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Miguel (admin)Mestre
Marcelo,
Sem querer fechar no pessimismo, suspeito que vai descobrir que seu desafio esbarra com algumas dificuldades adicionais. Já vem de algum tempo parece que temos aqui uma certa confusão entre política e economia. Não está claro para todos que esta forma de visão já é resultado de uma linha de interpretação que, se absolutizada, pode vir a limitar em muito os horizontes de pesquisa. Com a identificação pura e simples dessas duas dimensões frequentemente acontece de ficarmos presos entre os pólos do binômio capitalismo-marxismo, com pouca chance de procurarmos modelos realmente novos. Como se não bastasse, esbarramos naquela brincadeira do cabo-de-guerra, com cada um dos lados anatematizando-se reciprocamente e puxando para si o adjetivo de “solução final para todos os problemas”. Uma vez que os dois lados já têm a solução (sic), para que iniciarmos qualquer busca? Contra aquela idéia de que a solução já foi encontrada, que basta agora fazer experiências para acertar na melhor via de implementação, não há muito o que fazer.
Sobre a discussão da possibilidade ou não de um governo global, não é nova, já estava presente nas discussões sobre ética, direito, política: nos debates sobre carta universal dos direitos humanos, nas questões sobre tensão entre globalização e valorização das culturas locais, etc. Dialogar, respeitar e acolher o diferente, sempre foi desafio.
Daí à pergunta chave colocada por vc, que poderia tanto ser início quanto meio ou fim em uma linha de pesquisa: qual o novo modelo de soberania nacional no cenário mundial contemporâneo? Uma vez que em qualquer pesquisa tem que se começar de algum lugar…
Miguel (admin)MestreTeu artigo é brilhante, Marcelo, mas eu vou ser bem rápido. Qualquer pacto universal,só poderia ser conseguido por um governo universal, ou melhor mundial. Qual o empecilho à um governo mundial? Na realidade já existe um princípio, um esboço, uma idéia, não explícita, de um governo mundial. São as instituições multi-laterais, como o FMI, a OMC, a OIT, etc. Qual o grande empecilho para que elas funcionem harmonicamente para todos? As diferenças culturais? Claro, elas podem influir, mas o essencial são que estas instituições são dominadas, por países hegemônicos, que se guiam por governos liberal-burgueses, sendo estes, portanto,para usar uma linguagem antiga, o comitê gestor dos negócios das grandes burguesias(e o mundo financeiro, claro) destes países.Ou seja, estas organizações são controladas por interesses econômicos-financeiros., de 6/7 países hegemônicos. Como superar isto? Aí entra a idéia do Socialismo, este anátema, para os de índole liberal-burguesa!
Miguel (admin)MestreBoa Idéia, Marcelo! Eu, em alguma parte aqui, já propus discutirmos as raízes do totalitarismo e não ficarmos buscando paralelos que a nada levam. Claro que quem propôs isto, é o tipo que gosta de fazer o que chamo de ” filosofia vã”,ficar tergiversando e “malhando” todas as experiências que não tenham índole liberal-burguesa, mas vamos lá, tentar refletir sobre o totalitarismo. Neste sentido a obra de Hannah Arendt é mesmo essencial. Acho que podíamos começar por ela. Só para começar, falando um pouco sobre o totalitarismo, podemos mencionar que, segundo alguns, o socialismo, como o russo, e mais tarde o chinês, surgem em países com sociedade civil fracas, sociedades estas ,já anteriormente dominadas, sempre, por regimes despóticos. Será que em outras sociedades ,como as que hoje existem por quase toda a parte, estas sociedades permitiriam que o despotismo as dominasse facilmente e/ou por muito tempo? Abraços e parabéns pela sugestão Marcelo.
Miguel (admin)MestreCaros amigos,
Primeiro, gostaria de agradecer as saudações de 105 TORRE NORTE*. Um comentário: de fato, num ambiente democrático, o conflito torna-se legítimo e necessário. Apenas, devemos ressaltar a diferença entre “conflito” e “rivalidade”. Para a democracia, o conflito é necessário. Já a rivalidade é desnecessária e indesejável.
