Miguel (admin)

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  • em resposta a: Mundo de Sofia #73303

    O mais importante para se entender do existencialismo de Sartre é que essa teoria nos torna responsáveis pelos nossos atos. Sartre disse “o ser-humano é livre para todas as coisas, menos para deixar de ser livre”, por isso nós somos responsáveis pelos nossos atos.
    Como ele chegou a essa conclusão? Bom, é uma longa história. Talvez possamos discutir isso mais tarde.

    em resposta a: Divulgação de cursos e atividades #76369

    Urgências Conceituais

    O Atelier Paulista promove a partir de agosto de 2005 o curso “Urgências Conceituais”, ministrado pelo professor, filósofo e ensaísta Peter Pál Pelbart.

    Inspirado pelo DVD “Abecedário de Deleuze” em que o filósofo Gilles Deleuze explora temas propostos pela entrevistadora Claire Parnet segundo a ordem alfabética (Animal, Bebida, Cultura, Desejo…), e a partir das urgências conceituais do grupo de estudos do Atelier Paulista, foi concebido “Abecedário”, um conjunto de encontros nos quais serão explorados conceitos escolhidos, tais como:

    – C – Corpo-sem-órgãos;
    – D – Diferença;
    – E – Ética;
    – F – Forma;
    – H – Hábito;
    – I – Imanência;
    – L – Loucura;
    – S – Subjetividade;
    e outros que ainda surgirão, sempre no âmbito da filosofia de Nietzsche, Deleuze, Espinosa e Foucault..

    Peter Pál Pelbart é filósofo e ensaísta. Publicou, entre outros, O tempo não-reconciliado (Perspectiva), A vertigem por um fio (Iluminuras) e Vida capital, ensaios de biopolítica (Iluminuras). Principal tradutor das obras de Deleuze, leciona no Departamento de Filosofia e no curso de Pós-Graduação de Psicologia Clínica da PUC-SP, e coordena a Cia. Teatral Ueinzz.

    Informações:
    – Duração: 16 aulas de 2 horas cada.
    – Horário: 2as. feiras das 20hs às 22hs.
    – Início: dia 08 de agosto de 2005.
    – Término: dia 28 de novembro de 2005.
    – Vagas limitadas: 30 vagas. Confirmar a sua vaga.

    Formas únicas de pagamento:
    – À vista R$ 640, 00 ou 4 parcelas de R$190,00 (R$760).

    Atelier Paulista
    Rua Amália de Noronha, 301.
    próximo ao metro Sumaré em São Paulo.
    (11) 3082-9217 e (11) 3082-7436
    [email protected]
    }

    em resposta a: Ideologia, Alienação e Senso Comum #73262

    oii!!
    Eu preciso fazer um trabalho explicando o que é alienaçao, me ajude se possivel.
    Obrigada !!

    Olá!
    Essa distinção permeia toda a obra de Arendt porém só recebe uma formulação explícita em sua última obra A Vida do Espírito que infelizmente permaneceu inacabada por ocasião da morte de Arendt. Porém, a fase embrionária dessa distinção entre verdade e sentido já aparece em textos mais antigos como por exemplo no “Conceito de História Antigo e Moderno” um dos seis ensaios que compõe o Entre o Passado e o Futuro. É imprescindível obviamente que se leia todo o ensaio, mas é possível conferir esta distinção ainda em sua fase embrionária, consultando as páginas 78 a 82, (caso você use a edição brasileira da Editora Perspectiva). Nessa obra aparece como distinção ENTRE OS ANTIGOS(“Os gregos aprendera a compreender…” (p.82) que buscavam a COMPREENSÃO e os MODERNOS, que – por atribuírem status de CIÊNCIA(Ciência Natural) à história – buscavam uma OBJETIVIDADE EUNUCA, (p.79) porque dissociada dos eventos que ela deveria compreender, OU SEJA, A VERDADE. Assim, pode-se ler a crítica que Arendt faz ao moderno conceito de história como uma ruptura falaciosa entre a ciência e o senso comum, ou seja, uma vez que ambos jamais perdem seu elo com a evidência (Vida do Espírito, p.43). Na base dessa falácia está a instrumentalização do pensamento que resultou na identificação/redução da compreensão ao conhecimento, bem como do sentido à verdade. A desconstrução dessas falácias metafísicas que redundaram na instrumentalização do pensamento, é feita em sua última obra, A Vida do Espírito, que permaneceu inacabada por ocasião de sua morte. Esta obra teria 3 partes: o pensar, o querer e o julgar. Somente a primeira, o pensar, foi revisada por Arendt, e é nessa que Arendt distingue entre verdade e significado. (Capítulo I: Aparência, – tópico 8- Ciência e senso comum; a distinção de Kant entre intelecto e razão; verdade e significado (p.42-50, na edição brasileira da Relume-Dumará). Sendo grande parte da obra de Arendt sustentada por essa oposição entre verdade e sentido, o que justifica a sua formulação tão tardiamente é mudança de enfoque: nos primeiros textos, Arendt observa os reflexos da confusão entre verdade e sentido, sob o viés da ação/discurso e portanto política, no seu último livro, sob o viés da ética. Porém, uma nova ética, uma ética política.

