Ilíada de Homero – Livro XII

Ilíada de Homero – Livro XII

Ílíada de Homero
Resumo e apresentação da Ilíada
Prefácio a Ilíada de Homero
Canto I
Canto II
Canto III
Canto IV
Canto V
Canto VI
Canto VII
Canto VIII
Canto IX
Canto X
Canto XI
Canto XII
Canto III
Canto XIV
Canto XV
Canto XVI
Canto XVII
Canto XVIII
Canto XIX
Canto XX
Canto XXI
Canto XXII
Canto XXIII
Canto XIV
Canto XV
Canto XVI
Canto XVII
Canto XVIII
Canto XIX
Canto XX
Canto XXI
Canto XXII
Canto XXIII
Canto XXIV

Ilíada de Homero – Canto 12
Versão em português de Manoel Odorico Mendes

L I V R O XII

ARGUMENTO DO LIVRO
X I I

Combate geral. —
Os Gregos, repelidos aos seus entrincheiramentos,

temem a presença
de Heitor. — Heitor, à frente de suas tropas, quer

passar a muralha
dos Gregos. — Polidanias lhes aconselha descerem

dos carros e darem
o combate a pé. — Os Troianos aceitam o conselho

e marcham ao assalto,
divididos em cinco falanges, sob as ordens de

seus chefes. — Ásio,
que não obedece ao conselho, foi morto por

Idomeneu. — Defesa
das portas. — Heitor teima destruir os obstá-

culos. — A aparição
de uma águia. — Polidamas atemorizado quer

fazer cessar o combate.
— Heitor repele os temores. — Os Gregos,

firmes em seus postos,
fazem grande mortandade entre os Troianos. —

A coragem dos dois
Ajax. — Yalor de Sarpédon e de Glauco. — Este,

ferido, foge. — Os
Lícios, comandados por Sarpédon, são repelidos

pelos Gregos, quando
próximos a escalarem a muralha. — Júpiter

interessa-se pelos
Troianos. — Heitor lança uma enorme pedra contra

uma das portas, quebra-a,
entra no campo dos Gregos com todo o seu

exército, e os obriga
a fugir para os seus navios.

Enquanto cura a Eurípilo
o Menécio,

Renhia-se o conflito;
nem já fosso

Nem já larga trincheira
às naus valia.

Feita sem hecatombes
tal defensa

Da frota e presa
opima, em ódio aos numes,

Longa dura não teve.
Irado Aquiles,

Vivo Heitor, inda
assente a regia Tróia,

Era em pé dos Aqueus
o ingente muro;

Dos Frígios morta
a flor, ao décimo ano

Destruída a cidade,
e retirados

Os restantes Grajúgenas,
as obras

Tratou com Febo de
assolar Neptuno.

O Careso, o Heptaporo,
o Esepo, o Ródio,

O Roso, o Grânico,
o divino Xanto,

O Símois, que revolto
escudos e elmos

E heróis muitos rolara,
quantos rios

Prorrompe do Ida
ao mar, Apoio a todos

As fozes convertendo,
nove dias

Juntos os remessou
contra as muralhas;

Jove a chover mais
presto as aluía;

De tridente Neptuno
os alicerces

De pedra e estacas
de labor tamanho

Para o pego empuxava,
até que ao longo

Do rápido Helesponto
aplanou tudo:

Na areia litoral
submerso o muro,

No álveo entrou cada
rio, como dantes

Formoso a deslizar.
Neptuno e Apoio

Tinham de assim fazer:
mas ígneo prélio

Então zurrava em
torno dos reparos,

Traves das torres
a soar batidas.

Flagelados por Jove
se metiam

Nas cavas naus os
Dânaos, receosos

Do artífice da fuga
Heitor violento,

Que inda era um furacão.
Se os lumes scvos

Leão vibra ou javardo
a cães e à turba,

Amiúdam-lhe em quadrado
os caçadores

Tiros e tiros; bem
que o mate o brio,

Não treme ou retrocede,
gira e tenta,

E por onde assalteia
as linhas cedem:

Assim desfecha Heitor,
que anima os sócios

A transcursar o fosso.
À borda hesitam

A nitrir os corcéis,
que, largo e fundo,

Árduo era de saltar-se
e intransitável:

Com precipícios em
redor, por cima

Hirtos estrepes,
do inimigo empeços,

Volúvel carro a custo
o passaria;

Mas passá-lo os pedestres
almejavam.

