Consciência - Filosofia e Ciências Humanas

Biografia de Erasmo de Rotterdam



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02/7/98

Biografia de Erasmo de Rotterdã

Traduzido de uma edição Argentina de "Elogio da Loucura"

    Desidério Erasmo nasceu em Rotterdã no dia 28 de outubro de 1467 e faleceu na Basiléia em 11 de junho de 1536. É um pensador humanista de grande importância, ligado ainda à teologia. Filho de Gerardius de Präel, que morreu quando Erasmo tinha treze anos, em 1480. Era chamado de " filho de Geraldo", pois  era comum naquela época os filhos serem conhecidos pelos nomes dos pais. Começou seus estudos em Guda, e pouco depois passou para a catedral, como pajém. Foi então para a célebre escola de Alexandre Hegius, em Deventer, até que morreu sua mãe. Então parou de estudar, por falta de recursos.
    A pedido de seus parentes e tutores, foi para o seminário de Bois-de-Due. Devido seu caráter introspectivo e por ser um estudioso aplicado, julgavam-no apto para seguir a carreira monástica e tornar-se padre. Porém, nos três anos em que Erasmo passou como seminarista, não ocupou-se muito com a filosofia e com a religião, preferindo a música e a pintura.
    Após este período, voltou para Guda, onde viveu com seus tutores. Lá, com 19 anos, decidiu seguir a vida do claustro, junto com seu amigo Cornelio Verdenius, antigo companheiro em Deventer. Foi então para o convento de Stéin o Emmaus, nos arredores de Guda. Após mais um tempo no convento, decidiu definitivamente que não havia nascido para monge. Mas para não desagradar seus parentes, fez os votos e continuou estudando. Enquanto seus companheiros de monastério se dedicavam aos cultos religiosos, Erasmo ia sozinho para a biblioteca e lá passava horas estudando, fazendo anotações. Isto levou a formação de uma cultura superior, que mais tarde tornou-se a causa de seu êxito intelectual e da fama de sua erudição. Se entusiasmou com as obras do humanista Lorenzo Valla, e em companhia de seu amigo Guilherme Hermann – que tornou-se poeta lírico – , aprendeu a língua latina. A língua latina era a língua escrita por execelência, além de ser básica na Igreja católica, que ainda dominava em grande parte a cultura da Idade Média. O conhecimento do Latim possibitou a Erasmo fazer-se entender em outros países.
    Erasmo, orfão de pais desde cedo, obrigado a viver a vida regrada dos monastérios, já exercia no começo de sua juventude a agudez satírica que o consagraria mais tarde em seu Elogio da Loucura. Por essa época, divertia-se com pequenos ensaios, como o “De Contemptu Mundi”, que ironizava  a vida dos monges, relevando o aspecto mundano destes.
    Felizmente, não precisou continuar muito mais tempo nesta vida, pois graças ao seu bom latim, foi nomeado por seus superiores para acompanhar até Roma Enrique de Bergen, bispo de Cambrai, a quem o papa havia concedido o título de cardeal. A viagem durou bastante e o cardeal foi seu protetor durante este tempo. Para acompanhá-lo, Erasmo foi ordenado presbítero. É uma constante da vida de Erasmo a ajuda e o suporte de amigos, mecenas e pessoas poderosas que se interessavam pela cultura.
    Em 1486, Erasmo foi para Paris terminar seus estudos. Se instalou no colégio Montaigú, onde sentia repugnância pelos ensinamentos teológicos e pela comida, que era basicamente a base de peixe, alimento que lhe fazia mal. Aguentou durante três meses esta situação, até que lhe autorizaram a voltar para Cambrai, onde residiu por mais um ano. Lá se curou das enfermidades que lhe ocorreram durante sua estada na França.
    Ao cabo deste ano, voltou a Paris, mas sem a proteção de Enrique de Bergen, que havia falecido, foi obrigado a se iniciar como professor particular para sobreviver. Conseguiu alguns discípulos ricos, que lhe davam excelente pagamento. Entre seus discípulos estava Guilherme Mountjoy, um inglês, que gostava muito de Erasmo e lhe acolheu em sua casa, com o consentimento de seus pais, estes muito estimaram a presença de um professor de maneiras corretas e grande cultura.
