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Miguel (admin)Mestre
Todo campo de produção de sentido se apropria dos termos linguisticos de maneira diferenciada. O termo “idealista”, na filosofia, assume um sentido especial, já aqui anteriormente exposto: concentrar o ser (onto) no próprio sujeito, e não na realidade. Com base nisso, mais certo é classificar Platão como um “realista ideal ontológico”. Platão, metafísico que era, perguntava-se onde estava o ser das coisas, ou a essência das coisas. Essa essência das coisas não estava no sujeito, nem no objeto sensível, mas na idéia abstrata (eidos) correspondente ao objeto sensível. ENtão, o ser das coisas não está nas próprias coisas; está nas idéias. Mas não é idealismo, porque estas idéias não são verdades subjetivas; as idéias são fixas, imóveis, imutáveis e perfeitas, independem do sujeito. O papel do sujeito não é CONSTITUIR o ser (como no idealismo), mas discernir o ser (a essência) dentre as várias ilusões que se nos apresentam na esfera sensível. Repito: o “onto” em Platão está nas idéias, mas estas idéias são anteriores a tudo, porque elas SEMPRE EXISTIRAM TAL COMO SÃO.
Nesse sentido, Platão não se afasta muito dos pré-socráticos na idéia de que nada pode surgir do nada, logo deve haver uma substância universal eterna (arché). Pode-se afirmar, com certeza segurança, que o arché platônico são as próprias idéias.Miguel (admin)Mestre” Assim, não observo, atualmente, mudanças consideráveis tanto na questão da consciência, quanto material, a ponto de pensarmos em uma Pós-Modernidade. Analisando, evidentemente, os últimos 200 anos observamos (apenas) um desenvolvimento tecnológico alicerçado no capital. Não há PÓS-MODERNIDADE” – postado por Torre em 01 de julho de 2005.
-É exatemente isso: se houve “um desenvolvimento tecnológico alicerçado no capital” também há NECESSARIAMENTE uma mundança na questão da consciência. Justifico: “para Marx, e para o materialismo histórico, nossa consciência é determinada pelas relações materiais (o que aqui entendo como as tecnologias e o trabalho)“
E Marx também entendia as relações materiais como sendo tecnologia (equipamentos e ferramentas usadas na produção), condições naturais (matéria prima), mão de obra (trabalho) etc.
Logo, houve sim mundanças na consciência. Contudo, chamar essas mudanças de PÓS-MODERNIDADE, ou pelo contrário, afirmar que “não há pós-modernidade” são duas conclusões muito precoces.
Há mudanças (difíceis de serem identificadas, mas há). Uma dessas mudanças na consciência é a atual descrença na ciência como verdade absoluta (o que na modernidade acontecia essa crença por influência do Positivismo). E não só a ciência, como a religião, a filosofia, a escola, a família, o governo, etc, tudo hoje é questionável e descretitado.Miguel havia dito que: “Primeiramente, acontece por parte de alguns um enterro precoce de Marx, tentando restringir seu estudo à areas específicas dentro de alguns tipo de academia, setores retrógrados. Isso ganhou força depois de 1989, com o fim simbólico da guerra fria e a queda do Muro de Berlim”- Miguel em Terca, 21 de Junho de 2005 – 11:41 pm
Eu concordo com Miguel e acrescento: Alguns críticos interpretam a filosofia de Marx como se fosse “um estudo de caso do período industrial” e não como um método científico empiricamente verificável. Marx e Engels não fizeram um “estudo de caso” de um período histórico. Eles lançaram as bases do MATERIALISMO HISTÓRICO e os conceitos de DIALÉTICA, ALIENAÇÃO, MAIS VALIA, FETICHISMO, IDEOLOGIA, SUPERESTRUTURA, o que vai muito além do que alguns críticos criticam. -isso eu já havia dito antes. Portanto, não podemos enterrar o materialismo histórico. Podemos revisitar, mas dentro de alguns critérios metodológicos rigorosos.Então, tomando como “licença poética” o termo PÓS-MODERNIDADE, entendo-o como sendo: uma mudança na consciência, causada pelos avanços tecnológicos das últimas décadas (principalmente no que se refere as telecomunicações e transporte).
Estou dizendo que houveram mudanças significativas MATERIAIS (no campo tecnológico). Exemplo: a internet, o celular, a ampliação do serviço telefônico, a popularização da TV, as viagens de avião etc.
