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Miguel (admin)Mestre
A questão dos dois mundos de Platão está totalmente centralizada no Banquete.
O fato é:
O que estaria no mundo das idéias e no mundo inferior?
Onde entra a dialética?
Se vcs conseguirem fixar esses pontos antagônicos no seu raciocínio, ficará fácil a resolução dos problemas apresentados perante a matéria.}Miguel (admin)MestreCaro Loth
“Não existe escuridão, mas ignorância”. É isso mesmo: tateamos no escuro por nossa própria ignorãncia! Exigimos provas de algo que já conhecemos! Escondemo-nos do que é mais óbvio porque não é necessário demonstrar…
Você diz: “A história dita que muitas foram as torturas feitas em nome de Deus, que muitos morreram e sofreram em virtude de um credo.” Concordo: a fé cega é a fonte de todo fanatismo. De ambos os lados: daqueles que torturam e daqueles que são torturados. A única fé que deve prevalecer é aquela que sobrevive ao crivo da razão. A fé cega é aquela que diz: “Credo quia absurdum est”. É essa que se organiza no poder temporal das Igrejas e fanatismos religiosos.
Voltaire dizia: “Se Deus não existisse, teríamos que inventar.” Dostoiévski: “Se não existe Deus, tudo é possível.” Entre um e outro, trafega nossa ignorância.
Mas uma coisa é certa, meu amigo: quando olhamos para fora de nós mesmos ou para nosso interior, não conseguimos ver o nada – pois o nada não existe… O próximo passo é admitir a existência de Deus, nem que seja como Pascal.
Miguel (admin)MestrePrimeira dúvida: a filosofia de Heidegger é existencialista?
Miguel (admin)MestreOlá, sou universitária e vou apresentar um seminário sobre “O banquete de Platão”, e gostaria de obter esclarecimentos de uma forma didática e simples.
Miguel (admin)MestreGostaria de saber o nome de filósofos que tratam de Ética Prática, citando caso possível obras editadas em português.
Miguel (admin)MestreSaudações,
Caro António, acrescento ao seu Shakespeare a frase do “caminho” de alguns errantes, que tal como nós deambulam de olhos fechados, eles por uma fé cega e nós por uma teimosia tremenda em cair em todas as fendas que se deparam a nossos pés: «Não tenhas medo da verdade, mesmo que essa verdade possa significar a tua morte.»
Não creio que os feitos históricos sejam desprezados, até pelo contrário, são muitas vezes recordados em prol de um melhor prisma a dar a um inicial éxordio. Quantas são as vezes que lemos relatos desses que não crêem em nada, a soletrar historias e relatos documentados, de fogueiras, rios, vento e de terra em que a quinta essência é sempre preconizada por uma pobre alma acusada de bruxaria ou de calunio com a outra face de Deus, o Diabo! Muitas são as vezes e as formas de o fazer e que não as irei por aqui relatar.
Será muito estranha essa forma de mostrar o Diabo? Não penso que seja, pois se Cristão a pessoa afirma ser, teremos de lhe plantar os chifres na lembrança, tão perto de ajna, mas de quais as interpretações serão diferentes e se for pagão o crente, não se amedrontará de ver personificado o consorte da Deusa.
A história dita que muitas foram as torturas feitas em nome de Deus, que muitos morreram e sofreram em virtude de um credo. Mas além de Messias e profetas, mais algum mortal viu esse tão poderoso Deus a proferir as suas sentenças? Ou, não terão sido homens cegos e sedentos por poder a proferir pela sua boca as diatribes Divinas! Será então que se pode culpabilizar o réu se ele nem estava presente no local do crime! Mesmo que ele nem tenha álibi, não será ele inocente do mal praticado em causa de seu bom nome!
Não me espanto em relembrar a possibilidade TVP, Já antes um filósofo do qual deve de ter ouvido falar, já ele mencionava a reminiscência ou a anamnse. Mas como poderá se documentar algo que suscita tantas dúvidas!
Como dizia Shakespeare: “Não existe escuridão, mas ignorância.”
