Respostas no Fórum
-
AutorPosts
-
Miguel (admin)Mestre
Caro Pilgrim,
Certamente que vc sabe que a sociedade igualitária que alguns decepcionados com capitalismo imaginam está longe da sociedade que vc descreveu acima. Sabemos que cada homem possui suas especificidades características, então não nos preocupemos com esta questão.
“Entao o filho do João deve se acostumar com o trabalho que lhe será fornecido pelo partido; nada de Botanica por hoje.” (pilgrim)
Aqui vc está imaginando uma sociedade do tipo socialista sovietica e olhe lá. Para ser igualitária não precisa ser necessariamente socialista ou comunista. Quando disse que esta bipolaridade, ás vezes, prejudica algumas análises histórico-sociais refere-se a isto. Ficamos encurralados Capitalistas ou comunistas, e quando pensam em comunismo trazem do túmulo o autoritarismo. O capitalismo está provando, pelo menos durante estes últimos séculos, que não produz sociedades capazes de promover oportunidades iguais.
Em uma sociedade igualitária não haveria autoritarismo institucionalizados..
Miguel (admin)MestrePois é Torre Norte, eu já havia colocado na mensagem inicial, que a colocação dos pos-modernos sobre não estarmos mais em uma sociedade industrial, traz problemas ao conceito do conflito proletariado X Burguesia. Mas sempre irão existir problemas, ainda mais que o saber marxista pertence ao campo das ciências sociais que não são ciências exatas. Os experimentos dessas ciências, têm que ser comprovados não em um laboratório, restrito, mas na própria vida, no laboratório social. Todos sabem que mesmo as ciências exatas, têm problemas, e volta e meia, paradigmas são quebrados. Veja o caso da física Newtoniana, que é, em forma mais geral contestada pela física quântica. Todavia a física clássica newtoniana, continua sendo de aplicação prática em 99% dos casos, digo isto como engenheiro. Mas afasto-me do assunto. Tenho que ser modesto, uma vez que a minha formação, não me garante ser um contestador tranqüilo destas teses, mas veja, que estes pos-modernos, também, “viajam” muito. Vários pensadores sofisticados contestam, muito esta visão de sociedade pos-industrial. Todavia podemos dizer que as modificações que existiram no mundo do trabalho, dificultam bastante(mas não impedem) a organização dos trabalhadores. Primeiro que ha uma intensa automação, coisa que reduz o número de trabalhadores, depois as empresas, hoje em dia evitam as grandes corporações, subdivindo-se em empresas menores, ou abusando da terceirização. Ainda, parece que já se decidiu que uma parte da população não mais produzirá mesmo, todavia esta não forma necessariamente o clássico exército industrial de reserva, mas sim fica na permanente exclusão, sendo a sua eventual violência canalizada para o crime e todo o tipo de conflitos étnicos. Todavia persistem os trabalhadores, sejam empregados em fábricas, sejam os terceirizados,sejam os que atuam nos setores de serviços. A coisa tornou-se, algo, mais difícil, uma vez que a classe trabalhadora/operária tornou-se algo difusa. Isto dificulta, mas não impede a organização, a luta. Por outro lado, há um certo renascimento intelectual, usando os novos meios de comunicação, como a internet. É o que , modestamente, estamos fazendo. Mas sabemos que os conflitos continuarão, a questão é tentar organizá-los. Se aceitá-se que não há mais possibilidade de luta, ela prosseguirá, mas desorganizada e até mais cruel e bárbara. Destes conferencistas, acho que devemos aceitar a questão que deve-se tentar repensar muita coisa, mas não negar o marxismo. Não é o caso de fazer-se, sempre, uma exegese dos textos marxianos (embora as vezes isso seja necessário), pois não somos crentes empedernidos,mas temos que colocar algumas questões, não tão presentes na época de Marx. Isso, I. Wallerstein e outros pensadores já vêm fazendo. I.W, coloca a questão da ecologia/poluição (já mencionei, isto em outra postagem), mostrando que a saída não está na propriedade privada dos grandes meios de produção. Por outro lado citemos dois intelectuais marxistas brasileiros: Jacob Gorender e Ricardo Antunes. Gorender em seu recente livro Marxismo sem utopia, quer abandonar o conceito da classe trabalhadora, dizendo que ela nunca foi revolucionária, mas deixando a possibilidade de que outros trabalhadores, não industriais se organizem. Isto foi muito contestado, por outro historiador, menos conhecido, militante do PSTU, Valério Arcary. Já Ricardo Antunes, um dos maiores especialistas no mundo do trabalho, prefere em lugar do termo operário, trabalhador,o termo: “aqueles-que-vivem-do trabalho”. Enfim, há algumas questões, mas há muito exagero, dos pos-modernos, quanto ao fim do trabalho industrial. Tu que o digas que, dignamente, trabalhas em fábrica. Voltamos a trocar mensagens. Abraços e saudações socialistas.
