocorre no livro “Alegoria da Caverna”…Só para organizar precisamente as idéias.com as comparações..feitas acima. Muito Obrigado.
Miguel (admin)MestreUma coisa interessante a se considerar, que considero dentro do tema é o “pensar”.
O que é pensar ?
Tenho mantido que pensar é “atividade da memória”, ou seja, aquilo que acumulamos no córtex cerebral. “Pensar” é o movimento desta memória, deste conhecimento acumulado.
Se pensar é somente atividade da memória, é algo extremamente limitado; Limitado ao que inserimos através do estudo no cérebro.
Um dado interessante é que a maioria dos animais não tem auto-consciência. Pode-se comprovar isto colocando um gato na frente do espelho, o qual não terá noção que se trata de seu reflexo e sim pensará que é um outro gato.
Alguns símios tem auto-consciência, pois reconhecem seu reflexo e se arrumam perante o espelho.
Não consigo definir mente ? Parece algo metafísico e intangível… O que é mente ?
O que é matéria ? Aglomerado de partículas, átomos, moléculas… ? Algo que tem massa e pode ser mensurado ? Einstein definiu que matéria e energia são iguais, equivalentes…
Talvez nossa complexidade e consciência se deva somente a evolução de nosso cérebro…
Miguel (admin)MestreOlá Luciana,
Espero que uma intromissão não seja muito incômodo, então: achei estranhas algumas afirmações e/ou preocupações anteriores, assim, resolvi trazer outro ponto de vista.
Considerando a sua pergunta inicial, “Quem seria o Zaratustra de Nietzsche?”, dificilmente alguém deixaria de citar um artigo de Heidegger entitulado “Quem é o Zaratustra de Nietzsche”. Mais a frente retornarei a ele.
De outras questões que surgiram, sobre a possibilidade do “objetivo” da obra nietzscheana estar em um “projeto de destruição da concepção religiosa”; ou, ainda, sobre uma “razão mais oculta” determinando a escolha de Nietzsche do personagem Zaratustra como porta-voz, ao ponto de “ele e somente ele” poder ser para não causar alguma perda do sentido; ou, quem sabe, sobre a possibilidade da escolha de Zaratustra, uma vez profeta, esconder alguma proposta de fundo religioso… Sobre essas questões procurarei ser tão breve quanto possível, ou melhor, acho que no restante da mensagem se encontrará uma resposta.
Citando Heidegger: Nietzsche deu a este livro um subtítulo, como companheiro de viagem. Disse assim: «Um livro para todos e para ninguém». «Para todos», quer dizer, sem dúvida, não para todo mundo no sentido de para qualquer um. «Para todos» quer dizer: para todo homem enquanto homem, para cada um, sempre e na medida em que em sua essência torna-se para si mesmo digno de ser pensado. «… e para ninguém», isto quer dizer: para nenhum dos curiosos que afluem da massa de todas as partes, que o único que fazem é embriagar-se com fragmentos isolados e com frases concretas deste livro e que, às cegas, vão dando tombos em uma linguagem meio cantando, meio gritando, agora meditativo, agora tempestuoso, frequentemmente de altos vôos, mas às vezes chato e bidimensional, em vez de por-se a caminho até o pensar que está aquí buscando sua palavra. confira
Talvez o melhor modo de entender o conteúdo de “Assim falou Zaratustra” é situá-lo em relação a “O nascimento da tragédia”, que tinha dois objetivos: a crítica da racionalidade conceitual e a apresentação da arte trágica como alternativa à racionalidade. Além disso, para Nietzsche, a negação do trágico está diretamente relacionada à rejeição da música. É por isso que o Zaratustra é bem melhor lido como um tipo de trágedia, um drama musical, e não como um “compêndio do saber”.
