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Miguel (admin)Mestre
Caro Nomade da Silva,
Pode ser que seu termo “Fronteiras definíveis” seja mais honesto – dependendo o que te parece tão absurdo em falar de “não territórios”. Mas pode ser que não.
Pode ser que não pois um não espaço significa um lugar de múltiplas entradas e saídas – nenhum absurdo. Por quê chama-lo de não espaço? Simplesmente pois não é nenhum espaço. Não é um espaço por inúmeras razões. Uma delas é que está ao mesmo tempo em vários lugares e em um lugar em vários tempos. Outra é que no Texto a resposta pode ser ouvida como pergunta – existe uma inversão do processo de causalidade, ou seja, na leitura de um texto não se atualiza o significado contido nele e tão pouco se progride no que o Texto “significa” – acontece pelo contrário, um processo vicioso de excessos e faltas, interpretações ociosas e excessivas, violencia, gasto.
Essa situação do Texto, experimentamos mais fortemente na internet, se precisar de um exemplo. O círculo de respostas virtuais é sempre inesgotá vel, mas nem por isso é infinito. É incompleto – quer dizer, cada resposta e réplica deferida representa um “gozo” – ou seja, só tem efeito na medida em que pressupÕe ser rebatida e replicada. Um gozo, pois nunca é decisiva, definitiva ou apodítica – é mais forte quanto mais perto de ser destruída. Por isso não se pode nem memso falar de representação aqui – no máximo é uma simulação, uma não situação, um antro de trapaças e de violencia, uma guerra contínua. Ninguém tem territórios próprios aqui, ninguém “habita” o Ser. Há tão somente briga e busca, uma impressionante “perda daquilo que NÃO se tinha”.
Abraços.Miguel (admin)MestreAcho que todos procuram sempre porque porque e porque..nem tudo é esclarecido pelos porque's…tbm acho estranho alguem que leu Nietzche..principalmente O Anticristo, falar que quer acordar os cordeirinhos do cristianismo atravez da ciencia..que segundo Nietzche seria o fruto do pecado..mas acho que todos deveriam entender que ao ler livros filosoficos cada um forma a sua opiniao..e por isso VIVA AS DIFERENÇAS!! cada um entende de um jeito..e nem tudo corresponde a uma resposta..
Miguel (admin)MestreÉ, Marina, não preciso dizer mais nada: você já sabe porque não funciona…
Eu também não sou nenhum inovador, mas reconheço que só professores verdadeiramente capazes fomentariam o interesse por aprender e cultivar os saberes em seus alunos, de forma mais descontraída, senão prazerosa…
Miguel (admin)MestreTalvez porque eles chegaram à conclusão de que seria mais honesto se cada qual formulasse o seu próprio sentido existencial…
Miguel (admin)MestreEu vou dar a minha opnião como aluna do ensino médio. Eu tive a oportunidade de ter aulas de filosofia em 3 colégios diferentes e em nenhum deles a esperiência foi muito boa. Os professores passavam uma apostila qualquer, mandavam a gente decorar uns nomes, umas datas, uns conceitos e pronto. Aí vinha a prova, a turma tinha decorado esses dados e depois nunca mais pensava em filosofia. Será que adiantam aulas de filosofia desse jeito?
Também nas mensagens anteriores eu percebi um certo esnobismo em relação à juventude. As mensagens dão a entender que, em especial, a atual geração não gosta de filosofia. Na minha escola (apesar das aulas horríveis de filosofia) pelo menos 70% dos alunos se preocupam com filosofia. Eles lêm muito, têm discursões bem legais e desafiam as noções estabelecidas. Eu sei que isso que acabei de falar acontece mais na minha escola do que em outras por aí (estudo no Colégio de Aplicação da UFS). Mas, mesmo assim, eu já tive esperiências que me mostraram que os jovens estão interessados em filosofia, mas não do modo que ela é apresentada a eles.Miguel (admin)MestreOi Nômade. Sim, eu tenho 17 anos
. E entendi o que você quis dizer. Mas eu não quis dizer que todos os filósofos têm que formular cosmologias ou ideologias existenciais. Eu simplesmente perguntei o porquê de tão poucos o fazerem hoje em dia. Não acha estranho que poucos filósofos se ocupem de criar essas “ideologias existenciais”? Por que o filósofo não pergunta mais o nosso lugar no mundo? (Mensagem editada por Hécate em Julho 28, 2004)
Miguel (admin)MestreOlá Patricia, achei interessante suas questões, posso me intrometer?