A Heitor avizinhou-se
Polidamas:

"Temerário,
e vós Teucros e aliados,

Impelirmos ao fosso os corredores!

Vendo não estais
o perigoso passo,

Pontudos paus e por
detrás o muro?

A cavalo vencê-lo
é-nos defeso,

E naquela estreitura
o dano é certo.

Sc nos ama o Tonante
e quer perdê-los,

Sem glória acabem
já, da pátria longe;

Porém, se em novo
ataque nos repelem,

Seremos nesse fosso
despenhados,

Sem nos restar quem
leve o anúncio a Tróia.

Ouvi-me pois: à borda
os pajens fiquem

Os ginetes contendo,
e a pé dcnsados

Sigamos nós a Heitor;
se é vinda aos Gregos

A luz funesta, relutar
não podem."

Aceito o justo aviso,
Heitor em armas

Logo se apeia, e
o mesmo os outros fazem;

Cada auriga os frisões
retém mandado.

Formam-se em corpos
cinco: ao de mais gente,

Mais duro e ansioso
de romper os valos,

Heitor comanda e
o celso Polidamas,

E também Cebrion,
que Heitor escolhe

E a outrem menos
bravo o coche entrega;

Ao segundo Alcatôo,
Agenor, Paris;

Ao terceiro, os Priâmeos
sábio Heleno

E divinal Deifobo,
mais de Arisba

Ásio Hirtácio, que
em nítidos cavalos

Das margens do Seleis
ali viera;

Ao quarto, o egrégio
Anquíseo, e os Antenórios

Hábil Arquéloco e
pugnaz Acamas;

Ao quinto enfim,
de ilustres coligados

Sarpédon, Glauco
e Asteropeu mavórcio.

Eis os fortes que
Heitor mais tinha em preço

Depois de si, fortíssimo
de todos.

Num grupo, à sombra
de bovinas tarjas,

Dão sobre os Dânaos,
que encerrados criam,

Sem resistirem, nos
escuros bojos.

A Polidamas Teucros
e os mais chefes,

Menos o príncipe
Ásio, obedeceram:

Insensato! os corcéis
(ruim fado o empuxa)

Não larga e às naus
se envia; mas ovante

Não voltará seu coche
a ílion suberba;

Infensa o enreda
a Parca e o vota à lança

De Idomeneu Deucálida.
À sinistra,

Por onde à frota
os équites Aquivos

Voltavam, trota,
e abertas inda as portas

Acha de par em par
e destrancadas,

Para Aqueus fugitivos
recolherem.

Altivo o carro expede,
e os seus dementes

Seguem-no a gritos,
crendo a bordo os Gregos;

Mas dois robustos
Lápitas o empecem,

De Peritôo o filho
Polipetes

O homicida Leonteu
parelho a Marte:

Quais em montes carvalhos
corpulentos,

Que, a chuvas renitindo
e a ventanias,

Têm-se às grossas
raízes penetrantes;

Eles, no braço e
no valor fiados,

Às portas o grande
Ásio esperam quedos.

Contra o muro a fremir,
de escudos no alto,

Na trilha de Ásio
vão, do filho Acamas,

De Enomao e Toom,
Jameno e Orestes;

À exortação dos Lápitas
açodem

Grevados gregos,
mas do assalto a vista

Fuga e alarido gera.
Os dois rompentes

São feros javalis,
que, em brenha ouvindo

Bulha de gente e
cães, de esguelha investem,

Quebram da selva
e desarreigam troncos,

E até que um dardo
os mate os queixos rangem:

Aos peitos seus,
daqui dali ferido,

Ronca o fulgente
bronze; afoutos pugnam,

Em si, nas tropas
que das torres chovem,

De naus e tendas
em defesa, pedras.

