Miguel (admin)

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  • em resposta a: A Gramatologia e a desconstrução da Modernidade #75955

    Eu te conheço galinho de briga. Não precisa mais trocar mensagens comigo, fique a vontade com o que você acha ser tão evidente. Só um adendo…caso você não saiba, há uma diferença enorme entre substancialidade e vício – a primeira admite a estaticidade do autor e do leitor, a segunda, o círculo vicioso ocorrendo entre eles( não poderia ser movimento pleno, senão atestaria ainda outra espécie de estaticidade. O vício por seu turno, é sempre uma situação instável e portanto, nem movimento pleno e nem estaticidade plena. É o reino do Virtual).
    Um bom exemplo disso ocorre quando imbecis tentam polemizar e caracaturizar os outros(dando risadinhas por exemplo). O que fica pelas bordas, pelos desvios, provoca sempre nova resposta, num circuito vicioso sem nunca chegar a uma definição. O simples fato de serem ausentes um ao outro (quer dizer, se comunicam pelas bordas e pelo que um excede no que o outro falou, sempre incorrendo em insultos, por exemplo) ou seja, não podem decidir nada entre si, já significa que sempre incidem entre si, ou seja, brigam.
    Numa presença pura, autor e leitor se comunicariam à maneira do transporte puro. O que um falasse estaria pressuposto pela recepção do outro, que, se respondesse, ainda estaria no caminho direto para uma decisão. Já no discurso vicioso, o que um fala nunca é recebido mas comprado, excedido, reinterpretado preconceituosamente. Por isso, tende a uma situação de indecisão, onde o excesso sempre produz mais excesso, violencia produz violencia, resposta produz réplica. Há como evitaressa espécie de discurso? Derridá é radical e diz que não. Já eu não saberia responder. S´otenho a dizer que ele é mais frequente entre pessoas inseguras e incapazes de dirigir uma discussão honesta num fórum de filosofia, por exemplo, quando deixam nas bordas e desvios do texto sempre alguma provocação – no fundo seu texto nada mais é do que uma provocação.
    Ps. agora sei por que a moderadora daqui sumiu…

    em resposta a: O rebanho escravizado pelas religiões #78236

    O grande problema é que não há um meio lógico de se negar a existência de Deus. A própria linguagem é travada nesse sentido, de tal forma que estaremos eternamente girando em torno da pergunta, absolutamente sem sentido em termos lógicos: Deus existe?

    Quando minha filha tinha 5 anos, a professora perguntou aos alunos: como vocês pegariam a toquinha do Saci Pererê? E ela respondeu: eu colocaria uma escada de 5 milhões de degraus para ele subir e pegaria. Então a professora respondeu, rindo: Mas não existe escada com tantos degraus! E minha filha retrucou: Saci Pererê também não existe.

    A minha filha sem saber utilizou-se da lógica do absurdo para explicar a não existência do Saci Pererê, e saiu-se muito bem. O mesmo, no entanto, não se pode fazer em relação a Deus, pois a questão é muito mais complexa. A filosofia já tentou de várias formas, sempre encontrando aqueles que mostram estar logicamente errada a conclusão. Por que? Por um simples motivo: você não pode negar algo que não existe. Ou, dito de outras formas, para se negar algo, primeiro você tem que afirmar sua existência. Negar a existência de algo que não existe é um erro lógico, portanto. Se algo não existe, não precisa ser negado.

    Caro Leandro.

    Realmente, essa letra trata da reencarnação. E a estação é realmente a Terra, mas não há vida somente nesse planeta – da mesma forma como a vida não se resume ao que conhecemos aqui e nos planetas que podemos avistar a olho nu ou não. A vida se manifesta em diferentes mundos de diferentes formas, de acordo com a composição da matéria desses mundos. Pará nós que encarnamos na Terra, somente nos é perceptível o fenômeno vital semelhante àquele existente aqui: não podemos ver mais do que nossos olhos encherga. Por mais instrumentos que possamos utilizar. Nossa ciência não nos ensina nada mais do que isso: há um limite ontológico ao nosso conhecimento, a nós encarnados neste Planeta. Isso, no entanto, não quer dizer que o fenômeno vital exista somente aqui. Estou me fazendo compreender?

    em resposta a: Informações #78054

    Finalmente, Miguel!

