COMPARAÇÃO DE ARISTIDES COM MARCOS CATÃO – Vidas Paralelas

COMPARAÇÃO DE ARISTIDES COM MARCOS CATÃO – Vidas Paralelas

COMPARAÇÃO DE ARISTIDES COM MARCOS CATÃO
Plutarco – Vidas Paralelas

Bem, agora que registramos por escrito os feitos mais notáveis e mais dignos de nota desses dois grandes personagens, queremos conferir toda a vida de um com toda a vida do outro. Não será, naturalmente, fácil discernir a diferença que existe entre eles, que se acha obscurecida e escondida debaixo das várias e grandes semelhanças. Mas, se os compararmos um com o outro, minuciosamente, como costumamos comparar poesias ou quadros de arte, logo de início iremos percebendo o que há em comum nos dois: sem ter outra coisa que os elevasse ou que os recomendasse, somente pela virtude e suficiência próprias, ambos ocuparam elevados postos na administração pública, onde adquiriram renome e grandes honrarias.

(57) Catão Salonino.
(58) Catão da Ütiea.

II. Mas, segundo me parece, quando Aristides começou o trato com os negócios públicos, a situação e o domínio de Atenas ainda não estavam em evidência, sendo-lhe fácil progredir, porque os governadores e capitães de seu tempo, seus competidores, não eram muito ricos e nem tinham grande influência sobre os outros. O imposto que pagavam os mais ricos, entre aqueles que viviam em Atenas naquele tempo, era dos que tinham renda no valor de quinhentos minots de trigo ou menos, chamados por esse motivo, penta-cosiomedimni (59). A segunda taxa era daqueles que tinham trezentos e eram chamados cavaleiros. A terceira e última era de duzentos e os chamavam de zeugitas. Quanto a Marcos Catão, saindo de uma cidadezinha do interior e deixando a vida campestre e rústica, foi em cheio atirar-se, por assim dizer, no pélago infinito do governo romano, o qual não era dirigido por magistrados e capitães como existiram antigamente um Cúrio, um Fabrício, um Hostílio. O povo romano não entregava mais a magistratura e cargòlá elevados a homens simples, acostumados a trabalhar com seus braços, que vinham ainda viçosos por haverem puxado a charrua ou manejado o enxadão, mas já estava habituado a considerar a nobreza das casas e as riquezas, bem como aqueles que despendiam dinheiro ou que solicitavam com insistência. Assim, fazia-se cortejar pelos que aspiravam as honrarias e as funções públicas, pois não era o mesmo ter como rival e adversário um Temístocles, o qual não era de casa nobre e nem rico, pois segundo se diz, os bens que seu pai lhe deixou não iam além de quatro ou cinco talets (60) quando começou a se imiscuir nos negócios do Estado, com cujo preço devia competir no primeiro lugar, em honra e autoridade, contra um Cipião Africano, um Servílio Galba, um Quíncio Flamínio, sem outro suporte ou apoio senão uma língua livremente falada, dirigida pela razão e pela justiça.

(59) Ver a vida de Sólon, liv. I, cap. 30, onde são citadas essas elas»«s de Atenas e suas rendas.

III. Com vantagem, Aristides, na batalha de Maratona e na de Platéia, não era senão um dos dez capitães dos atenienses, ao passo que Catão foi eleito um dos dois ao consulado, entre diversos competidores poderosos, sendo que o seu próprio companheiro já se achava investido das funções de censor, além de outros sete solicitantes, dentre os mais notáveis de toda a cidade, os quais suplantou. Ainda mais, Aristides, em nenhuma das vitórias ganhas, pode se dizer que foi o primeiro, pois na de Maratona, Milcíades se destacou em primeiro lugar; na de Salamina, Temístocles e, na de Platéia, o principal papel coube a Pausânias, que conforme diz Heródoto, ganhou uma bela vitória. Há a citar também os que lutaram em segundo lugar contra Aristides, como um Sófanes, um Amínias, um Calímaco e um Cinegiro, todos eles praticando atos de bravura nessas batalhas. Em oposição a isto, Catão foi, não somente o primeiro e o principal chefe em seu exército, tanto pelos seus feitos como pela sua orientação durante a guerra na Espanha, no tempo de seu consulado, mas também mais tarde, quando o rei Antíoco foi derrotado no passo das Termópilas, onde atuava como capitão comandando mil soldados de infantaria, sob o comando de um outro cônsul, e ali levantou êle as honras da vitória, abrindo as portas aos romanos para que fossem no encalço de Antíoco, o qual foram surpreender pela retaguarda, quando o mesmo cuidava não ter que se ocupar senão da frente. Esta vitória foi uma das obras mestras de Catão, que expulsou a Ásia para fora da Grécia e abriu caminho para que Lúcio Cipião passasse depois à Ásia.

