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Miguel (admin)Mestre
Somente agora li a segunda msg.
Talvez vc esteja certo no que diz respeito a “coerência”, vc apresenta a virtude (?) de não mascarar a própria ignorância, sendo uma das consequências, etiquetar tudo o que não entende de “lixo prolixo”.
>> Acho que está evidente, portanto, que há um sentido ético envolvido na posição existencialista.”
– Só se for pra você…
– Para qualquer um! É disso que a ética trata, qual a melhor forma de agir, e a obra existencialista enfoca justamente esse ponto.
>> “O homem não é “dado”, mas o homem “se faz” (primado da relação) pelo modo como se relaciona com o mundo, com os outros, e consigo mesmo.”
– Então, é o homem que faz sua carga genética? É o homem que faz as influências do meio que o determinam e o limitam?
– Entendimento muito pobre da questão. Vc chamaria uma gota de sangue sobre uma lâmina de “homem”? Sobre a lâmina estará representada toda a carga genética, mas duvido que vc consiga se comunicar ou relacionar com ela.
>> “A fenomenologia também tem, nessa polêmica, participação, já que busca encontrar uma “essência” partindo do fenômeno e, portanto, da existência.”
– Só que isto é incorreto pois a essência, pela própria definição, não é coisa que se busca, mas que já esta aí. Os existencialistas descaradamente e indevidamente trocam o termo acidente por essência e dizem que essa “essência acidental” é tudo o que realmente interessa.
– Como eu já disse no início, vc está atacando a sua própria compreensão do que leu. Fenomenologia não tem nada a ver com isso que vc disse na sua msg, e tampouco o existencialismo é descrito corretamente pelas interpretações pessoais que vc escreve. Obviamente, não deve ter entendido nada do que eu escrevi. (o erro foi meu, que lhe dei crédito qd disse ser instruído.) É o comum, infelizmente. Alguém quer se enveredar pela filosofia e começa diretamente pela leitura dos contemporaneos. Sem lastro filosófico, entende muito pouco do que lê, reinterpreta ao seu nível para conseguir dar àquilo um sentido, e, quando não tem um pouco de autocrítica para ajudá-lo, ataca o próprio modo de pensar como se o do autor fosse. Como dizia Descartes, “bom senso é algo que todo mundo acredita já ter o bastante”, mas se falta bom senso, pretensão temos de sobra. Mas fácil acusar Sartre de autor idiota do que reconhecer a própria ignorância e incapacidade para compreendê-lo. É disso que eu falava antes: um no name que acha que pode julgar a filosofia e corrigir de uma tacada uma quantidade de filósofos. Por que será que Sarte continua sendo citado mas não encontramos ninguém escrevendo sobre “Nomade da Silva”?
A fenomenologia termina por assassinar de vez o conhecimento filosófico ao isolar a consciência da outra metade do ser humano que são as determinações inconscientes.
A fenomenologia não. Voce!
Vamos tentar de novo, agora acrescentando: “torna-te melhor do que tu és”.
Miguel (admin)Mestre“Como pode o homem preservar a sua unidade ou ser ele mesmo no afã permanente de ser-outro?”
– Ele não pode preservar sua unidade, pois sua unidade é mesmo uma ilusão. Essa ilusão de unidade podemos percebê-la em Freud, em sua descrição da neurose, o homem está sujeito a desejos contraditórios: pode afirmar uma coisa, no fundo desejando o contrário disso.
Só o que se mantém imutável são algumas características estruturais do ser humano. Então, o melhor seria dizer que a essência do homem é o que há de imutável em sua estrutura ou assumir que a personalidade só se afirma na paranóia.