    em resposta a: O que é tempo? #74845

    Gostaria apenas de saber o que é o tempo, como posso compriendê-lo melhor e como ele pode ser curvo?

    em resposta a: A Aguia e a Galinha – Leonardo Boff #73954

    Olá,
    eu fiz um pequeno fichamento do livro.
    Abraços
    Mohafazah

    BOFF, Leonardo. A águia e a Galinha – Uma metáfora da condição humana. Vozes. 40ª ed. Petrópolis, 2003

    Boff inicia seu texto discorrendo sobre o que é ler e como se dá o processo de compreensão. Segundo ele, ler “significa reler e compreender, interpretar” (p.9). E essa compreensão do que se lê não é estanque , mas sim mutável de acordo com o contexto biopsicossocial das pessoas e de suas vivências. Nas palavras de Boff, “A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha”. (p.9).
    Dessa forma, cada leitor é também um co-autor, pois compreende e interpreta de acordo com o local que habita e as relações que estabelece no mundo. Sendo assim, “o destino dos livros está ligado ao destino dos leitores”. (p.10)
    É a partir desses pressupostos que Boff se dispõe a contar e analisar a história da águia que fora criada como galinha. Ainda que proponha que a história seja lida como uma metáfora da condição humana, o autor sabe que a referida história será compreendida e interpretada de formas diferentes.
    Antes de entrar propriamente na narrativa da águia e da galinha, são citadas suas raízes, bem como seu autor, e a ocasião em que ela foi contada pela primeira vez.
    Segundo o Boff, um político e educador popular natural de Gana – James Aggrey – foi o autor da referida narrativa. Ferrenho lutador contra a colonização da África, Aggrey acreditava que era necessário libertar a consciência do povo (resgatando valores que foram esquecidos durante o processo de dominação), para que posteriormente pudessem se libertar, uma vez que “os colonizados são impedidos de fazer suas escolhas, de tomar as decisões que constroem a sua própria vida” (p.22).
    A história foi contada por Aggrey em meados de 1925, quando ele havia participado de uma reunião de lideranças populares, cujo tema era “caminhos da libertação do domínio colonial inglês” (p.30). Neste evento, alguns dos principais líderes de movimentos pró-Gana, apoiavam os colonizadores ingleses. Então, a fim de protestar contra a postura de tais líderes, ele narrou a história, que foi analisada por Boff, e que será contada a seguir.
    Um camponês foi à uma floresta “apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu apanhar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro, junto com as galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros” (p.30).
    Cinco anos se passaram, e o camponês recebeu a visita de um naturalista que ao passear pelo jardim constatou que aquele pássaro junto com as galinhas não era uma delas, mas sim uma águia. Surpreso, contou ao camponês sua descoberta, ao que o camponês respondeu que sabia que aquele pássaro era uma águia, mas que o havia criado como galinha, e que ela havia se transformado em uma.
    O naturalista discordou, e disse que ela tinha um coração de águia, e que seria eternamente águia. Discutiram ambos um bom tempo, até que resolveram colocar a águia a prova.
    O naturalista pegou a águia, ergueu-a bem ato e ordenou que voasse. A águia viu as galinhas ciscando lá no chão e resolveu pular para junto delas. Após o ocorrido o camponês insistia em dizer que ela seria galinha para sempre.
    No outro dia, o naturalista e subiu no telhado da casa do camponês, levou a águia consigo e ordenou-lhe que voasse. Mas ela novamente viu as galinhas ciscando, e deixou-se cair pesadamente no chão.
    No outro dia, naturalista e camponês “pegaram a águia e levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha” (p.33). O naturalista ergueu a águia e ordenou que voasse. “A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol para que seus olhos pudessem se encher da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se soberana, sobre si mesma. E começou a voar, (…), a voar cada vez mais para o alto. Voou… voou… até fundir-se com o azul do firmamento…” (p. 33-34).
    Boff sugere que a história contada por Aggrey seja recontada ao estilo das midraxes (midrash, do hebraico): acrescentando detalhes à história que possibilite uma reflexão mais rica, com mais elementos, além de ter o objetivo de “sempre tirar lições edificantes e ampliar o sentido para a vida” (p.39).
    E o autor recontará a história de Aggrey, ampliando informações sobre a vida das águias, seu habitat, e aclimatando a narrativa para um contexto brasileiro, usando personagens brasileiros, bem como um lugar do Brasil como pano de fundo.
    Na midrash da águia, um ninho de águias sofre um acidente e despenca, machucando o filhote de águia que nele estava. Um criador de cabras que ali passava viu a aguiazinha caída, pensou que estivesse morta e quis leva-la à um amigo seu que era empalhador.
    Assim fez. Levou o filhote ao seu amigo, que acabou por guardá-lo em uma cesta, para empalha-lo no dia seguinte. No outro dia, quando o empalhador foi pegá-la, se surpreendeu ao perceber que a águia não estava morta, mas um pouco cega e machucada.
    Após refletir se deveria ou não poupar-lhe a vida, optou pela afirmativa. Cuidou da águia até que ela estivesse quase que completamente reestabelecida. Por fim, o empalhador chegou à conclusão de que as galinhas poderiam provoá-la para viver, e colocou-a no galinheiro.