Segundo, quanto ao paralelo entre nazismo e marxismo, gostaria de expôr duas considerações:
1. ambas as propostas desagüaram em regimes totalitários. Sabemos disso (haja vista as experiências na Alemanha – para o nazismo – e as experiências na ex-URSS e China – para o socialismo). Mas por que isso ocorreu? Acredito que uma possível explicação possa ser encontrada se refletirmos sobre a influência do positivismo nas duas propostas – seja no nazismo, seja no marxismo. Sobre tal influência, um estudo aprofundado da Teoria Crítica, proposta pela Escola de Frankfurt, pode ser valioso para a nossa discussão.
2. seria interessante aprofundarmo-nos no estudo do totalitarismo. Para tanto, poderíamos começar discutindo a obra de Hannah Arendt. Vale dizer que não se trata de proferir palavras e palavras, cujos conceitos ou noções são vagos, incertos (quanto a isso, refiro-me àqueles que valorizam mais a utilização de palavras rebuscadas, sem se preocuparem com seus significados). Trata-se de realizar uma leitura atenta, acompanhada de uma análise crítica.
Desde já, confesso-lhes que nunca li, com profundidade, qualquer texto de Marx, Hitler, Hannah Arendt e outros pensadores importantes para o nosso debate. Todavia, anuncio meu imediato interesse pela leitura dessas obras (aqui, ao meu lado, está “O Capital”, de Marx – podemos começar pelo capítulo 1!).
Caso vocês estejam dispostos a realizar uma leitura atenta dessas obras (compreendendo os fundamentos, definições, conceitos), podem contar comigo. Este caminho é mais árduo. Mas, certamente, é um caminho mais seguro.
Para finalizar, duas palavras: quando sentimos o despertar da filosofia, somos imediatamente tomados pela ansiosidade de saber, pela inquietação da dúvida. Assim, “soltamos o verbo”, sem preocuparmo-nos com a rígida disciplina que o pensamento filosófico exige. No entanto, quando o espírito começa a amadurecer, sentimos a necessidade estabelecer uma correspondência entre nossas palavras e o real. Nesse momento, somos tomados por um sentimento, misto de determinação e paciência.
Abraços a todos.
Miguel (admin)MestreCaros amigos,
A questão proposta inicialmente é a seguinte: “seria a guerra contra o Iraque um mal necessário?”. Notemos que, na própria questão, encontra-se implícito um juízo de valor: a guerra é um mal.
De fato, se considerarmos o ideal kantiano de paz universal, a guerra contra o Iraque é uma verdadeira ameaça ao equilíbrio entre as nações. Um mal que, no entanto, torna-se necessário. Aqui, cabem pelo menos duas perguntas: 1. necessário para a realização de que finalidade?; 2. necessário para atender aos interesses de quem?. Para a primeira pergunta, acredito que a finalidade dessa guerra é fortalecer a soberania nacional de algum ou alguns países. Para a segunda, acredito que a guerra beneficia, pelo menos, os EUA e a Inglaterra (segundo as evidências demonstradas pelas atitudes desses dois países perante a comunidade internacional). Tudo bem. Isso é evidente.
Por isso mesmo, gostaria de propor um novo desafio. Antes de considerarmos a guerra contra o Iraque, há um problema fundamental que precisamos resolver: seria possível a criação de um Estado supra-nacional que possa garantir a paz entre as nações? Nesse sentido, o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos tratados internacionais (como, por exemplo, o estabelecimento do Tribunal Internacional Penal) adquirem suma importância no quadro contemporâneo. Por outro lado, sabemos o quão frágil torna-se qualquer tentativa de implementação de um ordenamento jurídico internacional, visto que não há outro princípio regulador das relações internacionais senão o princípio do “pacta sunt servanda” (o pacto deve ser cumprido – isto é, trata-se de um princípio de confiança).
Para essa questão, podemos pensar em um Estado supra-nacional nos moldes do Leviatã, de Hobbes. Mas não acredito que seja essa a solução para nossos problemas (dada as mudanças de paradigmas da contemporaneidade). Precisamos pensar em um novo modelo, um novo fundamento para a soberania nacional.
