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Miguel (admin)Mestre
“Those who restrain desire, do so because theirs is weak enough to be restrained; and the restariner or reason usurps it’s place & governs the unwilling”
“When thou seest an Eagle, thou seest a portion of Genius, lift up thy head”
“The crow wished everything was black, the owl that everything was white”
“The fox condemns the trap not himself”
William Blake, The Marriage of Heaven And Hell
E não é que já li algo parecido da pena de um “anticristão” bigodudo!
Pensando na relação Nietzsche cristianismo, me lembrei do livro que a prof. Scarlet Marton escreveu para aquela excelente coleção “Encanto Radical”, ela escreve no prefacio que Nietzsche já foi interpretado de varias maneiras inclusive como “cristão ressentido”, e conclui que na verdade ele é acima de tudo um “instrumento de trabalho”.
Ressentido acho difícil (para não dizer impossível), mas é possível enxergar algo de cristão em Nietzsche (como Sir Pilgrim escreve acima), assim como é possível achar algo de “anticristão” em Blake,Pessoa,Pascal e outros.Talvez o cristianismo seja também um instrumento de trabalho certo? JCaro amigo Pilgrim me identifico com sua posição quanto ao gosto por “paradoxos”, por tudo que o é divido, cindido, multifacetado (se é que é isso mesmo que você entende por paradoxo).Mas no meu caso acho da pra puxar “fio” desse gosto…
O poeta alemão Novalis define filosofia como “nostalgia, o desejo de estar em toda parte como em casa”.Mas como estar em todas as partes como em casa se não temos “casa”, se não possuímos uma verdade para imprimir no mundo, se por algum motivo nos recusamos apesar de nós mesmo, a tiranizar as coisas em nossa função?Minhas crenças são uma piada, se são ao menos que sejam de bom gosto certo? hehe
Mas aí reside meu gosto pelos pensadores divididos…é na “casa” dos “sem-teto” que me sinto em casa.
Além disso, toda atitude -radical- encerra uma promessa, talvez o mundo seja mesmo a casa dos sem-teto….Miguel (admin)MestreOlá,
“Acho que achei” (esse,acho, é meu “karma” hehe) uma solução para diferença de “cálculo” de felicidade entre o Aurora e o Gaia Ciência.
No posfacio do Gaia Ciencia (da Compainha das Letras) o tradutor informa que Nietzsche enviou os dois livors juntos (ao mesmo tempo) para o editor Hyppolyte Taine e que “Aurora” foi escrito quando Nietzsche estava “doente, desenganado pelos médicos, em quase total privação e solidão”, Gaia Ciencia por sua vez surgiu “em algumas sublimes ensolaradas semanas de janeiro”.No “Aurora” a “nava paixão” é o amor incondicional dos sofredores, no “Gaia Ciencia” uma escolha “economica” para o espirito, mais sofrimento rende mais felicidade.
Aí surge a questão qual é o Nietzsche “real” o “doente” ou o “são”.
Talvez a questão ideal seja qual é o Nietzsche desejavel não acham?(Mensagem editada por bookofyoureason em Julho 30, 2004)
Miguel (admin)MestrePreciso, com certa urgência, de referências bibliográficas que comentem e possibilite uma maior compreensão a respeito do livro A Republica de Platão. Email para contato: [email protected]
Miguel (admin)MestreTalvez, de certa forma, todos eles o façam. Não no sentido de formular uma ideologia, mas de, justamente, questionar o que acontece dentro delas.
Ou seja, o filósofo está mais próximo de ser aquele que questiona do que aquele que traz as respostas já prontinhas para serem digeridas…
Miguel (admin)MestreTalvez você ache tudo isso interessante, contudo, meu objetivo era entender melhor o ponto de vista de Derrida e isso está bem difícil de se conseguir aqui na internet, já que parece que estamos passando por alguma fase de obscurantismo.
Sem contar que a moderadora Isabel Maia está ausente, senão desaparecida…
Miguel (admin)MestreSim, gostei da sua resposta
.