    Um dia, o empalhador notou que ela já estava completamente restabelecida. “Contudo à força de viver com as galinhas virara, também ela, uma galinha. (…) O empalhador,ocupado em seu ofício de empalhar aves, já se acostumara com a águia-galinha entre as demais galinhas. Esqueceu-se dela.”(p.59)
    Certa manhã, um casal de águias sobrevoou o galinheiro, atraídas pelos patinhos que estavam por lá. Ao ver o casal, a águia-galinha ensaiava vôos, sacudia a cauda. “Foi então que o nosso empalhador se deu conta. A águia-galinha começava a despertar para seu ser-águia”(p.60-61). Quando o casal de águias se foi, a águia-galinha mergulhou novamente em seu estado galinha, encolheu a cabeça e voltou a ciscar.
    Algum tempo depois, o empalhador recebeu a visita de um amigo naturalista, que ao saber do caso da águia ficou perplexo com a capacidade adaptativa da águia. E após discutirem um pouco, decidiram descobrir o quanto de águia ainda existia na águia-galinha.
    Colocaram a águia sobre o braço, ordenaram que ela voasse. Ela não voou e pulou para junto das galinhas. Depois foram com ela até o telhado, e o resultado foi o mesmo da tentativa anterior. Ambos pensavam que a galinha triunfava sobre a águia.
    Posteriormente “lembraram da importância do sol para os olhos da águia” (p.65). E optaram por levá-la ao cume de uma montanha, perto do sol, na tentativa de resgatar-lhe a identidade. E assim o fizeram. Após longo tempo tentando convencer a águia-galinha de que era águia, após coloca-la de frente para o sol nascente, e de lança-la para o céu, a águia voou e se descobriu como águia.
    “Acabara de irromper plenamente a águia até aqui prisioneira da galinha. Finalmente livre para voar, e voar como águia resgatada rumo ao infinito. E assim voou! Voou até fundir-se no azul do firmamento.” (p.68)
    De acordo com Boff, em tudo podemos perceber uma dimensão águia e uma dimensão galinha, que podem vir com diversos nomes: “realidade e sonho, necessidade e desejo, história e utopia, fato e idéia, enraizamento e abertura, corpo e alma, poder e carisma, religião e fé, partícula e onda, caos e cosmos, sistema fechado e aberto, entre outros”(p. 71).
    Entretanto, esses pares de opostos não existem por si só, são “expressões de uma única e mesma realidade” (p.72) complexa. “Tudo está em relação com tudo. Nada está isolado, existindo solitário, de si para si. Tudo co-existe e inter-existe com todos os outros seres do universo” (p.72).
    Entretanto, a ciência moderna contribuiu para que essa complexidade fosse esquecida, e passou-se a estudar acontecimentos ou fatores isolados da natureza, e não o universo como um todo, com teias de relações. E as percepções totais e complexas da realidade foram esquecidas em detrimento de uma visão reducionista.
    Os pares antagônicos anteriormente citados passsam a ser encarados como pares justapostos, sem relação entre si. “Assim, pensa o esquerdo ou o doreito, o interior ou o exterior, o masculino ou feminino” (p.75).
    O pensamento complexo ou a dualidade, como diz Boff,
    “coloca e onde o dualismo coloca ou. Enxerga os pares como os dois lados do mesmo corpo, como dimensões de uma mesma complexidade. Complexo é tudo aquilo que vem constituído pela articulação de muitas partes e pelo inter-retro-relacionamento de todos os seus elementos, dando origem a um sistema dinâmico sempre aberto a novas sínteses” (p.75).
    De acordo com o autor, existem alguns exemplos de realidades complexas onde se pode encontrar as dimensões da águia e da galinha. São elas: a realidade constituída pelo caos e o cosmos, a realidade como onda e como partícula, a unidade complexa corpo-alma, a unidade complexa fé-religião, a unidade ética-moral.
    · Quanto à realidade feita de Caos e Cosmos:
    É uma relação existente tanto na constituição do universo quanto na constituição do ser humano. Todos os seres animados e inanimados possuem dentro de si dois movimentos: um que representa a ordem (o cosmos) e outro que representa a desordem (o caos). Nem o universo é totalmente caótico, nem totalmente cosmético (relativo ao cosmos), mas sim a combinação de ambos. O universo se apresenta ordenado, mas ao mesmo tempo, essa ordem é frágil, podendo se submeter à situações de caos, a ordem jamais é estável.
    · Realidade como Onda e partícula:
    Essa dualidade também se apresenta na estruturação da realidade. “Todos os elementos atômicos e subatômicos apresentam um comportamento dual. Ora se comportam como partículas materiais, com massa concretizada num ponto específico do espaço, ora se comportam como ondas que se espraiam em feixes em todas as direções.” (p.80) Ainda que pareçam contraditórios, ambos os comportamentos de onda e partícula são complementares.
    · Unidade complexa corpo alma
    Cada ser humano é totalmente homem/mulher-corpo a medida em que possui exterioridade. Ao mesmo tempo, cada ser humano é totalmente homem/mulher-alma a medida que possui interioridade. Para Boff, é a dimensão alma que corresponde à dimensão alma, e a dimensão galinha corresponde à dimensão corpo. Vale ressaltar, que não há corpo sem alma, da mesma forma que não há galinha sem águia. Ambos estão entranhados um no outro, e fazem parte da constituição de cada ser.
    · Unidade complexa fé-religião
    O mesmo movimento dialético entre os pares serve para este tópico também. A religião é concreta, correspondendo à dimensão galinha. Possui leis, moral, credo, teologia, personagens especiais, festas, ritos e celebrações.
