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VOLTAIRE – O século de Luís XIV – Particularidades e anedotas do reinado (trechos)


VOLTAIRE – O século de

CAPÍTULO XXV

(Excertos)

Particularidades e anedotas do reinado de Luís XIV

Luís XIV deu à sua corte, como ao seu reinado, tanto esplendor e magnificência, que os mínimos detalhes de sua vida parecem interessar à posteridade, da mesma maneira por que eram objecto da curiosidade de todas as cortes da Europa e de todos os contemporâneos. O esplendor do seu manifestava-se nas mínimas acções. Há maior avidez, sobretudo na França, de conhecer as particularidades dessa corte, do que as revoluções de alguns outros Estados. Tal o efeito de tão grande reputação: interessamo-nos mais em saber o que se passava no gabinete e na corte de Augusto do que em conhecer detalhes das conquistas de Átila ou Tamerlão.

A afeição de Luís XIV a Maria Mancini11 foi uma questão importante, porque ele a amou bastante para sentir-se tentado a desposá-la e mostrou-se bastante senhor de si para renunciar a esse amor. Esse triunfo por ele conquistado sobre sua paixão começou a fazer sentir que ele nascera com uma grande alma. Conseguiu outra vitória ainda maior e mais difícil sobre si mesmo, deixando o cardeal Mazarino tornar-se senhor absoluto do governo; o reconhecimento o impediu de sacudir o jugo que começava a pesar-lhe. Constituía anedota muito divulgada na corte haver ele dito, depois da morte do cardeal: "Não sei o que teria feito se ele vivesse mais tempo".

 

Aquele que presidia à educação do soberano, sob as ordens do marechal Villeroi, era, tal como se podia desejar, sábio e amável; mas as guerras civis perturbaram essa educação, e o cardeal Mazarino preferia que se dessem ao rei poucas luzes. Quando Luís XIV ligou-se a Maria Mancini, aprendeu facilmente o italiano, e quando se casou dedicou-se ao espanhol, mas com menor aplicação. O estudo, que negligenciara com os preceptores na adolescência, uma timidez oriunda do receio de comprometer-se e a ignorância em que o mantinha o cardeal Mazarino fizeram pensar a toda a corte que ele seria sempre governado, como , seu pai.

Não houve senão uma ocasião em que os que sabem julgar à simples vista compreenderam o que ele viria a ser: foi em 1655, quando, terminadas as guerras civis e depois de sua primeira campanha, seguida da coroação, o Parlamento quis ainda reunir-se por causa de alguns éditos. O soberano partiu de Vincennes, em traje de caça, seguido de toda a corte, entrou no Parlamento calçando grossas botinas, chicote na mão, e pronunciou estas palavras textuais: "São bem conhecidas as desgraças produzidas pelas vossas assembleias; ordeno que cessem as que começaram a propósito dos meus éditos. Senhor primeiro presidente, não consinto que tolereis assembleias e que os outros as convoquem".

Seu porte, já majestoso, a de seus gestos, o tom e o ar senhoril com que falou impuseram-se mais do que a autoridade de sua condição, até ali pouco respeitada. Mas essas primícias de sua grandeza pareceram esvanecer-se momentos depois, e os frutos não surgiram senão com a morte do cardeal.

Alguns meses após o desaparecimento do ministro, deu-se um facto sem precedente e, o que não é menos estranho, ignorado por todos os historiadores. Enviou-se, sob o maior sigilo, para o castelo da ilha Santa Margarida, no mar da Provença, um prisioneiro desconhecido, de estatura acima do comum, jovem e de aparência bela e nobre. Esse prisioneiro levava, em caminho, uma máscara sobre o rosto, e havia ordem para matá-lo se a retirasse. Permaneceu ele na ilha até quando um oficial de confiança, de nome Saint–Mars, governador de Pignerol, tendo-se tornado governador da Bastilha em 1690, foi buscá-lo no referido castelo, levando-o para a Bastilha, sempre com o rosto oculto sob a máscara. O marquês de Louvois teve ocasião de vê-lo na ilha, antes da transferência, e falou-lhe de pé, com uma consideração que indicava respeito. O desconhecido, levado para a Bastilha, ali ficou alojado tão bem quanto podia sê-lo no castelo; não lhe recusavam nada do que pedia; cultivava o melhor gosto pelas roupas brancas, de uma finura extraordinária, e pelas rendas; tocava guitarra. Serviam-lhe os pratos mais finos, e o governador muito raramente sentava-se diante dele. Um velho médico da Bastilha, que assistira algumas vezes esse homem singular, quando enfermo, dissera não lhe ter visto jamais o rosto, embora lhe tivesse examinado a língua e o resto do corpo. Era admiravelmente bem feito, dizia o médico; tinha a pele um pouco morena, o tom de voz atraente, não deixando absolutamente entrever quem poderia ser.