Também acho que cada um deve formular seu próprio sentido existencial. Mas há uma necessidade de expressá-lo muitas vezes, e de discuti-lo. Por isso estranhei que poucos filósofos o façam hoje em dia, mesmo que o objetivo não seja de conseguir “seguidores”. Mas existem filósofos que ainda fazem isso? Se existirem, me avisem.Miguel (admin)MestreConcordo. Se considerado como você quer considerar, é forçoso falar em não espaços. Mas veja que o caso aqui não é a Não existencia do Autor ou do leitor, e tão pouco a desenraização destes.
Você diz que mesmo o não espaço é um espaço. Está certíssimo, e cairiamos na mesma armadilha da dialética que moveu Sartre se continuassemos nessa discussão. Se trata então de um entre-espaço, acho que assim fica mais adequado.
Já sobre os outros tópicos, tenho de discordar. Primeiro pois uma interpretação Não é simples. Não há intencionalidade ou desvelamento do Ser na interpretação. O Sujeito que iinterpreta faz trasbordar aquilo que Não é, enquanto sendo – e não faz constituir uma totalidade negativa com isso – cuidado com a dialética de novo. Quer dizer, transborda pois não Recebe o significado. Transborda pois o Compra, participa de um processo instável onde não há “transporte” de significado e tão pouco doação.
Diga-se de passagem, é essa a situação de guerra. Professor e aluno, pai e filho, homem e mulher, participam dessa situação ambígua, uma diferença atraente, a mesma do ciúmes. Pq isso é uma não situação? Por quê nunca compõe uma totalidade. Não é uma situação de risco do mesmo tipo daquela que Hobbes descreve – o estado de direito de todos. Não. O estado de guerra é mais complexo que isso. Nele nada progride ou evolui, e nada permanece ou desaparece. ´Nem positividade plena e nem negação plena. Acontece aqui um círculo vicioso – Autor só existe na sua não atualidade, mas essa não atualidade tem de ser comprada por um leitor. Não pode ser “recebido” pelo leitor pois isso faria dele um leitor pleno – um Sujeito intencional – e nenhuma guerra pode ser efetuada entre Sujeitos que não transbordam – a guerra estaria acabada antes de começar se fosse assim.
Continuando, o autor só existe nessa relação ambígua que mantém com o leitor, sob risco de perder autoria, o que faz da autoria uma entre-autoria. Ninguém ocupa um teritório pleno, mas apenas entre-territórios. Participam da fofoca e não da “lembrança”. Aparecem por aquilo que vendem e compram, mas nunca por aquilo que “fazem” ou “constróem”. São apelidos, nicks, mas nunca nomes ou Sujeitos.
Por isso não se trata de eliminar a idéia de espaço, de maneira alguma. Nem eliminar a idéia de Autor. Mas é uma reformulação completa da idéia de autoria. O Texto não pode ser lido sem o autor – o que analogamente seria dizer: O presente não existe sem o passado?(veremos) – mas o Autor aqui não pressupoe a idéia de causalidade,anterioridade e nem de Ação. Aqui só se pressupõe a idéia de ambiguidade e ruptura, pois não há leitura pura, mas apenas uma interpretação excessiva, um significado desvelado no seio de uma guerra, sem o qual não existiria qualquer “desvelamento” – e “aparecer” aqui significa participar do estado de fofoca e atraso, e não um aparecimento “atual”, nada de “informação”). Não há fidelidade e nem transporte. O texto portanto, é um entre-espaço, como um pixel de computador. Por isso o Autor existe sim, mas é tão precioso como o Leitor, na Guerra efetuada. Não é lícito fazer a analogia com a “causalidade” ou “anterioridade” pois é da não atualidade e da instabilidade que surge o significado do texto, que não passa de um exceso, atingindo os participantes da guerra como “gozo” , um excesso, nunca uma “suficiencia”.
