A LENDA DO PEIXINHO CARI (carimatá ou papa-terra)

A LENDA DO PEIXINHO CARI (carimatá ou papa-terra)

A LENDA DO CARI

A soalheira era intensa; as árvores com as folhas murchas e amarelecidas, pendiam tristes seus galhos para a terra; o chão era ressequido e ardente.

Pela estrada longa e poeirenta, coberta de sulcos, caminhava uma mulher: era linda, uma auréola de mistérios e de inspiração, cercava sua cabeça tinha olhos doces, de uma doçura que dominava. Toda ela era bondade; não obstante os humildes trajes que a envolviam a majestade de seus gestos indicavam sua origem.

Por onde passava as crianças beijavam-lhe as vestes, as mães pediam a sua bênção e os enfermos melhoravam só com um olhar angelical em seu semblante divino.

Era Nossa Senhora que passava.

Já longa fora sua jornada e agora chegara, abatidav e cançada, a uma confusa encruzilhada de caminhos; à esquerda, o trilho cortava por uma sebe com muitas flores; à direita o carreiro era áspero e pedregoso, com montões de galhos de espinheiros ao centro, e desdobrava-se interminável, a via negra e poeirenta. Com um olhar de dúvida, interrogou os caminhos e quedou-se contemplativa.

Os passarinhos cantavam e uma nuvem deles fez uma sombra para roubar, aos raios do sol, a imagem da peregrina celestial. Ao lado manavam docemente as águas claras de uma pequena corrente em formação: os vivazes peixinhos, habitantes no límpido líquido, espreitavam a divina caminhante.

Sorrindo para um cari, cujas escamas brilhavam ao sol, Nossa Senhora interrogou:

— Cari, onde é o meu caminho?

O peixinho deu um muxoxo, sorriu irônico e arremedou, imitando a doce voz de Maria, as expressões a êle dirigidas. Então a Mãe divina repetiu a pergunta:

— Cari, onde é o meu caminho?

O belo Cari, irritado, fazendo um beicinho, murmurou de cima do seixo onde se aquecia ao sol:

— Quer quer, Maria importuna?

A suave mãe dos homens e de todas as cousas, levemente ofendida com o desabrimento do impetuoso Cari, disse então:

— Cari, por causa de tua falta de respeito, hás de ter, de hoje em diante, o beicinho caído, imitando esse muxoxo engraçado, com que me saudaste, zombando da minha pergunta.

Desse dia em diante o Cari, o peixinho das barras de todos os pequenos regatos, ficou com a boquinha engraçada, o beicinho caído que ainda conserva.

I. G. Americano do Brasil: Lendas e Encantamentos do Sertão.

Edições e Publicações Brasil, São Paulo, 1938, pp. 87-88.

Fonte: Estórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso. Seleção de Regina Lacerda. Desenhos de J. Lanzelotti. Ed. Literat. 1962

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