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Miguel (admin)Mestre
olá preciso de ajuda, preciso fazer um trabalho sobre o filme “o poço e o pendulo” e nao acho comentario em lugar nenhum sobre este, por favor se for possivel relacionar comentarios e analizaçoes sobre o filme, a inquisição e a maneira que as mulheres eram tratadas ficarei muito grata desde ja agradeço. Láis
Miguel (admin)MestreOi pessoal,
Em resposta a Nahuina:
Você escreveu: “Mas sabe qual é o problema do Marx? Eu acho que, por um lado, as criticas eram ótimas! Mas as propostas deixam a desejar bastante. Vc ñ acha?
Eu particularmente prefiro as idéias anarquistas”Resposta:
Ainda não formulei uma idéia muito concreta sobre a anarquia. A anarquia, entendo eu, é um tipo de marxismo heterodoxo. Acho válido, mas preciso analisar mais profundamente as propostas anarquistas.Mileto,
gostaria de retomar o tema que você desenvolveu em 11 de Junho de 2005 -12:52pm: “Não, a Constituição não OBRIGA, ela apenas PRESCREVE como um dever…”Concondo inteiramente com você. Essas palavras (prescreve e obriga) têm significado muito diferente.
Observe o contexto em que o verbo “OBRIGAr” foi usada por você: “A solução é simples, dentro do próprio capitalismo: é só fazer uma Constituição que OBRIGUE o Estado a fomentar as necessidades básicas do cidadão” (Enviado em 11 de Junho de 2005 – 11:46 am)Minha opinião é:
sua idéia é muito boa, mas ela não e SIMPLES como voce afirmou. Não há soluções simples para problemas complexos.Voce pode, se quiser, reelaborar sua proposta, acresentando as dificuldades, os pontos positivos e negativos. Será que é de interesse político que se haja essa Constituição?
Miguel (admin)MestreDigamos que a compreensão da filosofia perdeu-se na obscuridade…
A ciência é a filosofia. Mas por que os assuntos que elas abordam são diferentes?
Porque, simplesmente, começou a existir especialização. No início, tudo era Phýsis. Mas graças a um equívoco com as obras de Aristóteles, criou-se uma nova palavra, antes inexistente: metafísica.
Tudo se tratou de uma incapacidade de Andrónico de Rodas de conseguir ordenar certos escritos dentro das obras de Aristóteles. Ele então colocou-os mais além, ao lado. Esses escritos, então, foram denominados tà meta tá Phýsika, que nada mais significa que “do lado da Física”.
Mais tarde, passaram a considerar a Física uma ciência à parte da filosofia e a filosofia propriamente dita, uma metafísica…
Miguel (admin)MestreFavor traduzir para mim:
“Atritus est propter celera nostra”
“Vulneratus et propter inquites nostras”Miguel (admin)MestrePelo azar que persegue os incautos, o exemplo “talher” recaiu entre as chamadas “idéias de artefatos”
Nunca ouvi tanto blá-blá-blá para tentar remendar o furo óbvio de uma teoria. Platão não consegue analisar o mais complexo e se equivoca com erros de intuição.
Se o exemplo do talher é tão difícil à compreensão de algumas pseudo-sabedorias, poderia relembrar que a arte abstrata, no início, custava a ser reconhecida como um tipo de arte…
Miguel (admin)MestreComo já foi dito em outro lugar, é bastante fácil criticar um filósofo quando não se entende nada do seu pensamento. Alguém constrói uma caricatura de um filósofo embasada em interpretações equivocadas e depois se lança à crítica sem perceber que está atacando mais os próprios erros da própria interpretação deturpada do que o pensamento do filósofo.
Só mesmo alguém muito inocente poderia imaginar que Platão teria conquistado um nome que sobreviveu aos séculos com um pensamento tão pobre. E nunca é demais lembrar que as diferenças culturais já eram muito conhecidas dos gregos, existem muitos escritos sobre isso, embora se considerassem o povo mais nobre.
“Talher” é uma classe universal? Poderíamos concordar com Platão que o talher ideal nos permite reconhecer todos os outros tipos de talheres existentes? Mesmo que um ocidental não saiba que os “talheres” chineses são dois palitos?
O exemplo dos talheres foi bastante infeliz e revela um total desconhecimento da hierarquização estrutural das Idéias e da polivalência dos Princípios na metafisica platônica.
Pelo azar que persegue os incautos, o exemplo “talher” recaiu entre as chamadas “idéias de artefatos”, que nem são consideradas propriamente ideais, no sentido mais exato do termo. Dentro da hierarquia do real platônico, as idéias de artefatos estariam quase numa região de fronteira entre o supra-sensível e o sensível, abaixo até mesmo da alma, que já se localizava em um plano intermediário.
É mais que evidente que Platão estava ciente que os artefatos podiam ser construidos à vontade pelo homem, razão pela qual classificava essas idéias em particular de modo bastante diferenciado dos ideais inteligiveis superiores. Da mesma forma, Platão o fez com outros tipos de “idéias”, como sejam as idéias de centauro, unicórnio, medusa etc. Todos esses inferiores formados de algum tipo de justaposição e combinação de outros tipos de idéias, que, muito a grosso modo, permitiriam uma quase inesgotável “fonte de idéias”. Essa parte da metafísica platônica tem sido estudada à quase exaustão, é das mais complicadas, e tem sido explorada por filósofos de peso como, por exemplo, Krämer (Platone e i fondament della metafisica) e Gadamer (Studi Platonici).
