Miguel (admin)

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  • em resposta a: Que razoes para existir Deus ? #73432

    primeiramento eu acredito que existe sim um Deus..o q podem existir são diferentes conceitos sobre Deus..eu não acredito que Deus seja uma pessoa..um ser humano..vejo Deus como uma força maior q “reina” sobre nós..concordo com muitos quando dizem que é uma questão de fé..se vc tem fé tudo vai encaminhar de um jeito que Deus existe..se vc num tem fé tudu encaminhará de um jeito q Deus não existe..Nietzsche no livro O Anticristo mostra sua opinião dizendo q Deus é o reflexo do desejo do homem..desejo de perfeiçao de um ser humano..talvez…diz também que por nós, seres humanos, sermos “fracos” precisamos acreditar em um ser q mostre o conceito de perfeição..q seja o exemplo para o resto..porém esta nao é minha visao..não tenho Deus como um ser que nunca errou, que nunca pecou..como já disse..Deus pa mim nao é um ser humano..alguns tem Deus como um ” ditador” ..é uma questão de fé e crença..

    em resposta a: Pq desprezamos a infância? #77980

    Ah eu acho que nós nascemos com sonhos e forças..vem de nós mesmos..mas nascemos cm sonhos e forças belas, inocentes,.., e com o tempo isso tudo é deformado..mas Freud dizia que existe uma força em nossa mente que apaga as lembrancás de nossa infancia..talvez neh..mais uma questão que talvez não tenha uma resposta..vo coloca aqui um texto que eu escrevi..
    “ Pq??
    Pq na vida nada é por acaso..
    Pq existem opiniões diferentes…
    Pq existem conceitos diferentes..
    Pq existem crenças diferentes..
    Pq existem razões que a razão desconhece..
    Pq algumas coisas são inexplicáveis..
    Pq o Sol é feito de velas…
    Pq milagres existem..
    Pq o amor faz milagres..
    Pq as estrelas brilham mesmo sozinhas..
    Pq existem perguntas..
    Pq nem sempre existem respostas..
    Pq somos merecedores deste mundo..
    Pq os seres humanos são pequenos de mente e espírito..
    Pq existem amigos..
    Pq nem sempre amigos são eternos..
    Pq existe a mentira…
    Pq nem sempre a verdade é verdadeira..
    Pq o mundo dá voltas…
    Pq existe o amor..
    Pq o amor está distorcido..
    Pq o sofrimento faz parte da felicidade..
    Pq existem esconderijos..
    Pq nem sempre eles nos escondem..
    Pq o outono é inevitável..
    Pq existem armas..
    Pq a maior arma são as palavras..
    Pq existe o conhecimento..
    Pq o conhecimento nos faz vencedores desta guerra..
    Pq existe guerra..
    Pq existe incompreensão..
    Pq existe a vida..
    Pq a vida é uma escolha..
    Pq existem escolhas..
    Pq nao só o amor como a vida possui razões q a razão desconhece..
    Pq nem sempre o PORQUE esclarece…….”
    =)..

    em resposta a: Divulgação de cursos e atividades #76364

    Estará acontecendo inúmeros Congressos Regionais de Educação para o Pensar e Educação Sexual.
    Em Julho (20 a 23) em Florianópolis/SC.
    Em Agosto (26 e 27) em Brasilia/DF
    Em Setembro (4 e 5) em Curitiba/PR e Rio das Ostras/RJ (18)
    Em Outubro em Fortaleza/CE em São Luis/MA e em Manaus/AM
    Em Novembro em Barra Mansa/RJ.
    Maiores informações pelo e-mail [email protected] ou viste nosso site http://www.centro-filos.org.br

    em resposta a: Dicionário de Filosofia #78487

    Olá

    Eu já tive oportunidade de postas sobre assunto recentemente. Segundo o meu parco uso, eu recomendo os seguintes:

    The Encyclopedia of philosophy / Paul Edwards, editor-in-chief
    Imprenta New York : Macmillan, 1972
    8 v.

