A volta dos Magos – História natalina de Manuel Komroff

A volta dos Magos – História natalina de Manuel Komroff

A volta dos Magos

Manuel Komroff

O novelista americano Manuel Komroff nasceu em Nova York em 1890, tendo sido aluno da Universidade de Yale, onde estudou engenharia, sem ter contudo colado grau. É também estudioso de música e pintura, escreve partituras para filmes e já foi crítico de arte do "New York Cali". De idéias socialistas, esteve por algum tempo em Leningrado, onde chegou a redator-chefe do "Russian Daily News", jornal publicado em língua inglesa. Dali foi ao Japão e, posteriormente, para Shangai, onde trabalhou no "China Press".

Voltando a Nova York, exerceu a crítica de cinema em vários jornais.

Com raras exceções, todas as novelas de Komroff são de fundo histórico, o que lhe tem dado um enorme trabalho de pesquisa.

Seus contos aparecem constantemente nas melhores revistas americanas.

Manuel Komroff possui um estilo polido e perfeito e algumas de suas descrições — notadamente a da batalha de Waterloo, na novela do mesmo nome — tornaram-se clássicas.

"The Grace of Lambs", "The Voice of Fire", "Two Thieves", "The Magic Bow", etc, são títulos de algumas das suas novelas, sendo que a última citada foi editada pela Livraria José Olympio com o nome de "Violino Mágico A vida de Paganini".

três reis magos - natal

ENCANTAMENTO terminara. Palavras não tinham sido ditas. Todos três lançaram sobre si as mantas de seda e partiram. Mas nem haviam dado uma dúzia de passos, quando pararam, subitamente quietos, e entreolha-ram-se. Sim, era verdade. Era mais do que verdade. A es-trêla-guia tinha-lhes mostrado o caminho. O fim da caminhada fora aqui, em Belém.

O Menino tinha aceitado as dádivas, e em troca ofertara-lhes uma pedrinha cujo significado não estava bem claro. Exaltação e encanto envolveram a cena e agora, afastando apenas uma dúzia de passos, estavam de volta à orla do deserto .— o deserto árido, escaldante, enganoso, cruel, desolador: um lugar cheio de inteligências manhosas e falsas, conspirações, roubos, assassínios .— esses desertos que eles conheciam como seu mundo. Dentro desse mundo eles tinham nascido e ali morreriam algum dia.

Por um momento tinham completamente esquecido a existência dessas coisas, que usualmente lhes enchiam a vida. Tinham esquecido o número de tamareiras que cada um possuía, o número de poços de água fresca, os rebanhos, o nome das tribos que lhes pagavam tributos, as fronteiras dos seus domínios e até mesmo o número de seus filhos, dos doentes e das esposas. Tudo isto tinham esquecido durante o curto intervalo. E até mesmo a rica caravana, que cedo chegaria da Pérsia pejada de pesados tesouros: ouro, jóia, brocados de seda, ornamentos reais, tapetes, marfim, adagas de prata da índia, ônix, pimenta

do Extremo Oriente e outras valiosas especiarias. E não somente a rica caravana porque nesse curto intervalo eles tinham olvidado até o próprio Herodes, grande e poderoso.

E só agora, enquanto de pé se encaravam, a doze passos de distância, as palavras de Herodes repetiam-se nos seus espíritos: "Ide e procurai diligentemente pelo Menino, e quando o encontrardes, trazei-me a notícia para que eu também possa ir adorá-lo". Lembravam-se do brilho agudo nos olhos de Herodes, um brilho de adaga nos seus invejosos olhos negros.

— Procuramos e encontramos — disse Gaspar. Fora êle quem trouxera o ouro e agora segurava em sua mão a pedrinha.

— E agora?? — indagou Melchior, que trouxera o mais fragante e precioso incenso.

— Agora vimos. Vimos com nossos próprios olhos — falou Baltazar, que atravessara muitas milhas do deserto transportando um cofrezinho cheio de mirra curativa,

— Sim, com os nossos olhos — repetiu Gaspar.

— Mas, agora? — indagou Melchior.

— Agora uma coisa é certa. Devemos escapulir-nos — disse Baltazar. .— Não ousamos tornar pelo caminho que viemos, pois o ignoramos. Rei Herodes iria indagar e seríamos obrigados a responder. Não prometemos voltar a Herodes e somos livres para escolher no deserto qualquer rota que preferimos.

— Enviaremos homens para escolher por nós — disse um.

— O deserto é vasto, a uma brisa gentil do céu apaga todas as pegadas — tornou Baltazar.

— Herodes governa apenas no Ocidente, enquanto nós governamos no Oriente. Eu não o temo -— disse Gaspar.