Por conseguinte, o termo espaço, autor, leitor, é imprescindível. Eles aparecem por todos os cantos, onde existe disputa. Mas não apareceriam não fosse a “disputa” – e é por isso que há guerra. Não fosse guerra, não haveria referencia qualquer e tão pouco as direções e posições, o espaço, território. E é nesse clima que se fala. Mesmo os cachorros participam – de certa maneira – da fala, já que assim como nõs não tem Ação, mas apenas compra e venda – guerra – por territórios. Tão pouco recebem “informações” da natureza – assim como nõs, estão atrasados e desinformados, vivendo apenas o gozo, a desatualização da guerra. Isso é falar.
Abraços.Miguel (admin)MestrePatricia, oi de novo.
As questões estão ainda mais complicadas, mas prefiro não abraçar a prudência que vem na resignação ao silêncio ou na repetição de pareceres de outros, ou evasivas que se furtam ao posicionamento. Por outro lado, como contrapasso, reservo-me o direito (como já deve ter percebido) de misturar comentários acadêmicos com interpretações pessoais – na medida do possível, procurarei deixar claro quando é um ou outro caso. No mais, só relembrando, a dificuldade da exegese dos textos nietzscheanos
eu não entendo direito esse ponto de: a vida quer subir e, subindo, superar a si mesma…. seria o caso de superar os valores dos significados q deram à vida?
Acho que não é por aí… antes vc disse da sensação de desnorteamento, e, talvez, pelo filósofo que escolheu, vá ter que ir se acostumando com perguntas sem respostas
No meu caso, ajudou o gosto pelo paradoxo, estimulado nas leituras de outro filósofo, que, sou capaz de apostar, a maioria deve imaginar quase como oposição a Nietzsche, Kierkegaard, filósofo cristão; entretanto, a filosofia desses dois, no meu entender, tem mais pontos de semelhança do normalmente se espera (não desconsideradas, evidentemente, a existência simultânea de muitas diferenças).
Falando dessa “vida que quer se superar”, acho que ajudaria colar algumas passagens do Zaratustra:
“Vontade de verdade” é como se chama para vós, ó mais sábios dos sábios, o que vos impele e vos torna fervorosos? Vontade de que seja pensável tudo o que é: assim chamo eu vossa vontade! Aqui, com um pequeno toque de ironia (em outras passagens ela aparece mais sutil e mais forte), critica o projeto de enquadramento do sujeito nos moldes da razão, que enquanto tal funciona ao modo de universalização e simplificação de conceitos e proposições como caminho de domínio do conhecimento. O homem, entao Mas deve adaptar-se e curvar-se a vós! Assim quer a vossa vontade! Liso deve ele tornar-se, e submisso ao espírito, como seu espelho e reflexo. Essa é toda a vossa vontade, ó mais sábios dos sábios, como vontade de potência… Com diferença de estilo, mas não de qualidade, vejo semelhança com Kierkegaard, na ironia, na valorização do sujeito e da diferença, e na critica à pretensão de que a razão traga todas as respostas. Mas mais importante é perceber como Nietzsche usa a expressão “vontade de potência”, na passagem anterior ela aparece com sentido negativo. Também aqui: É vossa vontade e são vossos valores que vós assentastes no rio do vir-a-ser; uma antiga vontade de potência é o que denuncia a mim aquilo que é acreditado pelo povo como bem e mal.
Em suma, o homem cria os valores e os eleva ao estatuto de transcendentes e absolutos: Agora o rio carrega vosso bote: tem de carregá-lo. Pouco importa se a onda quebrada espuma, e irada contradiz a quilha!
Não é o rio vosso perigo e o fim de vosso bem e mal, ó sábios dos sábios: mas aquela própria vontade, a vontade de potência – a inesgotável e geradora vontade de vida. Ops… agora “vontade de potência” aparece com sentido positivo. Muita gente se perde nos textos de Nietzsche nesses jogos com as palavras e leva gato por lebre – e nem tocamos nas passagens mais complicadas. Estou supondo que já ficou claro a ironia, que “os sábio entre os sábios” são os que se imaginam sábios. Ouvi agora minha palavra, ó sábios dos sábios!… Onde encontrei vida, ali encontrei vontade de potência; e até mesmo na vontade daquele que serve encontrei vontade de ser senhor. (…) E onde há sacrifícios e serviços prestados e olhares amorosos: ali, também, há vontade de ser senhor. Por caminhos oblíquos, introduz-se o mais fraco na fortaleza e até no coração do mais forte – e, ali, furta poder.
