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Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia – Deleuze e Guattari



Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia

Deleuze e Guattari

Paula Ignacio

Rizoma

Ecosofia

O conceito botânico de rizoma exemplifica o conceito aberto que Deleuze e Guattari desenvolveram no livro.  De onde Deleuze e Guattari tiraram a palavra rizoma? Como um caule de planta pode nos ajudar a pensar o mundo moderno e a educação?

 

A definição botânica de rizoma:

 

“Rizoma é a extensão do caule que une sucessivos brotos.”

A grama é um exemplo bastante conhecido de planta rizomática , assim como o bambu e a cana-de açúcar.

 

 

Grama

 

Epitáfia (orquídea)

  

 Lírio                                           Cana-de-açúcar

 

 

 

Para Deleuze, o rizoma é inter-relação entre os conceitos.  O rizoma é o modelo de realização dos acontecimentos, que tem espaços e tempos livres, onde os acontecimentos são potencialidades desenvolvidas das relações entre os elementos do principio característico das multiplicidades.

 

O Conceito é o objeto de criação do filósofo.  O conceito é múltiplo em sua composição e nas relações de seus componentes com outros conceitos. Da mesma forma que as raízes de uma gramínea são ilimitadamente expansíveis, mantendo a potencialidade de uma nova planta em cada um de seus “nós” (ou pseudobulbos), os conceitos são dotados de expansão ilimitada e em cada “nó” ou desdobramento conceitual possui a essência do conceito que o precede, sem – no entanto – ser uma cópia do conceito original.

Esse modelo se assemelha muito ao padrão geométrico fractal, onde uma estrutura é reaplicável infinitas vezes, mantendo sempre o seu padrão original, mas formando uma nova estrutura a partir dali.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mil Platôs

No livro “Mil Platôs”, Deleuze e Guattari partem do princípio de que o sujeito e objeto se anulam mutamente. Se EU crio um conceito de um objeto (ou outrem), eu automaticamente me anulo, pois o objeto conceituado contém a pontencialidade de me definir como outrem (ou não-EU). Ou seja: no momento que eu digo que isso é uma mesa, eu determino que a mesa é não-EU e eu sou não-mesa. Mas não-mesa não contém todos os elementos que me definem como EU.

Dessa forma, como eles mesmos citam no texto, existe a procura de chegar não somente ao ponto onde não se diz mais EU, mas ao ponto onde não tem mais importância dizer ou não dizer EU. Porquê? Porque EU é limitador, e não pensamos nele como contendo multiplicidade.

Não somos mais nós mesmos. Cada um reconhecerá os seus. Fomos aspirados, multiplicados.”

É interessante partir desse princípio para começar a leitura do livro, onde eles se definem não como apenas dois, mas cada um deles é vários, “o que já são muitos”. Eles utilizam o conceito de potência de multiplicação para tudo, e os conteúdos abordados no livro podem ser multiplicados por vários.

A partir daí, eles vão falar sobre o que é o livro e o que é a escrita. Não existe uma lógica temporal no texto, existem intensidades que vão transitar entre diferenças dos elementos contidos aqui. Existe uma preocupação muito maior com o espaço do que com o tempo.

 

O Livro

Um Livro não é algo em si, mas um devir de conceitos. Por isso ele não é limitado a sujeitos, objetos, matérias, velocidades e datas.  Mesmo suas camadas interpretativas e nos assuntos que trata ele também possibilita que se desconstrua esses mesmos estratos e territórios, como um rizoma, que aparentemente limitado, mas que na verdade é um todo fragmentário, um sistema aberto.

Alem disso pode-se dizer que o Livro é um agenciador de conceitos, uma espécie de organismo, uma totalidade significante quando agencia os conceitos.  O objeto de estudo do livro não são palavras nem mesmo coisas.  Assim como o espaço existente entre as raízes que compõem o mesmo rizoma.

Não se perguntará nunca o que um livro quer dizer, significado ou significante, não se buscará nada compreender num livro, perguntar-se-á com o que ele funciona em conexão com o que ele faz ou não, passar intensidades, em que multiplicidades ele se introduz e metamorfoseia a sua, com que corpos sem órgão (o momento de ruptura, por exemplo, quando você fala sobre determinado tema, e através de um ponto isolado desse tema você pode fazer conexões com outros temas).”

Dessa maneira, eles falam que o livro existe no fora e pelo fora. Mesmo anulando sujeito e objeto, o livro pode conter intensidades capazes de transitar, e assim como o rizoma, ele tem pontos de desterritorialização, momentos de ruptura, platôs.

É interessante pensarmos aqui na semiótica.

A semiótica é o estudo abstrato dos signos e de suas inter-relações. O estudo da relações entre os símbolos, os signos e os objetos a que se aplicam.