— Nem eu — anunciou Melchior.

E Baltazar ajuntou: — Não, não Herodes. Não o temo por mim nem pelo meu povo. Mas a sua cabeça denegrida não iria curvar-se ante qualquer criança, e teríamos de voltar e anunciar-lhe que a nossa viagem terminou em Belém. Então êle enviaria seus arqueiros e lan-ceiros e exterminaria todas as crianças recém-nascidas.

— Herodes só adora Herodes. É poderoso e não permitirá que ninguém se erga a ponto de lançar uma sombra sobre a sua escura glória — disse Melchior.

— Herodes é poderoso <— falou Gaspar audaciosamente — mas não o temo. Venham, voltaremos por qualquer rota que escolhermos. — Colocou em segurança, dentro das dobras do seu cinturão apertado, a pedrinha que trazia na mão. Êle abria caminho e os outros dois o seguiam.

Quando passaram pelas ruas estreitas da pequena aldeia, olhos escuros e curiosos de mulheres fixavam-nos. Por trás da persiana das janelas elas observavam-nos passar e podiam perceber, pela côr e estampa de suas roupas, que esses três tinham vindo de remotas plagas no distante Oriente. Por alguma estranha razão eles tinham vindo. E agora, contentes, eles partiam.

Os criados e os camelos de Magos esperavam-nos nos poços. Rapazes e raparigas rondavam por ali espantados diante dos curiosos tapetes das selas e dos ornamentos orientais nos arreios dos camelos ajoelhados.

Os três não perderam tempo. Montando nos seus animais, rapidamente deram o sinal de partida. Os cameleiros, guias e criados montaram também, e a comprida linha de vinte, em fila simples, logo estava cortando caminho através dos pequenos outeiros que bordejavam o grande deserto aberto.

— Este é o lugar, senhor — disse um que cavalgava à dianteira e agora detivera o seu camelo.

— Aqui, à orla do deserto, paramos e vós removestes as grosseiras roupas que trazíeis, trocando-as pelo turbante e ricas vestes.

— Verdade. Este é o lugar. Agora, porém, penso que poderemos continuar como estamos.

— Mas o deserto está cheio de ladrões que, vendo três de uma vez vestidos com roupas reais. . . Podem pensar que transportamos grandes tesouros e não poderemos medir-nos com esses grandes bandos de larápios errantes.

Melchior e Baltazar tinham se aproximado de Gaspar e ouviram as palavras do guia.

— Não há necessidade de nos disfarçarmos — disse um.

.— Cavalguemos .— disse o outro. E com estas palavras eles abandonaram os outeiros e penetraram no grande deserto aberto.

Quando a noite negra se despejava sobre eles, a longa fila juntou-se.

— Esta estrada é pouco viajada — disse o guia. — E aqui podemos estar certos de encontrar tribos famintas e duras como as rochas que têm por morada. Possuem olhos astutos e mãos sequiosas. Não respeitam pessoa alguma, lei nenhuma.

— Prossigamos «— disse Melchior.

— E muitas vezes, nesta aridez. . .

— Não-tema — disse Baltazar. .— Cedo a lua cheia iluminará nosso caminho. Prossigamos.

Na noite do terceiro dia, o guia, que caminhava à frente, voltou-se subitamente, e exclamou: — Eles esperam por nós. Uma força de cem!

A linha deteve-se, enquanto os três Magos removiam seus turbantes e desenrolavam as longas vestes. Escondida em cada turbante havia uma coroa de ouro. Colocando-a na cabeça e lançando a comprida roupa descuidosamente sobre o pescoço dos camelos, os três dirigiram-se para a frente audaciosamente.

Os reis cavalgavam à frente, agora, e os outros o seguiam. As coroas brilhavam à luz da lua. Mas o chefe dos ladrões, avançou, a fim de impedi-los.

— Alto! — gritaram alguns dos bandoleiros. Os três prosseguiram sem dar atenção à ordem.

— Alto! — exclamaram de novo.

O bando desgrenhado, em torno dos seus chefes, empunhou as adagas. Os olhos de todos fixaram-se nas coroas brilhantes e um choque parecia inevitável. Mas, subitamente, uma luz ofuscante rodeou as três coroas e os bandidos, atemorizados, desmontaram e curvaram-se até o chão.

— Salaam aleyk — gritaram nas palavras do deserto. ""A paz seja convosco".

— Responderíamos às vossas palavras de paz — respondeu Gaspar em voz alta >— se fôsseis homens de boa vontade.