    A fé constitui a dimensão águia, “significa o encontro vivo com Deus. Aqui não valem normas. Emudecem as palavras. Cessam as imagens. E empalidecem as celebrações, em face da grandeza transbordante de Deus. (…) O ser humano muda o estado de consciência” (p.88)
    · Unidade complexa ética-moral
    A ética corresponde à dimensão águia, e a moral à dimensão galinha. A última pode ser vista como um sistema fechado, próprio de cada cultura, enquanto a ética “assume a moral (…), respeita o enraizamento necessário de cada ser humano na realização de sua vida, para que não fique dependurado nas nuvens. (…) Está atenta às mudanças históricas, à mentalidade e às sensibilidades, (…) aos novos desafios derivados das transformações sociais. A ética portanto, desinstala a moral” (p. 93-94). Entretanto, sem a ética, a moral se transforma em moralismo, se calcifica.
    Para Boff, o desafio maior é fazer conviver a águia E a galinha dentro de cada um de nós, dando a cada uma delas a devida importância. É durante nossas escolhas no decorrer da vida que emerge o que somos: mais águia ou mais galinha. Viajamos à procura de nosso própria identidade, e vamos nos construindo durante o caminho. E, durante esse caminho, somos chamados a ser heróis/heroínas de nossa própria saga.
    “Na nossa reflexão, herói/heroína é cada pessoa que assume a vida assim como se apresenta: com caos e cosmos, com ordem e desordem, com realizações e frustrações (…). Herói/heroína constitui também um arquétipo do inconsciente coletivo, presente e atuante dentro de cada um de nós.” (p.114).
    Os arquétipos são sempre ambivalentes (positivos e negativos), e se comunicam conosco dentro e fora de nós: “Falam mediante sonhos, fantasias e representações mentais. Fora de nós, através de mitos, histórias, expressões simbólicas nas artes, na literatura e principalmente nas religiões.”(p.115) E são também os arquétipos que nos ajudam a ser heróis/heroínas de nossas próprias vidas.
    O Herói/heroína passam por certas etapas que auxiliam na constituição do processo de individuação. Estas etapas são situações que representam desafios, que geram aprendizado e experiências que amadurecem.
    Seis destas situações são descritas no livro, e segundo Boff, a águia passou por todas elas.
    O primeiro arquétipo é o da águia caída e ferida. Nesta situação, ela se encontra entregue aos samaritanos que passam pela estrada, em uma situação de abandono. “Em toda situação de abandono está presente uma tentação e uma chance. A tentação consiste nisso: a pessoa não enfrenta o desamparo” (p.117), culpabilizando outras pessoas pelo fato ocorrido. Se a pessoa aceita o desafio do desamparo, “começa por dramatiza-lo, pois pertence à finitude da vida humana” (p.118). Quando se aceita o desafio, não se omite de batalhar contra ele, assumindo uma “atitude positiva de empenho e luta” (p.119).
    Após optar por lutar contra a situação do abandono, algumas perguntas emergem, como por exemplo, “como sair do abandono, que estratégias usar para continuar caminhando” (p.119), e é aí que surge o segundo arquétipo: o arquétipo do caminhante/peregrino. E durante esta nova situação de questionamentos, descobre-se que não há respostas prontas, e que o caminho deve ser construído enquanto se caminha, tem-se que desenvolver seus próprios recursos para atingir a autonomia. Na midrash, a águia teve de esperar até se recuperar de seus ferimentos gerados pela queda do ninho.
    O terceiro arquétipo é o arquétipo do Lutador. O Lutador luta contra os obstáculos que aparecem durante a caminhada. “A águia, para resgatar a sua identidade teve que se auto-superar. Vencer o medo inicial. Abrir seus olhos ao sol”. (p.120).
    De acordo com o autor, toda luta demanda doação, renúncia e sacrifícios. E é aí que surge o quarto arquétipo: O Mártir. Ele aceita a dor, o sofrimento, e a morte como um preço a pagar por causas e bens que valham a pena. “Quem quer conservar a vida, perde-la-á.” (p.121).
    O quinto arquétipo é o Sábio, que é relacionado com o saber e com o sabor. Segundo Boff, “saber tem sabor quando resulta de experiências, de sofrimentos, de observações dos vaivens da vida.” (p.122) O Sábio é aquele que consegue ver além das aparências, não se deixando iludir por elas, “capta a verdade profunda que se entrega somente aos atentos” (p.122).
    O arquétipo do sábio conduz ao último arquétipo Herói/heroína: O Mago, que “nos introduz em um em estados de consciências integradores que nos permitem vislumbrar, a partir de um centro de irradiação e de amor, a unidade de todas as coisas. Ele alarga as dimensões de nosso eu consciente na direção do eu profundo”(p.123).
    Com relação à águia e a galinha enquanto arquétipos, a galinha expressa a situação humana na cotidianidade, no círculo da vida privada, nas tarefas domésticas, tradições culturais, hábitos. Já a águia representa a vida humana na sua dimensão criativa, na capacidade de superar obstáculos, de sonhar, de sua transcendência.
    Os arquétipos auxiliam na construção da síntese que globaliza a existência. O ser humano necessita unir os pares complexos citados anteriormente, mas também acaba por fragmentar-se, e descentrar-se, pois também é um ser complexo.
    Os arquétipos da águia e da galinha são decisivos para a vida humana, para o processo identitário. Entretanto não devemos pensar nestes arquétipos de forma dissociada. Segundo Boff, é fundamental que se busque “a confluência das energias presentes na águia e na galinha para que elas cooperativamente construam o humano” (p.175).