Sobre sua questão da moral, creio que a “proposta”, se podemos dizer assim, de Nietzsche está para mais do que somente uma via purgativa, embora possa ser também, pelo menos em parte, assim interpretada.
Nietzsche lutou por continuar aqui, mesmo com seu enorme desprezo quanto ao sistema
Eu usaria a palavra desprezo com algum cuidado quando associada com a obra de Nietzsche. Ela carrega um quê de ambiguidade. Aliás, esse cuidado faz bem quase sempre, e, em especial, quando pensamos os textos nietzscheanos. Vou tentar responder por tópicos e desculpe-me por – ou melhor, espero que não aconteça de – estar muito esquematizado
Da “superação de si”
tem um aspecto negativo, criticado por Zaratustra nos discursos aos “mais sábios dos sábios”, associado ao desejo de que “tudo se transfome no que pode ser humanamente pensado”, ou, muito resumidamente, esforço de adequação da vida ao pensamento. Seria a “velha vontade de potência” que estabelece tudo em termos de bem e de mal. Mas tem ainda um aspecto positivo de “superação de si”, também entendida como auto-superação. Essa como esforço para sempre por mais potência, sendo a novidade a potência associada com a vida que identifica o que é bom com aquilo que se superou. Ora, a primeira vista parece que não se mudou nada! A diferença está, todavia, em que a tábua de valores do que é bom não caracteriza já apenas povos e homens, mas a vida mesma. “Subir quer a vida e, subindo, superar a si mesma.” [cf. Zaratustra, “Das tarântulas”]. A vontade de pontência aparece agora como princípio pelo qual a vida se projeta para além de si mesma, e é nesse contexto que Zaratustra revela o segredo que lhe foi contado pela própria vida: “onde há vida também há vontade: mas não vontade de vida, senão – é o que te ensino – vontade de potência!”
Do “super-homem”
o projeto da superação de si acaba por caracterizar a passagem para o projeto do super-homem: passagem da vontade do nada para a vontade de potência, da vontade da verdade para a vontade da vida! “O homem deve ser superado… Eu vos ensino o super-homem. O super homem é o sentido da terra”. Os dois parâmetros a partir do qual o super-homem é apresentado são Deus e a terra. Super-homem é aquele que supera as oposições corpo-alma, terreno-extraterreno, sensível-espiritual; e ele se volta para a terra e dá valor à terra. Nietzsche não quer provar que Deus não existe, como faziam os ateus. Com a afirmação da “morte de Deus” ele apenas constata uma situação de desvalorização dos valores divinos, de niilismo da modernidade. O homem que matou Deus é o homem moderno, o homem reativo, “o mais feio dos homens”, que por não suportar aquele que via sua vergonha e fealdade ocultas vinga-se dessa testemunha. Então, “que o super-homem seja o sentido da terra”. Zaratustra então vem pregar a esperança: se os homens não têm mais um Deus, ainda podem muito bem ter um futuro. “Amo aqueles que se sacrificam à terra, para que a terra, algum dia, se torne do super-homem”.
Mas, retornando à questão da ambiguidade
para não ficar nada fácil: no entanto, não há nenhuma dúvida de que Nietzsche seja um crítico da idéia (moderna) de progresso – mas não vou tratar aqui do eterno retorno. No “Anti-Cristo”, que, por sinal, é frequentemente mal-interpretado, ele afirma: “A humanidade não representa um desenvolvimento para o melhor, para algo mais forte, mais elevado, como hoje se pensa.” Então, percebe-se que uma interpretação de Nietzsche que não leve em conta o tema do héroi e o tema da tragédia não vai conseguir se firmar bem.