O desconhecido morreu em 1703 e foi enterrado à noite, na paróquia de São Paulo. O que torna o caso mais espantoso é que, quando o enviaram para a ilha Santa Margarida, não houve notícia de ter desaparecido na Europa nenhum homem notável. E o prisioneiro o era sem dúvida, como se pode aquilatar pelo que aconteceu nos primeiros dias de sua permanência na ilha. O próprio governador punha-lhe os pratos na mesa, retirando-se em seguida, depois de fechá-lo a cadeado. Certo dia o prisioneiro escreveu qualquer coisa, com uma faca, num prato de prata, e jogou-o pela janela, na direcção de um barco que se achava junto à margem, quase ao pé da torre. O dono do barco, um pescador, apanhou o prato e levou-o ao governador. Este, espantado, perguntou-lhe: "Leste o que está escrito neste prato? Alguém o viu em tuas mãos?" "Não sei ler — respondeu o pescador. — Acabo de encontrá-lo; ninguém o viu". O camponês ficou detido até o governador certificar-se de que ele não sabia ler e de que o prato não fora visto por ninguém. "Vai; — disse o governador — és bem feliz por não saberes ler". Entre as pessoas que tiveram conhecimento desse facto há uma muito digna de fé e que vive ainda.

O Sr. de Chamillart foi o último ministro que conheceu esse estranho segredo. O segundo marechal de la Feuillade, seu genro, disse que na morte do sogro conjurou-o de joelhos a revelar-lhe quem era aquele homem que não se conheceu jamais senão como "o homem da máscara de ferro". Chamillart respondeu-lhe tratar-se de um segredo de Estado e haver feito juramento de nunca revelá-lo. Enfim, restam ainda muitos dos meus contemporâneos que depõem sobre a verdade do que avanço, e não conheço, absolutamente, facto mais extraordinário, nem melhor comprovado.

Luís XIV, entretanto, repartia o tempo entre os prazeres próprios da idade e os negócios que constituíam os seus deveres. Reunia o conselho todos os dias e trabalhava em seguida, secretamente, com Colbert. Esse trabalho secreto foi a origem da desgraça do célebre Fouquet, na qual se viram envolvidos o secretário de Estado Guénégaud, Pellis-son, Gourville e muitos outros. A queda do ministro, contra quem se tinha muito menos acusações a fazer do que contra o cardeal Mazarino, mostrou que nem todos têm o direito de cometer as mesmas faltas. A perda de Fouquet já estava decidida quando o rei aceitou a festa magnífica que o próprio ministro lhe ofereceu em sua mansão de Vaux. Esse palácio, com os jardins, lhe havia custado dezoito milhões, valendo hoje cerca de trinta e cinco milhões. Ele o construíra duas vezes e comprara três pavilhões, que mandou cercar de jardins imensos, plantados, em parte, por Le Nôtre e considerados então os mais belos da Europa. Os repuxos de Vaux, embora parecessem depois abaixo de medíocres em comparação com os de Versalhes, de Marly e de Saint-Cloud, eram, na época, considerados verdadeiras maravilhas. Todavia, por mais bela que fosse a casa, a despesa de dezoito milhões, cujos assentamentos existem ainda, prova que ele servira a si próprio com a mesma falta de senso econômico com que servira ao rei. Na verdade, faltava muito para que Saint-Germain e Fontainebleau, as • únicas residências de recreio do soberano, pudessem comparar-se com a majestosa mansão de Vaux. Luís XIV sentiu isso e ficou irritado. Viam-se por toda parte, naquela casa, as armas e a divisa de Fouquet: um esquilo, com estas palavras: Quo non ascendam? ("Onde não subirei eu?"). O soberano pediu que lhe explicassem o significado daqueles dizeres, e a ambição contida no lema não foi de molde a serenar o monarca. Os cortesãos observaram que o esquilo estava pintado por toda parte, seguido de uma serpente idêntica à que figurava nas armas de Colbert.

A recepção ao soberano esteve acima daquelas que o cardeal Mazarino costumava dar, não somente pela magnificência, como também pelo bom gosto. Como um dos muitos entretenimentos, representou-se ali, pela primeira vez, "Les Facheux", de Molière. Pellisson escrevera o prólogo, que foi muito aplaudido.

É tão frequente na corte os prazeres públicos ocultarem ou prepararem os desastres particulares, que, não fora a intervenção da rainha-mãe, o superintendente e Pellisson teriam sido presos em Vaux, no próprio dia da festa…

O rei, tentado, num movimento de indignação, a mandar prender o superintendente no meio da festa dada em sua honra, usou, em seguida, de uma dissimulação pouco necessária. Tem-se dito que o monarca, já todo poderoso, temera o partido constituído por Fouquet. Era este procurador geral do Parlamento, e o cargo lhe concedia o privilégio de ser julgado pelas câmaras reunidas, mas depois que tantos príncipes, marechais e duques haviam sido julgados por comissários, um simples magistrado podia julgá-lo, já que se pretendia seguir essas vias extraordinárias, que, não sendo injustas, deixam sempre uma suspeita de injustiça.