O que toda essa tecnologia gerou?
Resposta: a atual globalização (diferente do Helenismo e do Império Romano em vários aspéctos), os blocos econômicos, o encurtamento das fronteiras e das distâncias (MSN, teleconferência, ICQ etc), o aumento do volume de informação sobre qualquer assunto (ex: internet), etc.Afirmo que todos esses fatores MATERIAIS tecnológicos moveram uma alteração na consciência da população (ainda não afirmo que apenas isso seja o pós-modernismo).
Que alterações na consciência da população?
Respostas: O desapego da idéia de verdade absoluta. A descrença nas instituições tradicionais da sociedade (já citadas), a constante alteração nas relações de trabalho e consequentemente nas relações pessoais (previsto por Marx no Manifesto Comunista. Leia o que eu postei em em Terca, 21 de Junho de 2005 – 11:37 pm) etc
A essa alteração na consciência da população, eu chamo de pós-modernidade (com licença poética).Visto a “licença poética” do termo PÓS-MODERNIDADE, (pois não temos definido definitivamente o que é pós modernidade e nem sabemos se é possível definir isso agora) e visto que houve mudanças na consciência da população, e que essas mudanças foram provocadas pela tenologia (material), pergunto:
Podemos dizer que Marx era “pós-moderno” ?Obs: leiam o que eu postei:
em Quarta, 29 de Junho de 2005 – 10:08 pm
e também o que postei:
em Quinta, 30 de Junho de 2005 – 4:42 amCreio que isso pode ser interessante para o nosso debate (e em relação a pergunta principal)
Miguel (admin)MestreEu preciso fazer um trabalho urgente sobre: SENSO COMUM, SENSO CRÍTICO E CETICISMO, tudo ligado à Filosofia, preciso muito de ajuda….Com um rezumo, que contenha exemplos e preferencialmente figuras……….Obrigada….
Miguel (admin)MestreTorre,
Eu concordo. É como eu disse uns dias atrás aqui nesse fórum: o termo pós-modernidade aqui é usado apenas como licença poética, pois a rigor, Marx não é pós-moderno.
Concordo que Marx seja insuficiente para analisar todas as questões. Aliás, isso é uma das coisas que difere a filosofia e ciências (de um lado) das religiões, mitos, seitas e crenças (de outro lado): um pensador apoia-se no outro para cada vez enchergar mais longe. Esses pensadores dos quais vc falou, estão se apoiando em Marx, para gerar um novo estudo, isso é dialético (tese, antítese e síntese). Isso é super válido, e Marx também pensava dialéticamente.
Isso também demonstra os lados positivos do pensamento de Marx, o qual deve ser revisado, preferívelmente na ótica do materialismo histórico.
Mas e enquanto a “licença poética” para o termo pós-moderno: Nessa ótica, Marx pode ser considerado pós, ou precursor da pós-modernidade?Miguel (admin)MestreCaro Jorge Moraes,
Gostei muito dessa frase:
“O mistério de hoje é a piada de amanhã.”Ela reflete as possibilidades da ciência e os pontos positivos do relativismo, bem como do pensamento abstrato.
Desenvolver o pensabento abstrato é o que difere a fase infantil da fase adulta (segundo as autoras do livro FILOSOFANDO)
Parabéns!Miguel (admin)MestreCaro Miguel Duclós,
Têm chegado ao meu conhecimento muitas reclamações sobre a qualidade das traduções dos textos de Platão e Aristóteles. Recentemente, estava tratando do tema Khôra de um livro de Derrida e alguém me disse que a interpretação daquele autor era equivocada. Derrida escreve:
“La ambigüedad declarada por Timeo se manifiesta de otro modo: unas veces la khôra parece no ser ni esto ni aquello, otras veces a la vez esto y aquello. Pero esta alternativa entre la lógica de la exclusión y la de la participación –volveremos extensamente sobre esto- proviene tal vez de una apariencia provisoria y de las coacciones de la retórica, esto es, de alguna inaptitud para nombrar. La khôra parece extraña al orden del “paradigma”, ese modelo inteligible e inmutable. Y sin embargo, “invisible” y sin forma sensible, “participa” de lo inteligible de un modo muy dificultoso, en verdad aporético (aporôtata, 51b). Al menos, agrega Timeo, declarando esto no nos mentiremos, no nos diremos lo falso (ou pseudometha). La prudencia de esta fórmula negativa da que pensar. No mentir, no decir lo falso, ¿es necesariamente decir lo verdadero?”
