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Verdade-Metafísica-Poesia: Um ensaio de filosofia a partir dos haicais de de Luís Antônio Pimentel


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01/21/08

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      de Luís Antônio Pimentel

 

Verdade-Metafísica-Poesia
Um ensaio de filosofia a partir dos haicais de Luís Antônio Pimentel

por

R. S. KAHLMEYER-MERTENS

NOTA PRELIMINAR DO AUTOR

O presente livro é produto de um curso de Filosofia intitulado Fundamentos filosóficos da cultura ocidental. Ministrado durante o primeiro semestre do ano de 2006, para uma turma de graduação em Letras, em que se buscava tratar do tema a partir de Qu’est-ce Que la philosophie? do filósofo alemão Martin Heidegger. O texto, cuja adoção se pautou pela necessidade de atender à ementa, justificava-se também pela conveniência de servir a uma pesquisa de doutorado. Constituindo na leitura pontual do texto e consecutivo debate com os alunos, o curso era amparado por uma apostila que trazia as idéias do filósofo sistematicamente comentadas. Contudo, como tal didática permite a intervenção dos discentes, algumas questões acerca dos argumentos heideggerianos foram colocadas, principalmente no que tange às afirmações ainda pouco pacíficas de que “o Ocidente e a Europa, e somente eles, são, na marcha mais íntima de sua história, originariamente filosóficos.”

Muitos debatedores com formação em Letras recorreram aos conhecimentos de Literatura e Lingüística, conduzindo inesperadamente a argumentação à temática de textos de Heidegger que tratam da linguagem e dos poucos — porém intensos — momentos em que o filósofo esteve em contato com o pensamento oriental. Sabe-se que Heidegger possuiu diversos alunos orientais e que por meio deles conheceu o pensamento do Oriente. Um testemunho disso é dado em seu livro Caminhos da linguagem, num texto intitulado: De uma conversa sobre a linguagem entre um japonês e um pensador (reprodução do diálogo de nosso autor com o Professor Tezuka da Universidade Real de Tóquio). O diálogo com o oriental poderia parecer pitoresco para aqueles que concebem Heidegger como um filósofo europeu restrito ao universo do pensamento ocidental; ignorando, em sua biografia, as afinidades com o Oriente, as quais chegaram a levá-lo a traduzir, com o auxílio de um sinólogo, trechos do Tao Te Ching de Lao Tsé e a comparar, na conferência O Princípio de identidade, o conceito grego de linguagem (lógos) com o Tao dos chineses.

O ensaio em nosso livro tem por objetivo especular sobre a relação entre os pensamentos ocidental e oriental, a partir das noções de verdade, metafísica e poesia. Toma por ponto de partida a poesia haicai. Cumprindo a tarefa de uma problematização desses elementos e visando a contribuir para o preenchimento da lacuna existente entre os modos de pensar acima mencionados. Da mesma maneira, retoma o haicai como tema digno de consideração da Filosofia.

Reconhecemos que nosso ensaio incorre em pequenas digressões, justificadas pela necessidade de uma contextualização dos argumentos. Espera-se, quanto a essas, a condescendência do leitor mais exigente, pois, afinal, não comprometeram o desenvolvimento das idéias aqui consignadas, tampouco a estrutura de texto. O ensaio conta com três tópicos, cada qual reservado aos conceitos anunciados no título. Ao final, nos convencemos de que o haicai é terreno fértil ao pensar, para além das suas circunstâncias geográfico-culturais, entretanto, nossos resultados não se furtam a críticas ou se consideram palavra final. Em nossa pesquisa, o acaso por vezes conspirou favoravelmente, para fazer com que se tornassem disponíveis livros e periódicos que permitiam pensar a implicação de Heidegger com o Oriente, com sua poesia e linguagem. Foi também assim que a poesia haicai veio à pauta de nossas discussões, tendo como pano de fundo a questão da verdade e da metafísica.

Entre todos os diálogos, o mais essencial foi o com o Poeta brasileiro Luís Antônio Pimentel. Seu conhecimento da cultura japonesa e a possibilidade de sua poesia conjugar todas as questões relativas ao encontro entre os pensamentos ocidental e o oriental, mais que testemunhar o intercâmbio entre essas, foram motivos suficientemente persuasivos para adotarmos seus haicais como ponto de partida para nossas reflexões de filosofia.

Registrando aqui meu agradecimento a Pimentel, desejo expressar meu sentimento de profundo respeito àquele que, com interesse e infatigável paciência, contribuiu delineando as idéias (ainda espalhadas em protocolos tomados por ouvintes) e matéria adicional aos fichamentos de nossa pesquisa preliminar. Agradeço também às boas intuições fomentadas pelo convívio de todos com quem dialoguei nos muitos encontros do Calçadão da cultura, o que a mim só confirma esse como um espaço onde se pode estar em meio às idéias acompanhado da melhor inteligentzia.

Quanto ao apêndice desse volume, trata-se de uma entrevista, semi-estruturada com perguntas abertas, concedida pelo poeta no dia 21/07/2007. Inicialmente, tinha o propósito de servir para coleta de dados adicionais à bibliografia, depois, diante da constatação de seu valor documental, espontaneidade e autonomia,
optou-se por publicar integralmente o conteúdo, tendo a transcrição apenas a preocupação em corrigir anacolutos, pleonasmos e demais negligências do discurso oral.

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