    Mas por que tão desapontada?

    Desapontado estou eu com a internet: era de se esperar que fosse facilitar os contatos, mas, salvo algumas exceções, não é o que está acontecendo…

    …tem certeza que o e-mail dela ainda funciona?

    Acho que você nem chegou a receber o que eu te mandei…

    E quem disse que é fácil encontrar professores e gente com quem se possa debater assuntos importantes na internet?

    em resposta a: Informações #78053

    Ola Nomade

    A Isabel era uma membra bastante participativa, alem de ser colaboradora do site principal.

    Ela ficou desapontada com o rumo que o fórum tomou durante certo tempo e voltava a entrar periodicamente atrás de novidades, até que parou . Ela está sempre muito envolvida com o trabalho, é professora de filosofia do ensino médio português. Mas quiçá ela ainda volte a entrar. Você ja tentou o contato por email?

    Abs
    Miguel

    em resposta a: O rebanho escravizado pelas religiões #78235

    E para somar as incoerências, prega a Nova Era noutras discussões e apela a crença ateista. Não tardará muito, exorcitará o espirito cristão, com a literatura de Allen Kardec, tudo a favor de um super homem.

    em resposta a: O rebanho escravizado pelas religiões #78234

    Se não acreditas num Deus, como podes acreditar no que é, supostamente, o seu contrário? Não te somas ao rebanho, mas faz pregação do racionalismo científico…

    em resposta a: Genismo #73514

    Saudações. A verdade é que quanto mais leio este ensaio sobre o genismo, mais a realidade de ser uma forma de religião à procura de uma forma de divinação se realça. O que vejo é algo que parece se verbalizar em escritos teóricos darwistas, em que alguém através de um visionamento de alguns episódios dos canais de Discovery, pensa ter alcançado toda a verdade da humanidade. Uma tentativa de se unir aos únicos que poderão de alguma forma contestar a ideia de uma conspiração genética, em nos encaminhar para um final pré destinado. Mas até quando os verdadeiros ateístas vão tolerar uma forma de divinação do próprio Homem?

    Para quem ler este todo o ensaio, acho que bastará uma actualização da bíblia católica e a substituição de todas as referências a um “Deus” ou de um “Senhor”, com a palavra de “Genes”, representação de um elemento divino, detentor de uma verdade incontestável. É uma verdade que algumas pessoas menos instruídas cederão sempre a sofistas, senhores de uma oratória prodigiosa, que os aliciará com um futuro errisório e de satisfação para os desígnios da própria vida e de alguma forma é o que tenta o Genismo, com a sua actualização aos tempos de hoje a construir uma bíblia de verdades, que através de alguma ginástica cerebral, conseguirão sempre aliciar os menos desprovidos.

    Se fosse o caso de haver uma consciência genética, não seria todo o aprendizado numa geração passado a outra seguinte, somente pelo facto de se seguir uma descendência, ou seja, eu sem conhecimento de quem são os meus pais adquiria o aprendizado da vida deles! Ou será que a conspiração desses genes em se fazerem perdurar é muito mais cheia de secretismo e fazendo-se o autor de tal ensaio, consciente da conversa dos seus próprios genes e que nos revela todo o plano da criação.

    Confesso que esta é a parte mais atractiva para mim, um simples começo que começa com: “O leitor menos estudado no campo da evolução sentira talvez certa repulsa ou estranheza com a doutrina”. Esta forma de começar um ensaio, é de facto maravilhosa, que me fez de imediato lembrar a fábula do rei que vai nu, que somente os mais inteligentes e sábios seriam capazes de ver o belo fato que o rei levava, mas neste caso eu serei a irreverente criança que grita: “o rei vai nu!”, e não me causa alguma estranheza esta doutrina. É mais uma forma de se tentar vender umas camisolas, uns bonés e uns livros em prol do que dizem ser uma verdade!

    O genismo como filosofia, não contesta. Mostra mais uma possível verdade no meio de um universo infinito de possibilidades em constante ascensão. Não uma verdade absoluta, solução para todas as questões, mas mais um veiculo de fundamento ao alcance de utopia.