Que a questão seja demasiado complexa quase chegando ao inefável, não justifica que os existencialistas tentem tapar o sol com a peneira, mesmo porque as críticas continuaram chegando e Sartre não foi capaz de dar conta delas, chegando a ser quase totalmente esquecido pelos pós-modernos…
Miguel (admin)MestreEu também não acredito em deus nenhum. Acho que Brigitte tem toda a razão. Não têm ateus batendo às nossas portas tentando converter-nos a força. Não têm ateus jogando aviões contra edificios lotado de gente. Não têm ateus explodindo bombas no meio da Irlanda. Os ateus não fazem campanhas para dizimar e roubar outros povos e nações (vide Cruzadas), não julgam e queimam quem não quer ser ateu (vide Inquisição), não emperra a Ciência e a Saúde Pública (vide o caso de Galileu e da Proibição de usar camisinha), não têm templos de exploração da fé dos miseráveis (vide Basílica de Aparecida e igrejas evangélicas). Enfim, ser ateu, é antes de tudo viver em paz e liberdade respeitando as diferenças, e usufruindo dos benefícios da Ciência e tecnologia. Agora ser sarcástico quanto aos argumentos de Brigitte não resolve a questão. Só mostra preconceito e intolerância.
Miguel (admin)Mestre>> olá sr nomade .. vc acaba de concordar comigo sem perceber
– Só se for na lua…
>> Primeiramente, a crença do cientista é pragmática e não dogmática como na religião. Ou seja, o cientista passou a acreditar em seres invisíveis depois de inventar as lentes (microscópio), sim mas oque manteve ele pra fazer o microscópio foi a fé de que existem seres invisíveis certo?
– Não, o cara nem era cientista, estava curioso, consturiu um microscópio e começou a ver mais do que queria.
>> então … segundo oque penso o homem descobre as coisas apartir do momento que tem fé de que algo exista .
– Fé é crer no absurdo ou, pelo menos, no pouco provável…
>> isso sustentou a ciência isso a sustenta.
– Tenho certeza que não. Nem todos são como Descartes que começam na dúvida e depois trocam-na pela garantia de um deus não-enganador.
>> No caso da igreja isso também sustenta ela mas o que é diferente no caso da religião é o fato das “descobertas” deles serem muito abastratas ow mal trabalhadas para que pessoas integralmente racionais se deixarem convencer.
– Não, a religião estabelece dogmas. Não há nada de muito abstrato nisso. Deus não quer que comas carne de porco e fim!
>> a religião e a ciência tiveram o mesmo ponto de partida mas a religião no caminho deixou se levar por histórias e mitos pra chegar em uma verdade mais rápido,…
– Que verdade? A realidade ou a fantasia?
>> …já a ciência caminha pacientemente no caminho certo.. a igreja se apegou em uma ilusão acreditando ser algo real… enfim é isso . abraços.
– Agora é você quem diz…
Miguel (admin)MestreAmigo. Com certeza não foi Lucifer quem produziu tais documentos, como aliás, deverá ser a afirmação dos cristãos que não têm coragem, muito menos capacidade, de assumir seus defeitos, desejos e fantasias. Por acaso Você Tem os originais dos 4 evangelhos canônicos ? Se os leu também percebeu, como acontece com pessoas inteligentes, que as versões e traduções dos mesmos foram deturpadas segundo interesses da Igreja. Se tens dúvida sobre a veracidade do tema proposto e dos documentos existentes, podes ir à India, fica no planeta Terra, e verificar por si mesmo, se é que vai preferir crer no veredicto da Ciência ao invés da crença religiosa. Quanto a Deus, não cega ninguém, posto que não existe.
Miguel (admin)MestrePelo visto não adiantou muita coisa
já que vc, ou carrega consigo uma (in)compreensão que deve ser fruto de má leitura, ou levou a questão para o lado pessoal carregado pela emoção despertada pelo desgosto com a obra sartreana. Infelizmente, talvez seja o caso, talvez não, é comum alguém, querendo entrar no mundo da filosofia, ir direto aos autores contemporâneos. Sem muito lastro filosófico, lê coisas sem embasamento, reinterpreta ao modo que consegue entender, modificando o pensamento do autor lido ao seu nível, e depois ataca o próprio pensamento como se do autor fosse. Tome cuidado para não descartar também, no afã de continar 100% “coerente”, a filosofia grega e o que veio depois, já que o “torna-te o que tu és” é antigo e se apresenta de diversos modos em diversos contextos.
