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Resumo das INVASÕES HOLANDESAS


Antônio José BORGES HERMIDA – compêndio de (1963)

   AS INVASÕES HOLANDESAS


a) O


Depois de D. João III, reinou em Portugal seu neto D. Sebastião. Mas, em 1578, morreu D. Sebastião na batalha de AlcácerQuibir, na África, quando combatia os muçulmanos, nome que se dá aos seguidores do Islamismo,religião fundada pelo árabe Maomé.
D. Sebastião não deixou herdeiros; por isso o trono foi ocupado polo cardeal D. Henrique. Esse cardeal reinou apenas dois anos, pois morreu em 1580. Então Filipe II, como neto de D. Manuel o Venturoso, reclamou o trono de Portugal. Começou, assim, o Domínio Espanhol, que durou sessenta anos, em 1580 a 1640.
Em 1640 houve o que se chamou Restauração; D. João, , libertou Portugal do domínio da Espanha e passou a reinar com o título de D. João IV.
O novo soberano iniciou a Dinastía de Bragança, a que pertencem os dois imperadores do Brasil, D. Pedro I e D. Pedro II.
Foi o domínio espanhol a principal causa das invasões holandedesas no Brasil: Filipe II, por estar em guerra com a Holanda, ordenou que os portos de todas as colônias fossem fechados aos navios holandeses. Desse modo, o soberano da Espanha tentava empobrecer o país inimigo, o qual vivia do comércio, transportando as mercadorias dos outros povos. Houve duas invasões holandesas no Brasil: a primeira, em 1624, na Bahia, e a segunda, em 1630, em Pernambuco. Para organizar essas expedições foi fundada a poderosa Companhia das Índias Ocidentais.

b) Invasão da Bahia


Em maio de 1624 chegou à baía de Todos os Santos poderosa esquadra holandesa, sob o comando do almirante Jacob Willekens. Vinha, como comandante das tropas, .
O governador geral, , soube da aproximação do inimigo e procurou fortalecer a defesa da cidade. Como não tivesse tropas suficientes, o governador aliciou como soldados muitas pessoas que trabalhavam no comércio e no campo. Mas o inimigo tardava muito  a chegar  e eles  acreditaram que não viria mais. Enquanto isso o comércio se via prejudicado e as roças estavam abandonadas. Então, para não perturbar mais a vida econômica da cidade, resolveu Mendonça Furtado dispensar suas tropas. Nessa ocasião apareceu o inimigo e, sem encontrar resistência, entrou na cidade, abandonada pela população.


esquadra holandesa de jacobh Willekens ataca e conquista Salvador (1624).
Esquadra holandesa de Jacob Willekens ataca e conquista Salvador (1624).
(Gravura a  águaforte, de Nicolau Vischer, (pertencente   a   Biblioteca   Nacional),


 


O governador, porém, estava disposto a uma resistência desesperada: contase que levou para o palácio alguns barris de pólvora, pois era seu plano fazer voar o prédio pelos ares quando entrassem os holandeses, para que, com ele, morressem todos. Mas um dos seus auxiliares, achando que esse sacrifício seria inútil, tomoulhe das mãos a tocha, no momento em que entrava o inimigo e o prendia, para, logo depois, enviálo para a Holanda.
Matias de Albuquerque, sucessor de Diogo de Mendonça Furtado, encontravase em Pernambuco e, por isso, foi escolhido Antão Mesquita, logo depois substituído pelo bispo D. Marcos Teixeira.
D. Marcos Teixeira organizou toda a resistência contra o inimigo, preparando pequenos ataques de emboscada, que impediam a saída dos holandeses da capital. Nessa ocasião, o comandante das tropas holandesas, Joharm van Dorth, afastandose de seus companheiros, foi morto à espada por . Contase que logo depois chegaram alguns índios mansos, aliados dos portugueses, e, cheios de ódio, cortaram os pés, as mãos e a cabeça do chefe holandês.
A situação piorou para os holandeses no Brasil, quando chegaram reforços à Bahia, comandados por D. Francisco de Moura, O inimigo já não podia mais sair da cidade, pois estava cercado. Faltava, porém, completar o cerco por mar, para que ele não pudesse receber ajuda da Holanda.
No começo a Espanha não tomou nenhuma medida para a expulsão dos holandeses. Mas depois, receando que o domínio holandês   se   estendesse   também até o México e o Peru, onde havia ricas minas de ouro e prata, resolveu mandar ao Brasil poderosa esquadra. Comandada por D. Fadrique de Toledo Osório, essa esquadra chegou à baía de Todos os Santos em abril de 1625. Cercados por terra e por mar, os holandeses renderamse no dia 30 desse mês.
A cidade do Salvador ficou tão empobrecida com a ocupação holandesa que o governador não tinha dinheiro nem para pagar as tropas. Naquele tempo um soldado ganhava um vintém por dia, o que corresponde num mês, em moeda atual, à quantia de sessenta centavos.