Mas a crítica à Derrida foi essa:
“Ele pega o “pseudometha” e interpreta como se fosse “não mentir, não dizer o falso” mas nessa frase significa 'não nos enganemos – não podemos nos enganar'. Ora, se não nos enganamos com algo, não é dizer ou reconhecer o que é verdadeiro, separar do que é falso?”
Ora, se a crítica procede, Derrida está enganado. O Khôra de Platão não saí da lógica binária.
Portanto, eu te pergunto: há alguma forma de tirarmos essa dúvida? Você sabe de algum texto de Platão que fale sobre Timeu na internet?
(Mensagem editada por Mike em Julho 02, 2005)
Miguel (admin)MestreCertamente, estava me referindo a outro tipo de coisa…
…eu não desisti do fórum, foram vocês…
…eu nunca perdi de vista a filosofia.
Miguel (admin)MestreHallo,
Chamo-me Dario e escrevo da Italia, eu trabalho com um site, musicablack.com, que se preocupa de desenvolver o conhecimento da mùsica “black” de todo o mundo. Fui visitar o vosso forum, e descobri que ha' pessoas como vocés que sào muito bem informados sobre a musica no brasil. Ficarei muito contente se vocé pudessem enviar-me mais informaçoes de qualquer genre, sobretuto sob forma de artigos, para ser publicados no nosso site com a vossa assinatura.
Nos nào gostamos de lucro, sò amamos à musica de origem Afro e procuramos propo-la para que todos possam fazer mesmo.
Espero com confiança uma vossa resposta
Meu endereço [email protected]
Adeus. DARIO.Miguel (admin)Mestregostaria de saber onde encontro obras que falem de Ipasia, filosofa que viveu na época de Teodosio e Arcadio na Alexandria.
Miguel (admin)MestreMas o mais interessante é que, se for mesmo possível viajar no tempo, será algo que desafia completamente a lógica, dos princípios da não-contradição.
Só por chegar a essa conclusão, valeu toda a especulação sobre o assunto…
Miguel (admin)MestreBoa tarde a todos,
Li tudo que vcs escreveram aqui. Os pontos de vista e (quase)teses são bem interessantes.
Mas, sinceramente, creio que a viagem no tempo é uma discussão retórica, se baseada nas impossibilidades científicas.
Na verdade, o nosso mundo de hoje, tão imperfeito e cheio de robertos jeffersosn (ele sim, é um ser que merece ser estudado) era uma ficção, algo impossível, impensável para os habitantes da Terra de algum tempo atrás. O celular, por exemplo, era ficção nos anos 80 (que foi ontem, e ainda não foi embora).
Então, quando a viagem no tempo for uma realidade acadêmica, os conceitos serão outros (ou já esqueceram que a Terra era quadrada e também o centro do universo). NÃO existe o impossível, é tudo questão de tempo (rsrsrs viram?)
Mas é interessante pensar no assunto e discutir coisas como Deja Vu, e particularmente concordo que tais eventos sejam uma demonstração de que o tempo seja algo contínuo, sem começo, meio ou fim. Mas com nossa atual capacidade cerebral não dá para especular muito sobre o assunto.
O mistério de hoje é a piada de amanhã.a verdade está aqui, mas a gente ainda não pode ver.
um abraço!Jorge
Miguel (admin)MestreEu vou começar a ler os livros de Derrida para comentar mais e melhor sobre ele, desde os primeiros até os últimos trabalhos desse filósofo.
No momento, apenas tratei de delinear as linhas básicas para formar um conhecimento geral sobre as idéias de cada autor. Em breve, passarei a me aprofundar mais nos assuntos.
Miguel (admin)MestreÉ uma boa sugestão, Mileto. A minha leitura de Derrida é influenciada pela análise que o Habermas faz dele. Eu tenho pouco contato com esse autor. Nunca li a Gramatologia. Um texto que poderia ser abordado e que exemplifica bem aspectos da teoria de Derrida é “A Farmácia de Platão”.
abs
Miguel (admin)MestreDiferenças entre a filosofia contemporânea e a filosofia tradicional (clássica/moderna)
A única diferença é que, na filosofia contemporânea, a consciência é tratada, sempre e sem exceções, como falácia. Ou seja, não se trata de desvelar a essência a partir da refutação das aparências.
