A FÉ NA FORMAÇÃO DA NACIONALIDADE – Paulo Setúbal

A FÉ NA FORMAÇÃO DA NACIONALIDADE – Paulo Setúbal

A FÉ NA FORMAÇÃO DA NACIONALIDADE
Paulo Setúbal

Dos “Ensaios Históricos”

Discurso
do escritor Paulo Setúbal,
paraninfando em 1926 a turma de bacharéis do Ginásio do Carmo.

Para mim, filho espiritual desta casa, não podia haver júbilo maior do
que este: paraninfar, como hoje paraninfo, uma turma do Ginásio do Carmo. Ainda
não tive, na minha carreira, honra tão alta como a que me destes. É a minha
glória! Eu vos agradeço, senhores bacharéis, esta coroa de louros que pusestes
na minha fronte.

*
* *

Ao ver-vos partir, meus amigos, ao ver-vos partir assim,
emplumados, a alma ressoante de sonhos, prontos para a vida, sinto dentro de
mira um estremeção. Enevoa-me um tom cinza de melancolia. Que estranha saudade.
E eu, com o coração batendo, volvo um olhar comprido para outros tempos. Um
olhar comprido para o que lá vai tão longe, esfumando-se na distância,
diluindo-se… É que um dia, também como vós, parti desta casa; e parti com a
mesma quentura na alma, com os mesmos clarões, com a mesma febre, com os mesmos
ideais. Saí daqui, menino e moço, a mergulhar no turbilhão da vida.
Mergulhei. Bracejei. Lidei com os homens. Tive alegrias fortes. Tive
decepções supremas. E trouxe desse peregrinar, desse roçar-se pela
vida, uma única certeza. E é esta, meus amigos, que eu quero dizer-vos na hora
da partida. Uma palavra amiga, que eu quero deixar enterrada no vosso
peito. E é isto apenas: nos entrechoques de vossa existência, no ferver da
luta, por entre o bramir dos interesses e das paixões ~ conservai dentro do
coração, conservai bem límpida e bem pura, bem fresca e bem casta, bem nova e
bem crepitante, a fé que aprendestes nesta casa. ..A fé! Ah! meus amigos, eis a
palavra mágica. Aqui nesta gaiola abençoada, semearam na vossa alma a semente
santa. Ela deitou raízes. Cresceu. E agora, que a possuís, guardai-a bem,
meus amigos! Guardai-a com ciúme! Fora, no torvelinho do mundo, as paíxões
hão de : vos assediar com um assédio cor-de-rosa. O doirado da vida tem
fascinações irresistíveis. Haveis de sentir, a cada passo, o brilho das
coisas vãs. Os prazeres hão de vos abrir os braços de veludo. Os deleites
mundanários hão de se vos ofertar, tentadores e doces. Todos os abismos hão
de se enfeitar para vos sorver. Todas as bocas hão de ter sorrisos para vos
sorrir. Sois moços. Tendes saúde. Sentis dentro de vós os ímpetos de fogo da
primeira idade: haveis, por certo, muita vez, de vos despenha no gozo. Haveis
de patinhar nos charcos resplandecentes. Meus amigos, cuidado!

Nesses vossos mergulhos, entre as rosas da. volúpia, não se vos há de
apenas baquear a saúde. Não sofrereis apenas o tédio da alegria conquistada.
Não sentireis apenas a boca amarga do prazer que passou. Haveis, nesses
mergulhos, mais do que tudo isso, de ir perdendo aos.
poucos o vosso melhor tesouro: a fé. Não há nada para sufocá-la como o chafurdar
nas delícias do mundo. Meus amigos, cuidado! Não deiteis fora essa pérola que
está lá no fundo do vosso coração. Que ninguém vô-la roube. Conservai-a intata
e bela. Que vos diga eu, a vós, os moços, o que dizia Guerra Junqueiro, então
um formidável herege, aos velhos da sua ferra:

Oh! velhos aldeões exaustos de fadiga,
Que andais de
sol a sol, na terra, a mourejar,
Roubar-vos de vossa alma a
vossa crença antiga,
Seria como que roubar-se a
uma mendiga
As três achas que leva, à noite, para o lar.

