Consciência - Filosofia e Ciências Humanas

Biografia de Aníbal de Cartago, por Plutarco – Vidas Paralelas


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04/20/08

LVI Mas, se isso se deu imediatamente ou algum tempo depois da batalha de Zama, pouco importa, pois que é sabido que, vendo as coisas mal paradas, ele fugiu para a Ásia, refugiando-se junto do rei Antíoco (66) . É certo também que ele foi recebido mui cordialmente pelo rei, que lhe tributou grande honra, dizendo-lhe ainda que o tomava entre os seus conselheiros, não só nas coisas particulares, mas ainda nas públicas, porque o nome de Aníbal era famoso e acatado por toda a parte. Além disso, ele votava também um grande ódio aos romanos, o que era um grande incentivo para se fazer a guerra. Por isso, parecia que ele fora ter muito a propósito àquele país, não somente para incentivar a coragem do rei, mas também para que se iniciasse a guerra contra os romanos. E dizia que o único meio para isso era passar à Itália, a fim de ajuntar soldados italianos, por meio dos quais, unicamente, aquela província, vencedora de todas as outras nações, poderia ser subjugada. Ele pediu ao rei cem navios, dezesseis mil homens de infantaria e mil de cavalaria, somente; prometeu entrar na Itália com aquele pequeno exército e com ele agitar as cidades italianas, que ele sabia ainda muito temerosas e que assaz se perturbavam somente ao ouvir pronunciar o seu nome, por causa das guerras que ele lhes havia movido e que ainda lhes estavam esculpidas na memória. Além disso, ele animava-se em renovar a guerra Púnica, se o rei lhe permitisse mandar homens a Cartago para incitar o partido Barciniano, que, ele sabia, detestava a dominação romana. Depois que o rei satisfez ao seu pedido, ele mandou chamar Ariston Tirense, homem astuto e mui sagaz, muito indicado para levar a cabo essa incumbência, ao qual fêz grandes promessas, persuadindo-o a ir a Cartago, falar com seus amigos e levar-lhes algumas cartas. Dessa maneira, Aníbal exilado e fugitivo movia por todo o mundo a guerra contra os romanos. Tais determinações nao teriam sido vãs e inúteis, se Antíoco tivesse seguido e apoiado mais os conselhos de Aníbal, como havia feito no principio, que não o dos seus aduladores e cortesãos.

Mas a inveja, peste que desde todos os tempos sempre, contaminou os palácios dos príncipes e reis, engendrou muitos inimigos contra Aníbal. Temendo que ele caísse nas boas graças do rei, por esses conselhos (pois ele era um general astuto e sagaz), e que por esse motivo ele galgasse o apogeu do poder e da autoridade, tudo faziam para torná-lo suspeito ao rei.

(66) Cognominado o Grande, que subiu ao trono da Síria no ano 530 de Roma. Aníbal foi agasalhar-.se no seu reino no ano 559 de Roma.

 

LVII. Aconteceu também, nesse tempo, que P. Vílio, o qual tinha vindo como embaixador a Éfeso, conferenciou muitas vezes com Aníbal. Por esse motivo, os que lhe queriam mal tomaram vários pretextos para caluniá-lo e o mesmo rei começou também a suspeitar dele, tanto que, dali por diante, não o chamou mais para ouvir os seus conselhos. Ao mesmo tempo, como dizem alguns, P. Africano (que era um dos embaixadores mandados ao rei Antíoco) conversou em particular com Aníbal e lhe pediu, entre outras coisas, que lhe dissesse, na verdade, quem ele julgava ter sido o mais valente e ilustre general dentre todos: Aníbal respondeu-lhe: "Em primeiro lugar, Alexandre, rei da Macedónia, em segundo lugar, Pirro, rei do Épiro, e em terceiro lugar, eu mesmo". P. Africano, então, sorrindo disse-lhe: "Que dirias, Aníbal, se me tivesses vencido?" — "Sem dúvida”, respondeu ele, “eu me colocaria então acima de todos os outros” . Diz-se que essa resposta agradou a Cipião, porque ele não se via desprezado nem diminuído, em comparação com os outros, mas conservado à parte, como fora de comparação por alguma bajulação secreta de Aníbal.