    Perante a ciência não há uma verdade, existe um universo de conclusões que mais tarde ou mais cedo acabam por ser destruídas ou revogadas, a isto se chama ciência. Nada de estável e definitivo, mas algo sempre em transformação. Em nenhum momento o homem da ciência pode dizer que atingiu a essência última da realidade, o mais que pode desejar é uma descrição, uma imagem, que satisfaça as exigências fundamentais. Neste caso a ciência é mais ampla que essa busca de felicidade, não lhe interessado a felicidade ou o que isso seja, mas uma forma de construir quadros racionais de interpretação e previsão. Mas concordo quando dizem que o genismo poderá ser seguido como uma forma de religião e nos mandamentos mencionados, não penso de forma alguma que subiu ao cume de uma montanha para nos revelar.

    “O que acontecerá é que as pessoas que nao o seguirem terao menos chances de atingir o grau de felicidade que elas poderiam alcancar caso seguissem o genismo.” Esta é hilariante, absolveram uma punição na eternidade, para um tristeza, e não seremos todos tristes por procurar um fundamento para a nossa existência!

    Pax

    em resposta a: Religião: neurose universal ou afago espiritual? #76886

    Saudações Luiz. Existe sempre, uma ponta de verdade em todas as verdades de cada homem, elas são sempre ilustradas por uma inicial educação que lhes constrói um mundo à sua verdade perante os seus lacunosos sentidos. Se nos resta acreditar nessa verdade que nos transporta ao mundo do qual nos tornamos reis e senhores, somente compete ao livre árbitro de cada qual a julgar conveniente ou não.
    Confesso que quando li a pequena entrada que fez, veio-me a lembrança todo o romantismo que o lado gótico poderá ter perante aqueles que vivem guardados pelos olhares dessas mal fadadas gorgulantes cabeças de pedra. Em que o Ocidental, é repleto de beleza, em todo o seu esplendor de historia, que a inquisição fazia parte de uma seita que vendia maças vermelhas a todas as belas do reino e que raramente bateram a porta de Judeus, neste reino, sobre a vigência de Papa João Paulo II (Que a cadeira nunca lhe ceda). Muito selectivos ou esquecidos nos tornamos!
    Quando olho hoje para as noticias do Iraque e de outros países em seu redor. Quando vejo muralhas a serem construídas numa facha, a dividir dois povos. Quando olho para as noticias de todo este terrorismo que hoje nos bombardeiam, tenho sempre a sensação de continuar a viver uma guerra santa, uma Jihad, uma cruzada de ambos os lados. Nunca tanto como agora foram tão discriminadas as religiões de cada homem, em que somente num período de guerra-fria as deixaram adormecidas, por medo a um arauto vermelho incrédulo e uma bandeira nacionalista de crentes na liberdade de expressão, em nome de Deus. Neste momento a todo o canto do globo continua a assistir-se a uma violenta batalha por converter, seja quem for ao que for. Continuam hasteadas as bandeiras da diferença e não é necessário estar a distinguir as crenças, os partidos, pois no final todos pretendem o mesmo. Transformar a sua própria razão, na verdade.

    em resposta a: Religião: neurose universal ou afago espiritual? #76885

    Conhece-te a ti mesmo.
    Embasados em algo parecido com o conteúdo desta máxima, os homens- cada um de nós – acham que tem uma verdade, pelo menos bem perto, da Verdade Total ou FINAL. As religiões aproveitam-se desta fragilidade humana para disseminar idéias muitas vezes absurdas. Mas tudo vale para satisfazer esta necessidade suprema de achar que há, necessariamente , algo TOTAL ou FINAL. Para alguns é mais fácil pois conseguem lidar com certa sabedoria e distanciamento, analisando e questionando o que se nos dá como verdades. Mas outros, infelizmente, se atiram ao primeiro emissário religioso que fale bonito e que diga coisas que o confortem ou suavizem a sua dor. Hoje em dia – no nosso lado, o ocidental- é assim que funciona. É claro, que no lado muçulmano bem como nas religiões do passado era um pouco diferente pois a religião era imposta a força.
    }

    em resposta a: Superhomem #78409

    Olá,amigos

    Patrícia, acho que seus questionamentos tem a ver sim com o contexto do fórum, não acho incorreto mesclar questões “pessoais” com questões “hermenêuticas”, alias neste caso os extremos é que são desinteressantes.Defendo uma certa liberdade na leitura, mas ela continua sendo “leitura” e não “invenção”, a pura leitura também é puro pedantismo, erudição barata.