Abroquelai-vos
nela! E orgulhosos, dentro dessa couraça de ouro, penetrai na vida com a alma
leve. Arremessai-vos sem susto na refrega: não haverá dardo que se vos crave no
peito.

Ah,
meus amigos, sede fortes na fé: fortes in fide estote.
Com ela, havereis de ter doçuras mais sãs nas vossas alegrias. Com ela, havereis de ter bálsamos
mais suaves nas vossas penas. Com ela, haveis de ter felicidades mais puras
nos vossos triunfos.

Tivestes a boa
estrela de nascer num lar cristão. Tivestes a boa estrela de formar a vossa
alma num colégio cristão. Pois bem: que a fé, herdada de vossos pais, que a
fé, aprendida de vossos mestres, seja o guia de vossa vida. E que essa mesma
fé, doce e límpida, se transmita aos vossos filhos, tal como vós a recebestes.
Assim, com esse elo, é que haveremos nós, os brasileiros, de ir entrelaçando
fortemente as gerações. Assim, pela fé, é que haveremos de ser os
continuadores da nacionalidade. Pois é bom que saibais, pois é bom que o
apregoemos alto e claro: o Brasil nasceu da fé. A fé, meus senhores, foi a
alavanca suprema para a formação da nacionalidade brasileira. Expliquemo-nos
melhor. ,

 

Abril de 1500. Cabral avistara o monte e aportara à terra nova. Já
Nicolau Coelho, descendo da armada, fora bailar com o gentio da praia. Já
recebera da bugrada nua, em troco das bugigangas vistosas, papagaios do país
estranho. Já dois índios, "dois mancebos de bons corpos, pardos, maneira
de avermelhados, de bons rostos e de bons narizes", haviam dormido na nau
capitânia, sobre fofas alcatifas da índia, num aturdimento. . . É p dia 26. É numa ilhota, dentro da baía
remansada. Os tripulantes da armada venturosa desceram à terra. Os índios
correram num alvoroço, curiosíssimos. Pedro Álvares Cabral lá está. Veio
solenemente, muito berrante, chapéu de plumas, o gibão de gola encanudada,
calções de veludo com braguilhas de prata. Todos os capitães ataviaram-se com
tafularias pomposas. E ali, na terra desconhecida, que cenário soberbo! O mar,
deserto e verde, espumeja, borbulhando, pelos penhascos. Além, tapando o
horizonte, a serra hirsuta. Sobre ela, encoscorando-a, a paulama brava, copas
entrelaçadas numa selvatiqueza rude. Um céu muito alto, pincelado de
nuvenzinhas brancas. E dentro da aquarela selvagem, diante do pasmo virgem dos
bugres, ergue-se um altar. Um grande Cristo abre os braços dolorosos na cruz
negra. E diante do Senhor, ali, na ilhota nua, Frei Henrique de Coimbra,
superior dos franciscanos, reza missa. A armada assiste, de joelhos,
compungidamente, o sacrifício divino. Destarte, na terra brava, naquele ermo,
dentro da bruteza da América, mesmo antes da: posse oficial do chão,
o Brasil recebia como ato solene, primeiro ato oficial feito nestas paragens, a
missa de Frei Henrique. Parece que Deus, com esse traço amável, queria mostrar
que seria ali a terra da Vera Cruz. E foi: foi a terra da Santa Cruz. Nela, a
alma febrenta de cobiças, aportaram mareantes dos confins do mundo. Vinham
todos com olhos cravados nas suas riquezas. O que foi esse
começo de vida, esse peregrinar de naus, esse vaivém de mercantes, esse piratar
desmedidamente ambicioso, aí está na História do Brasil. Vós o sabeis
eximiamente.

Mas é preciso,
meus senhores, que não nos esqueçamos desta verdade: logo, entre os primeiros
chegadiços, arribaram aqui, pobres e humildes, meia dúzia de missionários.
Vinha, entre eles, essa figura evangélica, essa figura nobremente varonil de
Manuel da Nóbrega. Esses homens, ferretoados pelo amor de Deus, tinham um único
sonho: trazer a fé às solidões da América. Encher a bruteza dos nossos matos
com a doçura de uma crença nova.