Pax
Miguel (admin)MestreFoucault nega ou tenta negar o sujeito. Não seria uma leitura um pouco antiga essa de Niet, procurando situar o “campo do sujeito”? Não sei. Posso estar dizendo uma grande bobagem. Em caso positivo: desculpem-me. Em caso negativo: qual a originalidade da leitura foucaultiana de Niet? Seria válido você transferir Niet de seu campo para o meu campo e, assim, analisar sua filosofia? Ou, no limite, não temos outra alternativa, pois sempre estaremos entendendo algo dentro de nosso campo? Bem… é algo que me ocorreu. Como o nível está alto neste debate, espero dar alguma contribuição. Nessa última alternativa, teria alguma validade a análise de Luckács… embora ele tenha feito uma leitura “marxista” de Niet, partindo do pressuposto de que nada existe deslocado do contexto social, logo: há que se encaixar as idéias filosóficas no contexto social onde surgiram e, ainda, no atual…
Miguel (admin)MestreOlá Antonio,
Vou transcrever a passagem do texto do Montinari que trata dessa diferença de “campo” ou terreno(como é aexpressão do autor)
“Certamente o fato de que um filosofo como Nietzsche, que sempre pôs no centro de suas reflexões as exigencias do individuo contra a coletividade,da cultura contra o estado, tenha sido também um anti-socialista, não é casual, mas isso requer por certo, o deslocamento do debate para o terreno escolhido por Nietzsche, lá onde ele pode ainda tem a alguma coisa a dizer. E este terreno certamente não é o terreno politico.Trata-se muito mais de tentar uma avaliação de Nietzsche que não considere como unica realidade a sociedade ou a classe, mas que, ao contrario também de peso ao homem como individuo e a sua maior infelicidade ” depois da destruição dos mitos religiosos e humanistas”(S.Timpanaro).É esse pois o terreno do pessimismo da inteligencia e do otimismo da vontade(…)”
Espero ter sanado a falha
Miguel (admin)MestreOlá caro amigo Peregrino (voltemos pois, as truduções ;)
Primeiramente lhe agradeço pelo link do texto sobre Nietzsche, e pela paciência de responder às minhas interrogações.
“Mas mais frenquente é encontrar sujeito buscando viver na reflexão, fuga da incertezas da vida, o mundo da reflexão é muito mais facilmente moldável pela razão, com o consequente sentimento de controle, segurança, etc. E acontece ainda de ser mergulhado em criticismo pessimista, quando não recheado de cinismo. Julga com isso ter se tornado verdadeiro “filósofo”…”
Entendo(?)..um exemplo deste viver na reflexão seria a doutrina budista?Afinal a iluminação,o fim dos desejos, só pode ser adquirido através da reflexão (não que ele não dependa do corpo, o que afinal qualquer idéia depende) mas a iluminação pode ser adquirida meditando embaixo de uma arvore, e esta mudança interna dá conta de todo resto…
Quanto ao cinismo, ha aquele famoso, e muito engraçado, episodio em que Nietzsche “acusa” o “pessimista” Schopenhauer de tocar flauta depois da sobremesa(ou algo assim).De fato, isso pode ser interpretado como cinismo.O mesmo vale para Cioran, o “tédio” em pessoa que viajou quase a França inteira de bicicleta, e chegou inclusive a ser entrvistado por uma revista especialzada em bikes.Inclusive, em uma entrevista a Fernando Savater (o “melhor” filosofo vivo na minha opinião) ele disse que convenceu um engenheiro a não suicidar-se…maior tédio que a vida é a morte oras!E Cioran diz: Vcs acham q sou triste o tempo inteiro?Claro que não, eu não penso o tempo inteiro.”Me vinculam demais a um filosofo, sou apenas um ser humano”
A proposito ou gosto de Nietzsche e de Cioran sem fazer uma conciliação entre ambos, eles são na questão da “fundamentação da vida” de opiniões opostas.E pra ser sincero, simpatizo mais com a “afirmação” de Nietzsche…assim mesmo acho que Cioran tem muito a me ensinar, mesmo que seja como um oposto a meus objetivos.
“Concordo em parte com Kierkegaard acerca de uma porção importante de subjetividade na verdade. Mais de uma vez lemos por aqui aquela pergunta: “o que é a verdade?”. Não é, certamente, que “2 + 2 = 4”. Vc daria sua vida por “2 + 2 = 4″? Ficou claro? Melhor se não”
Esta é certamente uma forma interessante de absolver (rs) Jesus do dogmatismo.Mas convenhamos,Pilatos teve la suas “razões” hehe
“(…)mas não tenho como “lucidez” viver desgostoso com a vida, desconfiando de tudo e de todos. O “desencantamento do mundo” oferece muita coisa além do “enfeitamento”, do tédio e da angústia? Senão, o doente é que está são.”