    Acho que quanto a diferença entre “vontade de potencia” e “vontade de vida” Nietzsche se põe em contraponto a Darwin e a Schopenhauer.Para Schopenhauer “vontade” e “vontade de vida são sinônimos”, e esta vontade é o que “move o mundo”.Para Nietzsche à vontade de vida é uma conseqüência da vontade de potencia.
    Um homem para Nietzsche “vive para crescer” e não “cresce para viver”.Este crescer significa crescer em potencia, o que preenche o “vazio” da vida.

    Eu já citei em outro post o livro do Jose Thomas Brum “O pessimismo e suas vontades” que trata exatamente desta questão.Na verdade o livro é a tese de mestrado do autor (que teve como orientador Clement Rosset, amigo de Cioran) e tem um prefacio de orelha (é assim que isso chama? hehe) assinado pela professora Scarlet Marton.Bem, muito bom o livro, de leitura muito agradável.

    Sir Pilgrim, não entendo de que forma vc enxerga a filosofia viculada à cura ou ao veneno (ou overdose).Você considera que o excesso de lucidez é prejudicial?Ou considera que o excesso de filosofia leva a extrema falta de lucidez?Ou outra coisa?

    Eu não sei…até porque acho (concordando com Cioran) que a filosofia é de uma profundidade suspeita em comparação a arte, acho que a filosofia mantém um certo “vinculo social”um certo “ar jovial”, a filosofia quer ser compreendida literalmente e para isso sacrifica certa parte da “profundidade”.O filosofo só se torna profundo quando critica a filosofia?A “filosofia” de Novalis é bem pouco filosófica hehe(para Novalis realidade=poesia)…por certo que esta “profundidade” pode ser apenas uma loucura…mas justamente, ter consciência disso é lucidez!

    Schopenhauer e Cioran representam vidas “doentes”?O certo é que precisamos de vocação para lucidez, Cioran escreve “eu tenho vocação para pedra!”.E eu tenho vocação para geólogo hehe, ou melhor, tenho vocação para brincar com as pedras.E sempre há uma no meu caminho, a “pedra filosofal” a pedra de Sisifo.E quem tem a cura para Sisifo que atire a primeira filosofia! Hehe

    Sir Pilgrim, saiba que nem leio tanto Blake assim, mas é que ele sempre me vem a mente.Acho que é porque ele representa para mim a “tolerância metafísica”, tudo é sagrado e nem por isso tudo é certo, tem muita a coisa a ser feita, mas tudo é perfeito.Tudo é sagrado até que alguém pise na sua unha encravada, e toda estupidez é real até vermos “the holy sunrise” e colocarmos o infinito na palma de nossa mão.Essas visões são conciliáveis?Creio que o verdadeiro “sagrado” seja encarnar essas duas visões em um único momento…tarefa difícil, mas assim disse a praga ou a benção de meu bardo interior hehe

    Abraços

    em resposta a: Genismo #73513

    Saudações Jocax. Depois de ler parte de toda essa referência ao Genismo à qual já conhecia como uma proposta opção para o Ateismo. Continuo com a impressão que se quer criar uma nova forma de fazer do Homem, Deus. Justificando-se um caminho através de Genes que não nos falam, que não se justificam, mas que aparentemente estão presentes. Uma outra forma de fazer da ciência um novo livro de leis esclarecedoras e inquestionáveis.

    em resposta a: A Gramatologia e a desconstrução da Modernidade #75954

    Situação de risco? Que risco?

    Se não há presença pura entre autor e leitor, cada palavra representa um desvio? Nada a ver…

    A crítica à metafísica da presença de Derrida não quer dizer que duas pessoas não consigam realizar o que se propõem objetivamente. Ele apenas diz que há algo mais para além das aparências de que as coisas se encerram por aí. Um belo exemplo disso é a política, onde eventualmente é possível encontrar pessoas defendendo propostas contrárias às suas diretrizes iniciais. A política também é uma relação de trocas em que eventualmente é preciso fazer concessões em benefício de certos ganhos em acordos com os próprios adversários.