Sobre a questão da “criação de idéias”, de modo a evitar mais interpretações errôneas, segue um pequeno comentário:
“A 'geração' das Idéias a partir dos princípios não deve ser entendida como processo de caráter temporal, mas como metáfora destinada a ilustrar uma análise de estrutura ontológica. Tal metáfora objetiva torna compreensível ao conhecimento, que se realiza de forma discursiva, a ordem do ser, que se realiza de modo evolutivo e atemporal.” (Krämer)
Por isso, quando se diz que algumas idéias foram criadas “depois” de outras idéias, não se pretende indicar a existência de uma sucessão cronológica, mas uma graduação hierárquica.Além das questões de hierarquia, outro ponto que, parece, foi ignorado na inocente abordagem dos “universais” e, ou, da metafísica platônica, nos exemplos de colher, pauzinhos e homem, é a questão da dialética dos princípios. Uma metafísica do porte da metafísica platônica sobreviveu aos milênios e está longe de ser tão inocente quanto os seus críticos vulgares.
Resumindo BASTANTE, parece haver, por parte da maioria desses críticos, um desconhecimento completo da questão da Díade que faz tensão dialética com o Uno. Se se quiser apresentar algum exemplo melhor do que uma colher, pauzinhos, ou mesmo o conceito de homem, para questionamento e análise, deve-se procurar algo que não se possa definir entre termos de limite e não-limite, determinado e não-determinado, generalização e elementarização, afirmação e oposição, …, universal e particular.
Tomaria agora muito tempo e esforço escrever sobre os Princípios Uno-Díade e sobre a divisão categorial entre as Idéias Número, Formas Ideais, Meta-Idéias, Idéias particulares que são “por si” (homem, cavalo etc) e Idéias particulares que são por relação a outro (de opostos contrários: igual-desigual, imóvel-movido, conveniente-inconveniente etc; e de correlativos: grande-pequeno, alto-baixo etc). Mas, precavendo contra respostas que nada respondem, para maior cautela no caminhar, segue mais um breve comentário:
“No modo da oposição, subsistem todas as coisas que são pensadas segundo a oposição de uma com relação à outra, como, por exemplo, bom e mau, justo e injusto, útil e inútil, santo e não santo, pio e ímpio, movido e parado, e todas as outras coisas como essas. Em relação a alguma coisa são as que são pensadas segundo a sua relação a outro, como direita e esquerda, alto e baixo, duplo e meio: de fato, a direita é pensada em relação com a esquerda e a esquerda em relação com a direita, o baixo em relação com o alto, e o alto em relação com o baixo. E o mesmo vale para todos os outros casos.Eles dizem que as coisas que são pensadas segundo a oposição diferem das que são pensadas em relação a alguma coisa. De fato, no caso dos contrários, o desaparecimento de um coincide com o produzir-se do outro, como, por exemplo, nos casos da saúde e da enfermidade, do movimento e da quietude: o produzir-se da saúde coincide com o desaparecimento da enfermidade, o surgimento do movimento coincide com o desaparecimento da quietude e o surgimento desta coincide com o desaparecimento daquele. O mesmo raciocínio vale também para a dor e a ausência de dor, o bem e o mal, e, em geral, para todas as coisas que têm naturezas contrárias entre si. As coisas que são em relação com outro têm a característica de coexistir e de ser supressas ao mesmo tempo, de fato não há direita se não há também esquerda, e nada é dobro se não existe também o meio do qual o dobro é dobro.
Ademais, entre os opostos não se pode pensar a existência de um meio, como, justamente, entre saúde e enfermidade, vida e morte, movimento e quietude: de fato, entre a saúde e a enfermidade não há nada, e assim também entre o ser vivo e o ser morto e entre o mover-se e o estar quieto. Ao invés, no caso das coisas que são em relação a algo existe um meio: de fato, se se toma o grande e o pequeno como exemplo de coisas que são em relação a algo, haverá no meio o igual, e assim, analogamente, também no meio do mais e do menos haverá o suficiente e no meio do agudo e do grave haverá o que é harmônico.” (Sexto Empírico)
A linha fundamental do método platônico também se encontra na doutrina das categorias de Aristóteles, e tinha por finalidade mostrar como todos os seres são efetivamente redutíveis aos dois Princípios Uno-Díade, enquanto derivam da sua mistura. Essa espiral dialética que vai desembocar no vórtice da tríade ontológica metafísica-gnosológica-ético/política.
[]'s
Miguel (admin)MestreAchou errado, pois a liberdade sartriana é liberdade de escolha para ação:
“É sempre nossa a decisão de quem somos.”