E esse segredo a própria vida me confiou: “Vê”, disse, “eu sou aquilo que deve sempre superar a si mesmo”. Nietzsche acredita que é somente por isso que a vida se sacrifica, pelo poder. Vontade de vida, vontade de existência, não existe. Quem está morto não pode mais querer, mas quem está vivo, para que precisa ainda querer estar vivo? Somente onde há vida, existe também vontade, mas é vontade de ser senhor, vontade de “dominar”, vontade de poder, ou melhor, “vontade de potência”.
acho que já podemos partir pro ponto do projeto do super-humem, não é? Mas daí eu não entendo esse projeto direito
Talvez – quem o sabe? – deve-se então até se alegrar
Assim como, para Kierkegaard, o “saber demais” banaliza, para Nietzsche, o “muito conhecer” amortece ou mesmo paraliza. A questão poderia ser outra, não tanto se vc entende, mas, mais importante: vc quer? “Amo aqueles que se sacrificam à terra, para que a terra, algum dia, se torne do super-homem.” Como assim se sacrificar à terra??
Ó sentimentais hipócritas, ó mentirosos! Falta-vos a inicência do desejo, e agora caluniais por isso o desejar!
Em verdade, não é como os que criam, os que geram, os que têm prazer no vir-a-se que amais a terra!
Onde há inocência? Onde há vontade de gerar. E quem quer criar para além de si, este tem para mim a mais pura das vontades.
Onde está a beleza? Onde tenho de querer com toda a vontade; onde quero amar e sucumbir, para que uma imagem não permaneça apenas uma imagem.
Amar e sucumbir: isso rima desde eternidades. Vontade de amor: isso é, estar disposto também para a morte. Assim falo eu aos covardes que sois!Quem diria! Não é que já li textos parecidos da pena de muitos cristãos?
Abraços.
Miguel (admin)MestreCorrigindo a mensagem anterior, você mesmo se contradiz ao dizer que um não espaço seria um LUGAR de múltiplas entradas e saídas.
Miguel (admin)MestreAlguns acham que a obra de Nietzsche é mais poética do que filosófica, outros, que ele era meio doido e, de fato, passou a ficar no final de sua vida.
A idéia central é a de que a civilização, da forma como estava organizada, teria matado uma parte da liberdade do ser humano, o que o impediria de ser naturalmente livre; daí o conceito de super-homem, que de super não tem nada além da coragem de ser “naturalmente” homem.
Atualmente, sabe-se que a idéia de que a natureza termine onde começa o ser humano é falsa e a filosofia contemporânea não mais sustenta a hipótese de um estado de plena liberdade: a ausência de superego seria a própria loucura ou não seria possível a convivência em sociedade…
Miguel (admin)MestreUm não espaço não significa necessariamente um lugar de múltiplas entradas e saídas e estar ao mesmo tempo em vários lugares e em um lugar em vários tempos ainda assim corrobora a idéia de espaço, na geometria chamam isso de topologia.
Novamente, não entendo por que o leitor participaria de uma briga, posto que só o que ele precisaria fazer seria ler e interpretar um determinado texto. O que já não seria o mesmo caso se ele estivesse discutindo com o autor.
E, para finalizar, jamais me ocorreu a idéia de que o pós-modernismo tivesse eliminado a idéia de espaço. Pelo contrário, até mesmo um rizoma precisa estar enraizado em alguma coisa para ser uma raíz…
Miguel (admin)MestreUma correção do 4° e 5° parágrafo:
A vontade de potência aparece agora como princípio pelo qual a vida se projeta para além de si mesma. Então acima da vontade de vida está a vontade de potência….. eu não entendo direito esse ponto de: a vida quer subir e, subindo, superar a si mesma…. seria o caso de superar os valores dos significados q deram à vida? Lhe atribuindo outros, como posso dizer, mais elevados? Acho que elevado não é a palavra que quero usar, pois elevado também dá o sentido de ser apenas outra realidade fantasmagórica que tem um significado mais bem coerente, se é que me entende. Daí acho que já podemos partir pro ponto do projeto do super-humem, não é?