    Se a filosofia Derridiana abole a met. da presença é óbvio que admite o Vício?

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHHAHAHAHA
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
    HAHAHAHHAAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHHAHAHAHA
    HAHAHAHAHHA…

    …SÓ PORQUE VOCÊ QUER!

    Derrida jamais incentivou a existência dos vícios, ele não admite vícios…

    …justamente o contrário disto, ele quer desconstruir tudo que seja vício…

    (Mensagem editada por Nômade em Agosto 03, 2004)

    em resposta a: A Gramatologia e a desconstrução da Modernidade #75953

    Amigo..
    O fato do leitor nunca estar plenamente definido, significa que o próprio autor permanece numa situação de risco uando escreve e logo, sua própria autoria é contaminada por esse risco, que atuam como pressupostos, preconceitos e isso em geral. Foi exatamente o que eu disse, e também o que quer dizer sua citação. O único problema até agora, é que você não quiz admitir a radicalidade dessa posição Derridiana que é com toda certeza o “fim da metafísica da presença” assim como O próprio Derridá diz ser o seu objetivo, repetidas vezes.
    Quanto ao círculo vicioso, é fácil: Se não há presença pura entre autor e leitor, cada palavra representa um desvio, e não um atalho. Como desvio, mantém ambos atrasados um frente ao outro, e cada passo que dão apenas pode os distanciar mais. Isso significa algo que já na Ética aristotélica era abominável – que uma falta só pode ser preenchida por um excesso. Sim, se não há prsença resta o Vício, isso é óbvio. Se a filosofia Derridiana abole a met. da presença é OBVIO que admite o Vício – isso também você encontra em “A diferença e repetição” de Deleuze.
    Por fim, Autor e leitor são definodos sempre separadamente. Representam sempre entidades distintas, mas não na sua indispensbilidade ou incondicionabilidade de territórios, mas sim, na sua deterritorializaão, e pois um só existe em conflito com o outro. Poranto, não há com oentender um texto sem o confrontar com um Autor, e nem como escrever um livro sem levar em conta o medo do leitor. A não presença entre autor e leitor é indispensável à evolução do Texto, ou que antes se chamava Mundo o uCosmos.

    em resposta a: Genismo #73512

    Os Pilares do Genismo
    =====================
    Por João Carlos Holland de Barcellos
    Abril 2003

    Dando seqüência a segunda etapa evolutiva do genismo tentarei elucidar seus principais pontos que chamamos de “Pilares do Genismo”. Posteriormente, espero rever e divulgar uma nova versão do FAQ ( “Questões Freqüentemente Perguntadas”) .

    Filosofia Genética

    As raízes do genismo datam de uns 20 anos atrás, pelos idos da década de 80. Naquela época eu havia criado o que eu chamei de “Filosofia Genética”. A Filosofia Genética era uma doutrina simples baseada na constatação de que não podíamos mudar nossos instintos mas poderíamos fazer isso com nossa cultura, nossas crenças. Para mim era claro , na época, que muito de nosso sofrimento residia na dicotomia entre nossos valores, religiosidade, ética e moral, por um lado, e nossos instintos , vontades e desejos, por outro. Então, o melhor que poderíamos fazer era adequar, o máximo que pudéssemos, nossa cultura à nossa biologia e não o contrário já que isso seria biologicamente impossível. Colocar nossas crenças e cultura contra nosso imperativo biológico só poderia produzir mais sofrimento e infelicidade.

    Diga-se, de passagem, que a teoria da sexualidade de Freud pode ser vista como uma das facetas do genismo pois a sexualidade desempenha um importante papel, talvez tanto quanto a sobrevivência, na perpetuação genética e, deveria ser esperado, que uma violenta repressão nestes instintos pudessem provocar sofrimentos e distúrbios variados.