De qualquer forma a teimosia me estimula a escrever mais alguma coisa:
O problema da oposição entre a unidade em-si do homem, definida pelas categorias de estrutura, e o seu abrir-se à multiplicidade dos outros seres, tematizado nas categorias de relação, dificilmente será resolvido de uma vez por todas. Como pode o homem preservar a sua unidade ou ser ele mesmo no afã permanente de ser-outro? Esse tema, em alguns autores, foi trabalhado sob a categoria da realização, que é a categoria que deve justamente mostrar os caminhos através dos quais a unidade estrutural do homem se cumpre efetivamente nas formas de relação mediante as quais ele se abre às grandes regiões do ser que circunscrevem o lugar ontológico da sua situação e da sua finitude. Trata-se, pois, existencialmente, de uma unidade que se constrói pelo exercício dos atos que vão traçando o itinerário da vida que deve ser sempre mais una. A auto-realizaçao do homem, portanto, aparece originalmente na forma de uma dialética do mesmo e do outro, explorada de diversos modos nas obras de muitos autores diferentes. Cabe ao homem realizar aquilo que ele é, sendo essa a questão metafísica que deve orientar todo o desenrolar da sua vida.
Ora, o problema da realização do homem conduz-nos ao problema da oposição primordial entre ser e devir, sendo o lema “torna-te o que és”, aplicando-se ao ser, aplicado também ao seu correlativo transcendental, o uno. O homem deve, portanto, realizar a unidade que é. Na sua versão antropológica, essa oposição que se manifesta na constituição ontológica do homem pode ser formulada como oposição entre a primazia a ser atribuída à estrutura ou à situação, à natureza ou à condição, à essência ou à existência, quando se trata de tematizar o homem no desempenho existencial da sua vida. Essa oposição foi um dos tópicos inspiradores do pensamento existencialista, no qual a precedência da existência sobre a essência apresentou-se como pressuposto da afirmação da gratuidade da liberdade, da responsabilidade do sujeito livre e da criatividade reivindicada pelo homem como ser-em-situação.
O fato de alguém não conseguir entender a forma como toda essa questão é apresentada na filosofia não torna a questão de menor importancia, nem significa que esteja eximido de respondê-la com a sua vida. O “êxito” da obra de Sartre é evidentemente reconhecido, sua contribuição foi reconhecida até mesmo por vc, de certa forma, quando se deu ao trabalho de lê-lo – se não leu então sua crítica não tem qualquer valor, se leu, sua afirmação anterior se fez manca. Vc não teria lido a obra se não tivesse sentido falta da leitura, quando muito para poder se posicionar diante de outros que a leram. O “êxito” de uma obra filosófica não está tanto numa, imaginária, “coerência lógica”, mas na influência que a obra causou na história do pensamento humano. A filosofia se escreve na vida, na história, e não somente em livros embolorados. Enfim, vc está aqui, em pleno fim-de-semana, discutindo a obra de Sartre.
Um abraço.
Miguel (admin)MestreEmbora eu ache que seja uma grande perda de tempo discutir com quem mascara a ignorância sobre toneladas de texto prolixo, se eu fosse levar essa discussão adiante, como estou fazendo agora, eu não passaria horas rebatendo cada argumento inconsistente que você levantou.
Eu apenas torpedearia um ponto vital da sua imensa nave:
>> Acho que está evidente, portanto, que há um sentido ético envolvido na posição existencialista.”
– Só se for pra você…
>> “O homem não é “dado”, mas o homem “se faz” (primado da relação) pelo modo como se relaciona com o mundo, com os outros, e consigo mesmo.”
– Então, é o homem que faz sua carga genética? É o homem que faz as influências do meio que o determinam e o limitam?
>> “A fenomenologia também tem, nessa polêmica, participação, já que busca encontrar uma “essência” partindo do fenômeno e, portanto, da existência.”