(60) No grego, três ou cinco talentos.

IV. Assim, portanto, com referência aos feitos de armas nem um nem o outro jamais se viram vencidos nem derrotados em qualquer batalha. Mas quanto a sua atuação nos tempos de paz e em matéria de governo, Aristides foi vencido e suplantado por Temístocles, que por meio de suas tramas, tanto fêz que o atirou para fora de Atenas, levando-o ao exílio durante algum tempo, ao passo que Catão, tendo como inimigos conjurados quase todos os maiores homens, os mais nobres e os mais poderosos que existiam em Roma no seu tempo, continuamente combateu contra eles, até a sua velhice, preservando-se, como um firme e rígido campeão de luta, de ser derrubado por terra. Acusou muitos e jamais foi condenado, nem uma só vez, tendo sempre como defesa de sua vida, para provar sua inocência, a sua língua, que era útil, pois sabia ajudar-se a si mesmo ao praticar grandes e belos feitos, ao que, segundo meu modo de pensar, deve-se atribuir a não ter nunca sofrido indignamente, nem nunca ter sido condenado injustamente, e não que se deva levar isto à conta de sorte favorável ou à guarda de algum deus (61). De fato. a eloqüência é uma grande coisa, como bem testemunha Antípater ao escrever sobre o filósofo Aristóteles depois de sua morte, dizendo que entre os dons singulares e perfeições que nele existiam, havia um que era soberano, o dom de bem falar, que persuadia o ouvinte ao que êle desejava.

V. Ora, segundo consenso quase universal, o homem não pode obter nem adquirir virtude nem ciência maior do que a política, isto é, a arte de saber governar e dirigir uma grande multidão de homens, como numa grande cidade; segundo a opinião de muitos, a econômica, ou arte de dirigir um lar, é uma das principais partes daquela outra, levando em conta que uma cidade não é outra coisa senão uma assembléia de vários lares e casas reunidas, sendo então a cidade, forte e poderosa publicamente, quando seus cidadãos são ricos e opulentos particularmente.

(61) No grego: ou a »eu gênio. Todo o mundo sabe que os antigos acreditavam em gênios de uma natureza intermediária entre os deuses e os homens; eram eles que. por seus conselhos e sua influência, determinavam os cortes do destino. Homero não conheceu esta espécie, nem a deusa Fortuna. Com êle, são os deuses subalternos que ocupam estas funções.

Licurgo, que excluiu o uso do ouro e da prata entre os lacedemônios, estabelecendo a moeda de ferro; ainda assim estragada com o fogo e o vinagre, não proibiu aos seus concidadãos essa atenção à economia do lar, mas apenas diminuiu as coisas supérfluas, os prazeres, a avareza e o ardor em juntar, que ordinariamente acompanham as riquezas. Mas, também pôde ver bem as coisas, tanto que reformou as leis do passado para que seus patrícios fizessem provisão de tudo o que era necessário à vida do homem, com receio de que viessem habitar sua cidade e gozar de seus benefícios, um desertor (62) necessitado e indigente, sem bens ou propriedades, ainda mais do que um presunçoso, insolente e soberbo pela sua grande riqueza.

VI. Penso que Catão não foi menos bom pai de família do que bom e sábio dirigente, pois aumentou honestamente seus bens, ensinando aos outros a maneira de os multiplicar por meio de uma boa direção e pela inteligência no trabalho, ensinos estes que se encontram nos livros que escreveu, nos quais reuniu diversos preceitos nesse sentido. Ao contrário, Aristides, por sua pobreza, desacreditou e mesmo tornou odiosa a justiça, como sendo causadora da ruína da casa do pobre, sendo mais proveitosa para os outros, aqueles que têm posses e até aos que a exercem. Todavia, o poeta Hesíodo nos recomenda tanto e tão bem a justiça, admoestando-nos a dirigir sempre com diligência o nosso lar e censurando aos que nada querem fazer, como o princípio e a fonte de todas as injustiças. Portanto, parece-me que Homero fala mui sabiamente naquela estrofe onde diz:

Eu jamais amei trabalhar,
Nem da direção da casa cuidar
Para meus filhos alimentar
E bem adquirir.

Mas amei as armas e a guerra,
Sobre barcos e galeras correr o mar
E arcos e dardos manejar (63).