    Ferrater Mora, José
    Diccionario de filosofía
    Barcelona, Ariel
    1994
    4 vols
    Esse livro é a versão atualizada do clássico de Ferrater Mora. Existem traduções, uma das ediçoes Dom Quixote de Lisboa e outra brasileira da Martins Fontes, mas se puder pegue no original em espanhol.

    Os dois são excelentes. Além deles, se usa muito outros dois, o do André Lalande e o do Niccola Abbagnano, mas não são tão bons quanto os dois primeiros. O Lalande funciona bem até Kant, principalmente.

    Depois desses, temos o dicionário Oxford de filosofia, traduzido pelo Desidério Murcho que é mais simples. Tem também a Enciclopédia Stanford de filosofia on-line http://plato.standford.edu , que é bem razoável.

    E por último, um dicionário pequeno, mas muito preciso e completo a que se propões é o dicionário básico de filosofia, brasileiro, dos professores Hilton Japiassu (UFRJ) e Danilo Marcondes (PUC-RJ), de Zahar Editores.

    Além disso existe a coleção Dicionário de Filósofos, com vários volumes (Descartes, Kant, Rousseau, Wittgenstein), que é um trabalho feito por um estudioso do autor e que dá conta dos principais termos e conceitos do vocabulário deste autor.

    Vale observar quea história da filosofia é muito complexa, então alguns termos adquirem diferentes signficados em cada autor, como “dialética” por exemplo. O dicionário é uma obra de manual, que vai servir para consulta, o melhor dicionário var ser aquele que oferecer uma História dos Conceitos.

    Eu já escrevi sobre isso também em
    http://consciencia.org/livros.html

    em resposta a: O Mito da Caverna #73995

    Saudações.

    Gostaria d saber onde posso conseguir a alegoria da caverna na Internet em movimento.

    Obrigado

    Rui Miguel

    em resposta a: A violencia se forma em casa #71562

    em relação à frase e à msg, eu só quis dar uma abertura, se o mundo conspira para algo, q seja para a filosofia, com esse termo filosofia quis dar o tom a uma não especificidade…mas isso depende muito do conceito q cada um dá ao q ela, filosofia, seja…e nesse ponto bookofurizen tem razão, é uma visão pessoal…e nisso os outros pontos tb…quanto à sinceridade, não pus superlativo algum se olhar com mais atenção, mas pus a sinceridade em contraposição a pretensão, puro auto engano, ou seja, não sinceridade…acho q vc entendeu.

    em resposta a: A violencia se forma em casa #71561

    Ricardo..concordo com mtas coisas que vc falou..eu nao disse em momento algum que nao somos merecedores de um mundo sem violencia..até porque a violencia vem de nós mesmos..as nossas açoes nos fazem merecedores deste mundo..eu quis dizer que a sociedade do jeito que está hoje, o mundo do jeito que está hoje, só tende a gerar + violencia e cada vez mais..realmente os seres humanos sao pequenos…até poruqe a verdade está na frente de muitos olhos e mesmo assim, preferem fecha-los..”porque um homem que ama tanto a luz ainda prefere uma pesada cortina?” Dogville..mto bom essi filme..mostra o que é ser humamo, ser individualista, ser imaginário..acredito e até concordo que o mundo conspira para a filosofia porém isso nao é pra todos..algumas pessoas conspiram para a filosofia seria + certo dizer..se todos, se O MUNDO conspirase para a filosofia nao estaríamos nessa farça..essa é minha opiniao..Kingdom Come já ouvi trilhares de vezes e acho ela perfeita!! só pra encerrar..”a Verdade é inacessível..a humanidade não a merede..” Freud..

    esses freudianos….

    e mais, acredito que freud está se contorcendo de dor no caixão a cada vez que usam o nome dele ligando-o à atual 'psicanálise'.

    da mesma maneira como nietzsche e seus fãs!

    em resposta a: A violencia se forma em casa #71560

    Olá Ricardo,concordo em grande parte com vc embora existam questões que ainda não me ficaram claras.