Um súbito temor tinha tomado conta dos rufiões do deserto. Todos os cem tremiam, colados ao chão, enquanto a pequena caravana passava, encabeçada pelos três chefes coroados.

Durante mais três dias eles atravessaram a aridez do deserto e, no quarto, encontraram os rápidos batedores da grande caravana persa. Estes saudaram os reis com grande reverência. Alguns cavalgaram de volta, velozmente, para informar à caravana da aproximação dos reis; os outros se juntaram à fila, formando uma ala protetora para mostrar o caminho.

Com a notícia da aproximação dos reis, a grande caravana parou. Estenderam-se os tapetes e desataram-se as cargas do tesouro. Armaram-se toldos e uma tenda que dessem sombra protetora. O chefe da caravana pôs suas roupas ricas e adiantou-se para prestar suas reverências aos reis.

— Salaam aleyk — exclamou quando os viu se aproximando. Ajoelhou-se, curvando-se sobre um dos grandes tapetes estendidos no chão.

— Aleykom es-sallam — responderam eles enquanto desmontavam.

— Viemos do Oriente >— disse o mercador — como vindes do Ocidente. Na verdade, este é um feliz encontro, pois que nos permite prestar-vos reverências e agradecer–vos em pessoa as muitas cortesias de que fomos alvo enquanto atravessávamos as vossas terras.

— Com paz viajareis em nossas terras em qualquer tempo que desejardes — respondeu Gaspar.

— Espalhamos as nossas mercadorias ante vós, para que possais ver o nosso tesouro e escolher, cada um, algo que seja um sinal da nossa estima.

— Não nos deveis tributo.

— É verdade. Mas tendes a nossa gratidão e nossos corações ficariam satisfeitos se cada um de vós pudesse achar algo que levásseis convosco como uma pequena lembrança de nosso encontro no deserto.

Eles andavam pela longa fila de tapetes custosos.

— Aqui estão os objetos em prata, — falou o chefe da caravana. — E lá estão pequenas coisas trabalhadas em ouro. Cá estão várias peças em vidro persa e ali estão as executadas em marfim. Nesta manta branca estão as jóias e acolá acham-se as lãs e as vestes de seda. Tudo está ante vós. Nada foi escondido. As caixas contêm adagas de prata e as trouxas, nas tendas, especiarias: não as abrimos mas tudo espera a vossa escolha.

Em contraste com o deserto rude e vazio que os rodeava, a vista era estonteante e magnificente. Os três reis andaram pelo corredor de tesouros e depois voltaram vagarosamente. Sussurraram umas poucas palavras entre si.

— Perdoai-nos, Ben Alem — falou Gaspar, — mas de qualquer maneira, embora tudo o que trazeis seja muito bonito, os bens terrenos não estão em nossa mente. Não queremos ofender-vos, mas estivemos no ocidente e agora voltamos.

— E no ocidente, vistes algo que rivalizasse com isto que agora contemplais?

— Sim, vimos.

— No palácio de Herodes?

– Não, não no palácio de Herodes. Noutra parte. — Muito maior? — Sim.

Depois de um curto silêncio Ben Alem disse: — Preparamos refresco na tenda. Talvez vos agrade.

Entraram para a sombra da cobertura e os criados encheram uma taça de vinho para cada um.

Depois de agradecer ao chefe da caravana, eles, mais uma vez, preparam-se para partir.

— Talvez um destes tapetes vos agrade — disse aquele ansiosamente. — Sois mais do que benvindos a eles.

— Fazei em paz vossa viagem, — respondeu Gaspar. – Avisai vossos homens para que procedam cautelosamente pois muitos ladrões estão reunidos nas rochas de lava.

— Estamos preparados para essas emergências do deserto, — respondeu Ben Alem. — Estamos preparados para muitas coisas mas não para a notícia de um tesouro maior do que este que trazemos.

Gaspar riu. — Sim, disse finalmente. — Quando chegardes ao vale fértil ouvireis falar de uma criancinha e vós também viajareis até a porta da habitação para adorá-la.

A grande caravana persa reuniu seus tesouros e, quando tudo estava seguro, também se pôs em marcha. Mas o chefe Ben Alem coçava a cabeça e murmurava para si mesmo: "Um grande tesouro, maior do que tudo. Que

pode ser? E afinal é apenas uma criança. E se é uma criança, então onde está o tesouro"?

Os três magos cavalgaram orgulhosamente. Atravessaram as grandes dunas, pisando em terreno arenoso e difícil, até que atingiram a longa cordilheira de rochas graníticas vermelhas. Depois vieram os macios campos de pastagem onde as correntes de água fresca brilhavam à luz do sol. Elevando-se ao cimo do planalto eles foram saudados por uma brisa fresca que pareceu apressar seus passos.