Como queremos dar a entender, são duas coisas relativas, necessariamente acorrentadas uma à outra: aquele que não cuidou de si e de sua casa, vive injustamente, apropriando-se do alheio, pois a virtude não é como o óleo que os médicos dizem ser muito bom para o corpo humano quando utilizado exteriormente e, ao contrário, muito ruim, quando usado internamente. Assim, o homem justo não deve procurar ser proveitoso aos estranhos e, no entanto, não ter cuidados para consigo mesmo e para com os seus.

(62) Um homem sem recursos.
(63) Homero Odissóia, liv. XIV, vers. 222.

VII. Portanto, segundo a minha opinião, as virtudes políticas e civis de Aristides eram defeituosas nesse sentido; é verdade que a maioria dos autores escreve não ter êle tido a previdência de deixar às suas filhas nem o necessário para poderem se casar e nem mesmo para o seu próprio enterro, enquanto que a casa de Catão, até a quarta geração, deu magistrados e cônsules a Roma, pois os filhos de seus filhos e, ainda mais os filhos dos filhos de seus filhos conseguiram em Roma cargos e situações as mais honrosas. Aristides foi, em seu tempo, o maior homem da Grécia mas deixou sua posteridade numa pobreza tão grande e tão extrema, que entre os seus descendentes, uns foram obrigados a ser adivinhos, daqueles que interpretam os sonhos e dizem a boa sorte para ganhar a vida, outros viveram esmolando publicamente por necessidade, pois não deixou êle meios a nenhum para que pudessem fazer alguma coisa grande ou digna de si.

VIII., Entretanto, este aspecto que estou discutindo, que poderia ocasionar ou deixar alguma dúvida, precisa ser esclarecido. A pobreza não é, em parte nenhuma, nem má, nem afrontosa em si, a não ser quando é causada pela preguiça, por uma vida desonesta, gastos supérfluos e loucura, porque quando ela encontra um personagem saudável, trabalhador, diligente, justo, corajoso, sábio e bom dirigente da coisa pública, então isto se torna uma grande prova de magnanimidade e de valor, pois não é possível que alguém realize grandes feitos, tendo o pensamento ocupado sempre com ninharias e nem que possa socorrer os indigentes, quando êle mesmo é um indigente (64). Não é a previsão a mais necessária àqueles que desejam, como homens de bem, se embaraçar e intrometer-se na administração pública, mas sim a eficiência, a qual satisfaz por si, pois não desejando pessoalmente qualquer coisa supérflua e não desviando nunca a sua atenção, pode pensar e ocupar-se dos negócios públicos. Pois os deuses são os únicos que não têm, simplesmente e absolutamente, trabalho por nada, porque a mais elevada virtude do homem e a mais próxima da divindade deve ser considerada aquela que faz o homem se ocupar menos destas coisas. Assim, em tudo, como num corpo bem formado, de boa compleição, não precisa tanto de bom alimento ou de trajos curiosos. Uma casa saudável e limpa precisa de pouco, sendo que os utensílios devem ser proporcionais ao uso e à necessidade, porque aquele que junta muito e passa com o pouco, não tem suficiente aptidão. Pois que não faça grandes despesas aquele que trabalha loucamente e junta mais do que precisa. Se lhe apetece, mas por sovinice, não gasta e aproveita o fruto de seu trabalho, é um miserável.

(64) Refere-se à indigência moral ou cupidez.

IX. De acordo com este motivo, perguntarei de boa vontade a Catão: — Se os bens não são feitos para serem usados, por que te glorificas de haver ajuntado muito, quando o pouco era bastante? Se é coisa elogiável, como verdadeiramente o é. contentar-se do pão o primeiro achado, beber do mesmo vinho que os criados de quarto e os operários, não se preocupar em ter trajos tintos de púrpura, nem casas cujas paredes sejam rebocadas ou caiadas, seguindo-se que nem Aristides, nem Epaminondas, nem Mânio Cúrio, nem Caio Fabrício emitiram ou esqueceram seus deveres quando nunca se preocuparam em adquirir aquilo que não quisessem jamais usar. Pois não equivale a nenhuma necessidade, o homem considerar os rábanos e os nabos as melhores comidas do mundo, aquecê-los em seu fogão enquanto sua mulher amassa os pães, manter luxo e falar de um asse, que valia aproximadamente quatro moedas e meia, nem se preocupar escrevendo alguma obra de arte ou mesmo sobre qualquer indústria, se pudesse logo enriquecer. É verdade que contentar-se com o pouco é coisa bela e elogiável, porque isto nos separa do desejo das coisas desnecessárias que nos preocupam. Portanto, conforme Aristides disse ao advogar a causa do rico Cálias, aqueles que eram pobres contra a sua vontade, deviam ter vergonha de sua pobreza, mas os que o eram voluntariamente, podiam e deviam ser elogiados, pois seria tolice pensar que a pobreza de Aristides procedesse da covardia e da preguiça, atendendo que podia, sem cometer qualquer ato mau ou desonesto, enriquecer-se rapidamente, apropriando-se somente dos despojos de algum dos bárbaros que havia derrotado ou aproveitado alguma de suas tendas. Mas é bastante. Não vou discorrer mais sobre este assunto.