Essa pretensão do saber se encontra, frequentemente, muito próxima à pretensão da razão ou da ciência, muitas vezes criticada por Nietzsche. Nietzsche quer falar a favor da vida e não da reflexão, aquela é o fim, essa um meio. Claro que, assim, fica levantada a questão sobre a validade de uma crítica da razão feita a partir da razão, apelar para a razão contra a razão… “razão”
pela qual Nietzsche tem que adotar um tipo diferente de expressão, fazendo uso de aforismos e metáforas – por isso ele tem que trabalhar quase nos limites da linguagem. Essas questões já apareciam em “O nascimento da tragédia”, mas desde “Humano, demasiado humano” e “Aurora” vão tomando outros contornos. Outros temas também surguem, mais originais, e aparecem em “Zaratustra”, razão pela qual é considerada a obra em que o pensamento de Nietzsche atinge a sua maturidade. Depois de um inicio romântico, seguido de uma fase de reação desmistificadora, Nietzsche encontra finalmente sua própria linguagem. Em “Zaratustra” a linguagem conceitual é deixada em favor da linguagem poética; a linguagem argumentativa, sistemática, é deixada em favor da linguagem narrativa e dramática. A dicotomia arte-filosofia é neutralizada pelo projeto de fazer da poesia a forma de apresentação de um pensamento filosófico nem conceitual nem demostrativo. Onde Zaratustra pode adivinhar, não quer inferir, o que pode soar como profecia. Talvez essa “razão” (sempre ela, de novo) possa ter inspirado Nietzsche a escolher esse seu personagem para poder se expressar, ou, talvez, tenha pesado mais a musicalidade – receio muito que toda essa “problemática” fosse enquadrada, vide texto que colei acima, como coisa de curiosos -, já que um dos “projetos nietzscheanos” era fazer a escrita atingir a perfeição da música, considerada por ele como a forma superior da arte. Seja como for, o que dificilmente teria algum fundo de verdade seria a motivação de combate à religião, não seria essa uma obra do período da maturidade. A escolha do “estilo evangelistíco” se deve mais a motivações artísticas e ao fato dele se prestar mais aos aforismos necessários ao “projeto”. “Escrever é dançar com a pena”, dança e música, música e palavra, eloqüência, emoção, sofrimento, coração, arte, vida. “Assim falou Zaratustra” é uma expressão de tudo isso.
Um abraço.
Miguel (admin)MestreFlávio!
Estou ainda confusa sobre esta questao, ela parece tao obvia e clara e ao mesmo tempo tao embaralhada diante de sua clareza…
Mas assim, porque Nietzsche fez tanta questao de acreditar tanto no poder de zaratustra, trazendo esse personagem as vezes tenho a impressao que é um deus oculto que entra para matar o deus cristao.Nao compreendi qual a função desse zaratustra, e qual a metafora que vem com o mesmo?? O QUE é zaratustra e como vem dianta de nós? está apenas na consciencia?
Obrigada desde já…Miguel (admin)MestreOlá
É a primeira vez que acesso este site, então gostaria de lhe pedir um favor: tenho um trabalho, onde tenho que relacionar o Mito da Caverna com algum fato. Também tenho que justificar o porquê determinado fato está no mundo da caverna, da escuridão, das privações.
Preciso disso para ontem, então peço que me envie por e-mail [email protected]
ObrigadaMiguel (admin)MestreNão se preocupem se Deus existe ou não. Isso é irrelevante para a existência de Deus, mas relevante para a existência do homem.
Miguel (admin)MestreA verdade é o que liberta e para tê-la, é preciso conhecer esta verdade, a qual é uma pessoa: Jesus Cristo (Jo. 8:32).
Eu o conheço, e vc?Miguel (admin)MestreA eletricidade existe, embora não podemos vê-la.
Para saber da existência de Deus, basta olhar-se no espelho.
Deus (na Bíblia) nunca quiz provar sua existência, pois, já é um fato. Só os néscios discutiriam isso… (como prova o Salmos 14).Miguel (admin)MestreMiguel (admin)MestreALÉM-HOMEM é antes de tudo HOMEM!!!NADA QUE VER COM O cinematográfico!
Além-Homem é o que se determina em valor, o que não se cansa de afirmar a existência,o que diz SIM!
O QUE ACREDITA NA ETERNIDADE AQUI MESMO E NÃO EM OUTRO MUNDO.
O QUE SE TORNA A SI MESMO sem medo, MUITO EMBORA e por ter mesmo TRANCENDido certos LIMITES CONSIDERADOS POR MUITOS ´´intocáveis“(aqui na concepção mesma dos existencialistas).
O QUE AVALIA, EXPERIENCIA, ´´CRIA“, O QUE NÃO TEM MEDO, O QUE NÃO SE DEIXA GUIAR SEM SE DEIXAR GUIAR…………………
………………
…………ETC.Miguel (admin)MestreOlá Ana,
Qual a origem do estruturalismo?