O saber, por mais objetivo que seja, está sempre inserido num contexto falacioso, portanto, a ênfase deixa de ser dada ao saber sobre o que realmente existe e passa a ser dada a “o que não se quer saber”, a “o que se deixou de lado”, a “quais os fatos que deixaram de ser mencionados”, quando as atenções estão voltadas para um objeto.
Um exemplo prático e bastante compreensível é a própria distorção que a filosofia helênica sofreu ao longo do tempo. A filosofia contemporânea, então, trataria de perguntar: o que foi recalcado e por quê? Por que a filosofia helênica precisou ser distorcida???
Embora não tenha sido especificamente isso que Derrida fez, é precisamente isso que ele chama de desconstrução…
Miguel (admin)MestreRenan,
Com relação a sua mensagem do dia 28 de Junho de 2005 – 4:17 am, o “Segundo ponto:” e o “Terceiro comentário” traz, em geral, uma a questão central de uma discussão bastante em voga atualmente. É o que o Prof. José Milton Pinheiro de Souza, chamou em uma palestra de: A MORTE DO SUJEITO IMANENTE. Aquele operário que Marx em O MANIFESTO COMUNISTA clamou a união mundial, para Milton Pinheiro deveria ser revisto.
Assim como fez Perry Anderson, em O FIM DA HISTÓRIA – DE HEGEL A FUKUYAMA, expandindo a fronteira deste sujeito imanente para além do operariado. Este livro é também uma réplica a Fukuyama e sua teoria do FIM DA HISTÓRIAVocê pergunta se não haveria mais luta de classes hoje.
Eu diria que sim. Contudo, a luta de classe extrapolou a barreira da contradição(?) operário-patrão. O termo de ANTUNES: Classe-que-vive-do-trabalho, é perfeito para tentar expandir as fronteiras desta contradição. Assim, as obras de Marx já não são suficientes para explicar nossa realidade. Além das questões mais subjetivas, tais como: representatividade, liberdade-igualdade, há ainda questões mais objetivas, vejamos: O setor de serviços cresce vertiginosamente; proporcionando um declínio no número de trabalhadores ligados a indústria, e com isso um enfraquecimento dos sindicatos – órgão de classe. A melhoria das condições de trabalho e, conseqüentemente, das relações patrão-empregado. A internacionalização das indústrias, ou exposição das indústrias a concorrência internacional., etc…“Então agora estou confuso. Se nossa consciência é determinada pela tecnologia (e pelas consequências desse avanço tecnológico) como a pós-modernidade pode não ser relacionada a tecnologia mas apenas a consciência?” R.M.F. Enviado em 29 de Junho de 2005 – 8:57 pm
Aqui estamos com a questão da definição novamente, aliás, deveríamos primeiramente discutir a validade desta tal de pós-modernidade.
É estranho concebermos uma PÓS-MODERNIDADE, baseada somente nesta consciência , nesta relativização de valores apenas, falta de referências, sem levar em consideração a questão material, a tecnologia, a produção. Não é querendo ser estritamente materialista, mas, acredito que é impossível imaginar uma PÓS-MODERNIDADE, sem considerar a produção material.
Por outro lado, é mais estranho ainda ficarmos baseando esta nomeclatura, ou seja lá o que for; – MODERNIDADE, PÓS-MODERNIDADE – apenas na produção material, tecnologia. Senão vai faltar nomeclatura; e se daqui a 50 anos conseguirmos inventar algo estupendo, revolucionário, algo do tipo viagem no tempo ? Diríamos então, que estaríamos na PÓS-PÓS-MODERNIDADE ?Então, eu diria:
1 Conceber uma PÓS-MODERNIDADE baseada apenas na relativização dos valores, na consciência, sem considerar a produção material da sociedade é um tanto quanto frágil – até mesmo porquê, usando suas próprias palavras: “para Marx, e para o materialismo histórico, nossa consciência é determinada pelas relações materiais (o que aqui entendo como as tecnologias e o trabalho) “
2 Assim, não observo, atualmente, mudanças consideráveis tanto na questão da consciência, quanto material, a ponto de pensarmos em uma Pós-Modernidade. Analisando, evidentemente, os últimos 200 anos observamos (apenas) um desenvolvimento tecnológico alicerçado no capital. Não há PÓS-MODERNIDADE.
3. Não havendo Pós-Modernidade, não haveria como dizer se Marx é ou não Pós-Moderno.
Bom final de semana
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