 

Em suma, o ato de escrever, de traduzir conceitos em tinta e papel é maquínico, se assemelha ao trabalho de um agrimensor (aquele que mede terrenos), que tenta limitar um determinado terreno sem, contudo, desvendar suas potencialidades.  Ele não analisa as possibilidades de expansão desse terreno, apenas o mede, o limita.

O livro em si não é nada, mas uma vez que através dele podemos atribuir infinitas possibilidades dentro de determinados espaços, ele passa a conter intensidades capazes de transitar por outros espaços, como uma espécie de partícula que circula dentro de um organismo.

A partir do momento em que num determinado ponto de um livro podemos fazer relações com outros temas ou assuntos e onde é possível multiplicar as possibilidades dele, este passa a ser um corpo sem órgão, porque existe um plano de consistência que é o assunto tratado, mas esse tema pode ser desconstruído quando no ponto de fuga deixamos a raiz principal e nos conectamos a outros temas, porém também interligados àquele, já que o rizoma transita por todos os pontos ou pseudo-bulbos. Esse espaço entre um pseudo-bulbo e outro, ou essa possibilidade de multiplicação é a intensidade a qual Deleuze chama de Platô.

Por essa razão, o nome do livro: Mil Platôs, ou seja, infinitas intensidades com potencialidades de multiplicação.

A filosofia, em sua essência, comporta essa multiplicação, uma vez que é  trans e interdisciplinar. Existe uma importância fundamental aqui no processo educativo, uma vez que hoje e cada vez mais existe uma tendência interdisciplinar.

Que se entende por interdisciplinaridade e transdisciplinaridade?

A educação é a base, o rizoma da trans e interdisciplinaridade. Todas as nossas relações com o mundo social, natural e cultural acontecem de formas fragmentadas, de tal modo que cada fenômeno observado ou vivido é entendido ou percebido como fato isolado, porém interligado e inserido numa rede de relações que lhes dão sentido e significado.

 

O livro, para Deleuze e Guattari, é uma espécie de máquina com potencialidades. Atribuímos a ela um sentido ou um significado de produzir algo, a partir do momento em que apertamos o botão para que ela funcione. Existem intensidades que nos fazem atribuir significados a ela, e transformamos a potência em ato a partir do momento em que ela passa a significar a produção de algo.

Por essa razão, ele diz que o processo da escrita é maquínico, no entanto, os estratos que compõem um livro (que são seus componentes) contém intensidades, como partículas que circulam dentro de um organismo. Mas a possibilidade de um processo de desconstrução desse texto cria novas referências, ou novos agenciamentos, montando uma rede de contatos com outros conceitos.

Percebemos que quando são criados agenciamentos e redes de contatos com outros conceitos, ele existe porque existe no fora e pelo fora dele mesmo. O livro em si não é nada.

A questão maquínica do livro é toda fundamentada em seu plano de consistência. O plano de consistência é o que dá totalidade para o livro. Apesar de ele ter a possibilidade de rupturas e multiplicações, ele parte desse plano, que é junção de agenciamentos. A metáfora do agrimensor (aquele que mede a terra) funciona novamente aqui. Ele mede, mas não determina a infinidade de potencialidades contidas nesse mesmo plano de consistência, por isso o livro é maquínico. Ele é o agrimensor.

Tratando da natureza dos textos, Deleuze e Guattari definem alguns modelos de livros ainda dentro do paradigma vegetal.

O livro-raiz, donde se geram frutos e caminhos literários ditos consistentes, e traz como referência a literatura clássica.  Como exemplos de livros-raiz, temos a Torá judaica que se metamorfoseia na Bíblia Sagrada Cristã (que por si só gera os evangelhos e centenas de milhares de obras correlatas).

 

Ele ainda vai tratar do problema da língua, que limita de certa forma a multiplicação de potencialidades, uma vez que ela atua territorialmente (e o que queremos aqui não é fechar os espaços, mas abri-los) e politicamente, a língua é mais um exercício de poder político.

Não existe uma língua-mãe, mas tomada de poder por uma língua dominante dentro de uma multiplicidade política

São tipos de poder sociais particulares, modelos de agenciamentos. A língua é limitada porque os modelos de agenciamentos lingüísticos não são abstratos o suficiente para conectar diversos tipos de intensidades, de cadeias semióticas.

 

Dessa forma, ele também fala da e da literatura moderna, os livros os quais diz fazerem parte de um “sistema radícula”, onde morre a raiz principal e onde se reduz as possibilidades de combinações, eles geram multiplicidade, mas uma multiplicidade limitada, linear, pois participam de um plano de consistência comum. Por exemplo, os livros que falam sobre a Bíblia.

 

A multiplicidade, para ele, não tem sujeito nem objeto.  Ela atua como fios de uma marionete, onde tem menor importância o sujeito que manipula esses fios, do que a potencialidade de cada fio fazer movimentos distintos que vão dar vida ao boneco.