Qual tufão, sacudindo
opacas nuvens,

Lança em flocos a
neve n’alma terra;

Assim das mãos Aquivas
e Troianas

Manavam tiros, os
calhaus zuniam,

Broquéis e elmos
do choque estrepitavam.

Gemendo o Hirtácio
rei, nas ancas bate,

A blasfemar: "Ó
Júpiter, mentiste!

Não pensava que Dânaos
todo o esforço

Das nossas mãos invictas
sustentassem.

Quando em áspera
toca nidificam

Fuscas vespas e abelhas,
nunca deixam,

Porém tenazes em
favor do enxame

Ferram-se aos crestadores:
tais à entrada

Aqueles, bem que
dois, só prisioneiros

Hao-de render-se
ou mortos." Surdo Jove

No ânimo guarda para
Heitor a glória.

Nas outras portas
outras pugnas fervem;

Mas narrar tudo,
como um deus, não posso.

Em fogo rochas contra
os muros voam :

Mestos é força que
os Aqueus propugnem,

Mestos estão seus
protectores numes.

Os Lápitas carregam.
Polipetes,

Atalhando-lhe o ardor,
pela viseira,

Cujo metal não veda
a cúspide érea

De esmiolá-lo, a
Dâmaso lanceia;

Pilon de igual maneira
e Ormeno caem.

Furioso Leonteu,
Mavórcio ramo,

Filho de Antímaco,
ao talim de um bote

A Hipómaco traspassa;
o gládio puxa,

Rábido pela turba,
e ressupino

Deita por terra Antífate;
uns sobre outros,

Vai prostrando a
Menon, Jameno e Orestes.

Enquanto eles cadáveres
desarmam,

Polidamas e Heitor
mor cópia guiam

De ousados campeões,
que anelam brecha

Abrir no muro e incendiar
a frota.

Indo o fosso a transpor,
à borda hesitam;

Porque a sestra águia
altívola pairando,

Nas unhas traz cruento
e palpitante

Vivo enorme dragão,
não descuidoso

De morder contorcido
o peito e o colo

Da ave roubaz, que
em agra dor e aos guinchos

O larga em terra,
e d’aura ao sopro adeja.

Do Egíaco o portento,
o maculado

Réptil, assombra
e assusta; e Polidamas

Vira-se para Heitor:
"Heitor, meu voto

Costumas reprovar;
mas é desdouro

De um cidadão, no
campo ou na assembléia,

Servir o teu poder
contra a verdade.

Franco serei: do
assalto às naus cessemos.

Do ávido arrojo à
esquerda a revocar-nos

Águia altaneira vivo
e ensangüentado

Esse dragão deixou
cair das unhas,

Sem levá-lo por cevo
ao caro ninho:

Assim, bem que, envidando
o extremo esforço,

Portas e muros aos
Gregos arrombemos,

Pelo mesmo caminho
à retirada

Nos forçarão das
naus os defensores,

Com perda imensa.
É como o interpretara

Áugur perito, e o povo
obedecera."

Minaz Heitor: "Pungente
és, Polidamas;

Sabes tu que opinar
melhor podias:

Se falas sério, a
mente o Céu turvou-te.

Do Altitonante o
aceno e mando esqueces,

E por aves guiar-me
ali-espalmadas

Queres, das quais
nem curo nem me importa,

Voem da dextra para
o Sol e aurora,

Ou da sinistra para
o ocaso e trevas.

Ouvir cumpre o senhor
de homens e deuses:

Combater pela pátria,
óptimo agouro!

Temes pugnar? Em
torno à frota Argiva

Outros acabarão,
não tu, cobarde

Sem ímpeto e firmeza.
Mas, se fora

Da acção te vejo,
ou seduzindo a outrem,

Ao gume desta lança
a vida expiras."

Disse, e acomete; voz em grita, o seguem.

Do Ida o Fulminador,
por dar-lhe a glória,

Tufão manda, que
em nuvens de poeira

Afoga os vasos e
amontoa os Gregos.

No esforço e no sinal
firmes os Teucros,

Toda a muralha derrocar
tentavam;

Os parapeitos e merlões
demolem,

De alavancas pilares
desmantelam,

Os principais das
torres fundamentos,

Brecha esperando
abrir. Mas não recuam

Inda os Aqueus; de
tarjas premunidos,

Vão da ameia frechando
os que a subiam.