– Só que isto é incorreto pois a essência, pela própria definição, não é coisa que se busca, mas que já esta aí. Os existencialistas descaradamente e indevidamente trocam o termo acidente por essência e dizem que essa “essência acidental” é tudo o que realmente interessa.
A fenomenologia termina por assassinar de vez o conhecimento filosófico ao isolar a consciência da outra metade do ser humano que são as determinações inconscientes.
O sujeito existencialista está livre para tentar mudar o mundo e se frustrar por repetir os mesmos tipos de erros. Mas não importa, pois sempre existirão pessoas suficientemente prolixas para confundir os leitores e fazê-los acreditar que o furo estava em algum outro lugar…
Miguel (admin)MestreValeu Pilgrim!
Muito obrigado por apagar o pouco de luz que eu havia lançado sobre a incompetência de Sartre!
Esse “livro” que você escreveu sem rebater efetivamente os meus argumentos vai ajudar muito os que estão confusos a continuar acreditando que nulidades como Sartre devam continuar sendo reverenciadas apenas por figurarem na história e terem adquirido renome em virtude de acidentes que não são de forma alguma o êxito na contribuição filosófica.Miguel (admin)Mestreolá sr nomade .. vc acaba de concordar comigo sem perceber
Primeiramente, a crença do cientista é pragmática e não dogmática como na religião. Ou seja, o cientista passou a acreditar em seres invisíveis depois de inventar as lentes (microscópio),
sim mas oque manteve ele pra fazer o microscópio foi a fé de que existem seres invisíveis certo ? então … segundo oque penso o homem descobre as coisas apartir do momento que tem fé de que algo exista .isso sustentou a ciência isso a sustenta . No caso da igreja isso também sustenta ela mas oque é diferente no caso da religião é o fato das “descobertas” deles serem muito abastratas ow mal trabalhadas para que pessoas integralmente racionais se deixarem convencer. a religião e a ciência tiveram o mesmo ponto de partida mas a religião no caminho deixou se levar por histórias e mitos pra chegar em uma verdade mais rápido,já a ciência caminha pacientemente no caminho certo.. a igreja se apegou em uma ilusão acreditando ser algo real… enfim é isso . abraços.Miguel (admin)Mestrevc tem alguma tradução desse documento ?? ou alguma fonte de informação de tal ??? antes que vc me fale que eu sou mais um cristão fanático cegado pela visão de deus .. saiba que sou ateu abraços..
Miguel (admin)Mestreindefensável.. acabo de concluir que essa palavra não representa nada… enfim pilgrim e nomade realmente captei facetas das discussões de vocês que me ajduaram a captar de outra forma certos pensamentos .agora eu vou aderir mais o pensamento completo de “entender e criticar” realmente criticar satre seria muito fácil entender o ponto de vista dele seria o mais difícil e ainda entender o ponto de vista “existencial” dentro do contexto dele é algo pior .(para eu que estou aprendendo) enfim esse debate me ajudou muito li tudo e realmente conclui que a melhor arma do ser humano é o argumento abraços senhores..
(Mensagem editada por the_unwanted em Setembro 19, 2004)
Miguel (admin)MestreOlá Nomade,
Os únicos que cometeram equívocos aqui foram você e o Sartre. O seu foi o de tomar os críticos de Sartre por imbecis pouco intruídos…
Acho que me expressei mal. Não imagino os críticos de Sartre nem como imbecis nem como pouco instruídos. Vc mesmo citou o exemplo de Camus, e não é tão difícil assim encontrar outros. Não consigo imaginar, por outro lado, nenhum desses associando Sartre com adjetivos do tipo “sujeito sem importância” ou comentando pensamentos dele como “meras besteiras”. Tente analisar a minha a intervenção (indignada) nesse contexto. Se eu não me expressei bem, talvez vc também não o tenha feito antes. Naquilo que me diz respeito, fica feita a ressalva. Continuarei, então, partindo daqui.
Dizer que a existência precede a essência já é em si uma contradição. A essência é o que define a existência, por exemplo: sou um ser humano e não uma abóbora.
A questão não é tão simples.