Depois que quatro noites frias se haviam esgotado eles chegaram à pequena vila de que, apenas há um mês, tinham partido para a sua misteriosa jornada. O que se tinha passado desde então! Quanta coisa tinha acontecido! Quanto tinha sido mudado!

Os cães das ruas enlameadas haviam latido para eles quando se preparavam para a jornada. Os miseráveis animais sarnosos tinham arreganhado os dentes e mordido. Mas agora que eles voltavam, depois de uma longa viagem através de tantas terras, os cães dormiam quietos e nenhum ergueu a cabeça para latir. Mesmo aqui, em solo familiar, eles não se detiveram, apressando-se em direção a um pequeno bosque pouco distante da vila.

Ao lado de uma corrente margeada por colunas de ciprestes, altas tamareiras e tufos de louros, entre abelhas e flores, havia rochas. E diante de uma abertura cavada nas rochas sentava-se Simão, o oráculo. Sua pele estava queimada como couro curtido das índias e seus olhos se tinham amiudado de contar as estrelas. A seu lado havia um jarro de argila cheia d’água. Possuia pouco ou nada. E não desejava coisa alguma. Quando eles se aproximaram as pombas ariscas ergueram-se das margens da corrente com um bater de asas agitado.

Os três reis se inclinaram diante dele. Saudaram o oráculo com o costumeiro — "Salaam aleyk".

— E êle replicou: "A paz seja convosco".

— Seguimos a estrela do céu, — disse Gaspar, .— e ela levou-nos à habitação. Fomos lá e adoramos a Criança e entregamos a Ela o ouro, o incenso e a mirra. O que pedistes que procurássemos encontramos e agora estamos de volta.

— Vimos mercadores, mendigos, ladrões e rei, — disse Melchior. — E também vimos o Menino, e agora estamos de volta.

— O mau rei Herodes encontrou-nos às suas portas, — disse Baltazar, .— e falamos-lhe sobre o Menino que procurávamos. Êle pediu que lhe levássemos a notícia se o Menino fosse encontrado. Mas voltamos sem ver Herodes.

O oráculo ergueu a cabeça. Sua voz era profunda e distante. — Dos lábios dos seus soldados Herodes soube o lugar em que apareceu o Menino e, imediatamente, matou todas as crianças recém-nascidas em Belém.

— Então Ele, o pequeno que nos ofertou a pedrinha. . . — falou um.

— Não. .— O oráculo sacudiu a cabeça. — Eles fugiram. Ele está com eles. Viajam dia e noite e breve, muito breve, terão alcançado terras do Egito.

— Esta é a verdade? — indagou Melchior.

— A verdade, a verdade. As estrelas do céu só contam a verdade, e a verdade ultrapassa nuvens e tempestades.

Quando ouviram que Ele estava realmente seguro os Magos ajoelharam-se e deram graças a Deus.

—- E a pedrinha que Ele vos deu com as próprias mãos, tende-la convosco?

— Não, não! Eu confesso! .— exclamou Gaspar. .— Não parecia nada. Não era mais que uma pedra sem significação alguma. Durante vários dias transportei-a no meu cinto e então, numa noite em que passamos por um grande buraco do deserto, um poço seco, atiramo-la dentro dele. Subitamente o buraco se encheu de chamas. E a luz brilhante das chamas iluminou o deserto tão longe quanto a vista podia alcançar. Percebemos então que a pedra tinha algum significado oculto e lamentamos I tê-la atirado fora.

— O significado é simples, >— falou o oráculo. — Como a pedra é firme, firme deverá ser a fé, que dele recebestes.

.— Eu tenho mais fé do que posso confessar-vos, <— disse Gaspar. — Muito aconteceu. Muita coisa está mudada.

— Verdade, verdade, .— assegurou o outro mago.