Então, indaga-se: qual o novo modelo de soberania nacional no cenário mundial contemporâneo? Eis o novo desafio…Aguardo comentários e sugestões. Abraços.
Miguel (admin)MestreAproveitando meu tempo de férias, segue alguma coisa sobre o tempo: não vejo como muito correto associar o conceito citado nos moldes acima, de “eterno presente”, com Parmênides. Me pareceu que isso está mais relacionado com a concepçao fenomenologica. Vou tentar justificar minha observaçao. Com relação ao tempo, vale distinguir 3 concepções fundamentais:
1- o tempo como ordem mensurável do movimento – é a concepçao mais antiga e difundida, ligada na Antiguidade ao conceito cíclico do mundo e da vida do homem e, na época moderna ao conceito científico de tempo. Somente sobre esta concepção já poderíamos escrever coisa demais, mas não me parece que seja aqui que encontrará a resposta para a sua questão. Contudo, apenas para esclarecimento, citando Aristóteles: os pitagóricos, ao definirem o tempo como “a esfera que abrange tudo”, relacionam-no com o céu, que com seu movimento ordenado permite medi-lo. Vale lembrar que Aristóteles definia o tempo como “o número do movimento segundo o antes e o depois”. Berkeley substituía a ordem do movimento pela ordem das idéias, e Newton distinguia tempo absoluto de tempo relativo, mas ambos consideram uma ordem e assim ainda falamos dessa concepçao de sucessão de coisas dentro de uma série de eventos.
2- o tempo como movimento intuído – esta outra concepçao é apresentada por Hegel que define “o tempo é o princípio mesmo do Eu=Eu, da autoconsciencia pura, mas é esse princípio ou o simples conceito ainda em sua completa exterioridade e abstração”. Hegel nao identifica o tempo com a consciencia, mas com algum aspecto parcial ou abstrato da conciencia. Contudo, essa concepçao acaba trazendo consigo um tipo de reduçao do tempo a consciencia. Essa concepçao, em que pese a autoridade de Hegel, é bem anterior e foi mais difundida por Sto. Agostinho que foi quem a expressou de modo mais claro. Para Sto Agostinho, o tempo é identificado com a própria vida da alma que se estende para o passado e para o futuro: “Ninguém nega que o futuro ainda nao exista, mas na alma já existe a espera do futuro; ninguem nega que o passado já nao exista, mas na alma ainda existe a memória do passado” (Confissoes, livro XI, 28). Logo, para Sto. Agostinho, nao existem 3 tempos (passado, presente, furuto) mas somente 3 presentes (presente do passado, presente do presente, presente do fututo). Na filosofia moderna, Bergson reexpos essa concepcao contrapondo-a ao conceito cientifico de tempo. Segundo ele, o tempo da ciencia é “espacializado” e, por isso, nao tem as caracteristicas que a consciencia lhe atribui. Para a ciencia, o tempo pode ser representado por uma linha, mas “a linha é imovel, já está feita, ao passo que o tempo é aquilo que se faz, alias, é aquilo graças a que todas as coisas se fazem”. Bem parecido é o conceito de Husserl sobre o “tempo fenomenologico”, a corrente de vivências nao começa nem acaba, toda vivência está inserida em uma corrente infinita de vivências. Portanto, isso significa que a corrente de vivências, assim como a duraçao bergsoniana, tudo conserva; é uma espécie de eterno presente.
3- o tempo como estrutura das possibilidades – este é o conceito encontrado na obra “Ser e Tempo” de Heidegger que, já no título, anuncia a identidade dos dois termos. É uma concepçao bastante original que considera o tempo a partir do futuro e nao do presente, o tempo é considerado uma espécie de circulo em que a perspectiva do futuro é aquilo que já passou e, por sua vez, o que já passou é a perspectiva para o futuro.
Com o que foi exposto, sugiro a vc a leitura de Husserl (Idéias, “Ideen zu einer”) ou de Bergson (O pensamento e o movimento).
Feliz 2004.
Miguel (admin)MestreSeja bem Vindo Marcelo Penna Cagaya
Esta “certa rivalidade” que vc percebeu está presente em vários dos tópicos existentes neste interessante fórum, e seria uma infelicidade minha caso afirmasse que esta e outras rivalidades não contribuem para o desenvolvimento
dos debates, é verdade, ás vezes exagera-se e torna um pouco até engraçado, mas não deixa de somar.Entre e tome parte nos debates.