(Continuando depois da msg postada acima pelo Walace)
A noção de estrutura sobre a qual se baseia o estruturalismo nas ciências sociais parte fundamentalmente da noção elaborada pela lingüística de F. de Saussure. Nela, a noção de estrutura – baseada no estudo da linguagem como sistema de signos -, é entendida como um todo que só pode compreender-se a partir da análise de seus componentes e da função que esses cumprem dentro do todo.No estudo da linguagem, Saussure havia estabelecido a distinção fundamental entre língua e fala. A língua seria um sistema de signos independentes da fala, a qual seria a utilização da língua efetuada pelos falantes. Partindo desta distinção, a semiologia (nome que Saussure deu para a ciência dos signos) pôde conceber o conjunto da linguagem como uma estrutura: a linguagem apareceria como um sistema de relações, onde o conhecimento do sistema permitiria o reconhecimento de todos os elementos.
Assim, o método estrutural na lingüística teria como objetivo a construção de modelos abstratos capazes de dar explicação de todos os fenômenos da linguagem, constituindo-se como um tipo de “álgebra da linguagem”.Esse modelo abstrato de relações, enfim, acaba se constituindo – assim defendem os estruturalistas – um modelo que se assemelha a uma realidade inconsciente; e, uma vez que a estrutura é abstrata, os elementos concretos não têm realmente importancia nem significado (por isso Lévi-Strauss estudou os mitos sem se preocupar com seu sentido, centrando-se somente nas suas funções dentro da estrutura social), por esta razão, os estruturalistas em geral não consideram importante o sujeito humano como instância explicativa. Ao estudar alguma realidade, procuram descobrir as relações entre os elementos que compõe essa realidade, buscando sua estrutura mais profunda, que nem sempre se revela na sua estrutura superficial. Este método consiste, então, em considerar qualquer realidade humana como uma totalidade estruturada articulada em relações estáveis e regidas por leis internas que se podem ser buscadas na estrutura profunda.
Qual é a apreciação crítica do estruturalismo?
Essa corrente filosófica já atraiu muita atenção anos atrás, mas depois foi alvo de diversas críticas. Ela não está tão em voga quanto antes, mas filósofos importantes ainda recorrem a ela, possivelmente com alguma reintrepretação, como instrumento de reflexão. Vejamos se é possível esclarecer algumas razões das críticas:
O estruturalismo ganhou sua força principalmente nas possibilidades que oferecia para o estudo “científico” de diversos fenômenos que, antes dele, eram de difícil abordagem. Por exemplo, os fenômenos humanos não têm aquela regularidade exigida para o estudo “científico” como têm, por exemplo, os fenômenos físicos. O estruturalismo oferece essa possibilidade: nele o sujeito (particular) pode ser expulso da “ciência” (uma ciência que trata de estruturas universais). Os elementos concretos não são importantes, mas sim o modelo abstrato da estrutura profunda revelada naquela “álgebra da linguagem”.
Lévi-Strauss proclamava que «o fim último das ciências humanas não é constituir o homem, mas sim dissolvê-lo»
As críticas que o estruturalismo recebeu foram das mais diversas. Uma interessante foi apontada por Paul Ricoeur: se na estrutura as regras não estão nos elementos, mas nas relações, essas tais “regras inconscientes” deverão ser basicamente as mesmas para todos, sendo, portanto, elas que impõe formas aos conteúdos. Assim Ricoeur mostrou que o estruturalismo de Lévi-Strauss se apresenta como um tipo de kantismo sem sujeito transcendental, em que o cogito cartesiano aparece diluído no seio de estruturas inconscientes, e o “eu” sustentado sobre estruturas coletivas da linguagem.
Quais os tipos de estruturalismo que existem?
O estruturalismo foi desenvolvido em diversas áreas: na linguística (Saussure), na antropologia (Lévi-Strauss), na sociologia (Radcliffe-Brown), na literatura (R. Barthes), na filosofia (Foucault, Derridá), na psicanálise (Lacan), no marxismo (Althusser), na psicologia (Piaget), etc.
Abraços.
(Mensagem editada por fox em Fevereiro 12, 2005)
-
AutorPosts