Colbert convenceu Fouquet, por um artifício pouco honroso, a vender o cargo. Ofereceram-lhe até um milhão e oitocentas mil libras, equivalentes a três milhões e meio em nossos dias; e, por um mal-entendido, ele o vendeu por apenas um milhão e quatrocentos mil francos.

Embora havendo dissipado as finanças do Estado e usado delas como se lhe pertencessem, Fouquet não tinha por isso menos grandeza de alma; seus malbaratos não haviam sido mais que descomedimentos e liberalidades. Transferiu para o Tesouro Real o preço do seu cargo, mas essa bela acção não bastou para salvá-lo. Atraíram ardilosamente a Nantes um homem que um esbirro e dois guardas podiam prender em Paris; o rei fez-lhe afagos antes de perdê-lo.

Não sei por que a maior parte dos príncipes procura enganar com falsas bondades os súbditos que tencionam atirar à ruína; a dissimulação surge, então, como o reverso da grandeza; ela nunca é uma virtude e não pode tornar-sc uma qualidade apreciável, senão quando absolutamente necessária.

Luís XIV pareceu desmentir o seu carácter; mas lhe haviam dado a entender que Fouquet erguia grandes fortificações em Belle-Isle e poderia ter muitas ligações fora e dentro do reino. Depois de preso e conduzido à Bastilha e a Vincennes, teve-se a impressão de que o partido que lhe atribuíam não era outra coisa senão a avidez de alguns cortesãos e algumas mulheres que deles recebiam pensões e que o esqueceram logo que ele não se encontrou mais em condições de concedê-las. Restaram-lhe, todavia, outros amigos, provando que bem os merecia. A ilustre Mme. de Sévigné, Pellisson, Gourville, Mlle. de Scudéri e muitos homens de letras 12 manifestaram-se publicamente por ele e serviram-no com tanto empenho, que lhe salvaram a vida.

Um dos mais implacáveis perseguidores de Fouquet foi Michel Le Tellier, então secretário de Estado e seu rival em conceito, o mesmo que se tornou depois . Quando lemos sua oração fúnebre 13 e a comparamos com a sua conduta, que poderemos pensar senão que um çlogio fúnebre não passa de mera declamação? Mas foi o Séguier, presidente da comissão, um dos juízes escolhidos para julgar o processo, quem mais se bateu pela pena de morte, tratando o réu com a máxima severidade.

Na verdade, submeter o superintendente a processo era acusar a memória de Mazarino. As maiores dilapidações nas finanças haviam sido obra deste último; ele se apropriara, quando à testa do governo, de várias fontes de renda do Estado; tratara como coisa sua e em seu proveito as munições das forças armadas. "Exigia — diz Fouquet nas suas Memórias — por avisos régios, somas consideráveis das généralités u, o que não havia sido feito senão por ele e para ele, e que é punível de morte pelas ordenações". Foi assim que o cardeal conseguira reunir sua imensa fortuna, de que ele próprio não tinha ideia exacta.

O abuso feito por Mazarino do seu poder despótico não justificava o do superintendente; mas a irregularidade das sindicâncias realizadas contra o acusado, o tempo, que anula a inveja pública e vai inspirando compaixão pelos infelizes, enfim, as solicitações em favor de um desventurado, sempre mais vivas do que as manobras para perdê-lo, tudo isso contribuiu para salvar-lhe a vida. O processo só foi julgado ao cabo de três anos, em 1664. Dos vinte e dois juízes que opinaram, apenas nove concluíram pela pena de morte; os outros treze, alguns dentre os quais haviam aceito presentes de Gourville, manifestaram-se pelo banimento perpétuo. O rei transformou a pena noutra mais severa 15; essa severidade não estava de acordo nem com as antigas leis do reino, nem com as da humanidade. O que mais revoltou o espírito dos cidadãos foi o ter o chanceler feito exilar um dos juízes, de nome Roquesante 10, que mais concitara a Câmara de Justiça à indulgência. Fouquet foi encerrado no castelo de Pignerol. Todos os historiadores dizem que ali veio a falecer em 1680, mas Gourville assegura nas suas Memórias haver ele deixado a prisão algum tempo antes de morrer. A condessa de Vaux, sua enteada, já me havia confirmado esse facto, mas sua família não o tem como verdadeiro. Assim, paira a dúvida sobre o local onde morreu esse infortunado, cujos mínimos actos tinham a maior repercussão quando ele era poderoso

… O novo ministro das Finanças, com o simples título de controlador-geral, justificou a severidade de seus inquéritos, restabelecendo a ordem perturbada pelos seus antecessores e trabalhando sem desfalecimento para a grandeza do Estado.