Entendo por “lucidez” um uso irrestrito da razão.Entendo por razão o padrão de ordem e medida.Medir com todo rigor é aniquilar.Fixada a “lucidez” desta forma, creio que esta traga desgosoto sim (isto é reconhecer que não temos solo, que nosso “ponto de arquimedes” é na verdade uma linha infinita)…ao menos num primeiro momento.Chorar a perda de algo que nunca “existiu”(ou que sempre existiu) é um exemplo de re-sentimento não?(Concordo que exista essa estetização do melancolia,sim, muito bem observado, e pessoalmente a repudio hehe)
“E o golpe mais forte que deixaria Nietzsche provocado: a religião como fonte de vida e esclarecimento – ele se enganou quando viu um gigante, era uma fenix”
Concordamos que a religião é um instrumento de trabalho!
“Pessoalmente tenho encontrado novo valor na poesia, mas nem só, também teologia, literatura… Filosofia não brota do nada, entendo que lança ou cria raízes em outros solos. Quem escreveu muito bem sobre isso foi Paul Ricoeur”
Concordo, a filosofia não tem um objeto proprio, precisa estar sempre pescando, e muitas vezes multiplicando os peixes de outros “mares”
) Duas frases então para terminar, não sei quem escreveu,ou não, a frase que você postou mas tem uma parecida de nosso velho Rei Arthur:
“Quanto menos inteligente é um homem, menos a existencia lhe parece misteriosa”Mais Uma:
“Deixemos pois, de intepestivos melodramatismos e filosofemos jovielmente, quer dizer, como é devido” Ortega Y GassetCaminhemos em espirais ora! ;-)
Miguel (admin)MestreCaro Miguel.
Talvez esteja errado, mas depois da Escola de Frankfurt, não houve mais vida inteligente no marxismo. Por que? Porque os pensadores daquela escola perceberam o esgotamento do marxismo para explicar o real, passando a adotar outros pressupostos filosóficos e, com isso, revendo os propriamente marxistas e colocando outras alternativas explicativas e críticas.
Pouco conheço de Kurz, a não ser alguns artigos publicados na Folha… Pelo resumo que você fez, porém, acho que ele não acrescenta nada de novo à vulgata marxista. Não vejo porque os órfãos de Marx agarrarem-se desesperadamente ao Kurz, a não ser para perpetuar velhas idéias que tiveram algum significado no Sécuxo XIX mas que hoje, pouco explicam da realidade material de nosso mundo.
É óbvio: a melhor análise da Revolução Industrial do Século XIX seguramente foi feita por Marx em O Capital e outros textos. Muitas categorias do pensamento marxista incorporaram-se à filosofia definitivamente como, por exemplo, a noção de “fetichismo”, conforme foi teorizada por Luckács e outros. O conceito de “mais valia”, apesar de ter gerado muita polêmica e não ser aceito pelos economistas não-marxistas, é ainda importante para que possamos compreender o modo de produção atual. Mas, cuidado: o pressuposto do conceito de “mais valia” encontramos em… Aristóteles.
Em síntese: acho que a teoria política perdeu um importante paradigma teórico com a queda do muro de Berlin e a derrocada do comunismo em geral.
Miguel (admin)MestreMeu caros.
Se eu bem entendi, o nihilismo de Niet é diferente do nihilismo de Dostoiévski – muito embora o primeiro tenha sido leitor e admirador do segundo. Para Dost, nihilismo era pressuposto para uma postura anarquista, pelo que me consta. Enquanto para Niet é um pressuposto para a “transvaloração dos valores”.
Concordo plenamente com a crítica à crítica de Luckács ao nihilismo de Niet como um dos fundamentos do irracionalismo. Em Niet o nihilismo é uma postura filosófica, enquanto para Luckács teria uma ressonância política: acho que ele não entendeu Niet.
Gostaria de entender um pouco melhor a expressão “campo do sujeito”.
Miguel (admin)MestreEstou fazendo um seminario sobre o Inatismo na diciplina de filosofia, no curso Normal Superior, gostaria de receber E-mails, sobre esse assunto.
Miguel (admin)MestreHomem do livro, eu de novo:
Sir Pilgrim, não entendo de que forma vc enxerga a filosofia viculada à cura ou ao veneno (ou overdose). Você considera que o excesso de lucidez é prejudicial? Ou considera que o excesso de filosofia leva a extrema falta de lucidez? Ou outra coisa?