    Foi então que uma grande peste assolou Paris, e centenas de habitantes começram a morrer diariamente. Erasmo fugiu para o sul da França, onde travou amizade com a marquesa Ana de Vera, que também ficou encantada com Erasmo e passou a lhe fornecer uma pensão de cem florins.
    Pouco tempo depois Erasmo foi para Orleans, onde permaneceu três meses na casa do catedrático Jaime Tudor, que havia conhecido em Cambrai, onde Tudor lecionava direito canônico.
    Em 1497, foi com seu discípulo Guilherme Mountjoy para Londres, onde permaneceu até 1500. Lá visitou a Universidade de Cambridge e Oxford, onde travou amizade com os mais insígnes humanistas da época, como Thomas More – de  quem tornou-se grande amigo – , Juan Coleti, Guilhermo Crocyn e Latimer.
    Thomas More o apresentou ao rei Henrique VII, que o recebeu com muita estima, pois Erasmo sempre se fazia simpático e amigável com os poderosos.
    Na Universidade de Oxford, terminou seus estudos em grego, um idioma que só os eruditos conheciam na época. Este conhecimento serviu de ponte para sua relação com o douto filósofo Juan Colet, que lhe deu a conhecer obras importantíssimas, como a primeira versão da Bíblia. O conhecimento deste manuscrito foi decisivo para Erasmo se apartar da filosofia escolástica.
    Volta então à França, passando pelas cidades de Paris, Orleans, e Lovaina, analisando as obras curiosas das bibliotecas locais.
Vivendo quase que exclusivamente da escrita, como acontecia com a maior parte dos humanistas.  Começou a publicar vários livros e tratados, que chamaram a atenção dos estudiosos e lhe conferiram uma grande autoridade intelectual. Os poderosos e magnatas passaram a solicitar a companhia de tal estudioso, tão versado nas ciências filológicas e literárias.
    Em 1504, o encarregaram de recepcionar o novo governante, o arquiduque Felipe, recebendo por este trabalho 50 moedas de ouro, o que solucionou seu problema financeiro por dois anos. Pouco tempo depois, na Louvania, travou relação com um grupo de teólogos, entre os quais o futuro Alexandre VI e o fransciscano P. Vitrarius, que se tornou seu amigo íntimo e o ajudou economicamente depois.
    Graças a um mecenas de Lovaina, editou as obras de um de seus autores prediletos, o sábio Lorenzo Valla. Se dedicou às obras sobre o Novo Testamento deste sábio, e escreveu para elass um prefácio considerado interessantíssimo, que foi muito comentado em todas as partes.
    Um dos grandes desejos de sua vida era conhecer bem a Itália, mas as suas ocupações e problemas financeiros não permitiam a realização de tal projeto.
    Seus numerosos amigos de Londres lhe facilitaram uma cátedra em Cambridge, onde lecionava seu antigo discípulo Guilhermo, que sempre o estimou.
    Em 1506 Erasmo finalmente realizou seu desejo de viajar para a Itália, passando antes por Paris e Lion, cidade que lhe agradou muitíssimo. Passou por Turim, cuja Universidade lhe concedeu o título de doutor em teologia, sendo muito admiradas as suas aulas, que expunham de forma original e convidativa os textos cristãos.
    Residiu brevemente em Bologna – que era um grande centro cultural italiano – passando pouco depois à Florença, onde também foi homenageado pelas universidades e centros de cultura. Regressou pouco tempo depois à Bologna, onde o papa Jacob II o saudou, e lhe disse que seria muito bem vindo em Roma, se resolvesse lá fixar residência.
    Foi para Roma e lá ficou durante um ano, sendo estimado por todos, pois o papa não parava de elogiar os profundos conhecimentos de Erasmo, que nesta época já era famoso em toda Europa.
    Encaminhando-se em Veneza, travou amizade com o impressor Aldo Monucio, que pouco tempo antes, em 1500, havia publicado uma obra sua, chamada Adágios. Aldo foi seu anfitrião em Veneza, mas Erasmo demonstrou ingratidão ao satirizar Aldo e sua família.
    Em 1508, Erasmo abandonou Veneza, e passou uma curta temporada em Pádua, retornando depois para Roma. No caminho parou por alguns dias na cidade de Siena, onde visitou um antigo aluno.