Cada fio contém a potência de movimentos distintos, mas são fios conectados numa espécie de agenciamento. A intensidade atuante está no sistema aberto, no espaço existente entre os fios, o que possibilita a movimentação. São os platôs.

Não existem os pontos fixos, como as raízes que se fixam no rizoma. São intensidades infinitas que circulam entre todas elas. O espaço entre uma raiz e outra.

 

A idéia do conceito é uma espécie de metamorfose, que nada tem em comum com a lógica de sua compreensão. Nem interpretação nem explicação, o conceito só existe por variação, quer dizer, no fim das contas, é uma criação contínua, fruto da variação decorrente das intensidades.

 

Ele nos dá o exemplo de um pianista do séc. XX, Glenn Gould, que transforma os pontos musicais em linhas, fazendo proliferar o conjunto das notas, cada vez que acelerava uma passagem musical.

Deleuze e Guattari são dois autores que também abordam a possibilidade de troca dos fundamentos básicos de expressão das artes plásticas e da música. Ou seja, para eles, a música pode também expressar o espaço e vice-versa.

O próprio livro Mil Platôs contém essa característica, ele não tem linearidade temporal, é mais contido no espaço e na capacidade de transitoriedade de intensidades e agenciamentos no espaço.

Por exemplo, uma partitura.

 

 

Como se transformássemos cada nota em linhas capazes de transitar por outras, possibilitando assim novas ressonâncias, que poderiam também ressoar através de outras, a possibilidade de multiplicação dessas notas, e cada nota poderia também se multiplicar, infinitamente.

 

Dessa forma, deixamos de ter unidades de medida, mas variedades de medida.

 

 “A noção de unidade aparece unicamente quando se produz numa multiplicidade uma tomada de poder pelo significante ou um processo correspondente de subjetivação: é caso da unidade pivô que funda um conjunto de correlações biunívocas entre elementos ou pontos objetivos, ou do Uno que se divide segundo uma lei de lógica binária de diferenciação no sujeito.”

 

A  lógica binária atua nos fractais, por exemplo.

 

Eu tenho um ponto. Esse ponto se divide em dois. Então ele passa a ser aquele ponto, mais os dois no qual se dividiu. E os dois elementos da divisão podem se dividir em outros, então aquele primeiro ponto passa a ser ele, mais os dois elementos, mais as divisões possíveis nesses dois elementos.  Mas o que Deleuze diz aqui é que esse ponto inicial, para que se torne um ponto fixo, precisa primeiramente de subjetivação, do sujeito que vai significá-lo, de um plano de consistência.

Como o exemplo dado no seminário passado, de um ser que pensa o outro. Primeiramente, para uma noção de outro, ele cria um conceito, desse conceito ele extrai um rosto, mas existe um conceito de rosto, e antes do conceito de rosto existe um conceito de humano, e assim por diante. Ele primeiramente subjetiva a idéia de outro, é o plano de consistência, a noção de unidade subjetivada.

 

Vale lembrar que existem infinitas possibilidades de subjetivação do que é esse outro, mas através de uma significação dada a ele, parte-se desse mesmo ponto. Portanto, a unidade opera numa dimensão vazia, uma vez que ela pode dividir-se e transitar por outras também. No entanto, ela é necessária para o agenciamento de elementos que poderão compor o conceito de OUTRO.

 

As multiplicidades se definem pelo fora: pela linha abstrata, linha de fuga ou de desterritorialização segundo a qual elas mudam de natureza ao se conectarem às outras. O plano de consistência é o fora de todas as multiplicidades”.

Como no exemplo que ele dá do livro, quando este se torna um corpo sem órgão a partir do momento em que se estabelece uma linha de fuga, para conectar essa linha a outras, que contém em si o tema do livro, mas faz conexões com outros temas. É o platô, a linha de fuga.

O livro, assim como o rizoma, deveria atuar como um anel aberto, um sistema aberto, dentro de cada página conter em si múltiplas exterioridades: acontecimentos vividos, determinações históricas, conceitos pensados, indivíduos, grupos, etc.

O ponto de fuga, ou o platô atua quando o rizoma pode ser quebrado (desterritorializado). “Ele pode ser quebrado em um lugar qualquer, e também retoma segundo uma ou outra de sua linha ou segundo suas linhas”.

 

Todo rizoma compreende linhas de segmentaridade segundo as quais ele é estratificado, territorializado, organizado, significado, atribuído, etc.; mas compreende também linhas de desterritorialização pelas quais ele foge sem parar. Há ruptura no rizoma cada vez que linhas segmentares explodem numa linha de fuga, mas a linha de fuga faz parte do rizoma.”

 

Um exemplo disso são os conceitos de bom e mau. Mesmo quando se pensa na contrariedade de um que dá significado ao outro, passamos por multiplicidades e subjetividades que nos levam ao agenciamento de elementos contidos em cada um desses conceitos.