De torre a torre
os dois Ajax correndo,

Aos frouxos brando
animam, duro increpam:

"Amigos, do
mais fraco ao mais valente

Necessitamos na aflição
que vedes;

Não cabe a todos
ser no prélio exímios:

Sem temor de alaridos,
exortai-vos;

Avante, a fuga é
vil. Talvez o Olímpio

Rechaçá-los nos faça
até seus muros."

Isto excita e afervora.
Em dia hiberno,

Quando aos homens
despede o Fulgurante

Bastas lanças de
gelo, eis calam ventos,

Constante em flocos
neva, dealbando

Vértices, cumes,
hortos, veigas, prados;

Mesmo encanece o
mar no porto e praia,

Mas vaga assídua
o branco véu desmancha

Com que Júpiter cobre
a natureza:

De parte a parte,
assim granizam pedras;

Burburinho e fragor
no campo ecoam.

Mas não quebrara
Heitor com seus Troianos

Portas e barras,
se o prudente Padre

O seu bravo Sarpédon
aos Grajúgenas,

Como um leão a touros,
não lançasse.

Ao peito énea rodela,
onde hábil fabro

Dúcteis lâminas pulcras
adaptara

De bois a denso espólio
e de ouro as orlas,

Brande hastas duas.
Quando o rei dos bosques

Faminto vaga em busca
de carniça,

O guardado curral
tenta animoso

Contra zagais alerta
e bons rafeiros,

Nem sofre ser da
empresa repelido,

Sem que roube carneiro
ou dardo o fira:

É como o herói divino
audaz empreende

Romper o muro e derribar
trincheiras.

Eis de Hipóloco ao
filho assim perora:

"Glauco, por
que na Lícia o primo assento,

Carnes e pleno o
copo e as honras temos

De numes, e do Xanto
à riba herdades,

Vasto ameno pomar,
vinhedo e lavras?

É para hoje ocuparmos a vanguarda

Na ardente luta,
a fim que um Lício diga:

— Nossos reis não
debalde ovelhas gordas

Ou doce vinho logram;
pois valentes

À testa nossa gloriosos
marcham. —

Amigo, se esquivando
ora esta guerra,

À velhice escapássemos
e à morte,

Nem combatera eu
mesmo, nem te instara

Pela fama a pugnar;
mas dos mil transes

Letais ninguém se
exime: eia, ganhemos

Ou demos a ganhar
embora a palma."

Glauco não se escusou.
Da gente Lícia

À frente ao vê-los
Menesteu Petides

A torre que defende
ameaçando,

Estremeceu: procura
alguém de roda

Que o auxilie, e
os dois Ajax, no posto,

Avista, insaciáveis
de pelejas,

Com Teucro ao pé,
da tenda há pouco vindo.

Era em vão seu bradar,
que os céus troavam

De escudos e cornados
capacetes

Ao choque e estrépído,
ao rumor das portas

Que batidas a um
tempo restrugiam;

Logo a Toon: "Vai,
nobre arauto, parte,

Chama, chama os Ajax,
e acudam ambos;

Fero aqui tem de
ser em breve o estrago;

Os Lícios cabos de
furor provado

Em tanto encontro,
sobre nós desfecham.

Be márcia lida o
embarga, o Telamónio

Venha ao menos com
Teucro arciperito."

O arauto ao longo
da muralha corre:

"A vós, Ajax,
dos Gregos lorigados

Chefes de prol, vos
pede ajuda o filho

De Peteu caro a Jove,
ambos segui-me

Um momento sequer;
em breve o estrago

Tem lá de ser maior,
por onde assaltam

Os Lícios cabos de
furor provado.

Se márcia lida o
embarga, o Telamónio

Venha ao menos com
Teucro arciperito."

Ao de Oileu presto
fala o companheiro:

"Ajax, tu e
o robusto Licomedes

Excitai com firmeza
o ardor Aquivo;

Vou socorrê-lo, e
cá serei de volta,

Removido o perigo."
Disse, e marcha

Mais Teucro irmão
paterno, e vai com ele

Pandíon que de Teucro
os arcos leva.

