Gregório de Matos – Resumo da obra e biografia e poemas

GREGÓRIO DE MATOS GUERRA nasceu na cidade da Bahia em
1623, e faleceu em 1696. Tendo-se doutorado em Direito na Universidade
de Coimbra, advogou em Lisboa, onde gozou da privança do príncipe re-
gente, depois Pedro II. Na sua terra natal serviu como tesoureiro-mor
da catedral e vigário geral da diocese, cargos que deixou quando exigiram
que completasse a sua ordenação, pois era só minorista. Pela mordacidade
das suas sátiras foi degredado para Angola e de lá voltou para o Brasil,
indo residir em Pernambuco, onde morreu cristãmente. —

Foi escritor popular e engraçado. Não lhe faltam conceitos e trocadi-
lhos — que era vício do tempo — e por vezes descai na obscenidade.

"Cabe-lhe a glória, diz Fernandes Pinheiro, de haver introduzido
em nossa metrificação o verso italiano decassílabo, hoje muito usado, e
conhecido nos compêndios de poesia pela denominação de gregoriano".

De suas obras poéticas publicou-se o primeiro tomo em 1882. A
Academia Brasileira de Letras fêz divulgar, sob a orientação do acadé-
mico Afrânio Peixoto, as obras completas de Gregório de Matos sob
os cinco aspectos que nelas se deparam. Louvabilíssimo esforço em bene-
fício de nossas letras seiscentistas.

Anjo Bento – Poema de Gregório de Matos

Destes que campam no mundo
Sem ter engenho profundo,
E, entre gabos dos amigos,
Os vemos em papa-figos,
Sem tempestade, nem vento:
Anjo bento!

De quem com letras secretas
Tudo o que alcança é por tretas,
Baculejando sem pejo,
Por matar o seu desejo,
Desde a manhã té à tarde:
Deus me guarde!

Do que passeia farfante,
Muito prezado de amante,
Por fora luvas, galões,
Insígnias, armas, bastões,
Por dentro pão bolorento:
Anjo bento!

Destes beatos fingidos,
Cabisbaixos, encolhidos,
Por dentro fatais maganos,
Sendo nas caras uns Janos,
Que fazem do vício alarde:
Deus me guarde!

Que vejamos teso andar
Quem mal sabe engatinhar,
Muito inteiro e presumido,
Ficando o outro abatido
Com maior merecimento:
Anjo bento!

Destes avaros mofinos,
Que põem na mesa pepinos,
De toda a iguaria isenta.
Com seu limão e pimenta,
Porque diz que o queima e arde:
Deus me guarde!
(Obras Poéticas, 1882, tomo I, pp. 45-47)

Sátiras – Gregório de Matos

(A um comedor exagerado)

Levou um livreiro a dente
De alfaces todo um canteiro,
E comeu, sendo livreiro,
Desencadernadamente.
Porém eu digo que mente
A quem disso o quer tachar:
Antes é para notar
Que trabalhou como mouro,
Pois meter folhas no couro
Também é encadernar.

(A um músico esbordoado)

Uma grave entonação
Vos cantaram, Brás Luís,

Segundo se conta e diz,
Por solfa de fabordão.
Pelo compasso da mão,
Onde a valia se apura,
Parecia solfa escura:
Porque a mão nunca parava,
Nem no ar, nem no chão dava,
Sempre em cima da figura.

(Idem)

Soneto Lírico

Quem viu mal como o meu, sem meio ativo?
Pois no que me sustenta e me maltrata,
E’ fero quando a morte me dilata,
Quando a Vida me tira é compassivo!

Oh! do meu padecer alto motivo!
Mas oh! do meu martírio pena ingrata!
Uma vez inconstante, pois me mata;
Muitas vezes cruel, pois me tem vivo!

Já não há, não, remédio, confianças;
Que a Morte a destruir não tem alentos,
Quando a Vida em penar não tem mudanças:

E quer meu mal, dobrando os meus tormentos
Que esteja morto para as esperanças,
E que ande vivo para os sentimentos.

(Lírica, 1923, p. 21)


Seleção e Notas de Fausto Barreto e Carlos de Laet. Fonte: Antologia nacional, Livraria Francisco Alves.

 

 

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