O Cacho de Bananas – Viriato Corrêa

O Cacho de Bananas – Viriato Corrêa

O Cacho de Bananas –
Viriato Corrêa

in“Meu Torrão”.

 

in "Meu Torrão"

 

Havia naquela manhã, no palácio real de Lisboa, uma agitação
maior do que nas outras manhãs.

Um mundo de gente nos salões:   velhas
fidalgas arras­tando longas caudas de seda, damas da corte cheias de jóias,
nobres de todas as idades, mi­nistros, monsenhores, cônegos, frades, tudo
enfim, o que o reino português tinha de mais ilustre e de mais brilhante. Ia o
rei, naquele momento, receber um brasileiro, Ma­nuel Branco, o grande
bandeirante paulista.

A chegada de Manuel Branco em Lisboa tinha
impressionâdo Portugal inteiro.  É que ele vinha do Brasil.

Agora,
para os portugueses, o Brasil não era mais a terra selvagem colocada no fim do
mundo. Era uma espécie de país de fadas, fantástico, maravilhoso.

 


Aqui
tinham sido descobertas as primeiras minas de ouro e as notícias que, dessas
minas, chegavam a Portugal, deslumbravam as criaturas.

Dizia-se
que as riquezas existiam no Brasil a dar com os pés: tão ricas eram as minas,
que o ouro brotava à flor da terra como as plantas; os rios tinham águas
amarelas, porque as águas não eram senão ouro líquido; havia infi­nidade de
cascalhos de ouro nos caminhos e de pedra de ouro nas montanhas.

E
quando Manuel Branco pisou na capital portuguesa, a curiosidade acendeu-se em
toda a gente. Todo o mundo queria conhecer o homem que vinha da grande terra
onde a terra era de ouro.

E
em volta da riqueza do bandeirante correram no mesmo dia lendas de endoidecer.
Nem nas Índias havia nababo igual. Na sua casa tudo era de ouro: os pratos, as
taças, os jarrões, as cadeiras, os móveis. Com ouro as suas filhas se empoavam
quando saíam a passeio. De ouro os arreios de seus cavalos, de ouro as cadeias
de seus escravos.

E quando se
soube a notícia do presente que o nababo brasileiro, em seu nome e no nome de
outros nababos do Brasil, trazia para o rei, houve um pasmo em todo o reino.

Era, na
verdade, um presente dê deixar todo o mundo surpreendido. Nada mais, nada menos
do que um cacho de bananas de ouro maciço e de tamanho natural.


Era para
receber o presente que Manuel Branco le­vava para o monarca que o palácio real
se abria, festiva­mente, naquela manhã.

Queria
toda gente conhecer o enviado do país fabuloso em que o ouro era tanto que
amarelava as águas dos rios.

Queria
toda gente verificar se realmente havia no mundo alguma terra tão abundante em
ouro que, com ouro, se podia fazer um cacho de bananas do tamanho dos cachos
das bananeiras.

E
quando Manuel Branco entrou nos salões houve uma agitação de curiosidade em
todo o palácio. Damas, frades, fidalgos, monsenhores, puseram-se nas pontas dos
pés, esticaram o pescoço para ver aquele homem forte, tos­tado de sol, de ares
rudes, que olhava tudo aquilo com um ar de senhor.

Branco
caminha até junto do rei e ajoelha-se como é de praxe. Sua majestade, por uma
distinção que só se faz aos grandes, dá-lhe a mão, ergue-o.

Ao lado do
bandeirante paulista um pajem carrega um enorme volume enrolado em sedas brilhantes.

É o cacho de bananas que o Brasil mandou
a el-rei. O brasileiro desenrola-o. Um rumor de surpresa pelos salões.

-Ah!

É enorme e
todo de ouro, e de ouro maciço! E pesa mais de uma arroba!

Os
olhos do monarca se enternecem. Assim, sim! assim vale a pena ser rei!  rei de
um país, onde o ouro é

 


Não falas ?   Não pedes nada
?

tanto que, com ele, se
pode fazer um cacho de bananas! rei de um país, onde os súditos são tão leais e
generosos que mandam um cacho de bananas de ouro maciço ao seu soberano! E sua
majestade vem olhar de perto o presente. E apalpa-o, toma-lhe o peso.


Mais de uma arroba!


Mais de uma arroba! Assim, sim!

Para um
vassalo que traz ao rei um presente tão rico o rei deve ser generoso.

E encarando Manuel Branco o monarca fala:

— Podes
pedir o que quiseres. Qualquer pedido que
faças, será imediatamente atendido.

O salão
inteiro emudece. Aquilo é uma graça que el-rei não faz a qualquer.

E todo o mundo espera que o brasileiro fale.

E o
brasileiro não fala. Ar sereno, superior, sorri apenas.

— Fala,
Manuel Branco! ordena o rei. Pede o que
quiseres, pede!

Branco,
de novo, fica silencioso. Apenas sorri. Um sorriso que parece o sorriso de um
senhor de imensos do­mínios.

O rei insiste:


Não falas?  Não pedes nada? E o
brasileiro murmura:


Eu, pedir?

 


E apontando o cacho de bananas de ouro maciço, rutilando
ao seu lado:

— Pois se eu vim dar!

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