Mas daí eu não entendo esse projeto direito: Super-homem é aquele que supera as oposições corpo-alma, terreno-extraterreno, sensível-espiritual; e ele se volta para a terra e dá valor à terra.
Nossa! Eu não entendo, vc poderia me explicar sobre essas oposições? Como assim superar isso?E tbm não entendo isso: se os homens não têm mais um Deus, ainda podem muito bem ter um futuro. “Amo aqueles que se sacrificam à terra, para que a terra, algum dia, se torne do super-homem.” Como assim se sacrificar à terra??
…Me desculpe pelas falhas!
Miguel (admin)MestreObs: a parte em negrito não é pra enfatizada, foi apenas um erro que cometi quando estava digitando!
Miguel (admin)MestreOi Pilgrim! Muito obrigada por me responder! Achei legal vc ter me respondido porque eu já li umas opiniões suas e senti vontade de poder conversar contigo!!!!
Bem, interpretar Nietzsche é algo complicado….. Ele é bem negro para aqueles que de certa forma estão agrilhoados à moral distorcida. A mim, as concepções dele ainda tocam de maneira turva, pois, mesmo que eu não tenha muito contato com a sociedade [o que também me limita à julga-la com mais precisão], ainda me pego meio que defendendo alguns valores ligados à essa mesma moral! Lógico que todos contemos muitos resíduos da humanidade em nosso ser, mas o problema é saber identificá-los e ajustá-los às novas concepções que começamos a conhecer e, de certo modo, valorizar. E acredito que esse seja o problema q está me atormentando…. entre muitos outros…..
Quanto ao livro Assim Falou Zaratustra, eu não o li inteiro, não me senti apta a continuar, meus questionamentos estão me deixando um pouco desnorteada.
Então acima da vontade de vida está a vontade de potência….. eu não entendo direito esse ponto de: a vida quer subir e, subindo, superar a si mesma…. seria o caso de superar os valores dos significados q deram à vida? Lhe atribuindo outros, como posso dizer, mais elevados? Acho que elevado não é a palavra que quero usar, pois elevado também dá o sentido de ser apenas outra realidade fantasmagórica que tem um significado mais bem coerente, se é que me entende. Daí acho que já podemos partir pro ponto do projeto do super-humem, não é?
Mas daí eu não entendo esse projeto direito:
Nossa! Eu não entendo, vc poderia me explicar sobre essas oposições? Como assim superar isso?E tbm não entendo isso: se os} não têm mais um Deus, ainda podem muito bem ter um futuro. “Amo aqueles que se sacrificam à terra, para que a terra, algum dia, se torne do super-homem.” Como assim se sacrificar à terra??
Nossa, agora alguns pontos estão ficando mais claros com sua resposta quanto a moral….. Isso é bem verdade, sobre quando a maneira nobre de valorar se equivoca e peca contra a realidade…
Sabe, nunca tinha pensado nesse ponto muitíssimo importante! É exatamente isso! E como eu posso desprezar tanto algo que não conheço direito! Como fui precipitada em minhas criticas! Agradeço muito por ter levantado esse ponto!!!Ah! E também sobre vc ter apontado a tecnologia como mais outra farsa, eu concordo também e sendo esse outro assunto, seria bom, ótimo se pudessemos discutir sobre ele numa outra ocasião!
Muito obrigada!
Até mais!!29/07/2004 às 1:58 em resposta a: A Reflexão sobre a política de Hannah Arendt, um novo tema! #77902Miguel (admin)MestreCríticas a Arent
Acontece que ninguém lembra o total comprometimento que essa autora tem com Heidegger, e sua também completa dívida com Aristóteles.
