História da Suécia no século XVI

História da Suécia no século XVI

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História Universal – Césare Cantu

CAPÍTULO XXVIII

Suécia

Durante o reinado de Cristiano II, cunhado de Carlos V, apelidado o Nero do Norte, João Ângelo Archimbold (1517), protonotário apostólico, passou à I Escandinávia como legado pontifical, para lá prodigalizar as indulgências. Êle obteve do rei autorização para percorrer o país mediante mil e cem florins do Reno, e cometeu as inconveniências a que de ordinário dava lugar este gênero de tráfico. Porém, logo que ajuntou muito dinheiro, o rei mandou confiscar o seu navio, cuja captura foi avaliada em vinte mil ducados.

As máximas de Lutero foram depois pregadas aoã suecos pelos filhos do marechal Pedro Fase, Olaus e Lourenço, que tinham sido educados em Wittenberg. A reforma não devia contudo nascer nestas regiões; como na Alemanha, de uma luta entre as opiniões religiosas, hierárquicas e políticas, que não resultam àá vezes de uma convicção profunda, mas sim de um golpe de Estado.

Logo que a trindade monárquica, ajustada para desgraça comum na união de Calmar, se dissolveu, Stenão, o Velho, e Swante Sture reclamaram o auxílio da nobreza e do clero, o que contribuiu para o bom êxito de suas empresas mas, tendo Stenão, o Moço, concebido a idéia de reprimir estas duas ordens, seguiu-se uma reação que ocasionou a discórdia, fêz prevalecer o partido dinamarquês, e produziu o restabelecimento da união. No entanto, Cristiano II, cansou de tal modo a paciência das populações com sua tirania, que foi expulso, e o arcebispo de Upsal, Erico Troll, cobrindo-se com o manto da religião para abater o partido nacional, declarou hereges os rebeldes em nome de Leão X, e não desprezou coisa alguma para fazer morrer Gustavo Wasa. Nada mais foi preciso para tornar odiosa a religião de Roma, e Gustavo confundiu esse ódio com o que êle tinha aos dinamarqueses. Portanto, logo que, protegido, não pela nobreza, mas por todas as forças vivas da nação, Gustavo foi feito rei da Suécia, favoreceu a reforma, para não se achar obrigado a fazer, como seus predecessores, o juramento de respeitar o clero. Tendo dois bispos sido acusados de maquinações na Dalecarlia (1525), êle se fêz seu acusador e quase seu algoz, expondo-os aos mais grosseiros ultrajes antes de os entregar ao cutelo do carrasco.

Contudo, antes que se pronunciasse de uma maneira decisiva, êle esperou que as idéias dos reformadores se houvessem espalhado pelo país, e que Carlos V e Clemente VII tivessem bem que fazer a combaterem os manejos um do outro, para não pensar na Suécia. No entanto, aquietou com protestações hipócritas as apreensões dos bispos; escolheu, para os cargos vagos, pessoas com cuja fraqueza podia contar, e não lhe foi sensível faltar à honra, à consciência, para estabelecer uma religião que em razão do seu caráter monárquico êle achava oportuna para seus desígnios. Por sua ordem, a nobreza, os bispos, o burgomestre e um oficial municipal de cada uma das cidades, seis aldeões de cada jurisdição e três ou quatro cónegos por capítulo, foram convocados em Westeras (1527). No banquete preliminar, êle deu a precedência sobre os prelados aos nobres, que tinha prevenido para virem armados. Depois expôs à assembléia de que modo tinha empregado em proveito do Estado os onerosos impostos que pesavam sobre o povo; alegou que os eclesiásticos se queixavam de que êle não dava atenção a seus votos, mas que cumpria tratar de curar as chagas do Estado, dando ao rei subsídios convenientes, e restituir aos nobres os bens alienados pela imprudência de seus antepassados.

Tendo o clero declarado não poder consentir na espoliação das igrejas, êle acrescentou: Nesse caso, não posso reinar, e abdico; depois retirou-se. Isto foi um laço de mestre, porque a assembléia mandou suplicar-lhe que voltasse, e desde então não pôde recusar-lhe mais nada. Resolveu-se, portanto, que os bens dos bispos, dos capítulos e dos conventos, fossem reunidos aos domínios da coroa, que pela sua parte determinaria as somas a abonar para alimentos ao clero, nomearia os pregadores, e fixaria a circunscrição das paróquias.