 

Os platôs atuam como movimentos de desterritorialização, mas também de reterritorialização, quando saem numa linha de fuga, mas permanecem contendo um ponto do qual partiram, mesmo que esse ponto nos dê infinitas possibilidades de fuga.

 

 

Questão importante:

 

Como é possível que os movimentos de desterritorialização e de reterritorialização estejam em perpétua ramificação, uma vez que também estão presos uns aos outros?”

 

Eles dão o exemplo de reprodução de determinados tipos de orquídeas, e diz que a vespa se desterritorializa transportando o pólen, ela torna-se uma peça do aparelho de reprodução da orquídea, e as duas fazem rizoma dentro desse aparelho, dessa heterogeneidade. Ao mesmo tempo que existe a heterogeneidade, existe a diferença entre elas, não é imitação, mas possibilidades de devires.

Cada um desses devires assegura a desterritorialização do outro, os dois devires se encadeando e se revezando segundo uma circulação de intensidades que empurra a desterritorialização cada vez mais longe. Não há imitação nem semelhança, mas explosão de duas séries heterogêneas na linha de fuga composta de um rizoma comum.”

Se isso acontece biologicamente, ou seja, dentro da própria natureza, então podemos pensar nas possibilidades de ramificação e ao mesmo tempo desterritorialização dentro de conceitos ou idéias já pré-estabelecidas.

 

Nesse exemplo da reprodução da orquídea e do rizoma que acontece entre ela e a vespa, existe a evolução de dois seres que não tem absolutamente nada a ver um com o outro. Aqui existe a possibilidade de diferentes esquemas de evolução, não somente através de descendências de uma mesma espécie, mas “um esquema segundo um rizoma que opera no heterogêneo e salta de uma linha diferenciada à outra.”

 

Daí ele nos dá um exemplo de pesquisa em engenharia genética, onde determinados tipos de vírus podem aparecer em espécies completamente diferentes, onde a informação genética própria de um organismo poderia ser transferida ao outro, graças ao vírus, que o transporta.

Nossos vírus nos fazem fazer rizoma com outros animais”. 

É interessante pensarmos aqui no âmbito social, nas possibilidades rizomáticas que as intensidades circulantes nos proporcionam.

 

O rizoma nos possibilita uma série de comunicações transversais, que embaralham nossas árvores genealógicas.  O rizoma é uma antigenealogia.

Da mesma forma, acontece a “antigenealogia” do livro e do mundo. O livro não é a imagem do mundo, mas faz rizoma com ele, a partir do momento em que há evolução de um e de outro, conseqüente das intensidades que circulam por cada um, e dos pontos que são tratados segundo subjetivações.

Existe no fora e pelo fora. Assim como as plantas de raízes, que tem sempre um fora onde elas fazem rizoma com algo, seja com o vento, com animais, e até mesmo com o homem. Daqui podemos falar um pouco sobre o indivíduo e o social, uma vez que ele é um agenciamento, mas que também faz rizoma com tudo o que é externo a si. O interessante aqui é a possibilidade de rompimentos.

O homem e o social criam determinações e crenças que parecem enraizadas. Deleuze nos apresenta como a natureza pode nos mostrar as infinitas possibilidades de rupturas, mesmo que façamos parte de diversos tipos de agenciamentos (cultural, social, familiar, etc). Através dessas rupturas com o que já foi estabelecido, podemos ampliar os espaços, ampliar nossos territórios, sem, no entanto, deixarmos de fazer parte do agenciamento que nos compõe. Podemos ampliar nossas potencialidades e possibilidades através dos platôs, das linhas de fuga.

Guattari, antes mesmo deste livro, escreveu juntamente com Deleuze o Anti-Édipo, onde ele tenta fazer uma ruptura da psicanálise. A psicanálise tem como objeto o inconsciente, porém cristalizado. O que ele procura nos mostrar é que existe a possibilidade de estudar o inconsciente sem que o mesmo esteja cristalizado ou somente conectado à descrições de fatos, mas a possibilidade de exploração de um inconsciente não-camuflado, puro nele mesmo, sem que seja estudado pela camuflagem que o recobre, como os recantos da memória ou da linguagem.  O que a psicanálise fez até então foi um decalque do inconsciente. Mas Deleuze e ele tentam mostrar que é possível fazer um mapa do inconsciente, muito além do simples decalque.

É como observar uma cidade inteira do alto de uma montanha, perceber como é a geologia do lugar, ao invés de adentrar a cidade e medir o território já estabelecido. Se observar do alto, poderá perceber as potencialidades de crescimento daquele território, mas se adentrar a cidade, apenas fará um estudo de pontos daquele determinado lugar, fechando as possibilidades de entrada e saída. Assim funciona com o inconsciente, que, pelo que foi compreendido aqui, deve ser estudado enquanto possibilidades, e não se limitar a fatos ou extratos que o compõem.

