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O leão doente e a rapôsa – fábula de La Fontaine


O leão doente e a rapôsa – La Fontaine

Achando-se doente o rei dos animais, mandou publicar por todo o seu reino ser de sua vontade que todos os lhe enviassem embaixada, cada um segundo a sua classe e qualidade, a

saber da real saúde e fazer-lhe companhia na sua câmara. Certificou que seriam bem tratados não só os embaixadores, mas todos os da sua comitiva.

À entrada dos seus reais aposentos estava escrito em letra bem legível — Palavra de Leão: Podeis entrar confiadamente. Todos os súditos se apressam a cumprir a vontade do soberana; de tôda a parte marcham deputações em nome das diversas .

Chegando, porém, mais tarde o embaixador das raposas, reparou na entrada dos aposentos do monarca e falou desta sorte:
“Noto que de quantos vieram aos cumprimentos, segundo vejo pegadas aqui escritas na terra, sem exceção de nenhuma, tornaram lá para dentro, cá para fora nenhum voltou: desconfio disto. Que sua majestade nos dispense. Muito obrigado pela sua palavra.Será muito honrada, não se duvida; entretanto o que muito se vê é como se entra, mas como se sai não vemos. Adeus.”

i Bem advertiu a rapôsa e mui assisada foi: sua prudência a pôs a salvo 1) de servir, como os outros, de ao régio enfermo

Lafontaine. (Adaptação).

Fonte: Seleta em Prosa e Verso dos melhores autores brasileiros e portugueses por Alfredo Clemente Pinto. (1883) 53ª edição. Livraria Selbach.

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