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26/09/2004 às 16:51 em resposta a: Dúvidas a respeito dos termos usados nos livros nitzscheanos #79412Miguel (admin)Mestre
Correção:
Associar Platão com o idealismo é uma extensão inadequada do termo, já que Platão pode ser melhor associado como um tipo diferente de realismo. Em sua filosofia as Idéias são dotadas de realidade própria; aliás, a “Idéia”, em Platão, é o que há de mais real, o resto são como que sombras.
Miguel (admin)MestreOlá Alessandra
Estava outro dia me atualizando dos lançamentos nos megastores e vi que o livro Convite a Filosofia da professora Marilena Chauí tem nova Introdução, em que ela associa largamente o filme Matrix com a filosofia, de forma magistral. Recomendo.
abs
Miguel (admin)Mestreolá!
preciso urgente do resumo do livro VII “A República de Platão” pag.281 à 315. Para amanha se possivel é valendo a nota da avaliação como é o 1º periodo eu estou completamente perdida.Miguel (admin)MestreBrigitte (Lucipher),
Não seja infantil, já basta vc ser um grosso. Vc pode ter mudado de nick mas isso não altera nada do que eu escrevi antes: vc tem a profundidade de um pires. Típico exemplo de sujeito que caminha pelo mundo com uma viseira, atirando pedras no outros. Não perderei meu tempo com vc. Vc tinha dito que o nivel aqui era ruim e que iria procurar “lugares mais profícuos”… parece que, para o nosso azar, vc não encontrou ninguém mais para suportar seu papo chato.
Miguel (admin)MestreCrer sem ver, é coisa que se pode fazer de várias maneiras. Uma é utilizar a razão e a lógica para inferir aquilo que ainda não se conhece. Outra é ser escravo de uma fé cega em dogmas mentirosos, inventados por grupos e instituições religiosos, com seus interesses escusos, enfiando nas mentes fracas os seus tabus, lendas, superstições e preconceitos. Essa é a diferença básica entre a crença na Ciência e na Religião.
Acho que vi esse tal Pilgrim noutra seção, e parece que ele resolveu mudar de tema sem responder as questões de Brigitte Dreams sobre a escravização dos cordeiros seguidores do Cristianismo. Que aconteceu ?
26/09/2004 às 3:33 em resposta a: A Reflexão sobre a política de Hannah Arendt, um novo tema! #77904Miguel (admin)MestreA propósito, se não for tarde demais, o ensaio que o colega pediu lá em cima é o primeiro ensaio da coletânea Crises da República (SP: Perspectiva, 1999) e se chama A mentira na Política Considerações sobre os documentos do pentágono (pgs. 13-48)
26/09/2004 às 3:22 em resposta a: A Reflexão sobre a política de Hannah Arendt, um novo tema! #77903Miguel (admin)MestreCrítica da crítica à Arendt
Sem dúvida, caro colega, que Heidegger influenciou Arendt (desculpe-me, mas não pude deixar de notar que você grafa Arent enão Arendt como é o correto)ele foi um de seus mestres. Não há dúvidas disso, mas também não há dúvidas que ela de distanciou dele ao abordar a política como tema a ser “ontologizado”. A “praia” dela não era filosofia, ela própria negou a rotulagem de “filósofa”, preferiu ser chamada de “pensadora política”.
Quando você diz que “pois, salvo certas restrições, a filosofia de Aristóteles – em que Arent fez praticamente uma reconfiguração em termos Heideggerianos – não é uma real afronta à de Platão.” eu não posso deixar de me chocar. Aristóteles, em termos de Política não faz “certas restrições” a Platão, isso requer de quem o diz uma releitura dos clássicos.Quanto à conclusão, de que Arendt não saiu da teleologia, não posso deixar de ver, como o próprio colega adverte “banalidades”. Se você não vê diferença na filosofia política de Aristóteles e Platão, TAMBÉM NÃO CONSEGUIRÁ NUNCA VER DIFERENÇA ENTRE A REFLEXÃO DE HEIDEGGER E ARENDT.