Castro Alves pintou,
com uma larga palheta, esse bando de homens extraordinários.

OS JESUÍTAS

Quando o vento da Fé soprava a
Europa,
Como o tufão que impele ao ar a tropa
Das águias, que pousavam no alcantil;
Do zimbório de Roma —- a ventania
O bando dos apóstolos sacudia

Ao cerros do Brasil.
Homens dê ferro! Mal na vaga fria
Colombo ou Gama um trilho descobria

Do mar nos
escarcéus,

Um padre
atravessava os equadores,

Dizendo: —
Gênios!. . . sois os batedores,

Da matilha de Deus. —

Eram eles que o verbo do Messias
Pregavam desde o vale às serranias,

Do pólo ao
equador. . .
E o Niágara ia contar aos mares. . .
E o Chimborazo arremessava aos ares

O nome do Senhor!. . .

*
*
*

E nós, meus Senhores, nós, os paulistas, nós que nos orgulhamos da
soberbia do nosso Estado, da magnificência desta nossa cidade que fura os céus
com a pua audaciosa das chaminés, nós não podemos nos esquecer jamais que tudo
isto medrou à sombra da Cruz. Que tudo isto, hoje tão formidavelmente grande,
veio de um grãozinho de areia, de uma obra de boa vontade, lançada nos campos
de Piratininga por um padre visionário. Nós devemos o que somos à obra
evangélica de Anchieta. Nós devemos tudo àquele moço pálido, àquele poeta,
àquele sonhador: foi ele que aqui ergueu, com a Cruz, a cidade-maravilha. E nós, os
paulistas, crescemos à sombra da Cruz, meus senhores! Nós crescemos à sombra da
Fé! Como não havemos de continuar à sombra dela? Como não havemos de continuar
a entretecer os laços que formaram a nacionalidade?

 

*
*
*

 

Mas
continuemos. Estamos no século XVII.
É o tempo da invasão
holandesa. Aqui, no país dos papagaios, tão longínquos, tremularam um dia
os paveses vermelhos de Holanda. Marujos atavicamente piratas, aqueles homens
ruivos cobiçaram a terra do pau-brasil. Desembarcaram. Apossaram-se dela.
Fixaram-se como triunfadores. Não rememoremos agora, que seria longo, esses
trinta anos de uma invasão gananciosa. Digamos apenas, para pincelar o
quadro, que os batavos estão no auge do seu poderio. Ergueram
fortalezas, abriram estradas. Trouxeram tropas e tropas de soldados
municiadíssimos. Atulharam os seus arsenais das armas as mais modernas,
encheram os depósitos de muitíssimos arráteis de pólvora, coalharam as costas
de galeões mercantes e de naus guerreiras. E para solidificarem a conquista,
enraizá-la fundo na terra nova, mandaram à colónia um príncipe magnífico,
circundado refulgentemente por sábios e poetas, artistas e pensadores.
Ergueram monumentos de suntuosidade grave.

Construíram
cidades. Levantaram paliçadas inexpugnávei. E é neste instante, é exatamente no
momento em que o poderio deles está no pináculo, que o Brasil
inteiro se insurge como um só homem. Que o Brasil inteiro se rebela contra o
invasor. Qual a razão, meus Senhores, deste levante brusco! Qual a razão deste
rebelar-se furioso contra homens tão modernos, tão civilizados? Como explicar,
dentro da lógica, razoavelmente, esta sanha desesperada de colonos desarmados
contra soldados de aço?

O Brasil, naquela hora, não passava duma vastidão selvagem. Dentro
dessa vastidão, desligados e nómades, havia arranchAmentos de homens. Eram
bandos esparsos, gente heterogénea. Não os entrelaçava a ideia de
"pátria". Não se formara, até então a noção de "terra brasileira
. Não havia ainda, no Brasil balbuciante, o espírito de nacionalidade: bem se
deduz daí, meus senhores, que não foi o defender a Pátria coisa que não
existia, o que atiçou os mamelucos contra os de Holanda.

