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Exercícios sobre UM CERTO CAPITÃO RODRIGO de Érico Veríssimo



UM CERTO CAPITÃO RODRIGO

  Érico Veríssimo   —    Ainda não fabricaram a bala que há de me matar! — gritou Rodrigo, dando de rédea.

—    A gente nunca sabe — retrucou o padre.

—    E é melhor que não saiba, não é?

—    Deus guie vosmecê!

—    Amém! — replicou Rodrigo, por puro hábito, pois aprendera a responder assim desde menino. O padre viu o capitão dirigir-se para o ponto onde um grupo de seus soldados o esperava. A noite estava calma. Galos de quando em quando cantavam nos terreiros. Os galos não sabem de nada — refletiu o padre. Sempre achara triste e agourento o canto dos galos. Era qualquer coisa que o lembrava da morte. Voltou para casa, fechou a porta, deitou-se na cama com o breviário na mão, mas não pôde orar. Ficou de ouvido atento, tomado de uma curiosa espécie de medo. Não era medo de ser atingido por uma bala perdida. Não era medo de morrer. Não era nem medo de sofrer na carne algum ferimento. Era medo do que estava para vir, medo de ver os outros sofrerem. No fim de contas — se esmiuçasse bem — o que êle tinha mesmo era medo de viver, não de morrer. O tiroteio começou. A princípio ralo, depois mais cerrado. O padre olhava para seu velho relógio: uma da madrugada. Apagou a vela e ficou escutando. Ha­via momentos de trégua, depois de novo recomeçavam os tiros. E assim o combate continuou madrugada adentro. Finalmente se fêz um longo silêncio. As pál­pebras do padre caíram e êle ficou num estado de ma-dorna, que foi mais uma escura e confusa agonia do que repouso e esquecimento. O dia raiava quando lhe vieram bater à porta. Foi abrir. Era um oficial dos farrapos cuja barba ne­gra contrastava com a palidez esverdinhada do ros­to. Tinha os olhos no fundo e foi com voz cansada que êle disse: —    Padre, tomamos o casarão. Mas mataram o capitão Rodrigo — acrescentou, chorando como umr. criança.

—    Mataram?

      Um Certo Capitão Rodrigo é o vigésimo oitavo capitulo do livro “O Tempo e o Vento”. Érico Veríssimo nasceu em Cruz Alta (Rio Grande do Sul), em 1905. Romancista

e cronista de renome internacional.

 

A — VOCABULARIO

Dar de rédeas, loc: sair a cavalo, sair galopando. Agourento, adj.: que envolve algum sinal, presságio. Breviário, s. m.: livro de orações que os clérigos são obri­gados a rezar.

Madorna, s. f.: letargia, prostração, sonolência. O mesmo que modorra. Farrapos: nome que os legalistas davam aos insurretos republicanos do Rio Grande do Sul em 1835. (Lega­listas eram aqueles que pugnavam pela observância das leis ou pelo acatamento ao governo legal.)

B — EXPLICAÇÃO DO TEXTO

1   — Qual a principal personagem do texto? 2   — Qual o tema do texto? 3   — Faça o plano do texto, dividindoo em segmentos. 4   — Que passagem comprova a amizade do padre ao capitão

Rodrigo?

5  — Que sensação o padre sentiu ante a expectativa dos

acontecimentos?

6   — O texto narra um acontecimento real ou fictício? 7   — Que detalhe interessante o autor usou para causar no

padre a sensação da morte?

8   — Por quem foi sentida a morte de Rodrigo? 9   — Faça um resumo do texto.  

C — REDAÇÃO

1   _ Faça um paralelo entre o medo e a coragem 2   — Fale sobre a perda de um grande amigo.   Fonte: Lisa – Didática Irradiante, 1972.

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