Miguel (admin)MestreCaro 105 TORRE NORTE,
Sua msg me fez recordar de um romance politico que li a uns tempos atrás, uma utopia negativa construída com algumas das idéias apresentadas no seu texto. Dizia respeito a um governo que elaborou um plano em etapas para a implantaçao de uma sociedade igualitária ideal, onde todos seriam basicamente iguais em tudo e, teoricamente, felizes. Lamentavelmente, nao me recordo agora do título daquela obra e daquele autor, entao sirvo Huxley mesmo.
Uma sociedade Igualitária, considerando que é um exercício enorme imaginá-la, pois nunca existiu algo assim, permitiria que joão, filho de um sem teto e miserável, pudesse estudar Botânica.
Deduzimos que todos os homens (e mulheres) serao completamente iguais em tudo, sem nenhuma originalidade ou especificidade em alguem.
Basta querer, de manhã, e de tarde vc já poderá ser um Hegel, um Bethoveen ou um Da Vinci, ou, claro, estudante cursando doutorado em botanica.
O mesmo se dará nos esportes, sendo proibido ganhar, toda disputa terminará em empate.
Uma mulher nascer mais bonita tambem nao pode. Se acontecer, o governo providenciará (sem ônus para a pessoa) uma cirurgia para enfeiá-la um pouco e trazê-la de volta ao nivel toterável de beleza. E como tornar uma feia bonita é mais dificil, a medida deve ser antes feia que bonita.
O garoto tem mais facilidade para a matemática ou para as línguas? Nao pode! Todos tem que ser iguais em tudo, talentos extraordinários sao proibidos. Uma pequena lobotomia ou baixa oxigenaçao no cerebro talvez ajude resolver a dificuldade.
Apaixonar-se por uma mulher? Problema! Ela deve ser de todos, assim como os homens, evidentemente. Promiscuidade será a nova virtude.
Bem vindos ao paraíso igualitário. Ah… a igualdade buscada era só a econômica? Entao o filho do João deve se acostumar com o trabalho que lhe será fornecido pelo partido; nada de Botanica por hoje.
Abraço.
Miguel (admin)MestreSres.
Estou precisando fazer um trabalho de filosofia cujo o tema é o seguinte: “Toamando por base a violencia atual analise a sociedade brasileira a partir dos temas trabalhados”Temas: Problema, Ideologia critica, Atitude critica, Dialetica, Reflexão.
Se puderem me ajudar ficarei muito grato.
Miguel (admin)MestreSebhores,
Fernando, Márcio, e visitadores.
Assistindo a uma áula do professor Dr. pela UFBA, Paulo Santos Silva foi aprsentado elementos que seriam interessantes analisar dentro desta questão da modernidade ou pós modernidade.
A Modernidade teria nascido das entranhas da Revolução Industrial, as inovações tecnológicas e relações de trabalho, outrora feudais, avanços na produção agrícola. etc. A Indústria era o ponto de referência, alí ocorriam as modanças tecnológicas que por sua vez acarretariam em mudanças sociais. Hoje a Indústria perdeu este papel, não é mais o referencial tecnológico, mas sim os laboratórios químicos, físicos, empresas de tecnologia da informação, a biotecnologia, ou seja, um ambiebte extra-indústria e mesmo que o produto final destes centros tenha seu destino final na indústria, esta já não é mais a força motriz. Estariamos na era pós-industrial, pós-moderna!