Uma pista: Arendt diz que o “objetivo” em contraposto ao que é subjetivo, vem da pluralidade das opiniões discursivas, do falar no ágora. Veja colega, isso é ontologizar o político. A vida diante dos outros, para Heidegger, diante do impessoal, do plural, é inautêntica, pois não evidencia a particularidade fundamental do dasein.
Hoje em dia, acho imprudente, em vista dos muitos estudos de especialistas sobre o tema, colocar Arendt como dependente intelectual de Heidegger. Eu mesmo, que tenho leituras de ambos, não acredito nesta dependência que você expõe em sua opinião.
Até.
Miguel (admin)MestreEscrevo a titulo de comentário a primeira msg (Hanna:28-4-2001), que, a meu ver, é mais interessante do que o título dessa lista.
Observo o aspecto da msg que expressa a idéia de que há realidades/verdades outras que vão além do mensurável materialmente. Queria explorar mais justamente essa parte.
Noto que, frequentemente, aparece um e outro carregado pela crítica a religião, por sei lá que motivos, que são diversos. Não vou traçar aqui comentários sobre esse dado, que tb é interessante, para não incorrer no mesmo tipo de ação ao avesso.
Entendo que interpretar a afirmação na msg citada pelo viés da crítica a religião é, hoje, uma abordagem pobre mais própria do senso comum. Estão em jogo outros aspectos que somente esse, e a realidade é mais rica do que aquela enxergada apenas através de um prisma.
Um “religioso” que não considera outros aspectos além dos expressos no campo religioso é tolo, sim. Um “cientista” que não considera outros aspectos além dos expressos no campo da sua ciência é tolo, também. Qual o mais tolo não está determinado de antemão, pode ser tanto um quanto o outro, mas acredito que o mais tolo deverá ser encontrado na medida em que esteja mais enjaulado no seu ponto de vista unilateral. De certa forma, os dois são fanáticos, sejam determinados pela leitura de uma Bíblia, de um manual de biologia ou de um livro de física. Quem só conhece um campo do saber não tem sabedoria. Imagino que outros campos poderiam ser citados além do “religioso” e do “científico”, mas por hora bastam esses dois; os outros ficam a cargo da criatividade de cada um.
Um “crente” está atravessando a rua qd é surpreendido por um caminhão na contramão. Instintivamente, quase paralisado, faz sua oração e escapa do acidente. Explicará, talvez, sua “sorte” pela ação de Deus em resposta a sua oração. O mesmo acontecido seria explicado, talvez, por um “descrente”, como uma consequência do breve momento de paralisia que permitiu a passagem do caminhão sem que esse acertasse o pedestre. Imagino que o “crente” enxergará o “descrente” como um tolo que não conhece a verdade, e vice-versa.
Quem está com a razão? Os dois, pelo menos segundo o modo de ver de cada um. Os dois vivem em duas realidades diferentes, portanto, a verdade de um não necessariamente invalida a verdade do outro. São duas chaves de leitura diferentes, o que permite que os dois estejam certos em cada um dos seus respectivos mundos, com cada uma das respectivas chaves de leitura. (Já estou eu aqui imaginando o que vão atribuir a mim pelo que escrevi.)
Um “cientista” observa uma tela de Tarsila do Amaral e, desconsiderando outro critério, avalia “lixo inútil”, “retrata uma realidade irreal”, “coisa infantil”. Um “religioso” vai sair para uma longa de viagem, não faz vistoria no carro, e parte “confiando em Deus”. Um “biólogo” vai se encontrar com uma amiga por quem está apaixonado (um outro composto organico com quem tem interesse de procriar) e a presenteia com um tablete de proteínas. Tres exemplos de sujeitos com problemas.
Seja na arte, no amor, na religião, na ciência, na literatura, na filosofia, alguém em juizo perfeito negará que há mais de uma realidade para se considerar?