A religião reformada foi assim estabelecida legalmente na Suécia antes de o ser na Alemanha, mas como o clero inferior repugnava ao luteranismo, o rei, na qualidade de chefe da igreja (1529), estabeleceu no Concílio de CErebro uma liturgia modelada pela liturgia luterana, mas que apresentava uma mistura extravagante, por isso que não abolia as cerimônias católicas, e que diferentemente da liturgia alemã conservava em parte a hierarquia. Lourenço Fase (1531), filho de Pedro, principal apóstolo da reforma, foi promovido à Sé de Upsal; porém, como êle quisesse proceder violentamente, e não se prestasse a deixar aplicar os bens eclesiásticos a usos profanos, caiu no desagrado do rei. Para vencer todas as resistências, Gustavo percorreu o reino à testa de um numeroso exército, tendo o cuidado de mandar adiante de si pregar a reforma; depois chegava êle para expropriar a gente da igreja, e alojar a sua cavalaria nos mosteiros.

O clero possuía duas terças partes das terras, que êle tinha conquistado com esforços seculares a uma natureza ingrata, ou obtido em paga da civilização, da agricultura ensinada ao país e da educação dada aos mosteiros. Gustavo julgou enriquecer-se, confiscan-do-as; porém teve de recorrer a outros meios para obter dinheiro. Êle não deixou senão um sino às igrejas, arrecadou em seu proveito o dízimo que lhes pagavam, e submeteu também os nobres ao imposto. Reconhecendo a importância do comércio, esforçou-se por atrair a seus Estados o da Rússia. Em 1558, a Suécia tinha vinte e nove vasos de guerra e mais de cem navios mercantes; no entanto, por morte de Gustavo, não se contava em Estocolmo mais de duzentas e nove pessoasi que negociassem ou vendessem em loja, e duzentos-artistas, entre mestres e operários.

A Suécia ia-se transformando. Os nobres tinham entregado a sua pátria à Dinamarca, e a Dinamarca tinha-os arruinado, dizimado; o clero tinha-se separado do povo para favorecer os estrangeiros, e era arrasado de um só golpe; as duas aristocracias achavam-se portanto batidas, e a monarquia levantava-se sobre as suas ruínas.

Gustavo, mais cultivado do que o resto da sua nação, e exprimindo-se com uma feliz facilidade, chamava os estrangeiros à sua corte; usava vestidos suntuosos, dava festas e banquetes esplêndidos, fazia mesmo executar concertos, quando a música, antes dele, era detestada pelos suecos. Resultou disto que, apesar da sua hipocrisia e da sua crueldade, êle foi mais amado de seus súditos do que nenhum dos seus predecessores; e a aliança que êle contraiu com Francisco I o pôs em comunicação com a Europa.

As revoltas, que de ordinário agitam um reinado novo em conseqüência da colisão dos interesses e das afeições, foram numerosas durante o seu, e principalmente na Dalecarlia, onde os católicos se tinham refugiado. Elas eram ali promovidas por Lubeck, que queria recuperar a sua influência perdida sobre a Escandinávia. Gustavo fingiu acolher as queixas desses aldeões robustos e irritados, eme tinham sido os principais instrumentos da sua elevação; deu salvo-condutos a seus chefes; depois, apresentando-se lá com o seu exército, derrotou-os em uma batalha, atemorizou-os com suplícios, e o catolicismo foi extirpado da Dalecarlia, cujos habitantes ficaram despojados dos direitos que lhes eram caros.

Os Estados, reunidos em CErebro, declararam a coroa hereditária na linha masculina, o que fêz subir ao trono Erico XIV; porém Gustavo tinha determinado (1560?), por amizade aos três filhos que tinha tido de uma segunda mulher, que estes príncipes conservassem como independentes a Finlândia, a Ostro-gótia e a Sudermânia. Ora, o novo rei procurou restringir esta concessão e rebaixar a nobreza. Neste intuito, criou, por ocasião da sua coroação, três condes e nove barões, dignidades insólitas num país em que os nobres não cavaleiros eram iguais entre si, e pouco superiores ao simples cidadão. Êle adotou também a etiqueta das cores meridionais, e rodeou-se de uma nobreza feudal, de camaristas e de doze senadores, quatro dos quais formavam o seu conselho privado, de que se seguiu que o corpo que dantes tinha representado o povo não foi desde então mais do que o instrumento do rei.