O que caracteriza a modernidade no ämbito sociológico? A luta de classes – Operário X Burguesia. Com a supressão da modernidade o ator operário sai de cena, abandona o postro de principal agente de mudanças sociais. E Marx não seria suficiente ou capaz de explicar mais a pós modernidade. Caberia aos pensadores contemporäneos formularem novas teorias de explicação dos fenômenos sociais.
E agora?
Miguel (admin)MestreSenhores,
Pelo que vejo este tópico está movimentado.
Haydin,
Realmente eu poderia começar minha mensagem a partir do que SOU EU postou, mas ví em sua mensagem em determunismo marcante.“sou obrigado a concluir que vc aceita integralmente que a “Direita é a exploração do homem pelo homem, e que a esquerda igualitária é mais justa, apesar de um fracasso econômico”. “(a.h.)
Não, se olharmos desta forma podemos cair em um maniqueísmo simplista; direita: bom, esquerda: mau, e sabemos que a História não se desenvolve desta forma. Também não acho que a esquerda seja um fracasso ou que só ela seja igualitária. Esta bipolaridade acaba, ás vezes, prejudicando análises históricas.
Continuemos…
“Mas se vc mesmo diz que um homem não é um “mísero coração”, que o ser humano é capaz de tudo…, pq as suas pernas, Torre Norte, não o levam onde vc deseja ir? ” (a.h.)
Qunado disse que o ser humano é capaz de tudo refiro me a romper todos os seus limites ou aqueles condicionados por idéias deterministas tipo esta que vc postou. O Fernando em sua última amensagem apresentou algo interessante e de conhecimento da grande maioria, e peço licença para copiar:1. “Tu es obrigado, na classe social que te encontras a vender a tua força de trabalho a alguém que detém os meios de produção.
2. Como te encontras, ainda no reino da necessidade, e não no reino da liberdade, tuas pernas, protestam e mesmo todo o teu ser, mas es obrigado a ires à fábrica.” ( Fernando). A sobrevivencia que eu me referi no final da mensagem. Quando saio desta fábrica, cuja minhas pernas teimam em me levar apesar da minha contrariedade, encaminho a uma instituição de ensino superior e lá em um curso de magistério eu ocupo algumas das melhores horas do dia, ou seja, eu posso ser professor e serei professor, assim como poderia ser Administrador de Empresas ou o que seja.“Segundo a sua lógica: Vc, Torre Norte, pode ser mais do que é hoje, mais do que este trabalhador insatisfeito. Certo? “(A.H)
Exatamente, e sou mais do que um trabalhador insatisfeito.
Uma sociedade Igualitária, considerando que é um exercício enorme imaginá-la, pois nunca existiu algo assim, permitiria que joão, filho de um sem teto e miserável, pudesse estudar Botânica. Sem que precisasse desdobrar uma força física, espiritual, mental, psicológica, etc. inimaginável para descontar a situação de miséria que por ventura nasceu e finalmente ser um dos cerca de 2% dos homens e mulheres que nasceram pobres e conseguiram “vencer na vida” utilizando este mediocre jargão popular.
“E como há uma nítida diferença entre trabalhador e patrão…. todos precisam sobreviver e as escolhas definem os problemas que iremos enfrentar…o homem precisa sobreviver de algum modo. Compreendeu? ”
Por que existe esta diferença entre trabalhador e patrão?? Será que Deus na magnitude dos seus poderes ordenou que fosse assim?
Ps. Fernando, agradeço as suas palavras.
vou postar algo no tópico que vc abriu, a respeito da pós modernidade.Miguel (admin)MestreCaro amigo105 Torre Norte: Eu tenho especial apreço por ti, porque es um legítimo trabalhador, obrigado a cumprir a tua rotina em fábrica, mas com estas dificuldades todas, que suponho não sejam poucas, tu colocas , aqui, postagens excelentes. Não se incomode muito em responder a pobre argumentação destas “figuras” aqui. Veja, eles até sabem sobre o essencial do marxismo, mas intoxicados pelo seu(deles) reacionarismo pequeno burgês, eles, só podem mesmo prosseguir raciocinando desta forma. Assim, eles te perguntam, porque continuas indo a fábrica, porque te queixas? Eles esquecem o elementar:
1. Tu es obrigado, na classe social que te encontras a vender a tua força de trabalho a alguém que detém os meios de produção.
