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Miguel (admin)Mestre
Nahuina, acho que vc entendeu. Para Marx seria mais ou menos isso mesmo: “A revolta armada acontece de forma espontânea e isso muda o meio que muda a consciência”. A necessidade se impoe. Para agir, não é necessária a consciência, mas sim o sentimento (medo por exemplo).
Mileto,
não é pretensão minha. O que eu comentei sobre os roqueiros e hippies foi só uma brincadeira pelo fato de haver três guitarristas discutindo Marx. Mas acho que vc não entendeu a brincadeira.
Eu não quis dizer que somos conscientes e que nossa revolta mudará o mundo, isso seria infantil (talvez). Se os roqueiros fossem realmente conscientes, eles mudariam sim o mundo, mas isso não acontece, a ideologia que eles seguem é a mesma de todos (por influencia do meio). Só que ideologicamente os roqueiros, punks etc se consideram diferentes (um leve engano deles). O que eles pregam é capitalismo disfarçado de atitude (na maioria das vezes).
O comentário que fiz foi sobre o pós-modernismo. Eu quis dizer que essa contra-cultura talvez seja caracteristica do pós-modernismo, se bem que isso se assemelha ao romantismo também.Miguel (admin)MestreA “justiça do mundo das ideias” é perfeita.
Isso se chama idealismo racionalista ou realismo idealista.
Miguel (admin)MestreVoces não me entenderam. Quando eu disse “justiça ideal” eu me referi a justiça teorica, a justiça no papel. Essa pode ser perfeita sim. A “justiça do mundo das ideias” é perfeita.
Na pratica ela não é perfeita e nunca o será, por isso é utópica.
Então, o máximo que podemos fazer é contemplar a justiça ideal e tentar fazer com que na prática ela seja o mais fiel possível a essa justiça ideal(teorica).Miguel (admin)MestreSó o que se pode fazer é “podar as arestas da árvore bonsai da justiça” para que ela não nos revolte ainda mais…
…para que as pessoas possam se conformar melhor com a dura realidade…
Miguel (admin)Mestre“Eu acho que não, acho que a revolta acontece por causa da consciência…”
Da consciência de Supla, hehehe…
Miguel (admin)MestreHehehe…
Quanta pretensão! Hoje em dia, a rebeldia é a ideologia dos vovôs, é a própria cultura oficializada. Não há mais nada de rebelde em ancorar-se em ideologias da antiga esquerda, usar calça jeans e tocar guitarra…
Quanta presunção! Já na minha geração, esse tipo de coisa começava a ser vista como a atitude burguesa dos filhos revoltados dos grandes capitalistas. Não estavam revoltados com o capitalismo, mas com os próprios pais deles.
Depois que cresciam, iam assumir os negócios do pai ou ser os tão famosos políticos de direita que hoje conhecemos…
É legal ficar bancando o Supla, mas até quando?
A juventude ainda é uma propaganda de refrigerante!
(Mensagem editada por Mike em Julho 10, 2005)
Miguel (admin)MestreConcordo com voces dois.
O máximo que podemos fazer então é contemplar a justiça ideal e tentar fazer com que na prática ela seja o mais fiel possível a essa justiça ideal.Eu acho que tanto eu quanto o Nahuina quisemos dizer que a justiça ideal não existe, quando afirmamos ser utópica. Logo, não seria nem passível de contemplação…
Miguel (admin)MestreMas gostaria que alguém confirmasse isso ou não, com base em algo.
É, com base em algo, isso é muito importante…
Miguel (admin)MestreDaniel e Nahuina,
Somos três guitarristas discutindo sobre Marx. Já repararam que os roqueiros não são tão cabeça vazia quanto como o senso-comum afirmava antigamente? Estamos discutindo Marx,comunismo,anarquismo etc. E já repararam que os roqueiro se indentificam com esquerda, socialismo, comunismo, anarquismo…?
Isso não é coincidência. É uma contra-ideologia, ou contra-cultura, se preferir. Acho que podemos dizer que essa contra-cultura é uma característica do pós-modernismo (se é que existe esse tal de pós)Miguel (admin)MestreOk.
Eu acredito na mudança sim, mas segundo Marx, nossa consciência não muda sozinha, é preciso primeiro mudar o meio, através da ação. Entendeu?Para Marx essa ação seria a revolta armada. Mas não porque ele queria que fosse assim, mas porque seria uma coisa inevitável, fugiria ao controle, por isso é chamado “revolta” e não “revolução”.
Após a revolta, a consciencia mudaria, pois já houve alteração na praxis. Enquanto a praxis for a mesma, as mesmas ideologias serao mantidas e nada vai se alterar na pratica. Isto é segundo Marx, não segundo Renan.
Eu adoro Gandhi, Lennon, Einstein, Chaplin e todos os pacifistas. Toda minha vontade inicial de tocar guitarra veio por influencia dos Beatles (hoje curto Led Zeppelin, Hendrix, Raul Seixas etc, além de Beatles tambem). Li uma biografia de Chaplin e assisti a muitos dos seus filmes (quase todos aqueles mais famosos). O Grande Ditador eu vi umas 8 vezes. Eu adorei. Recomendo Luzes da Cidade e Tempos Modernos. Na verdade recomendo todos os filmes de Chaplin. Mas fugi do tema.