A polêmica entre os que defendem o primado da essência e os que defendem o primado da existência vem de longo tempo na filosofia. Para ser mais exato, o peso do dito “a existência precede a essência” não deve ser atribuído unicamente a Sartre. Essa proposição chega quase a ser o lema de todo o existencialismo, e é possível traçar alguma ligação, em maior ou menor grau, de uma forma ou de outra, com Kierkegaard, Merleau Ponty, Heidegger e outros.
Um modo diferente de considerar a questão é compreendê-lo sob outro tipo de polêmica: os que defendem o primado sa estrutura e os que defendem o primado da relação. A região categorial da estrutura corresponde ao domínio do ser substancial do homem e diz respeito, pois, à unidade ontológica primeira do homem, segundo a qual ele é indivisível em si mesmo, sendo assim capaz de subsistir na sua identidade, na sua relação com os outros seres dos quais se distingue. A região categorial da relação corresponde aos domínios da realidade que se abrem à finitude e à situação do homem. Finitude e situação são noções diferentes: a finitude designa o homem como um ser distinto entre os seres e diz respeito à multiplicidade na ordem do ser, enquanto que a situação é uma determinação particular da finitude humana e designa o fato de que o homem não somente é ser entre os seres, mas defronta-se constitutivamente com a multiplicidade dos seres organizada na forma de um mundo. Dito isso, claro está que situação é uma noção propriamente antropológica. De fato, o homem é ser-em-situação, o que, dito de outro modo, significa: o homem só o é como ser-no-mundo.
Vc colocou em termos bem simples a sua idéia: o primado é da essência pois ela é que define vc como humano e não como uma abóbora, por exemplo, portanto a essência teria precedência. Tentarei colocar o outro ponto de vista no mesmo patamar de simplicidade, mesmo correndo risco. Havendo necessidade, faremos correções.
Segundo o ponto de vista dos que defendem o primado de existência, não há uma “essência” de homem que define o ser humano a priori antes da sua “inserção no mundo”. O “homem” é um ser situado e os limites dessa situação (limites do corpo, da cultura, da época histórica etc) fazem parte da sua “essência”, sendo impossível, por exemplo, considerar o homem como ser racional sem considerar que o raciocínio humano é determinado por categorias de tempo e espaço ditadas pelos limites do seu corpo: o homem é seu corpo, embora o homem não seja (apenas) o seu corpo. A noção do corpo-próprio está relacionada com essa dialética. Merleau Ponty chegou a associar o Ser com a Carne – claro, Ser e Carne aqui tem sentido filosófico bastante diferente daquele do senso comum.
Acho que está evidente, portanto, que há um sentido ético envolvido na posição existencialista. O homem não é “dado”, mas o homem “se faz” (primado da relação) pelo modo como se relaciona com o mundo, com os outros, e consigo mesmo. A fenomenologia também tem, nessa polêmica, participação, já que busca encontrar uma “essência” partindo do fenômeno e, portanto, da existência.
Só para constar, da longa tradição que mencionei.
Vico, sec XVIII, discordou de Descartes, que não deveria ter dito “Penso, logo sou”, mas “penso, logo existo”, já que a existencia seria o modo próprio da criatura, e o ser seria o modo próprio do Ser divino. A segunda forma é que ficou consegrada na tradição. Críticas posteriores vão acusar Descartes de ter igualado existência com pensamento. Passando alto por Sto.Tomás, chegamos a Hamann e Jacobi, que criticaram Spinosa por identificar existencia com razão, desqualificando a fé; nesse meio, citam Hume, que identificava a existência com a fé, apresentando a razão com um conjunto de crenças. Passando por Schelling, por Hegel, e por outros, percebe-se o tempo todo uma longa polêmica envolvendo a questão da existência e aquilo que a pontua. Seja como for, apesar da polêmica, até aqui a existência não é identificada como o modo de ser específico do homem e própria dele apenas. Esse passo foi dado por Kierkegaard.