    em resposta a: Mundo de Sofia #73301

    Estou preparando um uma redação baseado no livro de sofia na Faculdade de Letras, será possivel me enviar alguns relatos sobre este livro ou da resenha.

    em resposta a: Ideologia, Alienação e Senso Comum #73261

    Oi!!
    Bom, preciso fazer um trabalho de filosofia e explicar as principais diferenças entre senso comum e senso crítico e também como funciona a atitude filosófica do questionamento.
    Já procurei em vários sites e não acho informação específica. Preciso disso o mais rápido possivel!
    Obrigada!!

    em resposta a: Deus mito do homem #73350

    Se é possível existir um deus? sim, é possível,não é nada de mais, não é nada tão “sobrenatural” assim.
    Afinal, ainda me surpreendo com o mundo, com as leis físicas, com as máquinas, com nossa própria consciência, com a internet, etc. São coisas difíceis de acreditar que existem, mas a priori eu vejo e sinto essas coisas, então suponho que elas existam.
    Da mesma forma, deus pode existir, apesar de eu não poder vê-lo. Mas o que é deus?
    Há uma diferença em “deus mito criado pelo homem” e “deus”. O primeiro refere- se a forma humana que deram a deus. Este deus talvez foi criado pelo homem (o Deus bíblico por exemplo). O segundo pode se referir a várias outras coisas, inclusive ao Deus bíblico também. Mas também pode ser a consciência ou a “alma”, ou o “deus interno de cada um”, ou a natureza, sei lá. Só sei que nada sei. Sou agnóstico.
    Acho que as pessoas aqui estão criticando a ignorância do povo, ou criticando um caráter de uma religião, mas não estão dando provas da existência ou inexistência de deus. E como definimos deus? Estamos falando de um deus “humano” de um “pai do céu” (bíblico), ou de quê? Não vejo aqui as criticas se estenderem a outros conceitos de deus. Também não vejo criticas a deus em si, mas apenas a caricatura que as pessoas fazem dele.
    As pessoas criaram um conceito de deus. Mas dizer que as pessoas criaram esse conceito não prova que deus não exista realmente. E se existe, ele pode ser totalmente diferente desse conceito caricatural criado.
    Acho que tão possível existir quanto não existir um deus.