Estas inovações causaram descontentamento tanto mais que êle pretendeu fazer reviver a antiga obrigação imposta aos nobres de fornecerem homens para o serviço militar. Tendo pedido em vão a mão de Isabel, de Maria Stuart e de uma princesa de Hesse, êle quis casar com Catarina Mans, filha de um cabo de esquadra, a quem tinha feito mãe. A nobreza opôs-se abertamente a este casamento, o que o tornou desconfiado, violento e furibundo. Êle mandou prender diferentes senhores (1567), pela prevenção de terem querido atentar contra a sua vida; e, sabendo que, enquanto se instruía o pleito, o duque de Finlândia se tinha evadido da sua prisão, apunhalou por sua própria mão Nicolau Sture, um dos acusados; depois fugiu como doido para o campo. Dionísio Barrey, que o tinha educado, foi ter com êle; e como intercedesse pelos presos, foi condenado à morte com todos os encarcerados. Assaltado em breve pelos remorsos, lançou-se, para lhes escapar, em novos furores, a que sucedeu uma tenebrosa melancolia, em cujos acessos se julgava rodeado de espectros e de demônios.

A sua única consolação era a companhia de Catarina, a quem por fim esposou (1568), pondo assim remate ao descontentamento da nobreza. João, seu irmão, que Erico tinha mandado encarcerar como culpado de tramar, depois restituído recentemente à liberdade, pôs-se à frente dos revoltosos com o príncipe Carlos, seu outro irmão, tomando para sinal de reunião as folhas do carvalho debaixo do qual se tinham reunido para organizar a conjuração. Tendo-se apoderado de Erico, fizeram-lhe sofrer na prisão os mais vis insultos. João consultou o senado para saber se, no caso de perigo, poderia desembaraçar-se dele, e, tendo recebido resposta afirmativa, tentou envenená-lo (1577). Eppure tinha, no entanto, dado animação à marinha e à indústria, chamado os banidos, escrito uma obra sobre a arte da guerra, e composto hinos que ainda hoje são cantados.

A Livônia, não podendo defender-se contra os russos, nem contra os cavaleiros porta-espadas, e não querendo submeter-se à Polônia, entregou-se a Erico, e seguiu-se daí uma longa guerra com todo o Norte. Frederico, rei da Dinamarca, que aspirava também à posse desta província, tomou por pretexto de suas hostilidades o escudo de três coroas que usavam igualmente da Suécia e da Dinamarca, em memória da união dos reinos escandinavos. Mútuas perdas e os estragos que daí resultavam, continuavam no tempo de João III. Mas este príncipe afinal concluiu (1570) a paz em Stettia, onde se convencionou que êle conservaria as armas contestadas, e que a Dinamarca desistiria de suas pretensões sobre a Suécia, como a Suécia desistiria das suas sobre a Noruega, a Escânia e a Gotlândia.

A questão principal, que era a posse da Livônia, ficou por decidir, por isso que o imperador pretendia ter a sua soberania; mas, como êle não pudesse pagar o resgate, João III conservou-a.

No tempo em que João estava preso, Catarina, sua mulher, da família polaca dos Jagelões, tinha querido tomar parte em seu cativeiro; e, prodigalizando-lhe as consolações da religião, esforçara-se por convertê-lo ao cristianismo. Logo que subiu ao trono, ela e outros mais instaram com êle para que restabelecesse o culto romano; alguns jesuítas disfarçados se empregaram nisso principalmente, e compuseram para esse fim uma liturgia da igreja sueca conforme a igreja católica (1578); finalmente Gregório XIII mandou à Suécia o padre Antônio Possevino, cuja espantosa constância não tinha que a igualasse senão o seu desembaraço. João III abjurou entre suas mãos, mas em breve Guilda Bielke, sua segunda mulher, luterana entusiasta, modificou a sua opinião, e se êle não pensou mais em fazer mudar seus súditos de religião, obstinou-se por amor-próprio em fazer aceitar a sua liturgia.

Indolente, vão e desconfiado, obteve para seu filho Sigismundo o trono da Polônia, com a condição de que por sua morte êle lhe sucederia sem que a Suécia sofresse dano nem perigo. Porém, logo que êle terminou seus dias (1592), seu irmão Carlos, com quem João tinha prometido repartir o reino tirado a Erico, e com quem tinham tido lugar alternadamente hostilidades declaradas e reconciliações suspeitas, tomou as rédeas do governo em nome de seu sobrinho, mas com intenção de as conservar, dando-se por protetor da religião e da liberdade, moeda, de que os ambiciosos nunca são avaros com aqueles a quem eles querem enganar. Os senadores, tendo saudades de seus direitos usurpados, favoreceram Carlos, que afagou as paixões, e fêz justiça a algumas queixas contra a tirania de João (1595), de tal modo que, vindo os antiliturgistas a prevalecer, a confissão de Augsburgo foi aceita na sua íntegra.