Kierkegaard parte do conceito de possibilidade contra a redução da existência ao conceito. Ele vai, portanto, contra a forma como vc entende a questão, indo contra o primado da essência: “A existencia corresponde à realidade individual, ao indivíduo (o que Aristóteles já ensinou); está fora do conceito, que, de qualquer forma, não coincide com ela. Para um animal, uma planta, um homem, a existencia (ser ou não ser) é algo de muito decisivo; o indivíduo por certo não tem uma existência conceitual.” A existencia como individualidade, fica claro na sua obra, é apenas a existencia humana. No mundo humano, ao contrário do mundo animal, o indivíduo não pode ser sacrificado à espécie. Kierkegaard é, de certa forma, considerado o “pai” do existencialismo. Analisou a existência sob o aspecto de relacionar-se, primado d relação, relação com o mundo, consigo, e com Deus. Em todo caso, essas relações não são laços imutáveis, mas simples possibilidades que podem até ser perdidas. Não há nenhuma garantia de realização, e daí nascem as características fundamentais da existencia: a “angústia”, como relacionamento do homem com o mundo, o “desespero”, como relacionamento do homem consigo mesmo, e o “paradoxo”, como relacionamento do homem com Deus.
O que Sartre fez depois foi tomar categorias kierkegaardianas e destituí-las do seu aspecto religioso. Isso não desqualifica, contudo, o aprofundamento e a exploração que ele fez de vários conceitos, dando novo significado e criando novos termos como, por exemplo, a má-fé.
Sobre a questão da existencia Heidegger também vai tratar longamente, mostrando, entre outras coisas, a alternativa entre a existencia inautêntica, que é a existência cotidiana, mascada pela tagarelice, curiosidade e equívoco, e a existencia autêntica, de quem reconhece e escolhe a possibilidade de realização do seu ser. Essa possibilidade própria de todos que é a morte. Pode-se dizer que é característica da filosofia de Heidegger, a vida como processo de curar-se e preparar-se para a morte. A existencia como possibilidade é a transcendencia para o mundo, é o ato de projetar.
Nesse sentido, observa-se o paradoxo da passagem de uma visão, que aparentemente tinha tudo para ser pessimista, para uma visão até mesmo otimista da existência. O homem está irremediavelmente condenado a morte e portanto toda a sua liberdade é ilusória, mas justamente por ser a existência essencialmente um leque de possibilidades, ela pode projetar qualquer coisa, transcendendo o homem. Toda escolha implica perda de possibilidades, mas é justamente essas perdas que abrem o leque das possibilidades, tornando todo o projeto cada vez mais rico do que a posse em que o projetante se encontrava anteriormente.
Esse otimismo, paradoxalmente – convém lembrar que o paradoxo faz parte da tradição existencialista desde Kierkegaard -, convive com uma alternativa de tonalidade bem pessimista. O caráter que prevalece na filosofia de Heidegger é a efetividade do ser-aí lançado no mundo e a mercê de ser o fato que é. Por isso a sua existencia só pode ser o que já passou. Suas possibilidades não são abertas para o futuro (no futuro o espera o corte radical da morte), mas reincidência no passado, e só fazem reapresentar o passado como futuro. Por isso o ato de projetar muitas vezes é visto como uma impossibilidade radical, um “nada nadificante”. Portanto não resta opção a não ser projetar esse mesmo nada. Isso é o viver-para-a-morte, ou seja, “a possibilidade da impossibilidade da existencia”. A “possibilidade da impossibilidade” seria, de fato, uma contradição de termos se não significasse, nesse caso, “compreensão”. A existencia é impossivel, o que é possível é a compreensão dessa impossibilidade. Viver para a morte é precisamente essa compreensão.
Percebe-se que os termos utilizados por Sartre nas sua análise da existência estão dentro dessa tradição: possibilidade, transcendência e projeto. “O homem é o ser que projeta ser Deus”.
Só uma última recordação: Kierkegaard já apontava o desespero que vem da compreensão da limitação de todo projeto, a doença mortal, ou doença para a morte. Contudo, um dos (muitos) paradoxos é que justamente no desespero, quando é desespero para a morte, é que se é revelado o caminho para a cura, a cura passa pela morte e somente na morte é que se encontra a vida.