Vou tentar, sem banalizar, resumir suas teses àquilo que tem a ver com Aristóteles, e com isso demonstrar uma incoerencia básica quando ela tenta escapar à teleologia escolástica que Aristoteles inevitávelmente “autoriza” em sua filosofia. Também assim, não é possível que ela escape, e embora rode no meio fio, tentando escapar de mais um solipsismo ou uma teoria do Sujeito vulgar, acaba caindo em uma teleologia de novo.
Para Aristóteles, assim como para Arent – essa com influencias de termos Heideggerianos aqui mantidos – O homem, pois conhece sua própria estadia no Ser, ou, Habita o Ser, e por isso tem uma relação privilegiada com os entes que o cercam, está também em questão em sua própria existencia. Em outras palavras, isso seria dizer que o homem existe junto aos outros, ou, existe na atualidade do mundo discursivo que o cerca, já que, estando em discussão, não é pleno como um Deus e nem laborioso e nem natural como um animal – somente esses, supostamente vivem na unidade de si mesmos, o primeiro pois é substancial e inesquecível, o segundo pois é incapaz de ser lembrado. Ambos existem plenamente, quer dizer, não necessitam do discurso para existir
Contra qualquer teoria do domínio do soberano pleno, ou ditadura, Arent deseja mostrar que o homem só existe em discussão, em questão, ou ainda, para os outros. Menos que um Deus, mais que um animal. Nos dois casos escapa de ser pleno, quer dizer escapa de ter essencia. Pois não tem o controle pleno sobre a existencia, pois é instável, então o homem vive o poder na forma discursiva, no passar de mãos em mãos da palavra, na Ação, no tornar-se Ativo, no Entar no mUndo, no “Ser lembrado”.
Muito bem, Arent dá aqui uma versão conhecidissima do homem político Aristotélico. É também um ataque declarado ao homem “neutro” – o governante sob controle – de Platão. O que lhe falta é perceber que o homem ativo Aristotélico, o homem Político, tem por tarefa ser lembrado por aquilo que faz sob seu nome, ou seja, sob controle. Não é a toa Aristóteles no final do “Ética” diz que mais nobre que a Política, só a filosofia, pois só nela a Atividade do homem pode ser exercida com tamanha devoção e plenitude que se torna “contemplativa”.
O homem Ativo de Arent, o espaço da Açao, o espaço discursivo, não passa de mais uma versão da Filosofia da Atualidade. E nem adianta exaltar que para Arent Ação não é “sob controle”, mas efetuada frente aos outros. Ora, mesmo assim temos uma atualidade do Sujeito frente aos outros. Se o Sujeito pode ser “pensado”, “discutido”, “lembrado”, então – declaradamente – pode ser passivo na sua própria atividade, quer dizer, existir também neutramente. O homem neutro, o tirano que Arent tanto quiz execrar, faz parte constitutiva de sua filosofia. Isso pois, salvo certas restrições, a filosofia de Aristóteles – em que Arent fez praticamente uma reconfiguração em termos Heideggerianos – não é uma real afronta à de Platão. Nos dois casos se almeja em comum, à Atualidade do Sujeito para com as coisas que tem sob comando – suas obras. Nos dois casos, tem-se almejado um Homem capaz de elevar-se acima dos animais, e mesmo abaixo dos Deuses, ainda assim capaz de tornar-se inesquecível, remetido Substancialmente ou idealmente, como um “Nome”, como diria Heidegger, uma “ocupação”(o próprio “Ser no mundo”).
Por essas e outras o trabalho de Arent assume a própria teleologia que pretendia negar de início. O espaço das “Aparencias” também foi um fracasso, visto a intenção da autora. Um espaço onde as coisas aparecem é justamente um espaço onde há intencionalidade, um Sujeito Ativo no desenrolar e no desvelar da Coisa. Por isso, é também um espaço onde o Sujeito tem um privilégio de controle, ou, onde na sua Atividade, tende à passividade, quer dizer, na instabilidade do discurso, um ou mais homens tendem a “Aparecer”, ser remetidos passivamente, exisirem inesquecívelmente -substancialmente(pela Ocupação, Nome). Em suma, nada do que Arent fez fuigu da teleologia – quando muto, ainda transpareceu com uma teologia meio vulgar. -
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