    Posteriormente, por volta de 1990, ainda intrigado com a natureza biológica do homem, li o fantástico “O Gene Egoísta” de Richard Dawkins. O livro mostrava claramente que todos os seres vivos , sem exceção, evoluíram por seleção natural “para” perpetuarem seus genes. O “para” está entre aspas porque se trata de uma notação metafórica: Os organismos não tem, na verdade, um objetivo consciente de perpetuarem seus genes. Eles agem, instintivamente, desta maneira porque apenas os que conseguem transmitir seus genes às gerações futuras permanecem no “pool genético” da população. Os que não o fazem, ou não conseguem faze-lo, não tem suas característica preservadas. Então, tudo se passa como se houvesse uma intenção para a perpetuação genética. Devemos notar que o valor instintivo à vida, a sobrevivência, nada mais é do que um dos passos rumo a preservação genética.

    “Os Genes nos criaram e a eles deveremos servir”

    Pois bem, o livro mostrava claramente que os seres vivos tinham sido programados, por seleção natural, para perpetuar seus genes. Na verdade, os organismos podiam ser vistos como carcaças, dispositivos biológicos ou “Máquinas de sobrevivência” , como era chamado pelos biólogos evolucionistas da época, para sobreviverem e passarem seus genes às próximas gerações.

    No livro, talvez por prudência, Dawkins não utilizava exemplos humanos para demonstrar seu ponto de vista e, na verdade, e para minha própria sorte, ele declarava justamente que deveríamos ir contra nossos genes : “…Compreendamos o que pretendem os nossos próprios genes egoístas, para que possamos ter a oportunidade de frustrar as suas intenções, uma coisa que nenhuma outra espécie alguma vez aspirou a fazer….”

    É interessante notar que os animais , ditos irracionais, não empreendem batalhas e guerras sangüinárias mortais contra seres de sua própria espécie e, até de forma surpreendente, raramente ocorre morte entre eles em lutas individuais pela disputa de território ou de fêmeas no cio. Isso decorre do fato de que estes animais seguem seus genes mais de perto do que nós humanos. Possuímos a consciência e um poderoso cérebro capaz, infelizmente, de trair nossos genes, não apenas através de guerras contra nossos semelhantes utilizando as famosas “armas de destruição em massa”, mas também a nós mesmos e a nossa própria felicidade.

    “A felicidade é trilhar o caminho da perpetuação genética”

    Assim, a “filosofia genética” evoluiu para o genismo após eu ter lido “O Gene Egoísta” e percebido que deveríamos, não ir contra nossos genes, e sim a favor deles. Claro que deveríamos estar restritos a algum domínio ético mas, ainda assim, teríamos um amplo campo de ação que minimizaria nossos sofrimentos , nos daria um sentido à vida e uma forma de imortalidade não mais baseada em ilusões mas em entidades reais : Os genes.

    O genismo nesta fase que , podemos dizer, durou de 1990 a abril de 2003, estabelecia que deveríamos assumir nossa condição de “Máquinas Perpetuadora de Genes” e agir no sentido de perpetuá-los. Como resultado de tais ações, que chamei de ações-gene-perpetuativas, maximizaríamos nossa felicidade pois reduziríamos ao mínimo os conflitos cultura x instinto ( conflito meme x gene ) e integraríamos nossa cultura com nossa essência biológica mais profunda.

    “Nossos genes são nosso bem mais precioso”

    É claro que a aceitação de nossa condição intrínseca de “máquinas perpetuadora de genes” faz mudar nossos antigos valores, alguns talvez baseados em religiões, e tomarmos nossos genes como nosso maior valor.

    É importante frisar que nossos genes não estão apenas em nossos corpos individuais mas espalhados pela humanidade. Partilhamos a maior parte de nossos genes com nossos descendentes e parentes mas a variação com outros membros da espécie não é tão grande assim. Compartilhamos cerca de 86% de genes idênticos ( não de cromossomos ) com nossos filhos e cerca de 68% de genes idênticos com outra pessoa qualquer da mesma espécie.

    Este compartilhamento genético deveria proporcionar , a nível de valor cultural, um reconhecimento e uma aceitação do outro como parte de nós mesmos. Isso poderia (deveria?) levar a um altruísmo de nossas ações, a nível cultural, pela aceitação do genismo como doutrina a ser seguida. É a forma correta de responder à critica de que o genismo levaria a um aumento do egoísmo na sociedade.

    Devemos lembrar ainda que egoísmo genético não implica necessariamente em egoísmo comportamental. Por exemplo: uma mãe pode arriscar a sua vida para salvar a de seus filhos. Este comportamento altruísta, por parte da mãe, foi implicado por um egoísmo de seus genes que “querem” sobreviver e se perpetuar.