A corte tornou-se o centro dos prazeres e o modelo das outras cortes; o rei fazia questão de dar festas capazes de tornar esquecidas as de Vaux.

… A principal glória de tais diversões, que aperfeiçoavam na França o gosto, a polidez e o talento, vinha do facto de elas em nada distraírem o monarca de seus trabalhos permanentes. Sem esses trabalhos, ele não teria sabido reinar, e se os prazeres magníficos da corte constituíssem um insulto à miséria do povo, seriam certamente odiosos; mas o mesmo homem que dava tais festas, dera pão ao povo na carestia de 1662; mandara vir o trigo que os ricos compravam a preço vil e distribuiu-o às famílias pobres à porta do Louvre; restituíra ao povo três milhões em impostos. Em parte alguma a administração interna era negligenciada; seu governo tornara-se respeitado no estrangeiro; o rei da Espanha concedera-lhe prioridade; o Papa vira-se forçado a dar-lhe satisfações; Dunquerque fora anexada à França numa negociação gloriosa para a adquirente e vergonhosa para a outra parte; enfim, todas as iniciativas, desde que ele tomara as rédeas do governo, tinham sido nobres e úteis. Havia razão, depois disso, para dar festas.

(1664). O núncio a latere Chigi, sobrinho do papa Alexandre VII, vindo, em meio ao regozijo de Versalhes, apresentar excusas ao rei pelo atentado da guarda do Sumo Pontífice 18, deu lugar a um espectáculo inteiramente novo. Essas grandes cerimónias foram festas para o público, e as honras prestadas ao enviado papal tornaram mais significativas as excusas. Sob um pálio, recebeu o núncio as homenagens das cortes superiores, da municipalidade, do clero; entrou em Paris ao troar do canhão, tendo à direita o grande Conde e o filho deste príncipe à esquerda, e veio com todo aparato humilhar-se — ele, Roma e o Papa — diante de um rei que ainda não havia desembainhado a espada; jantou com Luís XIV, depois da audiência, e não se pensou em outra coisa senão em tratá-lo com magnificência e em proporcionar-lhe diversões.

Tratou-se, mauptarde, o doge de Génova com menos honrarias, mas com o mesmo empenho em agradar que o soberano associava sempre às suas demarches altivas.

Tudo isso dava à corte de Luís XIV um ar de grandeza que obumbrava as outras cortes europeias.

11 Princesa Colona. Inspirou a Luís XIV uma verdadeira paixão. O Rei pensou seriamente em desposá-la, porém a isso se opôs o cardeal Mazarino, que apressou-se em casá-la com o príncipe Colona, vice-rei de Aragão e grande condestável de Nápoles.

12 É estranho que Voltaire não cite expressamente La Fontaine, que escreveu a Êlégie aux Nymphes de Vaux. Pellisson compartilhou da desgraça de Fouquet, tendo sido encarcerado na Bastilha. Redigiu três Memórias para defender seu chefe; Luís XIV privou-o da tinta e do papel; ele continuou escrevendo com um lápis improvisado às margens dos livros postos à sua disposição. Só foi posto em liberdade cinco anos depois.

13 Essa oração fúnebre foi, segundo dizem, pronunciada por .

14 A França, do ponto de vista da administração financeira, estava dividida em vinte e sete généralités ou circunscrições, à frente de cada uma das quais se achava um intendente, que reunia as rendas provenientes das contribuições directas e indirectas.

15 Racine assegura nos Fragments historiques que o soberano dissera: " Se ele fosse condenado à morte, eu o teria deixado morrer". Se pronunciou tais palavras, não podemos desculpá-lo; elas nos parecem muito duras e muito ridículas. (Nota de Voltaire).

16 Roquesante, o divino Roquesante no dizer de Mme. de Sévigné, foi exilado para Quimper. Era conselheiro no Parlamento de Provença. Olivier d’Ormesson, que se havia pronunciado pelo banimento e confisco dos beng, foi demitido de suas funções de intendente.

17 Já não existem dúvidas quanto a esse ponto: Fouquet morreu em Pignerol, em 23 de Março de 1680.

18 Tendo o duque de Gréqui, embaixador da França em Roma, revoltado os Romanos com a sua altivez, a guarda corsa atirou contra a sua carruagem. Luís XIV, irritado com o facto, exigiu satisfações cabais. Foi preciso que o sobrinho de Alexandre VII viesse à França apresentar as desculpas do Papa.

Fonte: VOLTAIRE. Clássicos Jackson vol XXII. Tradução de Brito Broca.

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