O rizoma é o mapa do lugar. Ele tem entradas múltiplas, o que permite também a sua expansão. Ao contrário do decalque, que cava sempre no mesmo lugar.

Deleuze e Guattari chamam isso de esquizoanálise.  “Ao contrário da psicanálise, da competência psicanalítica, que achata cada desejo e enunciado sobre um eixo genético ou uma estrutura sobrecodificante e que produz ao infinito decalques dos estágios sobre este eixo(…) a esquizoanálise recusa toda a idéia de fatalidade decalcada, seja qual for o nome que lhe dê, histórica, econômica, estrutural, hereditária, etc.”

O desejo, para a esquizoanálise de Deleuze e Guattari, não é necessariamente ligado a um eixo genético, nem participa de uma estrutura profunda, ele atua como uma intensidade que circula entre entradas e saídas de problemas nos quais vivemos politicamente, e assim o desejo se transforma em pulsão, e pode ser vivenciado através das escolhas políticas decorrentes de agenciamentos.

Estudar o inconsciente seria mostrar como ele tenta constituir um rizoma, mas também com linhas de fuga. Essas linhas de fuga normalmente são obstruídas quando atentamos apenas para o enraizamento do indivíduo na família, sociedade, cultura. Ao invés de fechar o sistema, devemos abri-lo e possibilitar infinitas linhas de fuga.

 

Pode até ser que a psicanálise sirva, não obstante nela, como ponto de apoio. Em outros casos, ao contrário, nos apoiaremos diretamente  sobre uma linha de fuga que permita explodir os estratos, romper as raízes e operar novas conexões”.

 

O termo esquizoanálise vem do germânico skhízein (esquizo) que significa fender, dividido. Análise fendida, dividida, multiplicada.

 

Segundo Wikipedia:

 

“A cada momento, o ser humano é atravessado por forças externas, que se encontram no campo sócio-cultural, as quais promovem encontros que ora cristalizam o sujeito nos seus valores, tornando-o um ser mecânico e repetitivo, ora os faz produzir e viver de forma criativa e potente na relação com a vida.

Criada por Gilles Deleuze e Felix Guattari, a Esquizoanálise é uma concepção da realidade em todas suas superfícies, processos e entes, e também nas suas individuações inventivas como acontecimentos-devires. Para esta concepção, a produção e o desejo são imanentes entre si e produtores de toda a realidade. Consiste em uma ampla leitura da realidade, tanto natural, quanto social, subjetiva e assim como de uma realidade “outra”, pluripotencial.”

Como percebemos até aqui, a transdiciplinaridade e a pluripotencialidade nos ajudam a compreender como o sistema aberto rizomático pode ser atuante em todos os campos até agora tratados, como por exemplo a sociologia, a psicanálise, a biologia, botânica, literatura, engenharia genética, etc.

É interessante pensarmos na pragmática contida aqui. Existem as intensidades que circulam pelos platôs, que são espaços vazios, e uma vez circulantes elas podem se transformar em potências e essas potências se transformam em atos, a cada ponto de fuga. Diante de um enorme leque de possibilidades, a criação seria pragmaticamente o ponto máximo do esquema rizomático, o momento em que é criado um novo pseudo-bulbo e que, através dele, também podem ser criados outros. É um processo contínuo e ininterrupto de criação, da mesma forma que o conceito é o ponto máximo do ato de criar do filósofo, e a filosofia é a arte de criar conceitos.

A ciência  é uma espécie de interpretação de regularidades e tentativa de explicar o mundo ordenado, ela explica apenas uma pequena parcela da realidade, o que falta nela é o devir. A produção de vida. A produção de realidade metamorfoseante. A mudança. O acontecimento. O Devir.
Neste sentido, a esquizoanálise se retrata como teoria da multiplicidade e filosofia da diferença. Uma espécie de empirismo transcedental, onde o devir é a própria essência da realidade.

Na Monografia apresentada pelos autores Jorge Bichuetti, Maria de Fátima Oliveira e Margarete Amorim no curso de especialização em Análise Institucional do Instituto Felix Guattari em Belo Horizonte, eles questionam a produção de conhecimento e a desmistificação de um não-saber:

O espaço estriado da produção do conhecimento científico nega a produção de saber da cultura popular e do que se sabe pela experiência; nega os outros saberes e classifica de pensamento mágico. O fabular e o delírio, o folclore e a arte, a cultura popular e o saber inventivo do que experiencia um corpo são desclassificados, tidos como crendices.
Tudo fora da ciência é magia…
O saber científico se nomeia verdade, lei natural, realidade
.”