2. Como te encontras, ainda no reino da necessidade, e não no reino da liberdade, tuas pernas, protestam e mesmo todo o teu ser, mas es obrigado a ires à fábrica.Eles perguntam porque uma sociedade igualitária se todos podem fazer o que querem? Sim, todos podem escolher morrer de fome, mas a maioria não o fará, até pelo instinto de conservação, existente até nas mais primitivas espécies. Eles nem sequer podem vislumbrar que em uma sociedade igualitária, as coisas seriam muito diferentes, o que libertaria o verdadeiro potencial criativo do ser humano. Viu o que eles chamam de criatividade? Criar uma lojinha de CD´s/DVD´s. Esquecem que sempre haveria uma necessidade de financiamento, além disso ao enfrentar o sistema anárquico de mercado, irias certamente falir. É o que geralmente acontece, só as grandes empresas ou aquelas subsidiadas de alguma forma, sobrevivem para continuar dando a ilusão, que basta ter iniciativa, para se vencer na vida, conforme a filosofia pequeno-burguesa. Mesmo que teu pai, alguém te ajudasse a manter a loja, como estamos em uma sociedade não igualitária, alguns se revoltariam e iriam assaltar a dita lojinha. Este é o paraíso pequeno burguês. Por outro lado prossegue o reacionarismo. O exemplo, do professor que veio de baixo, ascendeu e usa isso como orgulho, é aquele chavão, bem barato. Isto sempre foi a exceção e não a regra, e cada vez se torna mais difícil. Ou seja, o pedreiro, porteiro, que virou professor, conseguiu uma bolsa (coisa cada vez mais rara nestes tempos de crise), provavelmente entrou em uma universidade pública(coisa que os conservadores querem abolir), e…venceu. Provavelmente, tornou-se um outro pequeno burguês reacionário e deverá cantar vitória o resto da vida como sendo um vencedor. Mas nos sabemos que não será teu caso Torre Norte, pois tu queres vencer de outra maneira (não seja excluída a forma do professor), queres te manter íntegro e não tornar-te mais um reacionário, gabando-se, e contando aos teus netos que tu venceste, mesmo vindo de baixo, que o que importa é o trabalho.Estas narrativas que são sempre exageradas, nos já conhecemos do senso comum alienante,pequeno burguês, facistóide. Não, 105 Torre Norte, tu em nosso sistema ,ainda não socialista, mas de transição, iria embora da maldita fábrica, receberias um decente salário desemprego, para poderes te manter, e te dedicarias a pensar, mais na construção deste sistema mais igualitário. Digo isso só como uma opção, claro que haveria outras, como um emprego, diferente, criativo, afinal no socialismo que pensamos, não existe só o trabalho, mas também o direito ao ócio ao lazer. Que os leninistas não tenham pensado, nisto, mas nós passados mais de 100 anos, já incorporamos esta questão da liberdade. Não que isto seja tão novo, no pensamento da esquerda, pois quase todos conhecem o Elogio á preguiça de Paul Lafargue. Grande abraço!
Miguel (admin)MestreAlex,
Nao sei se vc gosta do assunto ou nao, mas, em se tratando de socialismo, achei Proudhon bem mais interessante que Marx. Passados os anos parece um pensamento mais aproveitavel, mais atual. Se te interessar depois dê uma olhada na pagina do http://www.franciscotrindade.com como uma boa introdução.
Abraço.
Miguel (admin)MestreTorre Norte
Deveriamos ter partido de algum lugar que não a minha mensagem, mas vc acabou optando por esta, esquecendo-se (ou não) que havia uma outra anterior sem a qual não é possível refutar adequadamente os meus argumentos. Trata-se, a meu ver, de exame liminar indispensável para os que buscam a discussão honesta, até pq todo argumento deve estar relacionado a alguma coisa. Assim, devido a falta das suas referências argumentativas quanto ao assunto, e considerando que vc não jogou palavras ao vento, sou obrigado a concluir que vc aceita integralmente que a “Direita é a exploração do homem pelo homem, e que a esquerda igualitária é mais justa, apesar de um fracasso econômico”.