    O êxito de seu adágio lhe valeu novas amizades e o ingresso nos círculos culturais, e também uma infinidade de alunos, que ansiavam por aprender suas lições.
    O papa o dispensou de seus votos clericais, que havia assumido anteriormente. E isso permitiu-lhe uma maior liberdade para se vestir e uma maior flexibilidade de costumes.
    Quando Henrique VII  – que  Erasmo conhecera quando este era princípe herdeiro - assume o trono da Inglaterra, insiste muito para que fique com ele, pois lembrava das lições de Erasmo na Universidade de Cambridge.
    Por volta do ano de 1511, permaneceu um ano na localidade de Addington, a convite do arcebispo de Canterbury. De lá saiu por ser uma província demasiado pequena e não poder relacionar-se com pessoas mais instruídas, como costumava fazer.
      Nesta época começou  a sentir-se mal de saúde, sofrendo enfermidades e moléstias, por conta do clima nebuloso da ilha. Passou a pensar em morar num melhor clima, onde pudesse ainda manter-se estudando.
    Em 1513 foi para a Alemanha, passando pelas cidades mais importantes até chegar à Basiléia. Era sempre bem recebido por onde chegava. Na Basiléia foi chamado novamente pela corte inglesa, onde permaneceu até 1516, indo então para a Holanda, na corte do jovem monarca Carlos, que lhe nomeou seu conselheiro, assegurando-lhe uma pensão de 400 florins. Erasmo não era obrigado a morar com ele e pouco trabalhava. Isto lhe deu liberdade para que viajasse a vontade às custas do estado.
    Com o dinheiro da pensão, Erasmo comprou uma casa sossegada num lugar aprazível, onde se rodeou de comodidades, afim de passar confortavelmente o inverno. Erasmo sempre sofreu com o inverno, e por isto desta vez equipou bem a sua casa, com estufa e forros na parede.
    Sua prosperidade foi crescendo, e com o dinheiro que sobrava, subsidiava jovens estudantes que mostravam predisposição para a filologia e a literatura. Aos políticos que lhe vinham pedir conselho, geralmente não atendia, pois não se considerava político e achava que isso deveria ser feito só pelos que se dedicavam à essa área, a qual não tinha vocação. A vida de Erasmo era totalmente dedicada ao labor intelectual, e tudo que estivesse fora disto era evitado.
     Os lugares de  preferência de Erasmo era a Lavaina, Basiléia, Bruxelas, Amberes e Londres. Em Londres ia sempre que o monarca inglês solicitava seus serviços. Residiu durante muitos anos na sua tranquila propriedade da Basiléia, estabelecendo notável correspondência com os filósofos e eruditos mais celébres de seu tempo, como Escolampadro, beato Rheananus e Gloreano.
    Com a chegada da reforma na Alemanha, Erasmo se vê obrigado a emigrar, indo pra Friburgo de Brisgau, onde adquiriu uma casa modestíssima, que preparou conforme seu gosto, para poder se dedicar à escritura e a à leitura, únicos prazeres verdadeiros de sua vida de solitário.
    Erasmo, que deixara a Basiléia por ser contra os protestantes, começa a ser hostilizado também na Holanda, com a instauração das doutrinas protestantes em sua pátria. Isto lhe fez perder sua serenidade. Tanto católicos como protestantes vinham pedir seus conselhos sobre qual era a melhor forma de praticar a religião.
    Aplacadas as lutas ideológicas, marchou para Roma, onde o papa Paulo III lhe deu um priorato em Deventer. Marchou para Paris, mas antes deteve-se alguns meses na Basiléia, onde imprimiu algumas de suas obras. Mas as enfermidades voltaram a ficar graves e durante  o inverno, que lhe foi terrível, se viu obrigado a permancer mais tempo. ficou em sua casa na Basiléia debaixo das cobertas, completamente doente.
    Na convalescência, chegou a começar uma edição crítica das obras de Orígenes, mas por pouco tempo. Em 11 de junho de 1536 falecia aquele que era chamado de ” o príncipe dos humanistas”. Grandes foram as homenages que lhe foram prestadas em quase toda a Europa. Na Espanha seu nome gozou de especial predileção, pois muitos discípulos escreviam inúmeros estudos a seu respeito, o que ficou conhecido como erasmismo. Seu corpo foi sepultado na catedral da Basiléia.