c) Invasão de Pernambuco


Na segunda invasão, os holandeses preferiram atacar Pernambuco, porque essa capitania era muito rica, com grande produção de açúcar e paubrasil.
Quando na Europa se soube que os holandeses iam atacar Pernambuco, Matias de Albuquerque, governador dessa capitania, encontravase na Espanha. Êle foi então despachado para o Brasil com apenas três caravelas e vinte e sete soldados. Com tão poucos recursos, embora contando com o auxílio de centenas de defensores, nada pôde fazer contra a esquadra inimiga, de mais de cinqüenta navios e sete mil homens. Em 1630, essa esquadra chegava ao litoral pernambucano. Com forças tão poderosas puderam os holandeses tomar facilmente Recife e Olinda. , porém, ainda teve tempo de incendiar vinte e quatro navios que estavam no porto, carregados de paubrasil e açúcar, para que o inimigo não se apoderasse dessas riquezas.
Para cortar as comunicações entre Recife e Olinda, Matias de Albuquerque fundou o Arraial do Bom Jesus que, durante cinco anos, resistiu a todos os ataques.
Em 1631 a Holanda enviou ao Brasil uma esquadra de socorro, sob o comando de Adrian Pater. A Espanha organizou outra que tinha por comandante D. Antônio Oquendo. O combate entre as duas esquadras, no litoral da Bahia, não teve resultados decisivos. Mas o navio principal dos holandeses, isto é, o capitania, incendiouse e morreu o  comandante, Adrian Pater. Inventaram depois a lenda de que êle se envolveu na bandeira da pátria e atirouse ao mar, exclamando: "O oceano é o único túmulo digno de um almirante batavo".
Em Pernambuco a situação dos invasores era cada vez mais difícil, pois as guerrilhas e emboscadas impediam que eles avançassem para o interior. Mas, em 1632, a deserção de Domingos Fernandes Calabar, que antes havia lutado ao lado de Matias de Albuquerque, veio favorecer os holandeses.
Guiados por Calabar, o inimigo apoderouse da Vila de Igaraçu è conquistou o forte do Rio Formoso, defendido apenas por vinte homens. Quando entraram nesse forte, depois de quatro ataques, encontraram dezenove cadáveres. Estava vivo apenas o comandante, Pedro de Albuquerque, que havia recebido dois ferimentos.
Com a conquista do Arraial do Bom Jesus, em 1635, Matias de Albuquerque não pôde mais ficar em Pernambuco: retirouse então para Alagoas, numa longa caminhada, acompanhado de milhares de pessoas, homens, mulheres e até crianças, que não queriam viver sob o domínio dos invasores. Durante essa retirada, houve o combate de Porto Calvo: o inimigo, derrotado, entregou Calabar, que foi condenado à morte e enforcado.
Pouco depois, sofria Matias de Albuquerque grande injustiça: foi chamado a Portugal, acusado de não ter sabido defender a colônia. Em 1637, chegava a Pernambuco, para governar os domínios holandeses no Brasil, o Conde João , Esse conde fez muito boa administração e chegou a conquistar a simpatia dos vencidos. Só depois de sua volta para a Europa, é que recomeçou a luta, até a expulsão definitiva dos invasores.

Forte Maurício, às margens do rio São Francisco, atual Penedo.

Forte Maurício, às margens do rio São Francisco, atual Penedo.



RESUMO As invasões holandesas


a)    O  domínio espanhol


A morte de D. Sebastião (1578): em AlcácerQuibir, em luta contra os muçulmanos.
O sucessor de D. Sebastião: o cardeal D. Henrique (de 1578 a 1580).
O domínio espanhol  (15801640):   causa importante das invasões holandesas.
A Restauração (1640): D. João, Duque de Bragança, liberta Portugal do domínio   espanhol.
O ato de Filipe II que provocou as invasões holandesas: fechamento dos portos de todas as colônias aos navios holandeses.

b)    Invasão  da Bahia


A esquadra inimiga:
comando de Jacob Willekens, tendo por comandante das tropas Johann van Dorth.
Ação do governador Diogo de Mendonça Furtado: recrutamento dos soldados no comércio e na lavoura.
Entrada dos holandeses na  Bahia:  prisão do governador.
A resistência: preparada por D. Marcos Teixeira, morte de Johann van Dorth por Francisco Padilha e reforços chegados à Bahia comandados "por D. Francisco de  Moura.
A esquadra lusoespanhola: sob o comando de D. Fadrique de Toledo Osório, com a rendição dos holandeses  (30 de abril de 1625).

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