A minha mensagem era simples. Partia de uma premissa geral ou mera opinião consensual em busca, quem sabe, de uma idéia um pouco mais razoável. Desta forma está mais do que claro, pela mensagem que postei, que não concordei com a idéia do mensagista Sou eu. Aliás idéia esta que não corresponde, necessariamente, as preferencias de seu autor, uma vez que a palavra “Talvez” dá início a mensagem, agindo como uma espécie de provocação voluntária de quem busca o debate.
Mas vejamos o que vc postou:
“Um mesmo homem pode ser Servente, professor, gerente, locutor esportivo, presidente de uma fábrica, etc… Ele é capaz de ser tudo isso, não é como um mísero coração, que pode ser apenas… coração!” Torre Norte
______________________________________________
Vc inicía os seus argumentos refutando uma premissa onde digo que as minhas pernas me levam onde desejo ir, e conclui dizendo:
“Será?? As minhas não, Cinco dias por semana as minhas pernas me levam a uma fábrica que eu não gostaria de ir.” Torre Norte
Mas se vc mesmo diz que um homem não é um “mísero coração”, que o ser humano é capaz de tudo…, pq as suas pernas, Torre Norte, não o levam onde vc deseja ir?
Assim, segundo os seus argumentos, um homem pode ir para uma outra fábrica, ou se tornar presidente da fábrica que hoje vc não deseja ir (mas vai), ou presidente de uma outra fábrica qualquer, ou ainda morar em uma ilha, pois não somos “míseros corações que podem apenas ser isto”. Segundo a sua lógica: Vc, Torre Norte, pode ser mais do que é hoje, mais do que este trabalhador insatisfeito. Certo?
Muitas pessoas “estudadas” optam pelo magistério, abrindo mão de uma vida de riqueza e poder, outros optam por uma vida de luxúria, desrespeitando a família os filhos e a esposa…, e outros mais desejam construir um mundo melhor para todos, erguendo as “manguinhas” e trabalhando em prol da educação e mais empregos.
Mas prosseguindo…
Se um homem pode ser o que bem deseja, qual a vantagem para o ser humano viver em uma sociedade igualitária?
Se eu não preciso ser um simples servente, se não há apenas serventes, se não há apenas fuscas, então pq há serventes descontes que andam de fusca,… que não buscam virar a mesa e viver uma vida mais adequada as suas aspirações?
-Eu tive um professor de direito que se orgulhava em dizer que veio para São Paulo em cima de uma caminhão de coco…foi pedreiro; porteiro; contínuo em uma Universidade, onde conseguiu bolsa de estudo; formando-se em direito e tornando-se advogado; iniciando e concluindo o mestrado; dando aula e nos contando tudo isto com nítido orgulho para todos os seus alunos, ele dizia que esta história fazia parte da sua aula inaugural.
Nessa linha,…. as aspirações humanas, por vc demonstradas, indeferem in limini a hipótese de uma sociedade igualitária, tácitamente defendida por vc(posso estar errado), uma vez que o próprio homem é naturalmente desigual, existindo assim diversos tipos de vidas possíveis a serem vividas por cada ser humano, que possuem desejos e necessidades diversas.
“O que mantém vivo a necessidade de um trabalhador é a sua sobrevivência”.
Imagine vc, Torre Norte, abrindo uma locadora no seu bairro. Vc vai precisar de um ponto, de DVD´s e Fitas de Vídeo, autorização para funcionar e ainda irá necessitar de funcionários. Graças a vc torre norte aquela mocinha de apenas 15 anos de uma família simples do seu bairro vai conseguir aquele tão esperado emprego, podendo ao final do mês receber o seu primeiro salário, ajudando os pais e podendo ir ao cinema; ou gastar com roupas; ou comprar aquele clássico da literatura mundial que ela tanto desejava. E como há uma nítida diferença entre trabalhador e patrão…. todos precisam sobreviver e as escolhas definem os problemas que iremos enfrentar…o homem precisa sobreviver de algum modo. Compreendeu?
Como há uma nítida diferença entre trabalhador e patrão…. todos precisam sobreviver…o homem precisa sobreviver de algum modo.
Vou ficando por aqui.
um abs.
Faltou alguma coisa
Fernando vc venceu, e a prova disto é que eu votei em vc com um ótimo(5). De minha parte estamos conversados.