Sigismundo, tendo vindo para cingir a coroa, não encontrou senão rostos descontentes; e quando se retirou, Carlos tomou a administração do reino com a presidência do senado. Êle concluiu com a Rússia uma paz vantajosa, conservando a Estónia mediante a cessão da igreja, e ocupou-se de espalhar calúnias contra Sigismundo, especialmente sobre coisas de religião, para as quais a credulidade é maior. Êle afetava, além disso, proceder com legalidade, con formando-se com os decretos da dieta. Tendo Sigismundo mandado queixar-se deste comportamento (1596), Carlos respondeu com vagas negativas, e abdicou a administração, que entregou aos Estados. Porém ficou perturbadíssimo ao ver tomar a sério aquilo que êle tinha esperado não dever ser mais do que uma simples demonstração. Então recorreu a vis manejos e a pequenos motins, para se fazer rogar em reassumir a direção dos negócios, como se a pátria se achasse em perigo; êle excitou mesmo uma guerra civil encarniçada; e, tendo-se feito confirmar, pelos da sua facção, no título de administrador do reino, apossou-se da frota expedida por Sigismundo para restabelecer a sua autoridade.

Era difícil a Sigismundo, retido na Polónia pelas más disposições deste país, ocupar-se eficazmente da Suécia. Contudo, quando êle chegou com tropas em barcos de comércio que tinha fretado, Carlos opôs-lhe resistência declarada, e as negociações não foram adiantadas menos ativamente do que as operações militares. Carlos não desprezava coisa alguma para fazer ostentação dos merecimentos que tinha, e não se fartava de queixar; afinal Sigismundo consentiu em se confiar à resolução da dieta (1598), e em entregar a Carlos, cinco senadores que se lhe tinham conservado fiéis. Depois de o ter aviltado com esta transação, Carlos preparava-se para lhe fazer sofrer grande dissabor, quando Sigismundo se resolveu a fingir. O regente fêz-se então proclamar príncipe reinante por direito hereditário, e continuou a espalhar libelos injuriosos contra o rei, a quem êle os dirigiu em forma de queixas ou de notas oficiais. As calúnias contra a religião católica e contra os jesuítas eram o tema mais ordinário deste demagogo ambicioso, que procurava excitar as paixões populares. Êle se pôs depois abertamente à obra, imolando seus adversários e nomeando para este fim um tribunal destinado a pôr o selo das condenações nas calúnias dirigidas contra o rei. Sigismundo foi declarado como tendo perdido seus direitos (1600); Carlos e sua descendência lhe foram substituídos, com a estipulação de que todo o príncipe que se fizesse católico perderia seus direitos à coroa, e todo aquele que o induzisse a converter-se fosse declarado traidor à pátria.

Cruel, desconfiado, alheio à compaixão, sem lealdade, sem honra e julgando-se enganado por toda a gente porque estava habituado a enganar os outros, Carlos foi contudo de uma atividade e de uma perseverança sem iguais; êle soube reconhecer as oportunidades políticas, assim como a maneira de as aproveitar. Promulgou um novo código, edificou diferentes cidades, favoreceu a instrução e compôs uma crônica rimada. Por ocasião da paz concluída (1595) em Tensin, entre a Rússia e a Suécia, tinha-se estipulado que a Rússia não impediria os lapões, que habitavam entre a Ostrobótnia e o mar até Waranger, de pagarem tributo à Suécia. Os russos tinham aceitado este artigo sem reparar que a Finnmark ficava assim conferida à Suécia, ao passo que ela pertencia à Noruega, dependente da Dinamarca. A Dinamarca queixou-se disto, e suscitou de novo a questão das três coroas, o que acabou por produzir uma guerra. Carlos tomou o título de rei dos lapões; Cristiano IV, tendo-se apresentado diante de Calmar, destruiu a frota sueca, e suas vitórias encheram de amargura os últimos dias de Carlos. Por sua morte, êle legou três guerras, com a Polônia por causa da posse da Livônia, com a Rússia e com a Dinamarca por causa da Lapônia.

Gustavo Adolfo deu-se pressa em concluir a paz com a Dinamarca. As conquistas foram restituídas mutuamente, e as três coroas conservadas. A Suécia renunciou, além disso, a uma parte da Lapônia, pagou um milhão de risdales, e ficou excluída do mar Glacial (1613).

As coisas tiveram melhor resultado com a Rússia. Quando Wladislau da Polônia foi feito czar( 1611), os suecos declararam-lhe guerra, tomaram Novgorod e as melhores praças da Ingria, com a intenção de as reunir ao seu território. A Gardia continuou felizmente a campanha contra os Romanof, e Gustavo Adolfo sitiou Paskoff em pessoa (1615). Porém como a Inglaterra e a Holanda interviessem como mediadoras (1617), convencionou-se que a Rússia cedesse a íngria, pagando vinte mil rublos. Esta potência privava-se assim da faculdade de se comunicar com a Europa pelo Báltico, e tornava-se outra vez um Estado asiático, renunciando a seus projetos marítimos.