    Dizer que o mundo conspira para algo, não provem do mesmo sentimento que faz um matematico dizer que o mundo é matematica, um quimico dizer que o mundo é quimica, um filosofo dizer que o mundo é filosofia?
    Sou da opinião que o mundo não se desenrola atraves de nada especifico,acho que nossa visão do mundo provem em muito de nossa visão estetica.Quem quer acreditar em algo arranja meios para faze-lo, se esses meios são melhores ou piores,complexos ou simples depende da capacidade de cada um como criadores de conceitos (e leitores de “conceitos” também).

    Não concordo de todo que uma pessoa violenta seja a pessoa mais sincera.Talvez seja sincera com seu corpo, mas não necessariamente sincera com sua alma (ou intelecto,razão etc).
    Exemplo claro disso é Emil Cioran, que diz quase a mesmo coisa que voce quanto a violencia, no entanto ele mesmo não é violento(até aqui concordamos).
    No entanto sua discplina quanto a “pensar contra si mesmo” é tamanha, que não só seus impulsos violentos são refreados (postos em duvida) como também todos os impulsos intelectuais, todos os impulsos esteticos , edificadores.Ou seja donde vem a filosofia vem o aniquilamento do mundo…
    Se minha raiva é só uma perspectiva, não existe aquele reconhecimento moral que impulsiona a violencia…
    Se minha visão do mundo é só mais uma perspectiva, não existe mais aquele reconhecido do “real” que impulsiona meu intelecto (razão e imaginação)

    Acho que a extrema sinceridade acaba num aniquilamento de todos os valores (inclusive a violencia)…aí vem Nietzsche,William Blake,as religioes,a falta de sensibilidade e quem mais puder pra tentar concertar..e creio mesmo que principalmente o ultimo seja bem efetivo..

    Ricardo, não pense no entanto que discordo de voce, acho que entendo sua visão, mas outras são possiveis, e de outras mais outras.Ficaremos só com a que podemos por enquanto….Tambem acho que a questão que pus apenas tangencia a problematica discutida aqui, no entanto creio que ela propoe uma nova pespspectiva para o quadro geral da relação violencia-conhecimento.(?)

    Outra cousa:Voce ligou a abstração a intuição dos deuses,isto me lembra Lao Tse e também Blake (denovo esse cara??!…hehe)
    Quem estiver interessado em Blake, antes de ouvir The Doors e aquele album do Bruce Dickinson (que é muito bom por sinal!), visite a pagina abaixo,ela contem a obra completa do velho Guilherme:

    http://virtual.park.uga.edu/nhilton/Blake/blaketxt1/

    em resposta a: A violencia se forma em casa #71559

    utilidade da violência

    a violência é fática, existe—> a violência é observada por seres dotados de raciocínio–> a violência adentra nosso ser através da observação…seus dados são trabalhados por nós…o pensamento deve alcançar os maiores níveis de trabalho e abstração(buscar a intuição dos deuses!)…através do desligamento dos valores vulgarmente comuns, subjetivos, procurando valores universais, absolutos, objetivos, para trabalhar junto a essa violência. sendo vingativo, justiceiro, rancoroso, parcial, etc, somente aumentará a força do q queria combater, inutilizando toda a bela criação do ser racional…assim nem nos igualaríamos aos animais, pq estes não desprezam suas faculdades… o certo seria a busca de um comportamento típico de frodo, fugindo ao imediatismo e “à primeira vista”, subjetivo e egoístico enganador de sauron. quando essa “mensagem violência” percorrer as cabeças, e encontrar uma típica atitude filosófica, ela irá se tornar útil, e estará aí a sua razão de ser. enquanto não encontrar essas ligações, continuará a violência a percorrer as mentes, onde, de observadores dela, passaremos a ser os observados por possuirmos ela, isso numa cadeia, pulando de cabeça a cabeça até q encontre fim na atitude adequada. aquele q encontra a atitude adequada, aos poucos vai se livrando da violência nele, pq tb vê violência nele, e quer combatê-la, nele…mesmo povoando um “mundo violento”, este utilizará disso como instrumento para seu crescimento, veja como o alquimista transfoma o metal em ouro, e este não maldirá o mundo, mas agradecerá a tudo, pq do mundo tb se fará construtor… esse até q merecerá um mundo melhor, mas isso não lhe aflige, pois já fez deste o seu próprio