    em resposta a: Deus mito do homem #73349

    Rosana Rodrigues disse bem:

    “Deus é uma criação do homem que surgiu a partir de alguma necessidade, desde muito tempo, por exemplo, que Deus é usado para a dominação do homem sobre outros homens, eles dizem: “É a vontade de Deus” mas que Deus é esse que dá muito para poucos e pouco para muitos, quem realmente decide o futuro das pessoas não seria o próprio homem???
    A ignorância sobre a causa pode nos levar a acreditar em coisas que não existem ou em que é mais fácil de acreditar”

    -Concordo, mas acho que há uma certa confusão aqui, e não é somente ela que comete isso, este é um erro comum.

    A ignorância dos religiosos, crentes, idólatras etc não é prova, razão ou base para se decidir crer simplesmente na inexistência de Deus. A existência ou não de Deus não pode ser decidida de forma científica, apenas pode ser decidida de forma pessoal. A existência de Deus pode se dar em vários níveis. Talvez ele seja uma alma (um deus antropomorfo) ou talvez ele seja um conceito sem forma. Talvez ele tenha todas as formas e assim seja apenas uma maneira de expressar a natureza e suas leis (panteísmo). Talvez ele seja apenas uma maneira poética de expressar nossa consciência. Talvez ele seja o (in)consciente coletivo. Talvez ele seja aquilo que não compreendemos. Talvez, talvez… mas só posso afirmar que a religião pode ser usada como forma de manipulação. A religião tem um aspecto moralista forte. A religião não tem uma lógica cientifica. Mas nada disso descarta a existência de Deus. Acredito que o homem possa ter criado Deus por uma necessidade de crer em algo maior que ele, e assim proporcionar um conforto, um “pai do céu” a quem recorrer. Mas talvez Deus exista, embora eu não ache que seja exatamente como aquele Deus bíblico. O Deus da bíblia é uma personificação, uma humanização de algo não humano, de algo além do humano.
    Qual a causa primeira de tudo? Pode-se chamar essa causa primeira de Deus?

    Sobre a questão de o povo crer que “a pobreza é vontade de Deus”, isso é pura ignorância. O homem tem livre-arbítrio e o que acontece nesse mundo é de responsabilidade do homem. Inclusive, se o homem não tivesse livre-arbítrio, Deus não poderia julgar o homem segundo seus atos, no dia do juízo final. (apenas supondo segundo o Deus bíblico). Jesus falou em julgar os homens segundo suas ações na Terra (logo temos liberdade, responsabilidade e livre-arbítrio), e o fato de Deus já ter olhado o futuro, não significa que estamos determinados. Ele apenas já sabe as escolhas que iremos fazer. (isso eu digo segundo alguns tipos de crenças cristãs, mas não há um consenso entre os cristãos e a própria bíblia é contraditória)

    A questão é que o fato das crenças religiosas serem manipulação, “ópio do povo”, ignorância e senso-comum, etc, não descarta a possibilidade de existir um deus, seja lá como ele for.
    Mas também não afirmo que deus existe. Se por um lado o povo é ignorante em crer num deus sem prova que ele exista, eu também seria ignorante se eu acreditasse na inexistência de deus, pois não tenho provas para isso. Acho que ser ateu é um fanatismo tão religioso quanto os próprios religiosos. Ser ateu não é negar deus, ser ateu é crer na inexistência, e isso é uma crença dogmática também, pois não aceita discussão, da mesma forma que os crentes crêem dogmaticamente na existência de deus.

    em resposta a: Os Sonhos #79744

    Gosto muito de Sigmund Freud. Mas eu gosto dele, porque eu concordo com ele, eu acredito nele. Pois o que Freud falava, me parece muito coerente.
    O fato dele ter sido científico e altamente sistemático, não me diz tanto, pois a ciência também comete grandes erros. Não importa para mim se a teoria é científica, filosófica ou religiosa. Não importa o método, todos são passíveis de erros e acertos. Não descarto nada.