Na torre já, do muro
atras se postam

No instante em que
da Lícia os reis e os cabos

A ameia em negro
turbilhão trepavam:

Foi rijo o encontro,
horríssono o tumulto.

No ardido Epicles,
de Sarpédon sócio,

Estreia Ajax, lascando
enorme cimo

De um dos merlões,
que o jovem mais florente

Hoje com duas mãos nem levantara;

Alça o braço o mais
alto, e o canto o elmo

De quatro cones fende
e o crânio racha:

Da torre Epicles
de mergulho tomba,

E a vida os ossos deixa. Teucro o pulso,

Onde o viu nu, frechou
do Hipoloquides

Que o muro ia subindo:
ele, cessando,

Saltou furtivo, aos
olhos subtraiu-se

E às vaias âos Aqueus.
Ausente Glauco,

Dói a Sarpédon, que
não larga a pugna;

Segue e ao Testórida
Alacmaon vulnera,

Despega a lança e
o triste cai de braços;

Toa éneo vário arnês.
Nervudos punhos

Deita aos merlões,
e inteiro um traz consigo:

O muro é descoberto,
é feita a brecha.

Eis Teucro e Ajax.
De frecha em torno aos peítos

Alcança Teucro a
lúcida correia

Do vasto escudo:
ao filho ampara Jove;

Que ante as popas
acabe não permite.

De um bote ao mesmo
escudo Ajax repele-o:

Susta-se um pouco,
mas não perde o fogo

O Lício herói, na
glória esperançado;

Vira-se e clama :
"Õ sócios, esquecei-vos

Da honra e intrepidez?
Posso eu valente

Rasgar sozinho a
brecha e abrir a estrada?

Vamos, das naus o
ataque a todos cumpre."

De pejo então os
Lidos mais refervem

Rodeando o seu rei;
dentro os Aquivos,

Na urgente pressa,
as hostes corroboram:

Nem pode o esforço
de uns ir mais avante,

Nem o de outros vedar
o acesso ao muro.

Quando em campo comum
seus marcos fixam,

De medida nas mãos,
dois litigantes

O terreno disputam
palmo a palmo:

Tal a ameia os separa.
Aos peitos roncam

Harto o pavês, a
tarja, a leve adarga:

Feridos pela frente,
expiram muitos;

Ai do que mostra
as costas e as desnuda!

Sevo bronze as traspassa
e ao próprio escudo.

Torres e parapeito
escorrem sangue,

Sem que ou Dânao
repeda ou Lício avance.

Qual de honesta mulher,
para que aos filhos,

Traga o duro salário,
as conchas libram

O peso e as Jãs,
iguala-se a peleja,

Até que Jove a Heitor
conceda a glória

De entrar primeiro
o muro. A voz tonante

Ei-lo esforça: "Investi, briosos Teucros,

Muro em terra, e
na frota a voraz chama."

Na orelha a todos
retiniu seu brado:

Remetem logo, ao
parapeito sobem,

Lança nas mãos. Heitor
pontuda e grossa

Pedra arrancou da
verga de uma porta,

Que ora nem dois
íorçudos camponeses

Poderiam mover, nem
carreá-la:

Por Jove aligeirada,
ele a maneja,

Como simples tosão
que em sua esquerda

Mal o ovelheíro sente;
vai direito

Ao biforme portão
de bastas pranchas,

Que muniam por dentro
encruzilhadas

Barras duas e enorme fechadura;

Por não falhar o
tiro, o herói de perto,

Alarga as pernas
e nos pés se estriba;

Rechina o grave seixo;
os gonzos parte;

Batentes e portais
horrendo estralam;

Cedem barras, pranchõcs
uns contra os outros

Se despedaçam. Pula
Heitor, medonho

Como escuro bulcão;
brande hastas duas,

Fulgura em bronze,
os lumes lhe chamejam;

No ímpeto um deus
somente o suspendera.

A transpor a trincheira
instiga os Troas:

Quais a ameia superam,
quais transcendem

As broncas portas.
Em tropel os Gregos

Às naus se acolhem,
num ruído imenso.

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