    em resposta a: A violencia se forma em casa #71558

    O MUNDO CONSPIRA PARA A VIOLENCIA!!– Lú manowar
    errado, errado, errado

    nós falamos muitas vezes como se não merecessemos esse mundo, pretensos super-homens…será q um mundo sem essa violência seria o mundo adequado à gente…será q essa violência não teria sua utilidade? em tornar o homem merecedor de um mundo sem ela? quando nós tentarmos adentrar em sua origem, nós, veremos o quanto ainda temos q mergulhar em pensamentos sombrios para achar um caminho…quer minha opinião?!o violento é apenas uma alma sincera, q deixa transparecer o q realmente é…e os críticos incompreensivos somos somente nós q não as praticamos em ações pq somos, ou covardes, ou pq não tivemos chance, pq em pensamento não superamos ainda tudo isso, somos pequenos mesmo…o negócio é buscar o além disso tudo…é não ter a violência em nós, nem como reflexo, pq grande só é aquele q compreende.

    refazendo a frase…O MUNDO CONSPIRA PARA A FILOSOFIA…será q não enxergamos? será q só com “atos extremos” seremos capazes de sentir o puxão de orelha? o homem, sempre se comportando igual ingênua criança, q prefere o castigo (ser chicoteado por si mesmo) ao chamado amigo (se ajudar).

    KINGDOM COME
    (Joey DeMaio)

    See the white light
    The light within
    Be your own disciple
    fan the sparks of will
    For all of us waiting your kingdom will come

    Rays of power shining rays of magic fall
    On the golden voice that speaks within us all
    For all of us waiting your kingdom will come

    Kingdom come

    Now feel the white light the light within
    Yea it burns a fire that drives a man to win
    For all of us waiting your kingdom will come

    Kingdom come

    Words of power calling to us all
    Holding us together while other kingdoms fall
    No longer waiting our kingdom has come

    Kingdom come

    Kingdom coming
    Another kingdom falls
    The rightful are waiting
    But all are not rightful
    Wait and receive the weight of the fall

    Kingdom come

    Kings Of Metal
    (Manowar)

    em resposta a: A METAFÍSICA DE SPINOZA #72730

    Desejo debater a questão sobre liberdade e necessidade.
    De início é preciso concordar que para Spinosa não existe o lívre arbítrio. A consciencia, por estar em questão para si mesma e captar a si mesma em movimento, pode parecer que tenha também originado a si mesma, como se fosse além de termo da sua própria série também um início. Mas para isso teria de estar fora da própria série de que faz parte – ou seja, teria de ser ele também Substancia. Não é o caso na filosifa Spinosana que rompe com o conceito central do Cartesianismo, a saber, o Sujeito Substancial.
    Para Espinosa, não importa o quanto o movimento possa ser gerado e derivado de parte em parte, ele nunca é inderivado e nunca está fora de si mesmo. O movimento, por mais que ande, sempre fica aquém do estático, já que esse representa todo o infinito e fica portanto, além de si mesmo. O homem portanto, olha e vê o que já existia antes, mas nunca produz nada.
    É importante ver que aqui está suprimido a instantaneidade e a espontaneidade da razão e substituída por um ignorar de si memso na cosnceincia. Pois ignora sua própria causa, então está diretamente relacionada com sua imperfeição, o useja, com sua própria destruição, a morte. Pois está sempre aquém da morte, está sempre aquém de seu próprio tribunal e de seu próprio julgamento, ou seja, aquém do tempo em que será causa de si mesmo, julagado e Autor. Enquanto isso, seus atos terrenso, ou, em finitude, se adequam a essencia da Substancia única, Deus. Não é por quê são Meus que são ou não julgados, mas por quê eu mesmo não tenho controle sobre eles, que fico sempre a mercê de minha própria finitude, a morte – sou punido ou presentado não por mérito, mas por adequação 'a Substancia única pelo qual estou aquém já que “eu morro”.