Não
foi, também, nem podia sê-lo, a defesa da integridade do solo. O Brasil,
nesse momento, não tinha raias demarcadoras. Era um país vago, sem linhas
certas. Uma imensa, brutíssima gleba que se estendia para lá da brenha
hirsuta. Além, era o sonho. Era a imaginação… Onde se findava a Terra de
Santa Cruz? Ninguém sabia.. .

Não foi, também, uma repulsa ao conquistador.
Que importava a essa gente, sem ideia de Pátria, sem território definido, que
os donos disto fossem os flamengos? Que importava a esses homens o serem
colonos de Holanda ou colonos de Portugal? Nada! Eles eram os conquistados:
essa a única realidade. Pouco se lhes dava o senhorio.

Mas
se não foi a Pátria, se não foi a defesa do solo, se não foi a repulsa ao
conquistador, que é que poderia ser, em suma, esta mola ardente que sacudiu o
Brasil, desentorpeceu-o, arremessou-o tão furiosamente contra os de Holanda?
Ah, meus amigos, escutai bem: foi a fé. Desencadearam-se pela Europa o cisma
de Lutero e de Calvino. A luta religiosa fervilhou, tremenda. Os espíritos
encarniçaram-se. A luta acendeu fanatismos desmesurados. Holanda, mais do
que nenhum país, asilara as ideias rebeldes. E a Holanda, grande potência,
timbrara em lançar nas suas colónias a semente luterana. No Brasil, onde
aportaram com tantas arrogâncias, armaram-se os batavos duma animosidade
aspérrima contra os católicos. Espumejava neles um ódio de morte. E então,
na colónia, diante daqueles espíritos simples, desenrolaram-se quadros
espantosamente cruéis. Cenas de arrepiar. Os de Holanda, para
implantarem na terra nova a religião nova, cometeram profanações desabusadas,
profanações medonhas, dessas que sacodem a gente. Viu-se, durante a conquista, a acometida dos batavos pelas cidadezinhas
desarmadas. Barafustavam-se pés pela igreja adentro. Que desenfreio! Pilhavam
tudo. Nem sequer se arrefeciam diante das coisas sagradas. Metiam-se pelas
naves adentro, surripiavam os adornos, esmigalhavam as imagens às espadeiradas,
profanavam os cálices, carregavam as alfaias, os oiros, os candelabros, as
lâmpadas, tudo! Quanta vez, na sua arrancada, os flamengos invadiam as igrejas
na hora da missa. Era o momento supremo. O padre tinha nas mãos a hóstia
sagrada. Toda a igreja recolhida, numa severa contrição. E eis que, arremetendo-se
como bárbaros, os conquistadores arrasavam tudo com acintes gritantes. O padre,
esmigalhavam:no com uma tacapada. Os homens, fuzilavam-nos com os
arcabuzes biscainhos. As mulheres, varavam-nas de lado a lado. As crianças,
rachavam-nas com um só golpe. Eram selvagerias fabulosas. Profanações de
enlouquecer. Hoje, no século das maiores condescendências, hoje, se uma horda
de fanáticos praticasse crueldades tão inomináveis, não haveria povo que não se
levantasse contra os profanadores. Naquele tempo, naqueles escuros tempos, em
que a religião tinha muito mais pureza, e, também, muito mais cegueira, aquelas
profanações desencadearam rajadas de revolta. O Brasil inteiro levantou-se,
como um só homem, contra o herege. Viu-se, então, no país adolescente, aquele
milagre encantador: todos aqueles arranchamentos de homens, aqueles bandos esparsos e heterogéneos,
aquelas gentes tão desligadas e nómades, congregarem-se pela primeira vez!
Viu-se, por magia, que as três raças se fundiram em torno de uma só causa, que
os três sangues palpl taram em torno da mesma bandeira. Uniram-se todos por
um elo só: combater o herege. Uniram-se todos por um fim só: expulsar o
profanador. E que é que unia a esses rudes assim tão fortemente? Ah, meus
amigos, uma coisa única: a fé! Aquela mesma fé que o por tuguês havia bebido
na sua terra. Aquela mesma fé que o índio e o preto haviam aprendido da boca
evangélica do jesuíta. Foi portanto a fé, naquele instante, que congregou o
Brasil. No momento grave, diante do perigo, a crença foi como um nó que
amarrou aqueles bandos de homens. Desta fusão (vede o dedo de Deus!) nasceu o
Brasil novo. Desse congraçamento, surgiu a nacionalidade. Não há,
Senhores, quem discuta mais esta tese verdadeira: o Brasil é o caldeamen-to do
índio, do negro, do português. Daí veio o mameluco. Daí veio o Brasil
moderno. Ora, meus Senhores, também não há negar, impossível ofuscar a verdade
dos fatos, esse caldeamento, essa fusão dos três elementos, esse
congraçamento das três raças, teve um início perfeitamente nítido, um
começar de ser perfeitamente marcado: foi na guerra holandesa. Foi na luta
contra o herege, foi na expulsão do profanador, que apareceram no país, unidos
pela primeira vez, os elementos dispersos
que o habitavam. Foi aí que alvoreceu a nacionalidade. Quem a fez
alvorecer? A fé!