    Acho que existe uma função biológica e uma função psicológica para o sonho.
    A biológica talvez esteja ligada a produção de algum hormônio. Mas não sei, e não sou biólogo.
    Psicologicamente, o sonho representa (eu acho) os desejos que temos, as nossas ambições, e desejos reprimidos. E os sonhos também representam os nossos medos ocultos. Isso digo com base em Freud.
    O fato dos sonhos serem “meio sem sentido” se deve ao fato de os sonhos serem compostos por fragmentos do que vemos no dia, e esses fragmentos não são unidos de uma forma lógica. A arte surrealista pode ajudar a compreender o que é o sonho. Por isso, indico:
    -Na pintura: Salvador Dali
    -Na música: o disco “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” dos Beatles.
    -No cinema, 3 filmes:
    1-Waking Life
    2-Sonhos de Akira Kurosawa
    3-Cidade dos Sonhos, de David Lynch.

    Também pode haver uma função espiritual do sonho, que apesar de eu não crer, eu também não descarto. Acho válido mencionar, mas isso não é científico. Todavia, como já disse antes, ser científico ou não, me diz muito pouco.
    Parece que quanto mais estudo filosofia, mais me dou conta que não existe alma imortal. Depois, eu estudo mais e me dou conta que deve existir sim. E assim fico oscilando. Por isso, nessa questão sou agnóstico. Mas tenho algum respeito e admiração pelo cardecismo (Alan Kardec) e principalmente pelo budismo (Gautama). Mas não creio que haja duas naturezas (uma natural e outra sobrenatural), creio que os fenômenos são todos pertencentes a uma única natureza. Gosto de algumas explicações que a parapsicologia dá aos fenômenos que a ciência descarta por falta de provas mais concretas ou por preconceito. No aspecto espiritualista, indico um livro: “Muitas Vidas, Muitos Mestres” de Brian Weiss. E dois filmes: O Sexto Sentido e Amor Além da Vida. Ambos não são apenas filmes hollywoodianos, são filmes bastante fiéis à doutrina espírita.

    OBS: Acho que o filósofo deve se questionar sobre tudo e assim não deve ter preconceitos de nenhuma espécie. Infelizmente, as pessoas religiosas se tornam fanáticos e deixam de conhecer a filosofia e a ciência por isso. Acabam se tornando escravas de uma fé. Mas muitas vezes, os filósofos também se tornam escravos da filosofia e os cientistas, escravos da ciência. Acabam se tornando fanáticos, como os religiosos que eles criticam.

    Uma coisa que senti no filme Walking Life é que não há diferença entre o estado de sonho (quando dormimos) e o estado de vigília (quando acordados) e dos estados de vida consciente e consciência pós-morte. Quem nunca leu livros espíritas poderá protestar, mas há coisas no filme Walking Life que me lembram muito a doutrina espírita. Desde aquela mulher velha falando na televisão até aquele último diálogo no pinball. Uma possível interpretação para o final, quando Willy começa a voar e sumir no azul do céu, é que ele tenha descoberto que estava morto, e tenha decidido dizer SIM a pergunta que Deus nos faz (segundo o que conta o último diálogo do filme). No espiritismo, as almas que tem apego material forte, que não aceitam que morreram, ficam num estado meio “inconsciente” como num sonho, vagando pelo mundo. Elas só vêem o que querem ver, e algumas vezes, não sabem que estão mortas (como diz o filme O Sexto Sentido). Para quem já leu algo a respeito, essa interpretação é perfeitamente possível para esse filme, e muito coerente com alguns tipos de doutrinas espiritistas. Mas não creio que seja a única interpretação possível para o filme, é uma dentre várias.

    Por fim, e voltando ao aspecto psicológico, indico mais um filme:
    “Freud, além da Alma”.
    O filme é excelente para introduzir, de forma dinâmica, os principais conceitos da psicanálise freudiana, e assim compreender um pouco os conceitos e suas respectivas histórias.

    em resposta a: A filosofia do filme Waking Life #79867

    “O motivo de empregar a palavra 'ação', foi criticar outro tipo de caso, que se refere ao agir consciente, porém inconsciente de permanecer num circuito vicioso, enquanto acredita-se estar saindo dele…”
    -Sim, entendo e concordo plenamente.

    E eu posso dizer isso de outra forma:
    Essa é uma característica da alienação, que impede as pessoas de agirem concretamente, materialmente. As pessoas julgam-se conscientes dos problemas, mas na verdade, elas não estão verdadeiramente conscientes ou estão acomodadas. Para os rebeldes sem causa, eu indico a leitura de Marx, que é um tapa na cara, pois a teoria marxista não adminte revolta sem ação, não há consciência sem ação. Moral sem ação não é moral, é ideologia, e ter consciencia de que algo está errado sem que se faça nada material para mudar o que está errado não é consciência, é alienação.
    Esse é o modo como eu entendo o marxismo.