(…)

O Processo de institucionalização da ciência, do saber científico, como verdade única, absoluta, inquestionável, soberana e de validade universal, afirmou-se definindo todo outro e qualquer conhecimento como não saber.
O saber, assim, expropriou as pessoas e as comunidades do conhecimento que se adquire ao longo do tempo nas próprias experiências vitais.
O estatuto de não-saber desqualifica, marginaliza e silencia o saber das pessoas e dos grupos cujo pensar, sentir e agir não se dá legitimado pelas regras e procedimentos do saber instituído.
Práticas estas que, se revistas pelo foco dos interesses populares, revelar-se-iam práticas resistentes, resistência clandestina, de um povo que perdeu o chão-território e o seu universo de referência de sua própria história e se viram transformados numa gente sem-voz.
O paradigma científico hegemoniza a produção de verdades numa relação dialética com o não-saber.
Relação de contradições camufladas….
O saber toma a si como um ideal transcendente da própria existência, harmonioso e funcional com o não saber, existindo para servir a este; sendo, deste modo, cuidado e solução. Ele é um ato de cuidar, velar, suprir e prover a impotência e a ignorância do não-saber
. “

 

 

 

No site do Instituto Hypnos, há uma resenha do livro

Como Me Tornei Estúpido, de Martin Page

Como Me Tornei Estúpido, Martin Page

"Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e quem aumenta a ciência, aumenta a dor.” (Eclesiastes, 1,18). É esse o mote que Antoine, um erudito cujos conhecimentos sempre interminados, que vagam da biologia à metafísica, passando por seus sólidos conhecimentos de… aramaico, arroga para sua nova empreitada: tornar-se estúpido.

Martin Page constrói um personagem memorável. Antoine é um curioso, que tem uma relação visceral com o conhecimento, para além da vida acadêmica regular à qual, obviamente, não se adapta. Dos inúmeros cursos que começou, só conseguiu coletar "pedaços de diplomas", tão somente por se interessar por tantas e distintas coisas.

O personagem é crítico, ácido e odeia o mundo das burocracias, obrigações desprazerosas e da ignorância contumaz. Entretanto, descobre-se, por isso mesmo, doente. Sofre da patologia daqueles que pensam demais e que, como diz o sábio livro da Sabedoria, têm sua dor de viver aumentada em proporção direta à sua lucidez. Contudo, a condução de Page não desemboca numa lamentação dolorosa ou uma depressão que arrasta o leitor. Com o humor sofisticado a que já aludimos, o autor mostra a decisão de Antoine diante desse quadro irreparável: abdicar de sua consciência e inteligência e tornar-se retumbantemente estúpido.

Gabriel Ferreira

 

Podemos fazer referência desse tipo de literatura com o axioma rizomático de Deleuze e Guattari, uma vez que o personagem Antoine procura desconstruir e desterritorializar as práticas do saber, as metodologias até então conhecidas por ele. É necessário uma certa loucura e esquizofrenia para desconstruir as metodologias aplicadas até então aos saberes, para pensar possibilidades novas de saberes possíveis.

 

 

Voltemos ao primeiro capítulo de Mil Platôs.

Deleuze e Guattari falam sobre as possibilidades de fazer rizoma, de agenciamentos, que podem ser feitos mesmo no oco de um galho de árvore, numa raiz, ou mesmo elementos microscópicos. A ciência tem a pretensão macrocósmica de esconder as possibilidades microcósmicas de agenciamentos, quando limita-se a questionar as possibilidades já dadas, mas não possibilita a “magia” do não-saber.

Eles encontram as origens microcósmicas, e partem delas para o macrocósmico, e exemplificam isso como um romance do Kafka, que começa como um “traço intensivo que começa a trabalhar por sua conta, uma percepção alucinatória, uma sinestesia, uma mutação perversa, um jogo de imagens se destacam e a hegemonia do significante é então colocada em questão”.  (A Metamorfose – a “baratinha”do Kafka, que começa como um delírio, uma alucinação, para depois ir se transformando em algo de dimensões muito maiores do que se poderia imaginar. O próprio título Metamorfose já é interessante, uma vez que estamos falando de relações de potencialidades que se metamorfoseiam o tempo todo, é o criar incessante).

Não devemos mais acreditar em árvores, em raízes ou radículas, já sofremos muito. Toda cultura arborescente é fundada sobre elas, da biologia à lingüística. Ao contrário, nada é belo, nada é amoroso, nada é político a não ser que sejam arbustos subterrâneos e as raízes aéreas”. No fora e pelo fora.

Da mesma forma, o pensamento não é arborescente, ele não tem raízes fixas.

Eles utilizam a própria fisiologia e falam sobre o cérebro e a capacidade dos neurônios de fazerem sinapses, estas sinapses atuam como fendas que fazem do cérebro uma multiplicidade dentro de um plano de consistência que banha todo um sistema.