(Mensagem editada por alex em Janeiro 20, 2004)
(Mensagem editada por alex em Janeiro 20, 2004)
Miguel (admin)MestreNão há diálogo, verdadeiro, possível entre esquerda e direita, quando ele existe, para as verdadeiras esquerdas, ele é usado como tática.
Enfim, esse está um bom resumo da sinceridade existente na sua “verdadeira esquerda”, bem como da sua visao de mundo. Felizmente podemos festejar a marginalidade desses pensamentos “esclarecidos” que alcançam o ápice da aceitaçao nas portas de banheiros de DA's.
Quanto ao restante, os “socialistas nao ingenuos”, que vivem no mundo da fantasia, e ainda há quem fale de filosofia da praxis, mais a “mediocridade conservadora e reacionária”, que procura construir algo no mundo real, já conhecemos. São parte daquela “tática”.
O mais surpreendente em toda a mensagem está mesmo na citaçao, arrancada com alicate. Tomaso Di Lampedusa. Deve ser primo do Pokotov Aaron Camarilhos. Pena que, uma vez que nao leio muitas novelas sicilianas, nao conheço esses senhores tao expressivos que certamente devem ter inspirado muitos pensadores. Fazem parte do bloco de autores sérios que andaram recomendando por aqui?
Miguel (admin)MestreTudo o que existe, não é estável, se modifica, se transforma. As condições sejam climáticas, econômicas e por conseqüências as sociais estão sempre a transformar-se. Só os conservadores acham que as coisas, como o capitalismo, a democracia, que eles só entendem como a burguesa, são eternas, imutáveis. Querem dialogar, mas desde que tudo fique sempre como está, estável, imutável. Não há diálogo, verdadeiro, possível entre esquerda e direita, quando ele existe, para as verdadeiras esquerdas, ele é usado como tática. Tática, para garantir um mínimo de melhoria para os trabalhadores, para os sem terra, para os excluídos. A estratégia maior é sempre, para verdadeiros esquerdistas superar o sistema, avançar. Já a direita não tem esta tática, ela tem a sua verdade, a sua democracia. Ou seja, que o diálogo seja feito com os representantes dos trabalhadores (isso quando ela não está na fase golpista, como Brasil anos de chumbo, Chile, etc), mas que nada, no essencial, mude. Para isto eles, têm, não Tática, mas uma Estratégia maior. Cooptam (ou compram) representantes de trabalhadores, para que tudo parece mudar, mas que de fato nada mude. É a Estratégia conhecida como Gattopardismo, retirada de obra de Tomaso Di Lampedusa. Os socialistas não ingênuos, que entendem o processo maior, sabem que a camarilha que está no poder, não é confiável, ao menos, desde de 1994.Não vem ao caso aqui explicar isto agora. O objetivo como, volta e meia repito, é discutir isto com companheiros, camaradas e não dar explicações a conservadores e reacionários. Todavia, é bom que, as vezes se aceite a provocação de baixo nível( no sentido que alguns não podem ,mesmo entender, como atuam os que são anti-sistêmicos), para esclarecer alguns que não tenham , ainda ,sido intoxicados pela mediocridade conservadora.
Miguel (admin)MestreUma “nova esquerda”. Quem sabe ainda seja possivel, afinal, existem “novas direitas”.
Bush. Marx. Muitos defensores do povo, da liberdade, da sociedade, de tudo que existe de bom, os exterminadores do mal, identificado nos que pensam ou agem diferente. Têm grande facilidade para encontrar culpados, resumindo a realidade em um ou dois fatores bem determinados. A culpa é do capitalismo, a culpa é do comunismo, a culpa da religiao, a culpa é dos homossexuais, a culpa é da propriedade privada, a culpa é dos judeus, a culpa é dos empresários, a culpa é dos favelados.
Otimo seria, entretanto, se nao existissem “novas direitas” ou “novas esquerdas”, pelo menos enquanto entendidas como novos grupos de fanáticos pregando sectarismo político, maldizendo a via democrática, profetas do apocalipse incapazes de conviver em uma sociedade plural. Saudosistas dos séculos passados, amantes da poeira e do bolor, camelôs da verdade, trazendo um estoque de garrafinhas contendo o elixir mágico do mundo sem dificuldade. Tudo o que é preciso fazer é confiar e entornar goela abaixo de uma só vez o conteúdos das garrafinhas.