A inimizade continuava a subsistir entre os dois ramos dos Wasas na Suécia e na Polônia, inimizade suspensa por diferentes tréguas, mas sem que a paz parecesse por isso mais próxima. As cortes de Madri e de Viena, prevendo que Gustavo viria a envolver-se nos negócios da Alemanha logo que se achasse seguro no seu país, promoviam estas hostilidades; porém elas lhe serviam para exercitar seus soldados nessa guerra inteiramente de tática, que em vez de fazer consistir a vitória no bom êxito de uma batalha, tendia, pela escolha das posições, a demorar as operações. Apenas pôde ajustar trégua com a Dinamarca (1629), êle entrou na Alemanha, onde o vimos constantemente vencedor, até o momento em que caiu ferido mortalmente nos campos de Lutzen.

Êle tinha sido obrigado (1634) a conceder novos direitos à nobreza, que, tornada feudal e crescendo em orgulho, preparava grandes males à Suécia. Êle a distribiuiu em três classes: condes e barões, cavaleiros ou descendentes dos senadores e simples nobres. Determinou também, de modo explícito, o lugar que deviam ocupar nas assembléias nacionais o clero, os militares e os burgueses.

Êle ofereceu asilo aos emigrados protestantes, que se resignavam a esse áspero clima para gozarem da liberdade de consciência, e obtinham certos privilégios, com a faculdade de regressar à sua pátria logo que o desejassem. Gustavo projetou uma grande companhia de comércio com as Províncias Unidas e a Alemanha protestante, para estabelecer relações com a Ásia, África. América e terras de Magalhães. Reformou o exército, e lançou, para ocorrer à sua sustentação, uma taxa sobre os grãos trazidos aos moinhos, o que isentava os pobres, acostumados a moê-los à mão. Lançava outra sobre as bebidas. Fêz um código criminal, e propunha-se a dar ao reino uma constituição destinada a evitar as desordens que resultavam da elegibilidade para a Coroa e da diferença de religião. Juntando a liberalidade à instrução, êle fêz presente dos domínios da sua família à Universidade de Upsal.

Bondoso de coração, mesmo quando se deixava arrebatar pela cólera, êle dizia que as nações deveriam pedir a Deus de lhes não conceder grandes reis, prontos sempre para perturbarem a paz com suas empresas. Tendo um dia sido encontrado por um conselheiro, sozinho e ocupado a ler a Bíblia, disse-lhe que tinha procurado fortalecer-se com a palavra de Deus, porque ninguém está mais exposto às tentações do demônio do que aqueles que não devem conta de suas ações senão a Deus unicamente.

Em suma, êle se ocupou, durante todo o seu reinado, de felicitar o seu povo, de o libertar dos estrangeiros, de lhe assegurar uma posição no Báltico, na Livônia, celeiro do Norte, na Prússia, chave dos grandes rios, e na Pomerânia, para lhe dar lugar na confederação germânica. Talvez que êle meditasse, logo que viu a fortuna sorrir-lhe na guerra de trinta anos conquistar toda a Alemanha ou pelo menos a parte protestante, e renovar na Itália a dominação dos gôdos. A reunião da Polônia e da Suécia era sobretudo objeto de seus votos. É por isso que dissemos que êle morreu a tempo para a sua glória, antes que a ambição viesse manchar o seu esplendor.

Pode julgar-se dos merecimentos deste príncipe pela consternação em que a sua morte mergulhou seus partidários, ou pela indecente alegria que ela excitou em Viena, em Munique e em Madri. A Polônia e a Dinamarca julgaram então chegado o momento de reparar as suas perdas: os suecos viam o edifício da sua grandeza a ponto de baquear; mas o grão-chanceler Oxenstiern continuou a guerra com tanta prudência como firmeza, ao mesmo tempo que mantinha a ordem no interior do reino. Êle propôs ao senado que recebesse como rainha Cristina, filha de Gustavo, de apenas seis anos de idade. Como é essa menina? exclamou um aldeão; nós não a conhecemos. O chanceler mostrou-a à assembléia, e o aldeão prosseguiu: Seus olhos, sua testa, seu rosto, são os de Gustavo; é êle inteiramente. Seja nossa rainha! E Cristina foi proclamada em meio de aplausos unânimes, com uma regência presidida por Oxenstiern,

 Trad. de S. Fittipaldi, Edameris, 1966.

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