    “Deus não existe e o único modo de transcender a morte é através de nossos genes”

    O genismo é um ramo do ateísmo e está compromissado com a ciência e a verdade e, por isso, não são consideradas como benéficas religiões, misticismos e outras formas religiosas ou pseudo-científicas, sem evidências fatuais. Religiões deístas, principalmente, são vistas pelo genismo como memes alienantes e perigosos pois os infectados, em geral, tem uma forma deturpada de ver o mundo que, por vezes, levam a contradições, injustiças e a infelicidade.

    Os genistas devem ser tolerantes aos infectados (crentes) pois seus cérebros foram contaminados com poderosos vírus meméticos e, como estes memes levam o indivíduo a uma continua e persistente aceitação das contradições ( implícitas nestas religiões ) com os fatos, através da fé, fica extremamente difícil faze-los perceber que estas contradições ( com os fatos ) deveria implicar na falsidade do seu conjunto de premissas ( crenças ).

    A imortalidade através dos genes faz reforçar nossas ações gene-perpetuativas e é também uma forma de felicidade que o genismo fornece. Na verdade eu costumo segmentar o genismo como gerador de duas fontes de felicidade : A primeira , a mais pragmática, traz a felicidade reduzindo os conflitos memes x genes e levando o indivíduo a agir em sintonia cultura-instinto. A Segunda fonte de prazer é de um nível mais “elevado” e provém do sentimento de imortalidade via genes. Além disso, fornece um sentido à vida, tão difícil de se obter sem recorrer as sempre fáceis ilusões.

    “Devemos respeitar outros genes para que os nossos também sejam respeitados”

    O genismo leva o organismo a valorizar os genes e faze-lo agir de forma a perpetua-los. É “para isso” que fomos evoluídos e é para isso que devemos viver. Esta nova forma de vermos a nós mesmos faz com que nos integremos à nossa essência imutável que é a nossa programação genética. Contudo, podem existir possibilidades gene-perpetuativas que, embora possam trazer felicidade ou prazer ao seu executor, podem provocar mais sofrimento e infelicidade a outros indivíduos, diminuindo a felicidade total do grupo. Neste caso, estas possíveis ações deveriam ser evitadas.

    Devemos sempre estar atentos, e não perder de vista, o objetivo do genismo : A Felicidade. Embora o genismo ainda não possua um código de ética definido, as restrições éticas às nossas ações devem ser baseada na meta-ética-científica : A felicidade de cada um está limitada à felicidade do grupo, isto é, um indivíduo do grupo não deve aumentar sua felicidade às custas da felicidade total do grupo.

    “Nós somos nossos genes”

    Em abril de 2003 o genismo dá mais um passo evolutivo: Vinha se tornando cada vez mais claro para mim que a nossa consciência não era a nossa essência e sim nossos genes. Antes, o genismo fazia um tratamento por demais diferenciado entre “nós e nossos genes”. Tratávamos nossos genes como “Eles”. Deveríamos servi-los, e viver em função deles. Implicitamente estávamos privilegiando a nossa consciência como sendo nosso verdadeiro “eu”. Agora não mais.

    A nossa consciência, assim como nossos braços , estômagos, olhos e unhas devem ser visto como apêndices de nosso verdadeiro eu : nossos genes.

    Embora nossa consciência tenha o controle de nossas ações ela é resultado de uma pequena parte do processamento cerebral. Talvez, quem sabe, de uma diminuta área de nossos cérebros. Assim, até fisicamente, é mais razoável pensarmos que somos nossos genes já que eles permeiam todas as células de nosso corpo: das unhas dos pés ao núcleo de cada um de nossos neurônios.

    Mas a ditadura da consciência fez raízes profundas. Ainda vai levar tempo para que este novo paradigma se reflita em nossa linguagem coloquial e por isso deveremos ser tolerantes quando ainda tratarmos os genes como “eles” e nossa consciência como “nós”.

    Mas o genista saberá que quando falávamos ou falarmos que estamos batalhando para perpetuar nossos genes deveremos entender que estamos trabalhando para a nossa própria imortalidade.

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