O senso comum revelado aqui na desvalorização de manifestações várias do espírito humano, seja nas palavras dos “descrentes” que sem mais desvalorizam o religioso, seja em outra forma de manifestação de visão unilateral, me lembra, às vezes, alguma coisa próxima da “revolução cultural” de Mao.
A religião não é nem melhor, nem pior, do que a ciência; o que faz de alguém um sábio ou um tolo é o modo como se relaciona com cada uma das realidades expressadas nessas duas formas de manifestação do humano. O mesmo vale para a arte, a ciência, a filosofia, etc.
Duvido que alguém discordará que um mais sábio será o que conseguirá navegar nesses diferentes “mundos” e dialogar com os diversos campos do saber. “O sábio aprende com todos, o tolo não aprende com ninguém.” é um provérbio bíblico que aqui cabe bem.
O pessimista não é mais esclarecido, nem menos, do que o otimista. Isso tem menos a ver com a compreensão da realidade e mais com o caráter emotivo.
O mito não é menos verdade do que a explicação científica, são duas modalidades diferentes de expressão para o conhecimento acumulado. Encher a barriga com carne de porco no deserto debaixo de um sol de 48ºC com certeza atrai o castigo de Deus
. A sabedoria codificada no mito já é reconhecida a muito, pelo que não é incomum encontrarmos casos modernos de utilização de modalidades outras de expressão. Só alguns exemplos (deixo para cada um interpretar o sentido, para uns adiantará pouco, para outros, quem sabe?): o complexo de édipo em Freud, o estado de natureza em Rosseau, a sociedade sem classes em Marx, etc. Então, há mais de uma realidade para se considerar?
25/09/2004 às 23:10 em resposta a: O caráter Metafísico em Santo Tomás de Aquino na Contemporaneidade #76183Miguel (admin)MestreOi Neide,
A filosofia de Sto.Tomás é um mundo de conteúdo e já não é lá coisa muito simples qd tratada tópico a tópico. Não dá para ser mais específica?
Qual tema vcs estão estudando em Sto. Tomás? Qual livro vc está seguindo?25/09/2004 às 23:03 em resposta a: Dúvidas a respeito dos termos usados nos livros nitzscheanos #79411Miguel (admin)MestreOlá Raphael,
No caso dos textos dos fílósofos, os dicionários tradicionais ajudam pouco, a saída é buscar um dicionário de filosofia mesmo. Tentarei traçar um resumo aqui:
DEVIR – Galicismo que traduz o termo grego “gígnesthai”, com o significado de “chegar a ser”. No uso desse termo há uma referência direta à filosofia de Heráclito, que expressava a idéia de uma realidade constituida pela mudança contínua de todas as coisas – “o Ser não é nada mais do que um devir”, ou, “todas as coisas fluem”. O sentido seria alguma coisa assim: por trás da aparencia de estabilidade que ostenta a realidade, há, na verdade, uma realidade oculta que é a contínua mudança de todas as coisas, um eterno fluxo circular de nascimento-morte-renascimento, e é essa eterna mudança a única coisa que garante um grau de harmonia e racionalidade à realidade.
METAFISICA – esse termo tem uma longa tradição na filosofia e é cheio de significados, mas, no caso de Nietzsche, pode-se dizer que tem significado pejorativo. Poderíamos resumir assim: metafisica é “aquilo que está além da física”, então, expressa a idéia de uma verdade absoluta para além da aparência de mudança que uma observação descuidada iria encontrar na realidade. A metafísica está relacionada, em Nietzche, com a idéia oposta àquela da filosofia de Heráclito: a metafísica representa a idéia da existência de uma verdade maior não susceptível a mudanças. A metafísica está, portanto, em Nietzsche, relacionada com a filososia de Parmênides, e posteriormente com a filosofia de Platão, e com a maior parte dos filósofos que vieram depois. PS: mas cuidado, lembre-se do que eu disse antes, esse termo tem mais de um significado e pode mudar de filósofo para filósofo, por exemplo, para Heidegger, a filosofia de Nietzsche é outro tipo de metafísica.