Eu acho a mudança difícil, mas não impossível. Gostaria de saber se é teoricamente provável.
Miguel (admin)MestrePosso estar errado, mas até onde sei existem teorías científicas, de alguns físicos, que dizem ser TEORICAMENTE possível.
Mas gostaria que alguém confirmasse isso ou não, com base em algo.Miguel (admin)MestreEntendi você e concordo.
Vou arriscar uma definição minha de filosofia, lá vai:
“Filosofia é todo conhecimento que temos, seja matemático, ético, metafísico, biológico, histórico, religioso etc”.Agora vou reformular o que disse antes:
A busca da felicidade (por pessoas não-filósofas) é uma filosofia de vida, porém filosofia não se resume nisso.
Exemplo disso: A religião pode funcionar como consolo espiritual e busca da felicidade. A filosofia é religião também (pois religião é um tipo de conhecimento). Porém, se inverter a sentença seguinte: “filosofia é religião(também)” para “religião é filosofia” essa última é falsa. Religião não é filosofia, a filosofia é que pode ser religião também, pois filosofia é toda forma de conhecimento (inclusive conhecimento religioso).
Outro exemplo: Dizer que “filosofia é psicologia (também)” é verdadeiro, mas dizer que “psicologia é filosofia” é falso. Psicologia é ciência. A filosofia é ciência também, mas a ciência não é filosofia.
O que é sabedoria? Sabedoria é apenas um predicado, um adjetivo usado de forma subjetiva para classificar um pensamento ou pensador do qual gostamos ou concordamos ou apenas respeitamos. Ex: Sócrates é sábio.Por que afirmo que filosofia é toda forma de conhecimento, se nem todo conhecimento é sistemático, metodológico e crítico? Na verdade, para afirmar que filosofia é toda forma de conhecimento eu tenho que considerar que toda forma de conhecimento (inclusive senso-comum, religião etc) são coerentes (com eles mesmos) e críticos (na medida do possível).
Ex: Na “logica” cristã, Deus existe, isso é um dogma inquestionável, logo seria incoerente qualquer pregação cristã que fosse contra isso. Eles são coerentes dentro de sua própria coerência.
Imagine a situação (exemplo não real): Eu duvido da existência de Deus (até aqui tudo bem), mas daí afirmar que os cristãos pregam absurdo, e que isso não é coerente, ou que não é real, etc seria absurdo de minha parte. Seria o mesmo que dizer que Platão não é filósofo, pois ele acredita nas idéias, Rosseau não é filósofo, pois ele era humanista (e eu não acredito no humanismo, da mesma forma que não acredito em Deus) Obs: isso é apenas um exemplo (não real).
Então, não é que os religiosos não sejam críticos, eles são críticos, mas suas críticas são coerentes com sua crença. Da mesma forma, muitas filosofias não tem método e muitos filósofos tem dogmas. Em vedade, todo conhecimento depende de nosso sentimento (a razão não trabalha isolada e se engana quem pensa assim), logo toda crença, por mais racional que pareça e por mais isenta de subjetividade que pareça, tem grande carga de crença dogmática. O cientísta que não crê em Deus (por exemplo), se engana dizendo que seu conhecimento científico é puramente racional e objetivo. Na verdade, ele não crê em Deus, mas crê na ciência da mesma forma dogmática que os outros creem em Deus. Não há razão separada do sentimento e da crença.Por isso eu digo: filosofia também é religião, também é ciência, também é política, etc, mas a ciência, a política e a religião não são filosofias. Isso porque existem filosofias que criticam os dogmas religiosos, criticam as ideologias políticas etc (por exemplo).
A filosofia está acima de tudo isso (religião, ciência etc). A filosofia engloba tudo isso. Os conhecimentos religiosos e científicos esntão contidos na filosofia (bem como as críticas a esses conhecimentos).
Miguel (admin)MestreConcordo com voces dois.
O máximo que podemos fazer então é contemplar a justiça ideal e tentar fazer com que na prática ela seja o mais fiel possível a essa justiça ideal.Miguel (admin)MestrePra onde vai a potência da semente de árvore quando eu a isolo num copo de vidro? A semente, isoladamente, é potência do quê?
E, no ser humano, o que é hypokeimenon quando tanto o eu quanto o corpo estão sujeitos à kinésis?
Miguel (admin)Mestre…eu quis dizer que discutir sobre justiça na prática é perda de tempo, pois a justiça na prática é utópica, mas podemos discutir (em teoria) o que é a justiça, isso sim é viável, porém, não real.
Acho que o que você quis mesmo dizer é que a justiça, na prática, está muito longe do que se poderia considerar ideal. E esse ideal é realmente inalcansável, senão utópico…
(Mensagem editada por Mike em Julho 09, 2005)
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