    Sobre Waking Life, gostei da parte que o homem (que trabalhava num posto de gasolina) no bar diz:
    “nunca vou me esquecer dos olhos dele, tinha muita raiva de mim em seus olhos”.
    Eu já vi em algum lugar, que quando uma pessoa mata outra, aquela pessoa que matou nunca se esquece do olhar daquela pessoa morta por ela. Além disso, também entendo que a pessoa que mata, não mata simplesmente por medo, mas sim por raiva, ódio ou por desamor. Mas não é por raiva do outro simplesmente, é por raiva de si próprio.
    “A” mata “B” pois “A” tem raiva de “A”, ou seja, “A” tem raiva dele mesmo.
    Por isso o cara disse no bar “tinha muita raiva de mim em seus olhos”. Esse cara atirou covardemente contra um homem armado apenas com uma faca, que mesmo depois de cair com um tiro no peito, o cara ainda disparou vários tiros. Pode ser que no início fosse medo, mas depois ele tomou gosto, e matar virou prazer, satisfação.
    É como o caso do brasileiro morto em Londres pela polícia inglesa. Aqueles policiais deviam ter muita raiva de si mesmos.

    em resposta a: Deus existe? Então me Prove ! #78696

    gente vocês estão discutindo um assunto não muito questionavel. o fato do ser humano ser medroso por natureza que nos faz acreditar em um ser que olhe por nós. nada contra acreditar em algo que nós faz nós sentir bem, mais é tólice, mais se olharem bem a religião foi feita pra capitalizar uns ou seja é um meio de lucro financeiro. pra aqueles que acreditam em deus: vocês se sentem mesmos bem em acreditar em um ser desses? bem eu me sinto bem quando faço o que eu quero e quando estou em armonia com a natureza e não acredito em deus.} sendo assim cada um que faça o que achar certo pra si mesmos.
    deus é opção afinal pelo que “ele” disse: o humano recebeu o maior dos presentes o livre arbitrio.

    em resposta a: A filosofia do filme Waking Life #79866

    Interessante as suas observações. São determinados tipos de situações que realmente ocorrem.

    O motivo de empregar a palavra 'ação', foi criticar outro tipo de caso, que se refere ao agir consciente, porém inconsciente de permanecer num circuito vicioso, enquanto acredita-se estar saindo dele…

    …seria, mais ou menos, como a situação do protagonista dos sonhos, sempre esperando um despertar que nunca chega…

    …contudo, no caso dele, havia desconhecimento dos fatos, o que é diferente; a situação a que me referi antes disso seria melhor chamada de burrice ou de ignorância idealista.

    em resposta a: A filosofia do filme Waking Life #79865

    Existem pessoas que acham que andam na “contra-mão” do sistema, pensam que são diferentes, porém suas AÇÕES não alteram a essência do que criticam.

    Analizando com mais calma, notei a palavra “ação”.
    Acho que o problema dessas pessoas é justamente que elas não “agem” segundo suas próprias ideias. Elas pensam que são diferentes, mas não “agem” materialmente de forma diferente. Elas não externam suas idéias. O problema é que elas são sem “ação”, não fazem nada para mudar as coisas. Elas apenas seguem a maré. É como o motorista do taxi-barco fala: “Esta é a minha janela para o mundo. A cada minuto, um novo espetáculo. Posso não compreendê-lo ou concordar com ele… mas eu o aceito e acompanho a maré.”
    Só que, o contexto que o motorista fala é outro, e no contexto do motorista eu concordo que seguimos a maré. Mas no contexto sócio-político acho que deve haver ação somada a teoria e não apenas teoria. No contexto socio-politico não devemos simplesmente “seguir a maré” -Mas sei que isso é muito difícil de não fazer.
    O motorista ainda apresenta as consequencias de se seguir a maré, observe:
    “(outro passageiro)Faça o seguinte. Suba mais três ruas.Vire à direita. Mais 2 quarteirões.
    Deixe-o na próxima esquina.
    (Willy)Onde é isso?
    (motorista)Não sei, mas é algum lugar. E isso determinará o desenrolar do resto de sua vida.

    No meu entender, e segundo esse diálogo, quando seguimos a maré somos determinados e não livres. O exemplo é Willy, que “seguiu a maré” ao aceitar a sugestão do passageiro a seu lado, ao invés de pensar ele mesmo num destino para si.

    Valeu
    :-)

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