Sim,
meus Senhores! Com esse espírito religioso, tão forte, a nossa gente, rústica e
simples, precipitou-se na luta. O que foram os heroísmos daqueles dias, é
difícil contar. Mas aí está, com uma grandeza que espanta, essa formidável
batalha das Tabocas. Tudo aí é grandioso. O cenário, a selvatiqueza da paragem,
o brio do soldado, o arrojo daquelas levas de homens, a tática dos condutores.
Os de Holanda vinham armados até os dentes. Traziam armas as mais perfeitas. Os
nossos, rotos, mal tinham nas mãos uns miseráveis paus tostados. Pois bem!
Apesar de tanta pobreza, vós sabeis o que foi o épico daquele dia. As duas
hostes ro-jaram-se uma na outra esbravejando, como loucas. O ar encheu-se de
uivos rugidores. Os de Holanda gritavam: — Aos papistas! Aos papistas!

Os
Brasileiros respondiam, bramindo: — Aos hereges! Aos hereges!

E enquanto, naquele choque bruto, os soldados se despenhavam uns nos
outros, com um ímpeto de morte, lá no cocoruto do morro, os soldados de
refresco, ajoelhados, olhos no céu, lançavam com retumbância o hino da
Salve-Rainha. E era uma boca só, enchendo os céus:

— Salve-Rainha! Mãe de misericórdia! Vida e doçura, e esperança
nossa. Salve!

E
foi um pelejar fantástico. Eram morteiros que atroavam. Bombas sacudindo os
ares, pelouradas ensurdecedoras, colubrinas que. estrondavam, sangue aos
jorros, fumarada, cadáveres pelo campo, toda uma algazarra louca, infernizante,
debaixo do estrepitar das caixas e do trombetear angustioso das buzinas de
guerra. Depois, a vitória. E com essa vitória todos os demais triunfos.
Inclusive, meus Senhores, as duas ciclópicas batalhas dos Guararapes.
Inclusive, meus Senhores, a expulsão definitiva do herege. Razão tinha D.
Francisco Manuel de Melo, aquele delicioso clássico, em afirmar de campanha tão
extraordinária:

"Guerra
distante, desajudada dos respeitos, estorvada do tempo, contra nação famosa,
capitães destros, ministros prudentes e effeitos ricos: não sei eu que nos archivos
da lembrança humana haja outra com tanta felicidade conseguida".

Mas
que é que fez tão grandiosa esta campanha? Que é que deu armas aos desarmados?
Que é que deu tanta ajuda a essa gente desajudada? Que é que acutilou para essa
façanha heróica? Meus Senhores, não trepideis, foi a fé. Aquela mesma fé que
trouxe Nóbrega para aqui. Que trouxe Anchieta. Que trouxe a falange magnífica
dos catequizadores.

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