Agora, finalmente, vc falava da moral:
Dois tipos de moral, a moral dos escravos e a moral dos senhores, ou dos nobres. Essas duas caracterizadas com relação ao ressentimento. Lemos que a moral dos escravos começa quando o ressentimento se torna criador e estabelece valores: é o ressentimento daqueles a quem está vedada a única reação verdadeira, a reaçao da ação, de onde o porque de uma vingança imaginária. Enquanto a moral dos nobres diz um decidido SIM a si mesmo, a moral dos escravos diz NÃO. Isso está bem explicado na “Genealogia da moral”, segundo Nietzsche: para surgir, a moral dos escravos necessita sempre de estímulos exteriores para poder atuar – sua ação é, de raíz, reação. O contrário ocorre na maneira nobre de valorar: esta atua e brota espontaneamente, busca seu oposto tão só para dizer-se SIM a si mesma com maior agradecimento… etc. Mas, para tentar responder sua questão, me vem a mente uma outra passagem:
Quando a maneia nobre de valorar se equivoca e peca contra a realidade…, fiz o corte aqui para chamar a atenção para um ponto, agora ele continua: … isso ocurre com relação a à esfera que não lhe é suficientemente conhecida, mais ainda, a cujo real conhecimento se opõe com aspereza: não compreende às vezes a esfera depreciada por ela, a esfera do homem vulgar do povo simples… etc. Aqui não te parece que ele começa a legislar em causa própria? Mas é uma passagem interessante para percepção de um certo fio condutor que, parece, perpassa a obra: tenha-se em conta que, em todo caso, o efeito do desprezo, do olhar de cima para baixo, do olhar com superioridade, ainda pressupondo que falseie a imagem do desprezado, não chegará nem de longe a uma falsificação com que o ódio reprimido, a vingança do impotente atentarão contra seu adversário.
O mesmo ressentimento, no homem nobre, quando nele aparece, se consome e esgota rapidamente em seu efeito, em uma reação imediata, e, por isso, não envenena, e, contudo, nem sequer o ressentimento aparece com frequência. O nobre tem uma certa “super-abundância de força plástica, remodeladora, regeneradora, força que também faz esquecer (um bom exemplo disso no mundo moderno é Mirabeau, que não tinha memória para os insultos nem para as vilanías que se cometiam contra ele, e que não podia por isso perdoar, pela única razão de que sempre se esquecia das ofensas). Talvez somente um homem assim consiga – supondo que isso seja em absoluto possível na terra – o autêntico «amor aos seus inimigos».” E, embora também haja aqui, certamente, um quê de poesia: Quanto respeito por seus inimigos tem um homem nobre! – e esse respeito é já uma ponte para o amor…, parece que fica caracterizada uma faceta do “projeto”: um homem que não guarda vingança ou ressentimento, capaz de respeitar ao seu próximo, capaz até mesmo do amor aos inimigos – supondo, conforme concessão do próprio autor, que isso seja possível. Pode haver aí uma pitada de ironia, essa questão só pode ser respondida por duas vias distintas: pela fé ou pela reinterpretação. Portanto, o que Zaratustra anuncia seria: esperança, confiança, vida, potência. É uma mensagem positiva: a modernidade não crê noutro mundo? então torne esse melhor! Ah… importante: o “projeto” diz do homem, não do “mundo”. Cabe ao homem dar sentido à terra, criar valores. Assim, nesse contexto a tecnologia, leia-se ciência, aparece apenas como mais uma outra farsa, mas isso já seria outro assunto.
Abraços.
Miguel (admin)Mestrequero falar com punx, que se envolvem no movimento… não com punkekas ou com roqueiros-metidos-a-doido… meu email é: [email protected]….
escrevam, que o lance é impoortante…
anarquia já!Miguel (admin)MestreOi Miguel!
Leio Nietzsche há algum tempo e …. bom, me perdi um pouco e tenho algumas dúvidas.. aliás, muitas….
Pra algumas delas, gostaria muito de sua opinião, pois, pelo o que escreveu, parece ter uma interpretação muito boa das idéias de Nietzsche, então, se pudesse me ajudar agradeceria muito…
Olha só, as morais que o Niet tanto valoriza, totalmente repudiada e estranha à casta, servem apenas para uma limpeza individual do ser diante da sociadade, somente para o conhecimento dos erros da cultura, da religiaõ e meio que um desasociamento delas? servem apenas para abrir os olhos quanto o sistema e nos sentirmos em plena repressão? Só para “progredir” nosso intelecto quanto ao significado da vida…. ou melhor, qto ao seu não significado, sabendo que o que é considerado e vivido como “real” é apenas ficção, criado por grandes impulsos de insatisfação do instinto do ser humano diante da significação da vida, do que ela realmente é… precisando criar seres ficticios, morais desajeitadas pra continuar vivendo, pra ter um POR QUE pra se viver, como fantasiar além mundos, juizos finais, desejo de manipulação, de poder e nossa….. muitas outras febres estapafurdias?