 

LVIII. Depois de todas estas coisas, Aníbal, tendo ocasião de falar com Antíoco, começou a contar-lhe a sua vida, desde pequenino, e a dizer-lhe também do ódio que sempre devotara aos romanos, e assim destruiu os mal-entendidos e caiu novamente nas boas graças dele, de modo que voltou à antiga cordialidade e amizade do rei, que ele havia perdido. Por isso, o rei tinha determinado nomeá-lo seu almirante, como comandante da sua esquadra, que ele fazia aparelhar para passar à Itália e ter assim uma prova da magnanimidade e da perícia daquele que era um excelente general e perpétuo inimigo dos romanos. Mas, um certo Toas, príncipe dos etólios, contradizendo a esta sentença, ou por inveja, ou talvez porque essa era sua opinião, mudou a deliberação do rei, e o fez desistir de todas as suas determinações, que todavia eram de grande importância para a guerra que eles pretendiam levar a cabo. Pois ele aconselhou a Antíoco que fosse ele mesmo à Grécia e dirigisse as operações, e não permitisse que um outro lhe tirasse a glória dessa guerra. O rei deixou-se persuadir por essas razoes e foi à Grécia, para fazer a guerra aos romanos. Pouco tempo depois, reunindo-se para deliberar se deveria corromper os tessálios para fazê-los passar para o seu lado, perguntaram especialmente a Aníbal qual era a sua opinião; este discorreu com tanto entusiasmo sobre os tessálios e sobre o assunto, que todos aprovaram as suas palavras e lhe deram o seu assentimento. Ele era de opinião que não se deveriam inquietar a respeito dos tessálios, mas, ao contrário, fizessem todo o possível para atrair ao seu partido o rei Felipe da Macedónia, ou então, para persuadi-lo a se conservar neutro, sem se intrometer, nem em favor de um, nem de outro. Além disso ele aconselhou a se fazer a guerra, de perto, aos romanos, e para isso ofereceu-se para ajudá-los em tudo o que pudesse. Ouviram-no falar, mui atenciosamente; sua opinião, porém, foi mais apreciada do que posta em prática. Pelo que, muitos se maravilharam de que um general, que tinha por tantos anos feito guerra aos romanos, quase vitorioso em toda a parte, fosse então tido em pouco pelo rei, quando se tinha principalmente necessidade da sua experiência e do seu conselho. Que general mais sagaz e astuto poderiam encontrar em todo o mundo, mais indicado para fazer a guerra aos romanos? Todavia o rei, no começo, não teve em conta a sua experiência; mas não se passou muito tempo, que ele, desprezando o conselho de todos os outros, confessou que somente Aníbal tinha previsto as coisas com acerto.

 

LIX. Depois que os romanos haviam conseguido a vitória, na guerra que se travou na Grécia (67), Antíoco retirou-se da Europa para Éfeso, onde, não se preocupando absolutamente com nada, esperava passar tranquilamente seus dias em paz, não pensando que os romanos trariam seus exércitos para a Ásia. As bajulações dos aduladores acomodavam-se muito aos seus desejos, bajulações que eram uma peste perpétua, para os reis e grandes príncipes que se deixam louvar e se comprazem em serem enganados, pois, preferem ouvir o que ihes agrada. Mas Aníbal, que conhecia o poder dos romanos e até onde chegava a sua ambição, advertiu o rei, que esperasse outras coisas, que não a paz; e pensasse que os romanos não se haveriam de deter, até que tivessem experimentado se lhes seria possível levar os confins do seu império à terça parte do mundo como haviam feito na África e na Europa. Antíoco, impressionado e incitado pela autoridade de tal personagem, ordenou imediatamente a Polixênidas, homem muito experimentado e hábil em guerras marítimas, que fosse enfrentar a esquadra romana, que se aproximava: mandou Aníbal à Síria para reunir um maior número de navios. Depois nomeou-o chefe dessa esquadra, e também a Apolônio, um dos seus cortesãos e favoritos, os quais, tendo sabido que Polixênidas se tinha saído mal no encontro com os romanos, foram atacar os rodianos, que eram amigos e aliados dos romanos. Nessa batalha, Aníbal atacou Eudamo, comandante dos rodianos, que dirigia a ala esquerda, tinha já cercado a nau capitânia e sem dúvida obteria a vitória: mas os da outra ala sobrevieram, depois de ter posto em fuga a Apolônio e lhe tiraram das mãos a coroa que ele já contava como certa (68).