Mais provável as duas coisas. Há sim um sentido existencial na filosofia, filosofia pode ser vivida ou mudar o modo de viver ou iluminar (obscurecer é outra possibilidade) a visão. Em todos os casos muda o jeito de caminhar, “curar”. Mas mais frenquente é encontrar sujeito buscando viver na reflexão, fuga da incertezas da vida, o mundo da reflexão é muito mais facilmente moldável pela razão, com o consequente sentimento de controle, segurança, etc. E acontece ainda de ser mergulhado em criticismo pessimista, quando não recheado de cinismo. Julga com isso ter se tornado verdadeiro “filósofo”…
Concordo em parte com Kierkegaard acerca de uma porção importante de subjetividade na verdade. Mais de uma vez lemos por aqui aquela pergunta: “o que é a verdade?”. Não é, certamente, que “2 + 2 = 4”. Vc daria sua vida por “2 + 2 = 4”? Ficou claro? Melhor se não.
Acho, isso pode ser usado noutro sentido, apologia do senso comum; mas não é a intenção original. Qual a diferença entre o “cavaleiro da fé” e o fanático? No campo da razão não se encontram todas as respostas. Essa questão, tratada no “Temor e tremor” de Kierkegaard, ainda não está satisfatoriamente respondida para mim, mas não tenho como “lucidez” viver desgostoso com a vida, desconfiando de tudo e de todos. O “desencantamento do mundo” oferece muita coisa além do “enfeitamento”, do tédio e da angústia? Senão, o doente é que está são.
Alguém que tenha lido Nietzsche deve se recordar de passagens do “Ecce Homo”, faço jogo com alguns textos sobre a saúde e a doença. Prestem bem atenção a isso: os anos de minha mais baixa vitalidade foram aqueles em que eu deixei de ser pessimista: o instinto do auto-restabelecimento proibiu-me uma filosofia da pobreza e do desânimo… Explica depois que o pessimismo associado com infelicidade e culpa é coisa do fraco e do decadente.
Não está escrito que otimismo esteja associado com falta de percepção, reflexão ou vitalidade, mas creio que o otimismo que vence o pessimismo é o maior sinal de força. Claro, quando não acontece pela via da fuga mas do enfrentamento e da vitória. O jogo inverte o contexto e dá novo significado à passsagem: Um ser tipicamente mórbido não pode sarar, e ao menos ainda curar a si mesmo; para alguém tipicamente sadio, ao inverso, o estar-doente pode até mesmo ser um enérgico estimulante à vida, à mais-vida. Assim, de fato, me aparece agora aquele longo tempo de doença: descobri a vida como que de novo, inclusive a mim próprio, saboreei todas as boas e mesmo as pequenas coisas, como não seria fácil a outros saboreá-las – fiz de minha vontade de saúde, de vida, minha filosofia… E o golpe mais forte que deixaria Nietzsche provocado: a religião como fonte de vida e esclarecimento – ele se enganou quando viu um gigante, era uma fenix
Eu não sei…até porque acho (concordando com Cioran) que a filosofia é de uma profundidade suspeita em comparação a arte, acho que a filosofia mantém um certo “vinculo social”um certo “ar jovial”, a filosofia quer ser compreendida literalmente e para isso sacrifica certa parte da “profundidade”.O filosofo só se torna profundo quando critica a filosofia?
Não sei.
A “filosofia” de Novalis é bem pouco filosófica hehe(para Novalis realidade=poesia)…por certo que esta “profundidade” pode ser apenas uma loucura…mas justamente, ter consciência disso é lucidez!
Pessoalmente tenho encontrado novo valor na poesia, mas nem só, também teologia, literatura… Filosofia não brota do nada, entendo que lança ou cria raízes em outros solos. Quem escreveu muito bem sobre isso foi Paul Ricoeur.
Dizia alguém, esqueci o nome: “o mundo sem mistério seria muito chato”, e se não disse deveria ter dito.
[]'s
Miguel (admin)MestreOlá! Estou fazendo um trabalho sobre Filosofia e Ciência. E umas das questões é o papel da filosofia na Administração de empresas. Gostaria de algumas opiniões. Obrigada
Miguel (admin)MestreEntender não é tão difícil quanto concordar…
…o sobrehumano de Nietzsche é apenas um mito…
…e quem discordar que o prove apontando pelo menos uma pessoa a quem se possa atribuir tais qualidades!
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