Só pra se ter conhecimento disso? Mais nada…. E diante disso vivermos acoados, excluidos dessa realidade, alguns, ficando neuroticos procurando um significado pra se continuar aqui, no meio de tanta imundice? Sim, Nietzsche lutou por continuar aqui, mesmo com seu enorme desprezo quanto ao sistema, mas ele queria mudar… como eu pude perceber em Humano, Demasiado Humano, aforismo 472 – Religião e Governo. Não pôde… e tbm, algumas passagens de suas cartas aos seus amigos, q encontrei numa biografia dele, ele sentia uma enorme vontade de criar uma associação, porém, não pode contar com seus amigos pra isso… pois seus amigos, como Erwin Rohde, não queriam lutar por tais morais, seria um peso muito grande tentar mudar algo… transmutar os valores….
E agora, Miguel, eu te pergunto: as obras do Niet são voltadas para o bem pessoal, como no caso, coloco como exemplo a idéia dele do super-humem, mas é possivel conseguir tal façanha cercado de repressão por todos os lados?? é preciso se recorrer sempre às montanhas pra se limpar um pouco a alma da sujeira da sociedade? e sempre que voltarmos nos sentiremos denovo sob pressão e nunca poderemos nos sentir bem nessa sociedade?
Bem, se essas perguntas são imaturas, não tenha dúvida, mas elas semprem invadem minha alma com voraz fome de resposta…. e preciso de outras opiniões pq só com a minha, não consigo chegar em nenhum lugar…Miguel (admin)MestreNiger,
O que eu queria dizer e não consegui passar a idéia é que somos prisioneiros de uma força da natureza chamada inércia. E, porque a natureza do homem também é animal, o próprio pensamento é influenciado por esse princípio econômico.
Queria desabafar minha frustração sobre o fato de que a natureza não nos moldou para sermos exploradores espaciais, somos criaturas frágeis, não sobreviveríamos três centimetros fora de nosso habitat ideal. Ainda que fosse possível construir uma supernave espacial, estaríamos lidando com forças tão poderosas que qualquer falha humana poderia desintegrar o sistema solar.
Um wormhole artificial? Nem pensar…Mas porque acho que seria saudável explorar novos mundos ou contatar outras formas de vida extraplanetárias? A única prova empírica de que não existe “centro do universo” e que não fazemos parte dele, está lá fora…
É claro, que isso não mudaria a nossa linguagem significativamente, mas, com certeza, seria mais difícil sustentar certas mentiras.
O filho único tem mais oportunidades de crescer mimado…
Miguel (admin)MestreNão é preciso ceder onde há informalidade.
Miguel (admin)MestreÉ provável, as possibilidades me levam a admitir. É aqui onde devo ceder ?
Miguel (admin)MestreNômada,
Porque o médico não pôde apassentar a dor, o paciente deixará de lançar-se num poço gelado… Ele aceita as coisas como são, com as suas onerosidades; adapta-se à dor como algo natural, homogêneo, integrado, como um destino… Em todas as eras um homem conformado com a sua civilidade ,e cultura, foi um homem interrompido de progresso. Um beato, um cético, um tolo, um santo… Todavia as alternativas são alternativas estranhas, alheias, ametabólicas…nem um crocodilo quer engolí-las.
Por que a cultura deve evoluir… o pretexto de explorar o espaço está na alegoria de “que somos inconformados com a nossa natureza primitiva e frágil”? Primitiva ( com ou sem “macaco”?) por que se espera algo secundário, superior, acima ? A maior crença humana é o próprio homem. Pereat mundi… Por que temos que ser animais ? Somos frágeis ? Ah, deixe-me passar, com as minhas tolices !Miguel (admin)MestreAcho que são coisas diversas: uma é especular dentro das possibilidades e a outra é especular a possibilidade em si.
Miguel (admin)MestreCorreção: linha 6: “Uma probabilidade não são possibilidades em especulação?”
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