— Quando a vós viemos pela primeira vez foi para* falar sobre assunto diverso. Como sabeis eu governo sobre a terra de Tarshish e sobre as ilhas. Melchior governa sobre Scheba e Baltazar é rei em Seba. Somos vizinhos mas as linhas que dividem as nossas terras não estão claramente marcadas. Os países deles e o meu eram inimigos rancorosos. Durante gerações houve sangue entre nós, e nosso povo tem vivido em luta aberta. Temíamos nossos vizinhos e nossos vizinhos nos temiam. As disputas sobre gado, sobre terra de pastagens, sobre tributo e fronteiras, resolviam-se com violência. Durante um ano inteiro estivemos em silêncio mas cada um se preparava para a guerra. Então, acidentalmente, Melchior e eu encontramo-nos enquanto caçávamos nos bosques. Êle sorriu e retribuí-lhe o sorriso com uma saudação embaraçada. Olhei no seu rosto e nos seus olhos. Era possível que êle fosse meu inimigo? Falei-lhe e êle respondeu-me franca e honestamente. Estava se preparando para a guerra? Sim, êle admitiu. E o que sabia haver sobre se o rei de Seba também se preparava para a guerra? Isto não sabíamos mas nessa mesma noite decidimos enviar uma mensagem amistosa a Baltazar convidando-o a juntar-se a nós para uma caçada à corça e ao antílope. Êle mandou alguns homens na dianteira para assegurar-se de que aquilo não era uma armadilha e, conhecedor das nossas intenções, veio às nossas tendas, na floresta. Sorrimos para êle que devolveu o sorriso, Perguntamos-lhe se era verdade que se estava preparando para fazer-nos guerra e êle admitiu francamente que era verdade. Rimos e con-tamos-lhe que no ano passado também estivéramos ocupados em preparações guerreiras. Então nós pensamos que, )ã que estávamos juntos, poderíamos decidir o dia em que a fúria deveria irromper. Falamos sobre isto e sobre outras coisas também, mas não podíamos concordar sobre o dia exato. O escravo que nos estava servindo vinho perguntou se podia dizer uma palavra e, depois que demos permissão êle sugeriu que o dia da guerra poderia ser marcado por um estranho. E que o sábio Simão, que sabia ler as estrelas seria bastante hábil para escolher uma data que não favorecesse a nenhuma das partes. Enquanto Gaspar falava os outros dois magos, sentados a seu lado, acenavam com a cabeça. Tudo que êle dizia era verdade.

— Viemos preparados, — continuou Gaspar, — para pedir-vos que nomeásseis o dia em que deveríamos começar a guerra. Também estávamos preparados para relatar-vos nossas tristezas e pedir-vos conselho. Não decidíramos agir segundo o vosso conselho mas queríamos ouvi-lo. Mas nem bem chegáramos à vossa presença e apontastes para o céu, falando-nos da estrela maravilhosa que nessa noite iluminava com tanto brilho, dizendo-nos que ela nos conduziria a um lugar mais belo do que todos. E aqueles que a seguissem imediatamente veriam um novo Rei, destinado a ser maior do que todos que o mundo conhecera até então. E o primeiro que o adorasse seria, de alguma forma, abençoado. A estrela brilhante tomou conta da nossa imaginação e quase esquecemos o motivo por que viemos aqui. Esquecemos o gado e as terras de pastagens, esquecemos a estrela. E agora estamos de volta. Isto é o que confesso agora.

Então falou o segundo Mago. — Eu também, estou pronto a confessar. Quando nos lançamos à viagem íamos armados com adagas. Temíamos os animais de rapina, os lagartos das rochas e os escorpiões das areias. Disfarçamo-nos como viajantes humildes e escondemos nossas vestes e ornamentos reais. Temíamos os bandos de ladrões e armávamos fogueiras durante a noite. Mas quando voltamos foi diferente, muito diferente na verdade!

— Há um provérbio, ;— falou o oráculo, — que diz: "a verdade pode andar pelo mundo desarmada."

— E eu também confesso, — disse o terceiro Mago. — Tudo que os meus dois irmãos disseram é a verdade. Partimos como inimigos e voltamos agora, como irmãos. Éramos senhores de bens terrenos e agora esses bens pouco nos importam. Atiramos fora as adagas que escondíamos nos nossos cintos e voltamos com compaixão pelos humildes e fracos. Mas uma coisa não podemos explicar. Durante toda a nossa vida vivemos com medo. Temíamos o trovão no céu e o escorpião na areia. Temíamos nossos vizinhos e nossos inimigos. Temíamos as doenças do corpo e os animais da floresta. Mas subitamente, sem mesmo nos apercebermos, a pesada carga nos foi tirada. Esse grande inimigo do homem foi destruído subitamente. Regressamos sem medo. E defrontamo-nos com um bando de cem ladrões, mas eles nos viram caminhar ousadamente sem tremer, e curvaram-se diante de nós. Oh, dizei-nos, sábio Simão, por que não mais temos medo?

O sábio sacudiu a cabeça e respondeu: — Não sei.

Mas nessa noite consultou o grande céu cinzento e anunciou aos Reis que a grande fuga terminara. .— Eles chegaram ao Egito.

Com essa notícia os três Magos regressaram felizes, cada qual para a sua própria terra. Viajaram sem medo, e onde quer que fossem, a paz os precedia.

jesus cristo ao vento
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