Miguel (admin)MestreCaros amigos,
No decorrer das discussões, eu não pude deixar de perceber certa rivalidade entre dois participantes: Fernando e Pacifista. Parece-me que toda controvérsia iniciou-se com os dizeres de Fernando, que alegou o seguinte: “a discussão não pegou”. Em seguida, um festival de erudição tomou de conta do debate que, a meu ver, parece-me uma atitude bastante imatura. Assim, gostaria de expôr duas considerações a respeito desse debate: 1. vamos procurar estudar com profundidade a obra de Karl Marx (afinal, trata-se de uma obra complexa, que exige bastante esforço e maturidade intelectuais); 2. vamos procurar manter o bom senso para discutir, dispensando-se as caricaturas dos adversários (a respeito desse tópico, sugiro a leitura do artigo de Renato Janine Ribeiro, publicado na Revista Cult/dezembro). Sobre o debate propriamente dito, abstenho-me provisoriamente pela seguinte razão: ainda não possuo uma clara noção das idéias de Marx e Hitler para participar do debate. Ademais, parabenizo a participação de Onofre Veiga e Cristiane (verdadeira demonstração de interesse pela compreensão do assunto). Abraços a todos.
(Mensagem editada por oieu em Dezembro 29, 2003)
Miguel (admin)MestreInsisto para saber se alguém pode me dar informações sobre os temas que eu relacionei acima. Desde já, muito obrigado.
Miguel (admin)MestreAlguém sabe como Hume morreu?
Eu sei que ele morreu em sua cidade natal, mas em casa? hospital? qual a causa da morte?Miguel (admin)MestreSobre o problema da representação, gostaria de propor-lhes uma indagação.
No livro I, da Ética, Espinosa considera que há identificação entre a significação ontológica e a relação lógica: p.ex., “a idéia verdadeira deve convir com seu ideato” (axioma VI, livro I, Ética). Entende-se “ideato” como coisa ideada ou representada.
Assim, a idéia verdadeira concorda com seu ideato porque é verdadeira; em outras palavras, a idéia não é verdadeira por concordar com seu ideato, mas por ter validade intrínseca.
Contudo, ao negar a noção de representação (isto é, verdade como “a conformidade do juízo com a coisa conhecida”), Espinosa não estaria subestimando o problema da representação?
Ou seja, Espinosa não estaria depositando demasiada confiança na validade intrínseca do pensamento verdadeiro e, por conseguinte, no modelo geométrico e nas demonstrações nele baseadas? Digo “confiança”, pois considero que isso apenas não basta para resolver o problema da representação (tão arduamente refletido por Kant, por exemplo).
Se confirmada a lacuna existente quanto ao problema da representação, o sistema espinosano estaria apresentando um ponto frágil, um “tendão de Aquiles”. Ademais, estou certo de que a confirmação desta lacuna não diminui a importância da obra de Espinosa, mas torna cada vez mais viva a discussão de suas idéias.
Gostaria de ouvir comentários a respeito, a fim de elucidar essa questão. Se possível, indiquem sugestões de bibliografia acerca dessa questão.Muito obrigado. Abraços.
Miguel (admin)MestreSenhores,
O início desta semana ficou marcado na História, alguns fatos despertaram o Mundo e o Brasil particularmente, eu destacaria três. O primeiro, que parece ter sido o de maior importância e relevância, foi a captura do ex-Presidente iraquiano. Como nós Ocidentais dependemos desta mídia Ocidental, parcial, deveríamos exitar e aguardar que aquelas informações “indesejadas” acabem se soltando do “curral” das grandes agências internacionais de jornalismo, e assim clarear mais a paisagem. Pois se dependesse apenas desta mídia estaríamos até nos alistando no exército guerreiro que combate o mal que vêm do Oriente. É impressionante como alguns jornais nacionais, tendem a apresentar os fatos de forma parcial, e isto está ocorrendo desde o início da guerra. Será que eles foram contaminados, empolgados pelos discursos de Bush ? “acabar com o eixo do mal”? Será que eles(jornalistas) teriam esta visão tão maniqueísta??