Talvez mudando de assunto, ou não, temos, então, no Brasil, o Lula. Esse foi festejado como a vitória da “esquerda” – nova? velha? Alguma corrente radical sabidamente fez de tudo para vê-lo como presidente, para depois atacá-lo como a peste. Dão tiro no próprio pé, incapazes de construir qualquer coisa que seja. Razoes devia ter a massa que elegeu o Lula mesmo sem confiar nessas tais esquerdas, mas isso nao vem ao caso agora. Que era o “Partido do Lula” para uma grande maioria todos reconhecem, embora essa fosse muito mais do que gostariam de admitir certas alas radicais do PT. Outras alas, mais acomodadas no próprio berço, já encontraram uma razao para continar mordendo todo mundo e espumando pela boca.
Vemos assim o Lula surpreendentemente conseguindo levar o barco com uma certa dose de estabilidade. Quando os mais insatisfeitos e revoltados sao os radicais de direita e de esquerda, isso deve ser algum bom sinal. E por que a esquerda radical traiu o Lula e o povo? (a historia mostra que os radicais sempre traem o povo) Porque o Lula cometeu o crime de tentar dialogar. Trocou a cartilha comunista pelo bom senso, coisa imperdoavél para uma grande massa de fiéis que agora procuram uma “nova esquerda”. Tudo o que existe nao presta!
Miguel (admin)MestreInteressante completar a questão sobre a traição do PT.Na realidade a adesão a política continuista de FHC está muito clara. Prepara-se agora, aquilo que as potências mais fortes desejam, assim como seus financiadores, os banqueiros internacionais, a autonomia do Banco Central. Com isto se pretende que , nem sequer tenhamos soberania sobre a política monetária. Já há denúncias claras, de ex- militantes do PT. Indico a seguir,um site onde ha um artigo sobre a questão macro-econômica e a autonomia do Banco Central.É um artigo do excelente intelectual César Benjamin que, decentemente, abandonou o PT e vem denunciando a camarilha que o controla. http://www.lpp-uerj.net/outrobrasil/analise.asp
Miguel (admin)MestreExcelente colocação 105Torre Norte. São discursos assim, que(também) estamos precisando.Pois é se deixarmos as coisas como alguns querem ainda estaríamos no sistema de castas, ainda existente na India e com resquícios no Japão. Ou seja, cada um seria condenando eternamente a cumprir a sua função. Existiriam sempre os do topo, os da camada intermediária e os intocáveis, como na India. Se não se lembram, os intocáveis eram destinados aos trabalhos mais sujos, incluindo a retirada dos dejetos. Agora, a ” teoria” organicista, essa que cada orgão, membro, cumpre uma função definida, imutável. Esta sinceramente, é de um reacionarismo tão barato que me espanta ve-la postada por alguém neste Forum, mas enfim…. Vamos prosseguir discutindo mais, quais seriam os rumos principais para uma nova esquerda. Grande Abraço.
Miguel (admin)MestreOra, Ora…..
O discurso, as palavras são tão poderosas, basta ordena-las; A ORDEM DO DISCURSO( M. Foucalt)“As minhas pernas me conduzem onde desejo ir.” (A.H.)
Será?? As minhas não, Cinco dias por semana as minhas pernas me levam a uma fábrica que eu não gostaria de ir.“Uma perna não é um coração. A perna não pode estar no lugar do coração, e da mesma forma o coração no lugar da perna, meu braço não pode ser a minha consciencia. “(A.H.)
Os órgãos do corpo possuem funções específicas. realmente uma PERNA não pode ser um coração, por que uma PERNA é uma perna, ora. Mas e um homem?? Qual força poderia impedi-lo de ser o que quisesse? Um mesmo homem pode ser Servente, professor, gerente, locutor esportivo, presidente de uma fábrica, etc… Ele é capaz de ser tudo isso, não é como um mísero coração, que pode ser apenas… coração!
“O dito parasita trabalha em um outro nível, mas trabalha e mantem vivo a necessidade de um trabalhador.” (A.H.)
O que mantém vivo a necessidade de um trabalhador é a sua sobrevivência.
-
AutorPosts