Outro texto sobre Erasmo.

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19 Comentários para “Biografia de Erasmo de Rotterdam”

  1. 19
    Oreste Filho:

    Parabéns pela iniciativa do site. O mundo precisa de mais iniciativas como esta. Quanto ao tamanho do texto, deixo aqui minha sugestão baseado em experiência própria; não olhem para o tamanho do livro, mas sim para o seu conteúdo, pois muitos deixam de experimentar um dos grandes prazeres da vida por causa deste tipo de pensamento. Comecem lendo uma página por dia, se não puderem ler mais, porém não desistam. Quando se pega gosto pela leitura por maior que seja o livro quando se chega ao final fica sempre aquele gostinho de “queria mais”. Um abraço a todos.

  2. 18
    O Elogio da Loucura – Erasmo de Rotterdam « Saiu da Gaveta:

    [...] Desidério Erasmo nasceu em Rotterdã no dia 28 de outubro de 1467 e faleceu na Basiléia em 11 de junho de 1536. É um pensador humanista de grande importância, ligado ainda à teologia. Filho de Gerardius de Präel, que morreu quando Erasmo tinha treze anos, em 1480. Era chamado de " filho de Geraldo", pois  era comum naquela época os filhos serem conhecidos pelos nomes dos pais. Começou seus estudos em Guda, e pouco depois passou para a catedral, como pajém. Foi então para a célebre escola de Alexandre Hegius, em Deventer, até que morreu sua mãe. Então parou de estudar, por falta de recursos. (fonte) [...]

  3. 17
    Miguel (admin):

    @nathalia: essa propaganda do google não é sobreposta ao texto, a linha quebra e continua embaixo, é só prestar atenção. Experimente clicar no botão de impressão também.

  4. 16
    nathalia:

    nao consigo ler por causa da propraganda do omo

  5. 15
    marcio:

    poow meu nome e marciio
    o meu prof de historia passou esse trabalho pra mim eu nao sabia nada mas esse site e mt legal e me ajudou bastante
    vlw

  6. 14
    Giovana:

    Gostei do site, é bem legal, oo texto apesar de ser imeeeeenso é ótimo…Só copiei para o meu trabalho de historia pq ja tinha e tbm pq tenho q decorar e é muito grande…
    Bjs…

  7. 13
    Miguel (admin):

    O tradutor sou eu, o livro está em mal estado e não tem o nome do autor do ensaio, é uma edição argentina antiga, deixa eu ver aqui…

    Editorial Tor.

    Abs

  8. 12
    Pedro Paulo:

    Gostaria de saber o nome do tradutor deste artigo, juntamente com todas as fontes bibliográficas! por caridade!

  9. 11
    Kah e Pattynha:

    ~♥ Adooramoos o siite!

    Eraasmo fooi um graande filosofoo e humaniista…

    Adooraamoos conheeceer maaiis soobree a viida deele

    Seerviiu de graande auxiiliio paara aumeentaar noossoos conheeciimentos soobre os HUMANIISTAAS!!!!

    beeiijoO³

    ;*

  10. 10
    icaro:

    pelomenos esse e menor que o outro
    MAS CONTINUA GRANDE

  11. 9
    moises:

    emuito grande e quase eu ñ terminava

  12. 8
    Tainá:

    Essse texto é muiiitoo grandeee..
    UAEUAHEUAHE
    mais explica tudo muito bem :D
    beeeijo :*

  13. 7
    Ariane:

    Oi, me chamo Ariane…
    Pode ser naany.
    Olha, o meu professor de história, o professor Jonatas, passou um trabalho pra mim e pro Diego sobre Desidério Erasmo.
    Eu nunca tinha ouvido falar, eu nem li este texto gigante, vou procurar em outro lugar, bem mais fácil.
    Mais o site é bem legal, parabéns para o dono.

  14. 6
    aninadaby rei souza:

    bom isso e uma hitoria em tanto esse cara foi um muito inteligente ,sempre e bom ficar sabendo um pouco sobre a ”vida desse tipo de pessoa ”como erasmo no caso principalmente eu que estou começando a me interessar por filosofia agora .

    meu nome e aninadaby tenho 16 anos e me enteresso muito por esse tipo de assunto

  15. 5
    Leti:

    Vixe mariaa q textão!!!

  16. 4
    LUANA:

    ESSE TEXTO E MUUUUUUUUUUUUUITO GRANDE!!! RSRSRSRSRSRS!!!!!

  17. 3
    Benian Euclides da Silva:

    Eu gostaria conseguir algun tipo de avaliação relacionado com a vida do filósofo NIETZSCHE.

  18. 2
    carlos:

    gostaria de receber textos dos sobre os mais diversos filosofos,pricipalmente resumos de livros,um deles é o principe de maquiavel ou a ultopia de more

  19. 1
    Marisa Stabilito:

    Muito bom o texto, mas cuidem com a grafia: erros de digitação e de tradução.

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