Muitas pessoas têm uma árvore plantada na cabeça, mas o próprio cérebro é muito mais uma erva do que uma árvore”. A erva daninha, por exemplo, pode crescer em qualquer lugar.

“Um platô está sempre no meio, nem início nem fim. Um rizoma é feito de platôs”. A erva daninha cresce sempre nos platôs, nos espaços entre as outras plantas.

O rizoma procede por variação, expansão, conquista de novos territórios.

 

Dessa forma, os autores citam alguns desdobramentos de arborescências culturais, onde citam como exemplos oriente e ocidente.

Desdobramentos culturais de arborescências

Os autores citam no livro alguns exemplos de como historicamente o enraizamento pode limitar as potencialidades de expansão cultural, dentro de determinadas sociedades. Eles citam os continentes Americano e Europeu, onde os europeus, dentro de sua cultura enraizada criam principalmente a partir de determinadas raízes, tanto religiosas como de conquistas territoriais e políticas, e dizem que a América (onde se referem principalmente aos Estados Unidos), fazem uma espécie de rizoma com outras culturas, mas ao mesmo tempo criando uma própria, onde o pragmatismo é um ponto fundamental e poderíamos dizer – porque não – um plano de consistência, e citam a literatura de autores  como Fitzgerald e Henry Miller. Além de Kerouc, e os beatniks.

“ Eis o principal objetivo da Geração Beat, grupo de jovens intelectuais americanos que, em meados dos anos 50, cansados da monotonia da vida ordenada e da idolatria à vida suburbana na América do pós-guerra, resolveram, regados a jazz, drogas, sexo livre e pé-na-estrada, fazer sua própria revolução cultural através da literatura.”

Podemos citar alguns exemplos de esquemas rizomáticos nas artes plásticas também.

Em Belo Horizonte, há dois artistas (Marcelo Terça-Nada e Brígida Campbell) que se apropriaram do termo: “Todo espaço mal utilizado será roubado”. Eles fazem arte nas ruas, que consideram feias e cinzentas, sujas. Quando um espaço é mal utilizado, eles o roubam e transformam em potencialidade de pensar novamente estes espaços, e também possibilitam pensar novos espaços a partir da desterritorialização do mesmo.

Podemos também tomar como exemplo os desenhos de Escher, que utiliza um esquema simétrico para mostrar as infinitas possibilidades de ocupação e de ampliação dos espaços, percebemos também que existe de certa forma uma lógica binária em alguns de seus desenhos, por exemplo:

As figuras desse desenho estão inter-relacionadas, mas se multiplicam na mesma medida em que se relacionam umas com as outras.

No livro “Vocabulário de Deleuze”, o autor François Zourabichvili esquematiza o pensamento dos dois autores da seguinte maneira:

O pensamento é, portanto, experimentação:

1. Pensar não é representar (na medida em que representar é subjetivar, e isso não é anulação de sujeito e objeto).

2.  Não há começo real senão no meio. (“Um rizoma não começa nem se conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo.)

3. Se todo encontro é “possível”, no sentido de que não há razão para desqualificar certos caminhos em detrimento de outros, podemos pensar que nem todo encontro se dá pela experiência. (Como no caso da ciência que subjuga a sabedoria popular). “Apesar da aparência e do discurso de nossos mestres, esse tato para a filosofia é uma aptidão menos partilhada do que deveria ser” pois sofremos de excesso de consciência e excesso de domínio que nos limita a um determinado tipo de saber.

Então ele cita o próprio Deleuze, quando trata da Lógica do Sentido:

Quando o mundo se abre pululando de singularidades anônimas e nômades, impessoais, pisamos finalmente o campo do transcedental.”

O quê ele quer dizer com isso?

Que o indivíduo não é o primeiro na ordem do sentido, porque essa ordem está constantemente sendo desconstruída.

 

Desdobramentos na Psicanálise

Voltando ao livro, os autores falam sobre a Psicanálise. Nela, existe centralização, onde o general central é Freud. Existe limitação na psicanálise, na medida em que ela “submete o inconsciente a estruturas arborescentes, a grafismos hierárquicos, a memórias recaptuladoras, órgãos centrais”.

A esquizoanálise difere da psicanálise, porque o intuito dela é a produção de inconsciente, e não somente a análise do mesmo, partindo de raízes.

Para os enunciados como para os desejos, a questão não é nunca reduzir o inconsciente, interpretá-lo ou fazê-lo significar segundo uma árvore. A questão é produzir inconsciente, e, com ele, novos enunciados, outros desejos: o rizoma é a produção de inconsciente.”

Quando falamos de memória dentro do conceito de inconsciente, para Deleuze e Guattari, tem mais importância a memória curta do que a longa.

Na psicofisiologia, existe a distinção de dois tipos de memória. A memória longa e a curta.  A memória curta é de tipo rizoma, enquanto a longa é arborescente e centralizada.