(67) No ano 563 de Roma.

 

LX. Depois desta batalha por mar, que não teve um fim feliz, não encontramos notícia de que Aníbal tenha realizado algum outro feito brilhante. Além das condições que os romanos haviam imposto a Antíoco pediam que Aníbal, perpétuo inimigo de seu governo, lhes fosse entregue. Aníbal, prevendo isso há muito tempo, afastou-se de Antíoco, depois da memorável batalha que se travou perto de Magnésia (69), onde foi destruído o poder do rei e depois de ter vagado sem rumo, cá e lá, por fim refugiou-se junto de Prúsias, rei da Bitínia, não porque confiava na amizade dele, mas porque era um lugar mais conveniente, pelos meios de que dispunha, do que segundo ele o teria desejado, visto que os romanos nos tinham sob sua dominação a maior parte da terra e do mar. Uns dizem que, depois da derrota de Antíoco, Aníbal retirou-se para Cândia, junto dos gortianos e que logo correra a voz de que ele tinha levado consigo uma grande soma de ouro e prata, pelo que, temendo que os candiotas o aprisionassem, procurou logo um meio de fugir ao perigo. Encheu vários sacos com pó de chumbo dourado, depois os mandou levar ao templo de Diana fingindo estar muito inquieto e preocupado com o seu tesouro, por não ter onde deixá-lo. Ele, porém, tinha escondido o seu ouro dentro de estátuas de bronze, que deixava descuidadamente espalhadas pela casa; enquanto, porém, guardavam cuidadosamente o templo, para que não lhe tirassem os sacos com o pó de chumbo, ocultamente, Aníbal se pôs ao mar e fugiu para a Bitínia.

(68)     No ano 564 de Roma.
(69)              Perto do Meandro, na Jônia, que não se deve confundir com a Magnésia da Lídia, perto do monte Sipilo.

 

LXI. Há na Bitínia uma aldeia sobre o mar que os naturais chamam de Libissa, onde se diz que existia um oráculo muito conhecido, assim:

A terra de Libissa engolirá o corpo de Aníbal, quando a alma estiver fora dele.

Nesse lugar encontrava-se Aníbal, não, porém, na ociosidade, pois passava o tempo exercitando os marinheiros, domando cavalos, adestrando seus soldados. Alguns autores escrevem que naquele tempo Prúsias fazia a guerra a Eumenes, rei de Pérgamo, que era aliado e amigo do povo romano; ele fez a Aníbal comandante-geral de sua esquadra, a qual atacando a Eumenes de uma maneira diferente e desusada, havia obtido a vitória naquele prélio naval. Antes de começar a luta, diz-se que Aníbal colocou um número muito grande de serpentes em potes de barro; depois, quando eles estavam combatendo, ele mandou jogar aqueles potes nos navios dos inimigos e, desse modo, os pôs em fuga, enquanto estavam ocupados e assustados com aquela surpresa. Que tudo tenha acontecido dessa maneira, as mais velhas crónicas nada dizem, nem fazem menção; dizem-no somente Emílio e Trogo. Por isso eu me refiro aos autores.