X. Em resumo, referindo-me às vitórias e batalhas que Catão ganhou, em nada as mesmas ampliaram o império romano, que já era tão grande que não podia mais aumentar. As de Aristides, entretanto, se enquadram nos feitos mais notáveis dentre os praticados pelos gregos, como a de Platéia, por exemplo, não sendo entretanto razoável comparar o rei Antíoco com o rei Xerxes, nem as muralhas das cidades espanholas que Catão mandou demolir, com os milhares de bárbaros que foram derrotados e passados ao fio da espada, tanto em terra como no mar, pelos gregos, em cujas ações Aristides não ficou relegado a segundo plano, pois corajosamente pôs mãos à obra e, no entanto, cedeu as honras desses feitos àqueles que desejavam mais que êle, com a mesma facilidade com que deixou o ouro e a prata aos que tinham mais urgência, no que demonstrou sobejamente ser pessoa mais digna do que todos os outros.

XI. Afinal, quanto a mim, não quero em absoluto reprovar o hábito de Catão se elogiar a si próprio, de maneira tão expressiva, preferindo-se a todos os outros, conforme êle mesmo refere em alguns de seus discursos, de que elogiar-se a si mesmo não é coisa tão inoportuna como o fato de menosprezar-se e desprezar-se, mas parece-me que aquele a quem não apetece ser elogiado é mais perfeito em suas qualidades do que aquele que comumente se louva a si próprio, pois não ser ambicioso é uma grande parte no trato requerido ao que deseja viver entre os homens, na administração pública. Ao contrário, a ambição é um vício odioso, que inspira grande inveja ao que a ela se agarra, do qual Aristides estava totalmente liberto e Catão muito viciado. Aristides auxiliou a Temístocles, seu principal inimigo, servindo-lhe mesmo de soldado e satélite em seu cargo de capitão-general, tornando-se ministro de sua glória, o que deu em resultado a salvação da cidade de Atenas. Catão, pelo contrário, opondo-se e resistindo às empresas de Cipião, procurou impedir sua viagem e sua expedição a Cartago, na qual derrotou Aníbal que até ali era invencível e continuou sempre, até o final, a levantar suspeitas e algumas calúnias contra o seu desafeto, procurando sempre expulsá-lo da cidade e mandou condenar seu irmão Lúcio Cipião por fraude e desvio em seu cargo.

XII. Quanto à temperança e abstinência que Catão sempre exaltou e ornou com os mais belos elogios, Aristides sempre se conservou limpo. Mas as segundas núpcias de Catão, tomando uma moça que não era de família conveniente à sua idade e à sua dignidade, dão margem a um juízo, não sem razão aparente, que ficasse suspeito por luxúria, não havendo jeito para se desculpá-lo ou dar uma aparência honesta ao caso, pois encontrando-se já em idade imprópria para se casar, não trepidou em levar para seu filho casado e sua nora, dentro de casa, uma madrasta que além de tudo era filha de um escrevente e escriba público, que fazia de notário e recebia dinheiro daqueles que se utilizavam de seus serviços. Seja porque tenha feito isto por volúpia ou por despeito, para se vingar do fato de ter seu filho olhado de maneira repreensiva a rapariga que ia encontrá-lo antes, de qualquer forma um e outro se viram às voltas com a sua vergonha, tanto o efeito como a causa. A desculpa que alegou a seu filho, que se casava novamente porque desejava verdadeiramente ter outros filhos que fossem pessoas de bem como o seu primogênito, não procede porque se assim fosse, teria procurado, logo após o falecimento de sua mulher, diligentemente, uma outra esposa de família honesta, não se contentando em se deitar com uma rapariga comum até que seu filho percebesse. Depois, quando se viu descoberto, aliou-se àquele cuja aliança não era honrosa, porém mais cômoda e mais fácil de obter.

 


Fonte: Edameris 1960. Vidas dos Homens Ilustres, tomo III. Tradução de José Carlos Chaves a partir da edição francesa de Amyot.

 

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