A memória curta não é de forma alguma submetida a uma lei de contigüidade ou de imediaticidade em relação a seu objeto; vir ou voltar muito tempo depois, mas sempre em condições de descontinuidade, de ruptura e de multiplicidade. (…) A memória curta compreende o esquecimento como processo; ela não se confunde com o instante, mas com o rizoma coletivo. A memória longa (família, raça, sociedade ou civilização) decalca e traduz, mas o que ela traduz continua a agir nela, à distância, a contratempo, “intempestivamente”, não instantaneamente.”

Assim como os sistemas arborescentes, ou raízes culturais atuam em nós como espécies de memórias organizadas.

Um exemplo de memória organizada enraizada que temos é o teorema da amizade. Se duas pessoas têm um amigo em comum, então fica pressuposto que esse amigo em comum tem amizade com todos os outros. É o sistema radícula, que pode conter falsidade.

Assim como o esquema lógico do teorema da amizade pode ser falso, pois o fato de que há um amigo em comum não necessariamente implica na amizade desse mesmo com todos os outros, será que numa situação de guerra é mesmo necessário a ordem de um general para que os disparos das armas dos soldados sejam efetuados todos ao mesmo tempo? Se pensarmos numa situação de guerra a-centralizado, onde não existe um general, poderíamos pensar aqui que todos os soldados fazem rizoma uns com os outros e com a situação de guerra e os disparos poderiam sim, ser efetuados todos ao mesmo tempo, uma espécie de caos, mas cada indivíduo tem a possibilidade de  fazer rizoma através desse caos, muito mais do que se receber uma ordem de um general.

Se excluirmos a centralização, o enraizamento de N, este será sempre N-1, na medida em que se anula, mas faz rizoma com outros. O múltiplo se subtrai à influência do Uno.

Dessa forma, pensemos o rizoma da seguinte maneira, resumida por eles:

Diferentemente das suas raízes, o rizoma conecta um ponto qualquer com outro ponto qualquer e cada um de seus traços não remete necessariamente a traços da mesma natureza; ele põe em jogo regimes de signos muito diferentes, inclusive estados de não-signos. O rizoma não se deixa reconduzir nem ao Uno nem ao Múltiplo. Ele não é o Uno que se torna dois. Ele não é um múltiplo que deriva do Uno, nem a qual ao Uno se acrescentaria (N+1).

Ele não é feito de unidades, mas de dimensões, ou antes de direções movediças. Ele não tem começo nem fim, mas sempre um meio pelo qual ele cresce e transborda. Ele constitui multiplicidades lineares a N dimensões, sem sujeito nem objeto, exibíveis num plano de consistência e do qual o Uno é sempre subtraído (N-1).

Uma tal multiplicidade não varia suas dimensões sem mudar de natureza nela mesma e se metamorfosear. (…) O rizoma procede por variação, expansão, conquista. (…) ele se refere a um mapa que deve ser produzido, construído, mas sempre desmontável em qualquer parte, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de fuga.”

Pensemos nele como possibilidades infinitas de devires.

O livro Mil Platôs foi escrito como um rizoma. Foi composto com platôs. “Cada platô pode ser lido em qualquer posição e posto em relação com qualquer outro. Não se deve reconhecer nele nenhuma identidade ou ideologia, mas uma série de agenciamentos e possibilidades de devires.

Um rizoma não começa nem se conclui, ele se encontra sempre no meio, inter-ser”.

“A árvore impõe o verbo “Ser”, mas o rizoma tem como tecido a conjunção “e…e…e…”.

 

 

 

 

 

Bibliografia

DELEUZE, Gilles & Guattari,Félix. “Mil Platôs”. São Paulo. Editora 34, 1997.

DELEUZE, Gilles & Guattari,Félix. “O quê é a filosofia?”. São Paulo. Editora 34, 1997.

OLIVEIRA, Maria de Fátima, Bichuetti, Jorge e Amorim, Margarete. “Esquizoanálise e Produção de Conhecimento”.  Belo Horizonte. Instituto Felix Guattari, 2004.

GALLO, Silvio Donizetti de Oliveira. “Deleuze e a Educação”. Belo Horizonte. Editora Autêntica, 2005.

CARVALHO, Sibila Vieira. “Práticas Escolares na Perspectiva da Ecosofia”. In: Revista Logos, N. 14, 2006, pg. 102.

ZOURABICHVILI, François. “Vocabulário Deleuze”. Rio de Janeiro, 2004. Edição eletrônica da Faculdade de Ciências Humanas da UNICAMP.

BAREMBLITT, Gregório. “Introdução à Esquizoanálise”. 2.ed, Belo Horizonte. Biblioteca Instituto Félix Guattari, 2003.

 

 

 

 

 

 

 

 

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