 

LXII. As notícias da dissensão e da discórdia desses dois reis chegaram até Roma; o senado mandou como embaixador, à Ásia, a Q. Flamínio (70), cujo nome é muito célebre pelos grandes feitos realizados na Grécia, como eu posso conjeturar. para apaziguar os dois reis. Este embaixador, encontrando-se com Prúsias, ficou muito indignado por saber que ainda vivia o maior inimigo dos romanos em toda a face da terra, depois de tantas cidades e regiões saqueadas e pilhadas e, por isso, solicitou veementemente, ao rei que lhe fizesse entregar Aníbal como prisioneiro. Aníbal, percebendo, desde sua chegada a fraqueza de ânimo de Prúsias, tinha feito cavar várias galerias em sua moradia e preparado várias saídas secretas, para fugir, se fosse repentinamente perseguido. A chegada de Flamínio aumentou-lhe ainda mais as suspeitas, pois ele o considerava o maior inimigo que tivera em Roma, tanto publicamente, por causa do ódio de todos os romanos, como particularmente, pela memória de seu pai Flamínio, que fora morto na batalha que se travou perto do lago Trasimeno. Assim, cheio de inquietação e de angústia, ele tinha (segundo se diz) encontrado meio de escapar, o qual, porem, muito pouco lhe poderia aproveitar contra tão grande poder. Quando os guardas do rei, que tinham sido mandados para o prender, tinham rodeado sua casa, logo à chegada, Aníbal procurou fugir, salvando-se por uma saída secreta: mas quando viu que tudo já tinha sido ocupado pelos guardas, perdeu toda a esperança de poder escapar e resolveu subtrair-se às mãos dos romanos por uma morte voluntária. Dizem alguns que ele foi estrangulado por um dos servidores que ele mesmo havia encarregado disso. Outros, que ele bebeu o sangue de um touro e depois caiu morto, do mesmo modo que Clítarco e Estratocles falsamente afirmaram de Temístocles. Mas Lívio, grande historiador, escreve que Aníbal pediu o veneno que ele já tinha preparado para aquela circunstância e que tendo essa bebida mortal em suas mãos, ele disse antes de a beber: "Livremos o povo romano de grande pena e inquietação, pois tem ele tanta vontade e tanto desejo de dar a morte a um pobre velho alquebrado. Os antigos romanos avisaram a Pirro, rei do Épiro, que viera de bandeiras desfraldadas para diante dos muros de Roma, que estivesse atento para não ser envenenado. Eles são causa de que um hóspede e amigo, esquecendo sua descendência real e sua palavra, traia miseravelmente seu hóspede". Ditas estas palavras, maldizendo e esconjurando o rei Prúsias, envenenou-se, na idade de setenta anos (71), como alguns deixaram escrito. O corpo foi sepultado num túmulo de pedra perto de Libissa, no qual havia esta inscrição: AQUI JAZ ANÍBAL.

 

(70) Flamínio — Veja-se a sua Vida no vol. IV.
(71) No ano 571 de Roma, segundo uns, 572, segundo outros. Ele tinha setenta anos, como diz Cornélio Nepos. e devia ter nascido no ano 502 de Roma ou 503. Mas isso padece grandes dificuldades.

 

 