Muito mais poderia ser dito do existencialismo, a questão da essencia e da existencia, a questão da liberdade, a acusação de pessimismo que é comumente feita aos existencialistas etc. Impossível esgotar o tema em uma msg ou mesmo em dezenas delas. Acho que já expliquei pq discordo da sua posição. No mínimo eu discordaria de uma posição tão marcada na corrente dos essencialistas.
Por enquanto é só.
Miguel (admin)MestrePilgrim: Se você não é evangélico, parece, além de que deveria aprender inglês para saber o que seu nick significa. Me chamar de adolescente não resolve, nem responde ao tema proposto, nem às minhas questões. Como moderador você é bastante parcial, bitolado e não mostra muito conhecimento de outros assuntos além daqueles que seu mestre, seja lá quem for, permite. Tenha certeza de que você não estudou, nem entendeu mais do que eu, só porque usa termos eruditos. Você é mediador aqui por razões que começo a duvidar. Se este é um site evangélico, desculpe me, estou me retirando, pois, parafraseando a frase atribuida a Jesus, pobre coitado que não imaginava o que se faria em seu nome: “NÃO VOU ATIRAR MAIS PÉROLAS AOS PORCOS.” Pensei que esse fosse um site de pessoas inteligentes, e pelo que vejo me enganei. Só vejo as mesmas estorinhas que beatos vem a minha porta nos domingos de manhã contar, atrapalhando o descanso de trabalhadores sérios, ou os discursos hilários que somos obrigados a assistir nos canais religiosos, tomando o lugar de programas realmente educativos, só porque os pastores e bispos têm dinheiro (tomado do povo pela exploração da fé) para comprar os canais de TV e rádio. Não precisam responder, nem você, nem o Realista, pois há outros sites onde estarei daqui para frente já que vocês têm regras rígidas para o site (por quê não me espanto com isso ?). Noutros lugares haverá gente disposta a despertar dos grilhões cristãos e serem libertas, e o número de ateus tem crescido ao meu redor (Por quê será ?). Aliás, além de Professor de Inglês, sou Doutor. Kisses ! Good Bye ! LUCI4EVER !
Miguel (admin)MestreEstou considerando como indefensável a coerência lógica das afirmações de Sartre.
Dizer que a existência precede a essência já é em si uma contradição. A essência é o que define a existência, por exemplo: sou um ser humano e não uma abóbora.
A consciência como forma particular de pensamento, por outro lado, é um acidente, pois pode mudar e ainda assim continuar a ser consciência. Contudo, se mudo minha essência, deixo de ser humano e passo a ser outra coisa, uma abóbora quem sabe…
A “estratégia brilhante” vai muito além da idéia de processo dialético, ela não deixa de levar em consideração, como fazia Sartre, a influência das determinações inconscientes que traem o projeto da consciência. Aquela crítica que Camus fez ao Sartre no livro “O Homem Rebelde” e custou-lhe sua amizade. Nele, Camus se perguntava por que os ideais se pervertem, por que, quando vence a rebeldia, esta se transforma em opressão.
Nós não fazemos tão simplesmente o uso da linguagem como você diz, já estamos dentro dela sem escolha e somos impulsionados a fazer coisas que não partem a priori de nenhuma decisão refletida.
Os únicos que cometeram equívocos aqui foram você e o Sartre. O seu foi o de tomar os críticos de Sartre por imbecis pouco intruídos…
Miguel (admin)MestreDe forma alguma passar a acreditar nas teorias científicas é da mesma cepa do que a crença religiosa…
Primeiramente, a crença do cientista é pragmática e não dogmática como na religião. Ou seja, o cientista passou a acreditar em seres invisíveis depois de inventar as lentes (microscópio), ao passo que o religioso acredita em qualquer coisa que se lhe diga se for convenientemente coagido a acreditar, do tipo “se não tiver fé vai pro inferno” a começar pelo ostracismo social do grupo…
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