O filho pródigo

O filho pródigo

Certo homem rico, tinha dois filhos, dos quais o mais moço pediu ao pai que lhe desse, em vida, a parte da herança que lhe havia de caber por sua morte, porque desejava lograr o seu.

Concedeu-lhe o pai o que pedia, e, daí a poucos dias, ausentando-se para um país distante, desbaratou e consumiu tôda a heraní ca em larguezas e prodigalidades, chegando a tal excesso de misé ria que foi obrigado a servir um amo e a guardar um rebanho de gado imundo. No meio do montado desejava matar a fome que padecia, com o mesmo comer de que o gado se sustentava, mas nem êsse lhe davam, e perecia. Lembrava-se da abundância, com que até os criados de soldada viviam em casa de seu pai, e êle estava ali morrendo à fome. Com esta consideração, desenganado, tornou em si e, arrependido da vida passada, resolveu-se a ir bus­car outra vez seu pai e confessar a sua culpa.

Pôs-se a caminho e, estando ainda longe da casa do paií; ven­do-o êste e conhecendo-o, penetrado de piedade e compaixão, apres­sou os passos e o foi abraçar e o chegou a seu rosto com muitas carícias e amplexos[1]). Então o filho, lançando-se a seus pés, lhe disse:

“Meu pai, contra Deus e contra vós pequei, e não mereço que me chameis mais vosso filho; peço-vos que me admitais por um dos vossos jornaleiros.”

Porém o pai, mandando-o vestir do mais precioso vestido e metendo-lhe no dedo um estimável anel, provendo-o também de calçado, lhe fêz preparar um banquete do melhor vitelo que tinha e com grandes festas celebrou a vinda do filho, que julgava por morto [2]). Estando à mesa, chegou do campo o filho mais velho e,

ouvindo tanta festa, informando-se do que passava ‘) não quis entrar em casa, antes se mostrou tão sentido e queixoso, que, saindo o pai fora para o buscar, lhe disse o filho:

“Há. tanto tempo que vos sirvo com obediência, como vós sabeis, e nunca me destes um cabrito para comer com os meus ami- gos e agora que chegou êsse vosso filho, que desperdiçou todo o seu patrimônio em sensualidades, logo lhe destes a comer o vitelo mais gordo e melhor que havia.”

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“Filho, respondeu o pai, vós sempre estais comigo, e tudo tenho é vosso; porém como vosso irmão estava já perdido, fou justo que me alegrasse com a sua vinda.”

J. B. de Castro.


[1] Amplexos — (latinismo) abraços.

[2] Julgava por morto. Alguns verbos transitivos exigem, além do complemento direto, num nome (substantivo ou adjetivo ou expressão equivalente), que sirva de completar a significação do verbo e qualificar ao mesmo tempo o complemento direto; é o que se chama adjunto predica- tivo do complemento direto. Êste adjunto liga-se ao verbo ou diretamente ou por meio do advérbio como ou por meio da preposição por e às vêzes por meio da preposição para, exprimindo-se fim. — Assim diz-se julgava morto o filho ou julgava por morto o filho.

Fonte: Seleta em Prosa e Verso dos melhores autores brasileiros e portugueses por Alfredo Clemente Pinto. (1883) 53ª edição. Livraria Selbach.

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