A formosura, por Pe. Antônio Vieira

A formosura, por Pe. Antônio Vieira

A formosura – excerto de Sermão do Pe Vieira.

Que coisa é a formosura, senão uma caveira bem vestida, a que a menor enfermidade tira a côr, é, antes da morte a despir de todo, os anos lhe vão mortificando a graça daquela exterior e apa­rente superfície de tal sorte que, se os olhos ”pudessem penetrar o \ interior dela, o não\ poderiam ver sem horror ?\! A formosura é um bem frágil, e, quanto mais se vai chegando aos anos, tanto mais vai diminuindo, desfazendo-se em si e fazendo-se menor. Se­ja exemplo desta lastimosa fragilidade. Helena1), aquela famosa e formosa grega, filha de Tindareu, rei de Lacônia, por cujo roubo foi destruída Tróia. Durou a guerra dez anos: e, ao passo que ia durando e crescendo a guerra, se ia juntamente com os anos

diminuindo a causa dela. Era a causa a formosura de Helena,

flor enfim da terra e cada ano cortada com o arado do tempo.

Estava já A formosura

Que coisa é a formosura, senão uma caveira bem vestida, a que a menor enfermidade tira a côr, é, antes da morte a despir de todo, os anos lhe vão mortificando a graça daquela exterior e apa­rente superfície de tal sorte que, se os olhos ”pudessem penetrar o \ interior dela, o não\ poderiam ver sem horror ?\! A formosura é um bem frágil, e, quanto mais se vai chegando aos anos, tanto mais vai diminuindo, desfazendo-se em si e fazendo-se menor. Se­ja exemplo desta lastimosa fragilidade. Helena1), aquela famosa e formosa grega, filha de Tindareu, rei de Lacônia, por cujo roubo foi destruída Tróia. Durou a guerra dez anos: e, ao passo que ia durando e crescendo a guerra, se ia juntamente com os anos

diminuindo a causa dela. Era a causa a formosura de Helena,

flor enfim da terra e cada ano cortada com o arado do tempo.

Estava já tão murcha, e a mesma Helena tão* outra, que, vendo-se

ao espêlho, pelos olhos, que já não tinham a antiga viveza, lhe corriam as lágrimas; e, não achando a causa pór que duas vêzes fôra roubada, o mesmo espêlho e a si perguntava por ela.

(Idem)

1) Venal — comercial.

1) Helena — Segundo a fábula, era mulher de Menelau, rei de Spar- ta. Foi raptada por Páris, filho de Priamo, rei de Tróia, o que causou a guerra e a ruína desta cidade (1193-1184 a. Cr.).tão murcha, e a mesma Helena tão* outra, que, vendo-se

ao espêlho, pelos olhos, que já não tinham a antiga viveza, lhe corriam as lágrimas; e, não achando a causa pór que duas vêzes fôra roubada, o mesmo espêlho e a si perguntava por ela.

(Idem)

1) Venal — comercial.

1) Helena — Segundo a fábula, era mulher de Menelau, rei de Sparta. Foi raptada por Páris, filho de Priamo, rei de Tróia, o que causou a guerra e a ruína desta cidade (1193-1184 a. Cr.).

Fonte: Seleta em Prosa e Verso dos melhores autores brasileiros e portugueses por Alfredo Clemente Pinto. (1883) 53ª edição. Livraria Selbach.

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