Evidente que cobrar imparcialidade total é ingenuidade, mas que não copiem na íntegra o que recebem das agências internacionais, que, claro, na maioria são americanas ou britânicas. Pelo menos isso!E o Sadam?? se aquele for realmente o Sadam, provavelmente passará seus últimos dias na cadeia. Pois irresponsabilidade seria matá-lo e criar um mártir.
Vamos ao segundo fato .
Este é mais particular, diz respeito ao desligamento dos radicais petistas. Sem levar em consideração a idéia de lançar sobre Luiza Helena todos os olofotes, e claro, a senadora não precisa disso, nós diríamos que o Partido dos Trabalhadores pretende fazer de tudo para manter a “governabilidade”.
Como tentar fazer uma análise da arrumação partidária nacional, por mais breve e superficial que seja, é passear em areia movediça, veja as contínuas trocas de partidos e alianças esdrúxulas, deveríamos observar quais as atitudes futuras, tanto da situação, como da oposição, incluindo neste último bloco os “radicais”. Porém arriscaríamos dizer que o Pt tenta enxergar longe, muito longe, 2004 ou 2006 por exemplo.E por fim, o último fato, este que constrangeu mais o Nordeste que outra região do País, foi o rebaixamento de dois dos seus Clubes. Após uma medíocre campanha o golpe de misericórdia foi humilhante, justamente vindo do Campeão e logo de 7 ? Era de se presumir, dificilmente teria outro destino, mas a esperança é a última a morrer e morreu no domingo de forma trágica. Pelo menos ganharemos mais partidas ano que vem, e algum dia voltaremos para a Primeira divisão.
Um ponto comum entre estes fatos seria a impressão de que inevitavelmente isto ocorreria, logo Sadam ou ”Sadam” seria preso, os radicais seriam expulsos, e o Bahia seria rebaixado. Talvez só imporessão mesmo.
Miguel (admin)MestreGostaria que alguém pudesse me elucidar o conceito de “eterno presente” e se ele está relacionado de alguma forma a Parmênides e sua concepção de que as transformações são aparentes na natureza (imagino que o tempo também não exista para este filósofo). Se alguém pudesse comentar sobre a inexistência do passado e/ou me indicar bibliografia para consulta, ficaria bastante agradecido.
Miguel (admin)MestreO que define uma comunidade acadêmica como “progressista”? A concordância com as suas idéias?
Miguel (admin)MestreComplementando as idéias anteriormente expostas, como disse baseada no resumo feito pelo excelente livro que recomendei, gostaria de fazer algumas colocações, mas antes disso, digo que as ações afirmativas já ganharam corpo no Brasil, tendo apoio da maior parte da comunidade acadêmica progressista, e, o principal, já existem centenas de líderes negros que irão pressionar por estas políticas integratórias. Portanto, podermos aceitar que não há mais retrocesso possível nas implantação das políticas compensatórias e afirmativas.
Os argumentos para as AF podem ser divididos em dois grupos, o primeiro é o que defende uma compensação pelos prejuízos históricos sofridos pelas minorias cuja situação se quer inverter, chamados ações compensatórias. O segundo grupo é formado pelos argumentos que defendem que as AF, trarão benefícios a longo prazo para toda a população. São os argumentos chamados de consequencialistas. Entre os argumentos do primeiro grupo está o que a AF seria uma política compensatória á expoliação histórica sofrida pelos negros. No passado, os negros ajudaram a construir grandes fortunas- e o prestígio e respeito social que lhes são agregados- foram transmitidos à descendência branca. Agora seria a hora de ações compensatórias aos negros. A sociedade branca fez um empréstimo compulsório aos negros no passado, transmitiu seus frutos a sua descendência que agora tem que resgatá-lo. As ações consequencialistas melhorariam a sociedade como um todo, ao , por exemplo resgatar a auto-estima dos negros, assim diminuindo problemas presentes em toda a sociedade que acabariam por beneficiar a todos. Há uma longa série de argumentos, mas por hora não estou disposto a escrever muito. Complemento este assunto oportunamente.
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