Miguel (admin)Mestre…o erro se dá quando nós achamos que o estado deveria ser uma coisa que essencialmente vai contra a idéia de Estado…
Aí eu discordo. O Estado não é um universal, é um Ser-para-si…
Miguel (admin)MestreÉ aí que eu vejo um certo perigo. Pensar assim remete a uma onipotência cega: Lutar contra as correntes ainda vai, mas conseguir arrebentá-las já seria muita pretensão…
Dizer que a minha incapacidade foi criada por mim, também pode não ser o mais correto.
Se alguém nunca teve chance de estudar, como poderia saber ler e escrever. É difícil acreditar que toda a massa de analfabetos se deve à má vontade deles mesmos…Miguel (admin)MestreMas eu continuo ñ entendendo pq essas influencias “tiram” a liberdade do homem, se ele continua escolhendo de qualquer forma.
Pense no El Paredón: O sargento Garcia chega perto do soldado francês e pergunta: “- Você prefere ser fuzilado com a venda nos olhos ou sem a venda?”
Digamos que ele é relativamente livre para se decidir…
Assim também acontece com a mente, se lhe faltar significantes, não poderá formular muitas opções de escolha ou, talvez, só veja uma saída funesta, como o cara que se incendeia de gasolina no filme Walking Life…
Miguel (admin)MestreMas estes fatores REALMENTE tiram a possibilidade de escolha do homem?
Não, mas limitam: se ele não tem em sua mente os elementos significantes para estruturar o seu plano de forma que a ação se torne eficiente, eficaz e efetiva, sua tomada de decisão estará sujeita ao fracasso. Não poderá mudar coisa alguma. Ou pior do que isso, não tenha cabeça sequer para formular um plano qualquer…
é ELE quem escolhe o que faz e/ou o que deixa de fazer…
Mas nem sempre depende só dele a elaboração de seu repertório de opções ou alternativas…
Miguel (admin)MestreO que achei muito interessante é que as opiniões filosóficas dos personagens são tão passíveis de erros e contradições quanto na vida real.
Eu começaria criticando a visão existencialista daquele professor:
Ele disse: “- A mensagem aqui é que jamais devemos nos considerar um fracasso e nos vermos como vítimas de várias forças.” – Mas uma pessoa pode muito bem fracassar em sua tentativa e ser vitimada por forças muito mais poderosas do que ela…
Ele disse: “- É sempre nossa a decisão de quem somos.” – Aí vai a minha crítica à Sartre: “A decisão sempre é nossa, mas nem sempre podemos ou temos capacidade para sermos aquilo que desejamos…“
Miguel (admin)MestreSe for isso, não concordo com o que o Marx fala sobre a burguesia. Uma coisa não tem nada a ver com a outra (revolucionar produção/incerteza de valores).
O que mata todo o bom-senso é a má distribuição de renda, a não participação nos lucros da produção e o Estado não-interventor despreocupado com a qualidade de vida de seus cidadãos…
Miguel (admin)MestrePara mim, a filosofia de Sartre, a qual nos faz responsáveis por nossas próprias ações, entra em conflito com a constatação de que somos produto do meio, logo não deveríamos ser responsabilizados pelos erros que cometemos, pelos mau-julgamentos, etc.
– Espera aí, vamos com calma! Conhecimento demais sem sabedoria é catástrofe. Sartre faz um apelo humanístico aos seus leitores do tipo “Acordem que chegou o momento!”. É muito mais um convite ideológico do que uma constatação metafísica.
No real mesmo, eu não escolhi estar aqui. As desgraças do mundo não sucederam por minha causa. Toda a miséria humana, bem como as regras do jogo, já existiam antes de eu nascer.
Mas você fala do dever. O que deveria ou não remete à questão da justiça. E, como Nahuina brilhantemente acrescentou, “justiça é utopia”. Contudo, resta essa necessidade de articular as idéias, confrontar a tese sartriana com a respectiva antítese determinista, para extrairmos daí alguma síntese satisfatória.
O sociopata pode ser um fruto da própria sociedade. Ele pode ser recuperável ou não. Se ele for recuperável, a sociedade deve prover os meios de recuperação. Mas, e se ele não for? Deixamo-lo livre, por ele não ser responsável por ter sido condicionado àquela condição sem escolha???
Voce diz que o homem é responsável pelo que ele É. Eu digo que o homem é produto do meio (Sartre e Simone Beauvoir já diziam que não há essência humana), logo o homem é produto de uma cultura. Quando o homem comete um erro, foi a educação, ou seja, toda a sociedade quem errou.
O homem deveria, na minha opinião, ser responsabilizado pelo que É no sentido de Ser de Parmênides. Ou seja, por aquilo que se constituiu e se cristalizou nele como uma essência. Por exemplo:
Se eu fosse um assassino e gostasse de sê-lo, devería ser retirado da sociedade o mais breve possível. Mas, se eu tivesse sido induzido a matar alguém e o fizesse, até mesmo por ignorância, eu deveria ter uma segunda chance. Aquele que tem potencial para mudar, mereceria uma segunda chance.
Agora, que não exista essência humana, acho isso polemicamente discutível…
Miguel (admin)MestreSerá? Será que ele se baseou no estruturalismo?
Ou será que ele emprestou os modelos estruturalistas para explicar sua teoria?
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