    em resposta a: Decadência de Sartre #77100

    O existencialismo em geral é ultrapassado. Uma imanação última do presencismo da cosnciencia, que passou nasceu com Sócrates, teve um grande salto em Aristoteles, passou nas mãos de Descartes e então veio de Kant, Hegel, Husserl, até chegar nas mão do nosso hábil Sartre.
    Não diria que são teses irrelevantes, mas apenas que afundaram junto com as anteriores citadas. De uma maneira grosseira e rápida, poderia se dizer que em O Ser e o Nada se trata de uma visão da realidade humana a partir de sua instantaneidade pura – a impossibilidade de ausentar-se de seu próprio mundo, que é a sua própria negação. Tendo de ser aquilo que não é, o Ser humano está ausente para si mesmo, no futuro e no passado, na angústia de uma existencia de dever e de insatisfação. É pela realidade humana que o Tempo aparece.
    A Ação aqui,assim como o pensar, é aquilo que é lúcido no seu próprio agir, e portanto, enquanto negação absoluta – consciencia de sue próprio Nada – tende a afirmar-se e positivar-se. Agir é encontrar o mundo, presentifica-lo, atualiza-lo. Por isso nunca é um agir só. Nunca é um excesso e nem uma pulsão instintiva ignorante de si mesma.

    em resposta a: O Mito da Caverna #73994

    Um bom link para se seguir, mas vocês já devem saber
    http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/caverna.htm

    Aqui está a Alegoria, Livro VII, de Platão, para quem ainda não viu.

    Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

    Glauco – Estou vendo.

    Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

    Glauco – Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

    Sócrates – Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica de fronte?

    Glauco – Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

    Sócrates – E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

    Glauco – Sem dúvida.

    Sócrates – Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

    Glauco – É bem possível.

    Sócrates – E se a parede do fundo da prisão provocasse eco, sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

    Glauco – Sim, por Zeus!

    Sócrates – Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados.

    Glauco – Assim terá de ser.

    Sócrates – Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

    Glauco – Muito mais verdadeiras.

    Sócrates – E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

    Glauco – Com toda a certeza.

    Sócrates – E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

    Glauco – Não o conseguirá, pelo menos de início.

    Sócrates – Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e a sua luz.

    Glauco – Sem dúvida.

    Sócrates – Por fim, suponho eu, será o Sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal como é.

    Glauco – Necessariamente.

    Sócrates – Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.

    Glauco – É evidente que chegará a essa conclusão.

    Sócrates – Ora, lembrando-se da sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que aí foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

    Glauco – Sim, com certeza, Sócrates.

    Sócrates – E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples criado de charrua, a serviço de um pobre lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?

    Glauco – Sou da tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

    Sócrates – Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

    Glauco – Por certo que sim.

    Sócrates – E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que os seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se a alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

    Glauco – Sem nenhuma dúvida.

    em resposta a: O Mito da Caverna #73993

    Junior

    Você deve ter visto o mito da caverna e percebido que, além do enfoque ontológico, há também o aspecto político.

    Os homens que vivem na caverna podem ser dito alienados, embora esse termo só ganhe força com Marx, nos Manuscritos. O filósofo que empreende a ascese se sente na obrigação política de voltar à vida na polis, na caverna, para procurar orientar seus semelhantes, para libertá-los da caverna. Mas o filósofo é mal recebido, e apedrejado pelos outros, como se vê no final da alegoria.

    A questão toda pode ser vista como a tomada de consciência, a libertação da escravidão, do povo que vive alienado em relação ao produto do seu trabalho. Você pode tentar algo por aí.

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