ETERNO RETORNO – idéia relacionada com o devir, aplicada na história. A grosso modo: em um tempo infinito, o número de combinações de possibilidades será esgotado e tudo terá que, de uma forma ou de outra, começar a se repetir. Não há passado e futuro, o tempo é circular, e o mundo não caminha para nenhuma verdade final melhor do que essa atual.
IDEALISMO – outro termo de significado rico que, em Nietzsche, tem sentido pejorativo, já que estaria relacionado com a metafísica. O idealismo seria a corrente oposta a todo tipo de empirismo, de materialismo, e de realismo. É a corrente que afirma que a verdade é melhor expressa como idéia, a realidade é pensamento, o ser é idéia. Está ligado principalmente com as filosofias de Platão, Kant e Hegel.
Espero ter ajudado.
Miguel (admin)MestreOlá Bianca,
A discussão filosófica que é o pano de fundo do filme “O Nome da Rosa” é o confronto entre a corrente metafísica aristotélica tomista e a corrente nominalista que depois iria resultar numa infinidade de mudanças sócio, políticas, econômicas e culturais. Há muito assunto sobre isso, mas te indicaria como fonte mais acessível o livro de Historia da Filosofia do Giovanni Reale, volume 1, capítulo XIX, em especial o 1º e o 2º tópicos – a parte da introdução (contexto histórico) e a parte que trata de Guilherme de Ockham, respectivamente.
Um abraço.
(Mensagem editada por fox em Setembro 25, 2004)
Miguel (admin)MestreCrer sem ver…
“Ver” com os olhos… ou com os cinco sentidos… já vimos que podemos ser induzidos em erro…
Será que não temos mais nenhum sentido? Se temos, será que esse novo sentido é fiável? E que tal o “amor”? Você ama os seus pais? Você ama os seus filhos? Será que o sentimento é sempre verdadeiro ou pode ser falso? A definição de sentimento está correcta? É verdadeira? A nossa verdade está correcta?
Bem, apenas cremos na nossa verdade embora possa estar correcta ou não.
Então, acreditar em algo não nos mostra a verdade.
Eu acredito que existo, embora possa não existir…Já me perdi no pensamento… andamos às voltas e não chegamos lá com o conhecimento que temos até agora.
No futuro talvez, consigamos “limpar os nossos olhos”.
A única conclusão a que chego:
Somos imperfeitos. Se vamos continuar assim ou não, não sabemos :pMiguel (admin)MestreO necessário é ser um bom filósofo, o setor de política fica noutra área…
Também sou obrigado a desistir desse fórum já que meu pc nem consegue mais carregar a página.
Minhas reclamações ao moderador foram completamente inúteis: ele não quer um fórum, mas um museo…
Até nunca mais!
Miguel (admin)MestreHá pouco tempo o tão renomado físico Stephen Hawking anunciou, contradizendo sua própria teoria, de que toda matéria que fosse capturada por um buraco negro se moveria para alguma dimensão paralela à nossa, que uma possível explicação mais lógica para o evento seria que o buraco negro 'expelisse', ao absorver algum objeto, uma fração de matéria a qual denunciasse a identidade do mesmo.
Mas de qualquer maneira, não há conhecimento suficiente para se estudar os buracos negros, muito menos formular teorias com veracidade absoluta, por essa razão o assunto se torna muito discutido na filosofia.Miguel (admin)MestreEm resposta ao Sr. Nômade (não posso agora tecer mais longos e contributivos comentários para estabelecer uma discussão mais interessante – estou no meio de um trabalho importantíssimo)… acho que não preciso nem dizer que um verdadeiro Filósofo não teria este comportamento amíude infantil e refratário… um filósofo de verdade aprende com seus erros e se desbrava no mundo conhecimento não só por amor ao mesmo, mas, por obrigação intelectual.
Perdoe-me, amigo, mas essa não é postura de Filósofo maduro que você mesmo julga ser…
Não leve a mal este comentário (que coloquei no início como já sendo direcionado apenas para o lado comportamental, não estou enviesando para a sua capacidade intelectual ou asbtrativa).
Obrigado!
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