LXIII. Foram os romanos avisados da sua morte e cada qual tinha uma apreciação diferente, segundo suas paixões lho ditavam. Muitos censuravam a crueldade de Flamínio, que, para ter a glória de alguma ação nobre, como lhe parecia, fora causa de que morresse um homem já alquebrado pela idade e que não teria mais causado dano algum à causa pública, vencedora que era de quase todas as nações. Outros, porém, aprovavam o seu gesto e louvavam a Flamínio, por ter feito morrer o perpétuo inimigo do povo romano; o qual, embora débil de corpo, não tinha no entretanto perdido o ânimo varonil, a prudência e a ciência militar para levar à guerra o rei Prúsias e perturbar toda a Ásia com novas guerras. Naquele tempo o poder do rei da Bitíma era tão grande, que não se deveria desprezá-lo. Pouco depois Mitrídates, rei da mesma Bitínia, soube causar bastante preocupações ao povo romano por mar e por terra e travou batalha contra L. Luculo, e Cn. Pompeu, ilustres e excelentes generais. Podia-se temer o mesmo de Prúsias, principalmente tendo a Aníbal como seu comandante. Por isso, alguns julgam que Q. Flamínio tinha sido enviado especialmente para esse fim, como embaixador a Prúsias, para tratar secretamente da morte de Aníbal. Mas podemos ainda supor que Quinto não procurou tanto os meios de fazer Aníbal morrer tão repentinamente, como trazer vivo a Roma, aquele que tanto dano tinha causado às coisas públicas de seu país, o que teria sido útil ao povo romano e a ele, muito honroso. De tal género de morte faleceu Aníbal, o Cartaginês, personagem, sem sombra de dúvida, muito ilustre em todas as espécies de louvores guerreiros, sem falar de todas as suas outras virtudes: de modo que podemos facilmente compreender de que -importância foi, em todas as coisas, quer a sua grande coragem, quer a atividade, a sagacidade e a verdadeira ciência da arte militar; pelo que os cartagineses jamais se julgaram vencidos na guerra que tinham com tanto ardor e com tanto preparo empreendido, até que Aníbal foi derrotado e vencido naquela grande batalha que se travou perto de Zama. De modo que, parece que sua força e virtude bélicas tiveram o seu brilhantismo e viveram com seu general Aníbal e também se eclipsaram com ele.

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3 Comentários para “Biografia de Aníbal de Cartago, por Plutarco – Vidas Paralelas”

  1. 3
    A história de Astarte, de Andrea Pazienza | Blog do Miguel:

    [...] Jan 11th, 2010 by Miguel Essa história não teve fim, já que o grande ilustrador italiano Andrea Pazienza faleceu antes de terminá-la. Pazienza era conhecido pela sua riqueza de detalhes e informações nas reconscituições históricas. Os quadrinhos mostram Astarte, um cão de guerra nascido na Anatólia, região asiática da hoje Turquia e treinado pelos púnicos na guerra contra os romanos. O próprio general cartaginês Aníbal aparece contando suas estratégias para vencer o inimigo. Aníbal de Cartago é conhecido como o “pai da estratégia”. Sua Biografia é contada por Plutarco em suas Vidas Paralelas. [...]

  2. 2
    j lopes:

    Ainda sobre Aníbal esqueci de citar a batalha do Lago Trasimeno onde mais uma vez Anibal deixou a marca de sua genialidade no cotrole do campo de batalha. Nesta batalha Aníbal massacrou duas legiões romanas. Não poderia também deixar de citar os valorosos guerreiros númidas, que foram os instrumentos sem os quais o artista não conseguiria realizar a sua obra prima. Esses númidas, cavaleiros velozes foram realmente o terror dos exércitos romanos. Guerreiros aldazes atores principais de todas as grandes vitórias dos Exercitos Cartagineses em campos da Peníssula Itálica.

  3. 1
    j lopes:

    É para mim uma honra muito grande travar contato com a história de homens brilhantes, como foi Aníbal, seus dois irmão Magon e Asdrubal. Também do lado dos romanos a família Cipião que tão grandes e ilustres homens produziu para sua pátri. Nos últimos anos tenho me debruçado sobre a história das Guerras Púnicas. É incrível a raça demontrada por esses homens. Quando leio essas guerras mais me convenço: O vencido venceu ao vencedor. No final Roma venceu. Mas as façanhas de Aníbal na travessia épica dos Pireneus e dos Alpes, suas vitórias em Tesino, Trébia e Canas jamais serão esquecidas e o colocam verdadeiramente no topo entre os comandantes do campo de batalha. No final os romanos prevaleceram por que antes de e tudo já eram uma grande nação, patriota, dígna como bem assim mostra a história. Poderia também afirmar que Aníbal foi o grande professor daquele que viria a ser o maior imperio de todos os tempos, o Império Romano. Na verdade Aníbal é o professor de todos que o sucederam. Acho que foi Aníbal que desvendou para o mundo a arte da guerra. Não sou um apologista da guerra, porém não é difícil perceber as marca da arte em suas ações e manobras no campo de batalha. Que gênio. Homens assim só aparecem de milênio em milênio.

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